julho 27, 2016

Pioneiros do Setor Elétrico Paulista !

  
Pioneiros do Setor Elétrico
O resgate da história da implantação da energia elétrica em Botucatu e no Estado de São Paulo é muito importante. Assim, o histórico dos pioneiros do setor elétrico que preparamos para o livro “MEMÓRIAS DE BOTUCATU”, de 1990, precisava ser incorporado à internet. E é o que faremos após dar o devido destaque ao grande pioneiro, desbravador do interior paulista, o engenheiro MANFREDO ANTONIO DA COSTA.


Na CONSTITUINTE PAULISTA, em 1934, São Paulo pode conseguir os objetivos de sua participação na REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932, ou seja: Autonomia Administrativa e Pleno Estado de Direito através de uma Assembléia Constituinte!
E nas eleições constituintes de 1934, a cidade de Botucatu elegeu o advogado DANTE DELMANTO, com a maior votação do Estado, como seu Deputado Estadual Constituinte. No entanto, Botucatu tinha estreita ligação com outros dois deputados estaduais constituintes eleitos: o botucatuense ELIAS MACHADO DE ALMEIDA, eleito pela Capital e MANFREDO ANTONIO DA COSTA, eleito por Campinas. E mais, pela nossa região, também foi eleito deputado estadual constituinte, ADHEMAR PEREIRA DE BARROS (futuro interventor, governador e prefeito de São Paulo), da cidade de São Manuel.

MANFREDO COSTA: O PIONEIRO!


Dr. Manfredo e esposa, 1918

Graças aos dados fornecidos por meu primo MANFREDO ANTONIO DA COSTA (ele descendente direto de Prudente José de Moraes Barros, cuja mãe Maria Rosina de Moraes Costa era neta de nosso 1º presidente civil do Brasil; e eu, descendente de Manoel de Moraes Barros, sendo meu avô, Manoel de Camargo Moraes, neto do senador Manoel de Moraes Barros), através do livro biográfico “Rosina e família”, de autoria de Maria de Lourdes Moraes Costa (Ude).

Prudente José de Moraes Barros, teve seu filho, Antonio Prudente de Moraes casando com Marietta Meirelles Moraes que teve sua filha Maria Rosina de Moraes Costa casando com Fernando Getúlio Neves da Costa, filho de MANFREDO ANTONIO DA COSTA. Assim, Manfredo da Costa Neto é filho de Fernando e neto de Manfredo Costa.

MANFREDO COSTA

Manfredo Antonio da Costa (24/2/1876 – 11/4/1957), nasceu na cidade de Macaé/RJ. Filho do advogado e coronel da Guarda Nacional, Dr. Antonio Joaquim da Costa e de Maria Antonia Pareto Costa.

O Dr. Manfredo, além da fundação da Empresa de Força e Luz de Botucatu (1905), implantou outras três usinas no Oeste paulista: São Miguel (1908), Dois Córregos (1910) e Pederneiras (1911). Foram essas quatro empresas (inclusive a primeira de Botucatu) que inicialmente integraram a CPFL, criada em 1912, com sede em São Paulo.

Manfredo Costa foi o responsável yécnico que primeiro trouxe a energia elétrica para o interior do Estado de São Paulo. Também mantinha no centro da capital paulista a loja Comercial Importadora Manfredo Costa S/A, sucessora da “Casa Dodswarth Importadora”, a única representante no Brasil ca Cia Internacional de Eletricidade, de Liège, na Bélgica. Até seu encerramento em 1988 – após 85 anos de profícua atividade – a loja Manfredo Costa foi uma das maiores fornecedoras de materiais elétricos em geral nos mercados atacadistas e de varejo.

Revolucionário e Político

Possuidor de caráter íntegro, idealista e progressista, Dr. Manfredo tinha um viés para a vida pública. Sempre foi oposicionista, integrando o PRP, embora fosse amigo pessoal do presidente Washington Luiz, pois ambos eram fluminenses de Macaé, sendo que seu irmão Octávio fora ministro de Washington Luiz.

Em 1926, foi um dos fundadores da Partido Democrático – PD. O Partido Democrático apoiou a Revolução de 1930, sendo que Getúlio Vargas quando veio a São Paulo, foi ao Palácio dos Campos Elíseos no carro, Lincoln, de Manfredo Costa. Mas com o autoritarismo implantado por Getúlio, participou da Revolução Constitucionalista de 1932, tendo sido eleito deputado estadual constituinte, por Campinas, pelo Partido Constitucionalista (que resultou da soma do Partido Democrático com a dissidência do PRP).

O Dr. Manfredo participou da gestão de várias entidades: foi presidente da Caixa Econômica Federal e Diretor dos Correios e Telégrafos; fundador e presidente Rotary Clube do Brasil; Diretor do Joquey Clube de São Paulo; sócio fundador da Rádio Difusora de São Paulo; presidente da Associação de Emissoras do Estado de São Paulo; membro honorário do Instituto de Engenharia de São Paulo; da União Cultural Brasil-Estados Unidos e do Instituto de Organização Racional do Trabalho – IDORT. 


PIONEIROS DO SETOR ELÉTRICO
Botucatu está definitivamente ligada a atuação dos pioneiros da eletricidade da eletricidade no Estado de São Paulo e, por via de
conseqüência, no Brasil.

O fato de nossa cidade, através de seus filhos, ter tido uma atuação de liderança na implantação de um sistema
integrado de produção e distribuição de energia elétrica no
Estado de São Paulo, atesta o grau de desenvolvimento da
cidade e sua liderança regional.


Para   melhor      entendimento   do   assunto, resumidamente, destacamos três matérias que elaboramos: Os Pioneiros (relativa ao surgimento da CPFL, fundada pela iniciativa pioneira de botucatuenses); Usina do Bacchi (destacando a visão e o pioneirismo desse imigrante italiano que foi a maior expressão de nosso Ciclo Industrial. Petrarca Bacchi chegou a ter 13 indústrias e, a exemplo das Indústrias Matarazzo e da Votorantim, partiu para a geração própria de eletricidade); e "Coração Elétrico do Estado" (denominação dada pela população botucatuense à subestação de distribuição de energia construída pela USELPA, presidida pelo Engº Mário Lopes Leão, botucatuense juramentado. Posteriormente, em 1966, a USELPA e mais dez empresas de eletricidade controladas pelo Governo do Estado, dentro da política energética que teve como seu maior idealizador o Prof. Lucas Nogueira Garcez, foram incorporadas e transformadas na CESP- Centrais Elétricas de São Paulo, que teve sua denominação alterada para Companhia Energética de São Paulo).

A seguir, vamos detalhar as três participações que Botucatu teve na implantação e desenvolvimento do setor energético do Estado de São Paulo.
OS PIONEIROS
Ao contrário do que se possa pensar, a produção de energia elétrica no Estado de São Paulo nada teve com o processo de industrialização que, na passagem do século, ainda era incipiente. A postura sempre de vanguarda dos paulistas em relação aos avanços tecnológicos e a constante busca de melhoria na qualidade de vida de nossas comunidades foram as causas determinantes do surgimento de nossas primeiras usinas hidrelétricas.

Corria o ano de 1904 quando em Botucatu exercia o cargo de Intendente Municipal (Prefeito) o Cel. Antônio Cardoso do Amaral (Nenê Cardoso), filho do comerciante português Antônio Joaquim Cardoso de Almeida e irmão de Armindo, Custódio, Alcinda e de José Cardoso de Almeida, este último, Chefe Político de grande prestígio no Estado e no Brasil. O Cel. Antônio Cardoso do Amaral solicitou da Câmara Municipal que abrisse processo de licitação pública para a implantação de iluminação pública.

Essa iniciativa pioneira atestava o grau de preparação e visão de nosso Chefe Político de então. Já em 1905, foi constituída a EMPRESA FORÇA E LUZ DE BOTUCATU. A inauguração festiva ocorreu em 1907. Na publicação oficial da CPFL, na comemoração de seus 70 anos, "Energia e Desenvolvimento", de 1982, era destaque à pagina 18:

"A inauguração, em 1907, do fornecimento de energia da cidade de Botucatu, é exemplo claro da euforia que tomava conta das populações interioranas quando da chegada desse fator de progresso. Dois coretos foram construídos, um deles curiosamente imitando a Torre Eiffel, para abrigar a Banda da Força Pública de São Paulo, que fora à cidade para esse dia especial, e outro para a banda local; a cidade teve suas ruas principais transformadas em belos e vistosos jardins, enquanto à população foram distribuídos distintivos com a inscrição "Fiat Luz". Os carros também transitavam adornados por flores e ramagens e, ao anoitecer, o prefeito Nenê Cardoso ligou a chave de luz ao som do Hino Nacional. Depois dos intermináveis discursos, fogos de artifício iluminaram a cidade e, em tablados especiais, a população dançou até o amanhecer. Mas nem tudo era concórdia nesses dias de festa.

O fornecimento de energia pela Empresa Luz e Força de Botucatu, não conseguiu atenuar as diferenças políticas entre os adeptos de Nenê Cardoso e a oposição,. Estes levaram ao extremo sua animosidade contra o governo local e recusaram-se a retirar de suas residências e estabelecimentos comercias os velhos lampiões a querosene, que durante ainda muitos meses brilhavam nas ruas de Botucatu, simbolizando de maneira objetiva a existência de uma ferrenha oposição. Por fim, nem mesmo a solidez político-ideológica desses homens conseguiu manter a luz amarelada daqueles objetos do passado, e a oposição deixou-se envolver, mesmo que a contragosto, pela luz brilhante do progresso".

Essa iniciativa, desde o início, contou com a presença de Manfredo Antônio da Costa que, a convite dos Cardoso de Almeida, chegava a Botucatu para realizar os preparativos para a viabilização do empreendimento. O engenheiro Manfredo Costa, carioca de nascimento, era formado pela Escola Politécnica e começou sua vida na então Estrada de Ferro Sorocabana.
Manfredo Costa obteria pleno sucesso no empreendimento e estava reservada a esse brilhante técnico projeção de destaque na história da energia elétrica no Brasil. Fundador da CPFL- Companhia Paulista de Força e Luz, sempre tendo o apoio financeiro e político da família Cardoso de Almeida. A CPFL surgiu da Empresa Força e Luz de Botucatu. Na publicação oficial da CPFL supra citada, às fls. 18, encontramos:

"Não resta qualquer dúvida que os pioneiros da energia elétrica no interior de São Paulo e que em 1912 fundaram a CPFL, mais tarde a primeira empresa paulista de energia em termos de área abrangida, podem ser incluídos no rol desses empreendedores corajosos e
dinâmicos.

Manfredo Antônio da Costa, José Balbino de Siqueira, Armindo Cardoso de Almeida, Francisco Machado de Campos e muitos outros, eram homens de interesses variados, que incluíam, entre outros, fazendas de café, casas de importação, fábricas de cimento. Ousaram acreditar que a produção e o fornecimento de energia elétrica podia ser não só um negócio rentável, mas também um benefício social. Tiveram também a sensibilidade de perceber que os avanços do progresso e da tecnologia não podiam deixar de participar das modificações porque passava o interior. Além de introduzirem a idéia dos benefícios sociais da luz elétrica, entraram com os capitais necessários à montagem das primeiras empresas e suas usinas geradoras, e também com as soluções técnicas que permitiram a viabilização do empreendimento. Foram, em todos os sentidos, pioneiros."

Na verdade, a CPFL foi fundada no dia 16 de novembro de 1912, na cidade de São Paulo e sua sede provisória localizava-se no Largo do Tesouro, nº 5. Contava como seus maiores acionistas: o próprio Manfredo Costa, José Balbino de Siqueira, a família Cardoso de Almeida (que destacou o Dr. Armindo para representá-la na CPFL), e muitos "cardosistas" de Botucatu. Na citada publicação, à página 43, encontramos a afirmativa de que "não resta dúvida, no entanto, de que o inspirador do empreendimento foi o engenheiro Manfredo Costa, fato realçado por sua responsabilidade na formação da Companhia Força e Luz de Botucatu (1905), EMPRESA BASE para o surgimento da CPFL."
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A importância a Cia Força e Luz de Botucatu para o desenvolvimento de energia elétrica obteve destaque na publicação oficial da CPFL: "A Empresa Base - A empresa base que propiciou o surgimento da CPFL foi a Força e Luz de Botucatu, também a primeira a surgir na sua área inicial de concessão, em fevereiro de 1907. Foi também a primeira empresa montada por Manfredo Costa, que contou com estreita colaboração, em termos de apoio público e financeiro, da família Cardoso de Almeida.

Até 1907, a cidade de Botucatu foi iluminada pelo sistema de lampiões a querosene; exatamente no ano de 1905, a Câmara Municipal e o Prefeito começaram a se preocupar com uma iluminação mais moderna e eficiente. Os anais da Câmara registraram, em abril desse ano, a abertura de concorrência pública para a instalação do sistema, e a proposta vencedora foi a do engenheiro Manfredo, sendo que as obras de construção da usina e da casa geradora iniciaram-se poucos meses depois". E mais: "A barragem da usina geradora, construída no Rio Pardo, tinha 40 metros de comprimento, toda de alvenaria de pedra e cimento, com duas comportas, uma de descarga para a limpeza da bacia de acumulação, e outra que dava acesso a um canal de 130 metros de comprimento e 1,20 de largura, que conduzia a água à turbina geradora. Essa turbina tinha uma capacidade de 200 cavalos de força, transmitindo para 2 geradores de 67 KW cada um. A iluminação pública da cidade foi de 250 lâmpadas incandescentes, 32 velas cada uma, além de 6 de arco voltaico de 1.000 velas, situadas em praças e edifícios municipais. A iluminação particular nesse primeiro momento atingiu cerca de 200 residências."

O nome de Manfredo Costa ficou como um dos mais destacados pioneiros do setor de energia elétrica no Estado de São Paulo, juntamente com Luiz de Queiroz, Armando de Salles Oliveira, José Balbino de Siqueira, Eloy Chaves e outros.
Acionistas da CPFL, entre eles, o Monsenhor Paschoal Ferrari.

A CPFL, tendo à frente Manfredo Costa e José Balbino de Siqueira obteve excelente desempenho até o ano de 1927. Já a essa época o grupo compreendia que chegara ao limite de suas forças (capacidade financeira). O progresso e a industrialização crescente requeriam maciço investimento. Encontramos na publicação da CPFL, à pág. 81, que "não dispunham de capitais ou reservas, e o crédito que ainda poderiam obter não lhes permitiria enfrentar os reclamos do futuro que se avizinhava. Deste modo, uma alternativa real foi a transferência do controle acionário da Companhia Paulista de Força e Luz para o grupo da AMERICAN & FOREIGN POWER COMPANY. Por outro lado, ao realizarem essa transação, sabiam que tratavam da própria continuidade da empresa e, sobretudo, cuidavam para que não perecesse aquela bem sucedida iniciativa do sistema interligado do interior, de que a CPFL era a pioneira."

A partir de 1930, o Brasil passou a dar atenção especial ao setor elétrico. Legislação específica centralizava e ordenava o setor. O pagamento, por exemplo, passou a ser em moeda ao invés de em ouro como especificava alguns contratos das empresas estrangeiras.
Aos poucos, as empresas estrangeiras passaram a limitar seus investimentos na produção e expansão da rede de distribuição de energia elétrica. Como consequência natural teve início a grita geral das autoridades municipais, dos industriais e da população.

A CPFL nos anos 70 continuava a manter a característica de empresa modelo. Atendendo a realidade e tendo presente a necessidade de modernidade e expansão, a 16 de julho de 1975, era assinado um termo de acordo entre o Governo do Estado de São Paulo e a Eletrobrás, em função da qual a CESP- Companhia Energética de São Paulo, assumia o controle acionário da CPFL. Dessa forma, a CPFL, passou a pertencer à administração indireta do Estado, integrando com a CESP, a ELETROPAULO e a COMGÁS o grupo das empresas estatais de energia.

USINA DO BACCHI


Após a transferência do controle acionário da CPFL para os americanos, em 1927, surgiu na cidade de Botucatu, em 1929, a Usina Bacchi, graças a iniciativa e pioneirismo de seu idealizador, PETRARCA BACCHI, que comandava à época diversificado parque industrial em nossa cidade. A Usina foi localizada no bairro do Lobo (hoje pertencente ao município de Itatinga), onde o rio também chamado Lobo tornar-se-ia gerador de eletricidade. A respeito da importância da presença da Usina Bacchi é indispensável buscarmos a palavra sempre abalizada de Hernâni Donato em seu "Achegas": "Em 1930, outubro-novembro, não só a situação político-administrativa mantinha-se indefinida como os vitoriosos ostentavam bandeiras favorecedoras do pequeno capital e da economia das classes populares. O Bacchi serviu-se: estendeu posteação pelas ruas, recebendo pedidos de ligações domiciliares. Sem medidores, entregava o quilovate a 400 réis, precisamente a metade daquele fornecido pela CPFL. Residências com uma só lâmpada pagariam o mínimo de 5 mil réis; com mais de uma, 8.600 réis mensais. Mais tarde, mesmo colocando os medidores, manteve a proporcionalidade dos preços e o mínimo de custo-consumo.

Sucesso tão grande que logo contabilizava mais pedidos de fornecimento do que a energia produzida. Adquiriu gerador a diesel, de 800 K.w.a que também era mantido como linha auxiliar.
A cidade tinha duas posteações de força na rua, mais a dos telefones. De um lado da rua, a da Hidro-Elétrica Bacchi, do outro, a da Companhia Paulista de Força e Luz. Esta passou a servir a prefeitura e algumas oficinas. O dono comprava luz do Bacchi para sua residência e energia da CPFL para sua oficina."

Com a possibilidade cada vez maior de um futuro racionamento de energia no Estado de São Paulo, fruto da falta de investimento no setor e da crescente demanda, a antiga e desativada Usina Bacchi voltou a ser objeto de atenção, como a comprovar, mais uma vez, a grande visão daquele pioneiro do setor da industrialização em Botucatu. Nesse sentido, o nosso artigo publicado na Folha de Botucatu (21/09/89), denominado "A Volta da Usina Bacchi":


"A imprensa tem registrado nos últimos tempos a posição oficial a favor da recuperação das pequenas usinas, especialmente na área de concessão da Companhia Paulista de Força e Luz- CPFL. Se na época do "milagre brasileiro" era comum a construção de grandes usinas como Ilha Solteira e Itaipu, com a crise vivida pelo país a partir do final dos anos 70 e início dos anos 80, uma nova realidade ficou patente: a dificuldade da conclusão das obras em andamento. Primeiro, porque a construção simultânea de várias usinas era incompatível com a nova e franciscana realidade econômica do Estado e do País. Segundo, porque o financiamento obtido no exterior era leonino e super dimensionado.

Com a eleição de 1982, o setor energético do Estado passou a ser unificado, com uma única presidência e um só programa para as 3 empresas estatais paulistas: ELETROPAULO, CESP e CPFL. Procurava-se racionalizar e otimizar o consumo de energia elétrica no Estado. Sob a Presidência do Prof. José Goldemberg, o complexo energético do Estado iniciou uma série de estudos de alternativas energéticas. Na ocasião, começou a tomar corpo a idéia do reaproveitamento das antigas pequenas hidroelétricas, desativadas.

Era a volta das pequenas usinas.

No início do século o setor de energia elétrica surgiu e tomou corpo graças, EXCLUSIVAMENTE, à iniciativa dos pioneiros brasileiros. Esses idealistas rasgaram o interior do Estado, implantaram usinas e forjaram o progresso. Assim foi, por exemplo, com Manfredo Costa, fundador da Companhia de Força e Luz de Botucatu, em 1905 (iniciativa da família Cardoso de Almeida) e com o pioneiro Eloy Chaves que fundou, em 1902, a Empresa Elétrica de Jundiaí. Em Botucatu, em 1929, surgiu a Usina Hidrelétrica do Bacchi, localizada no distrito de Lobo. Primeiramente, para fornecer eletricidade para as suas indústrias passou, posteriormente, a fornecer à cidade de Botucatu em concorrência à Companhia Paulista de Força e Luz- CPFL, sucessora da Cia. Força e Luz de Botucatu.

O Bacchi seguia, ao tomar essa iniciativa, o exemplo da Matarazzo e da Votorantim que como tantas outras indústrias partiram para esse pioneirismo. Os que ampliaram a distribuição de energia elétrica para determinada região começaram a sofrer com a dificuldade para a obtenção de empréstimos "viáveis" para a ampliação de suas instalações. Como consequência, as regiões do interior em fase de industrialização, sentiram o "entrave" que passou a ser a falta da energia elétrica. O jornal, "Diário de São Paulo", de 09/08/53, a respeito da cidade de Rio Claro, dizia: "Sofre a cidade de Rio Claro as consequências da falta completa de energia elétrica". Acusava a companhia de negligência no fornecimento de energia para a iluminação pública, força-motriz para as indústrias, as quais estariam com seu ritmo de trabalho completamente perturbado.

Esse era o quadro em TODA cidade do interior servida por empresas de eletricidade NACIONAIS. O pioneirismo dos empresários que se dedicavam, no interior do Estado, à produção e distribuição de energia que propiciaram o desenvolvimento industrial dessas regiões eram esquecidos diante das limitações dessas empresas na manutenção da prestação de seus serviços.

Essas empresas nacionais enfrentavam sérias dificuldades financeiras. Era o protecionismo estatal às empresas estrangeiras trazendo o estrangulamento dos nossos pequenos empresários (1940/50). O pioneiro ELOY CHAVES, relata pedido que fizera ao Ministro de então: "Finalmente é preciso perguntar à Divisão de Águas: devem as empresas brasileiras, sem amparo oficial, sem dinheiro fácil e barato, debatendo-se com mais dificuldades, ter menos favores que as empresas estrangeiras que estão ricas e QUE TÊM DINHEIRO A 3% À VONTADE? E também, acaso as máquinas e instalações das empresas brasileiras custam menos e são diferentes das obtidas e instaladas por empresas estrangeiras?..."

Em 1947, a Usina do Bacchi era absorvida pela CPFL (Eletric Bond an Share) que juntamente com a Ligth and Power dominavam o setor elétrico do Estado. Estava encerrada a fase nacional dos pequenos empresários do setor. Lutando contra a insuficiência de um país novo e com tecnologia atrasada, contra as dificuldades cambiais. Contra a falta de capitais, eles se renderam ante o poderio das grandes empresas estrangeiras.

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No entanto, a desnacionalização das empresas de eletricidade não foi a solução para o problema. As empresas estrangeiras se limitavam a investir apenas o que recebiam como empréstimo "especial" do Governo. Os anos 40 e 50 estavam a mostrar que a crise no setor elétrico estava longe de ser resolvida. Os políticos clamavam pela encampação pelo poder público das empresas estrangeiras, possibilitando novos investimentos.


Nos anos 60, começam a surgir as primeiras encampações. A Eletrobrás, a Cemig e a CESP passariam a ter presença no cenário energético brasileiro. Começam os grandes investimentos. O setor ganha credibilidade e prestígio, no Brasil e no Exterior.

Com a crise econômica que eclodiu no final dos anos 70 e início dos anos 80, as grandes obras passaram a ceder espaço para as pequenas obras e, no setor, para o surgimento de pequenas hidroelétricas e até a implantação de termoelétricas. A falta de energia elétrica era uma certeza para o final dos anos 90. Era preciso criatividade para enfrentar a crise.

É a volta das pequenas usinas. É a recuperação das antigas usinas desativadas. Aí entra a Usina do Bacchi.

Segundo levantamento técnico levado a efeito pela CPFL, toda a parte de engenharia civil do conjunto (canais, comporta, vertedouro, tubulações e casa de máquinas) estaria em condições de gerar energia elétrica, após uma manutenção adequada. Assim a USINA DO BACHI servindo a Botucatu poderia fornecer energia à nossa região.

É a visão do empresário PETRARCA BACCHI servindo a Botucatu e região nos anos 90... Produção regional. Energia a um custo mais barato. Proteção à ecologia.

É a VOLTA DA USINA BACCHI."

"CORAÇÃO ELÉTRICO DO ESTADO"
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Botucatu passava por vim período de pouca expressividade de sua economia no contexto das demais cidades do interior do Estado de São Paulo. Era Bauru crescendo, era Marília despontando com força total, era Avaré começando a crescer. Era o início dos anos 60. Estávamos vivenciando o nosso Ciclo Industrial, modesto e limitado.

Talvez por isso, ou exatamente por isso, Botucatu precisasse tanto de uma afirmação positiva como essa: "CORAÇÃO ELÉTRICO DO ESTADO". Muita pretensão? Exagero? Talvez, sim. Afinal, não tínhamos ainda as nossas Faculdades oficiais e tantas indústrias tinham decrescido de importância ou mesmo fechado as suas portas.

Sim, Botucatu seria o CORAÇÃO ELÉTRICO DO ESTADO. Essa possibilidade serviu para encher de ufanismo as nossas autoridades e de esperança a nossa juventude.

O Governo do Estado, no início dos anos 60, dava especial atenção ao setor de energia elétrica. Uma política estadual de energia objetivando englobar todo o Estado, levou o Governo a criar empresas para construir e administrar usinas hidrelétricas. Nesse contexto é que vamos encontrar a USELPA- Usinas Elétricas do Paranapanema, presidida pelo botucatuense Engs Mário Lopes Leão. Botucatu, por sua posição geográfica estratégica e pela iniciativa de suas autoridades constituídas, foi aquinhoada com uma Subestação de Distribuição de Energia Elétrica.

A inauguração da Subestação ocorreu a 15 de dezembro de 1962, com a presença do Governador Carvalho Pinto, do Presidente da USELPA,              Engs Mário Lopes Leão, do Prefeito Municipal, Emílio Peduti, do Presidente da Câmara Municipal, Vereador Progresso Garcia e demais autoridades.

Posteriormente, a Subestação distribuidora teve redimensionada a sua capacidade, abrigando importante Centro de Treinamento da CESP, empresa que surgiu em 1966 da fusão das 11 empresas de eletricidade do Estado (entre elas a USELPA)."
MEIA VOLTA, VOLVER!
No Brasil, sempre recebemos os impulsos da modernidade com anos de atraso com relação ao chamado lº  Mundo... A nova tendência da economia rumo à privatização começou a ocorrer no início dos anos 80. Talvez esteja aí o início da ruína dos regimes totalitários, desmoronando com a inevitável abertura das economias dos países comunistas.

Em meados dos anos 80, na Inglaterra, a então Primeira Ministra, Margareth Tatcher deu início ao processo econômico da privatização das empresas estatais e do enxugamento da máquina estatal, objetivando a uma melhor qualidade e desempenho.

Pois bem, ao depois, bem depois, esse movimento pró-modernização da economia mundial, com a diminuição da presença do Estado em vários setores da economia começou a chegar à América Latina. Chile, Peru e Argentina lideraram e foram os pioneiros. O Brasil, já entrando nos anos 90, começou a tomar as primeiras providências, após a promulgação da Constituição de 1988, ainda elaborada sob as luzes da estatização.
Praticamente 10 anos após a experiência britânica, o Brasil começou a rever a posição do Estado na economia e a acelerar a privatização das empresas estatais, transformadas em gigantescas corporações com privilegiadas reservas de mercado.

De modo especial, o Setor Elétrico deverá, rapidamente, passar à iniciativa privada.

É a meia volta, volver!

Tomando como exemplo a formação da CESP- Campanhia Energética de São Paulo S.A., que surgiu da fusão de 11 empresas (em 1966), a privatização, a nível do Estado de São Paulo, segue o mesmo caminho, ao reverso: a CESP deverá ser fragmentada em várias pequenas empresas por setor de atuação (distribuição, operação e transmissão), viabilizando, dessa forma, a sua privatização, uma vez que dificilmente grupos particulares teriam condições de comprá-la como um todo.

A iniciativa privada iniciou o processo de eletrificação...

O Estado veio, encampou o setor e investiu maciçamente.

Agora, com a privatização, o retorno às origens...

Meia volta, volver!



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