novembro 18, 2017

ORLANDO DELMANTO: MÉDICO OFTALMOLOGISTA PIONEIRO E CIDADÃO MODERNO e COMUNICATIVO!

ORLANDO DELMANTO: MÉDICO OFTALMOLOGISTA PIONEIRO E CIDADÃO MODERNO e COMUNICATIVO!


Sim, ele era assim: sorriso farto, voz grave e coração de ouro...E trabalhava muito... Com consultório em Santo André, atendia também todos os dias no moderníssimo consultório que ocupava todo o andar do prédio de esquina, entre a  Rua Xavier de Toledo e a Rua 7 de abril. Fora as cirurgias nos hospitais...Era um vencedor. Sempre teve uma competente equipe de enfermeiras e médicos oftalmologistas, sendo que os Drs. Olavo Delmanto e Aleixo Rubens Delmanto (primo e sobrinho), iniciaram as suas atividades médicas com ele. Permanecendo um bom tempo e, depois, construíram suas carreiras independentes.

Era diferente dos irmãos, todos eles mais reservados. Quando ele chegava na casa de seus pais já começava o alto astral: brincava com todos e lá ia ele abraçar e acarinhar sua mãe, a Dona Mariquinha, que o chamava de Orlandinho. 
Semanalmente ele almoçava na casa de seus pais.

Meu contato com ele começou nos anos em que fui interno no Liceu Coração de Jesus (1957/58). As férias, eu passava com sua família em Santo André, na chácara em que moravam ou em São Francisco (praia próxima de São Sebastião) onde ele havia comprado uma casa incrustada nas pedras e que dava saída direta do barco para o mar... Bons tempos esses...
Tio Orlando era o nosso ídolo, todos os sobrinhos ficavam esperando convite para irem à praia. Com ele aprendi a pescar em alto mar, cação e cação martelo: saíamos as 5 horas da manhã e voltávamos pouco antes das onze horas. Ele, os caiçaras e nós, os moleques deslumbrados... E já estavam prontos os quitutes para o aperitivo, afinal os vizinhos das casas próximas (uns de São Paulo, outros de Mogi das Cruzes) estavam sempre presentes... Um vizinho, era o ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Waldemar da Costa Filho e foi com sua filha Leila que comecei a participar das "baladas", primeiro na praia, depois na Capital.
E o Tio Orlando me chamando: Armando, tome uns trocados para você sair à noite. Mas, Tio Orlando eu já tenho dinheiro... E ele sorrindo: Eu não lhe perguntei...

E ele era mesmo diferente dos irmãos: sempre esportivo, gostava e tinha carros importados, fumava cachimbo e tinha aquela risada envolvente que cativava a todos...

A FAMÍLIA

A família de Pedro e Maria Varoli Delmanto teve todos seus 7 filhos em Botucatu, onde Pedro tinha sua Fábrica de Calçados, Sua Loja de Calçados, seu Curtume (Bella Vista) para o preparo dos calçados e a sua Fazenda de Gado. Dessa forma, ele completava o seu Ciclo Produtivo: gado-curtume-fábrica-loja comercial. Tudo isso completado com a exportação de seus produtos para a Alemanha. Pedro Delmanto era um imigrante empreendedor e que soube viver e educar os seus filhos. Sempre dizia: quero todos doutores (tutti dottore). E assim foi: 3 médicos (Aleixo, Antônio e Orlando), 2 advogados (Dante e Berval) e 2 professoras (Peggy e Wanda).

BOTUCATU: O COMEÇO

Orlando, como os irmãos, estudou na Escola Botucatuense. O irmão mais velho, Aleixo, foi com os primos Botti estudar em Parma/Itália, os demais estudaram o básico em Botucatu: Antonio, Dante, Berval e as irmãs, Peggy (Imaculada Conceição) e Wanda. 


Ao depois, continuou seus estudos no GINÁSIO DIOCESANO, onde estudavam alunos de todo o interior e até do Mato Grosso e Paraná. E meu sogro, João Nogueira, feliz coincidência,  de Sertãozinho, foi colega de classe do Orlando. 


Já na ESCOLA SUPERIOR DE COMÉRCIO DE BOTUCATU, fez parte dos “Formandos de 1925: Paraninfo: Padre Salustio R. Machado; Diretor: Claro Vianna; Professores: Sylvio Galvão, Leonor Vianna, Adélia Von Giessel.  Graduandos: Armenia V. Theodosio, Cesário Martins, Anna F.P. Machado, Adolpho E. Sanfelice, Antonio Theodosio, Everaldo Capucho, Irio Rodrigues, José M. Barbosa, José Silveira, Laura Dias, Leontino Teixeira Pinto, Moacyr Teixeira Pinto, Napoleão A. Ribeiro, Orlando Del Manto, Prudente J. P. Campos, Venicio Ricci, Victor Lorenzetto, Waldomiro Barbosa.”( artigo de Olavo Godoy, “Sylvio Galvão e a Cruzada Brasileira”, Revista PEABIRU, nº 16, de julho/agosto de 1999).

Era tão grande a identidade de Orlando com Botucatu e com suas Escolas, que na segunda metade dos anos 50, trouxe seu filho José Carlos como aluno interno do GINÁSIO DIOCESANO, aos cuidados do irmão Antônio Delmanto.

Registros da Família Delmanto:


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Botucatu/Anos30/40 - Em pé: Antônio, Fióquinha, Fióca, Pedro Delmanto, Alice Delmanto, Orlando, Rina com Rubens no colo e Wanda. Sentadas: Maria Varoli Delmanto, Peggy e Glória. 

Anos 60: à frente Pedro e Maria Delmanto; logo atrás os meninos José Paulo (filho de Berval) e Sérgio (filho de Guimarães; à partir da direita - Armando e seu paí Antônio, José Carlos, Guimaráes, Tio Oelando, Wanda, Cecília e Dante Delmanto, Aleixo, Antonieta, menino Eduardo e Berval; acima: Tia Terezinha, Maria Nilza, Tia Peggy, Berval Antonio e Roberto.


No Porto de Santos: agachados, da esquerda para a direita, parte dos presentes, Celso, Peggy, Roberto, Wanda, Glória, Maria Nilza, Rubens e José Carlos.Em pé, da esquerda para direita, Fióca, Rina, Aleixo, Orlando, Terezinha, Cecília, Benedito Canto, Comandante do Navio e Dante Delmanto (fotógrafo: Antônio Delmanto).




Casamento

Nos anos de 1940/1950, houve uma verdadeira revolução na formatação da HISTÓRIA DO BRASIL. E quem despontava nessa área, era o professor e historiador Joaquim Silva. Professor e Diretor de escolas do interior de São Paulo, como Santos, Tatuí e Sorocaba, Joaquim Silva não fugiu ao modelo do professor-autor de livros escolares. Sua obra tornou-se referência no ensino da História. Destacam-se da produção de Joaquim Silva, os seguintes sucessos: “História da Civilização”, anos de 1930; “História do Brasil”, anos de 1940; “História da América”, dos anos 1950 e “História Geral”, dos anos 1960. Junto com Aroldo Azevedo, publicou livros didáticos para o curso de admissão.
Entre os filhos do professor Joaquim Silva, o jovem Orlando apaixonou-se por Terezinha. Casaram e foram morar em Santo André. Tiveram um casal de filhos: José Carlos e Maria Nilza. Posteriormente, ambos também se casaram e constituíram novas famílias. Hoje, Orlando teria até bisnetos.

FALECEU MUITO JOVEM

Num ritmo de trabalho muito puxado, levando dois consultórios (Xavier de Toledo e Santo André), Orlando era incansável. Além das cirurgias semanais, atendia graciosamente os caiçaras de São Francisco... Não gostava de extrair o globo ocular. E foi assim, que tudo aconteceu. Era uma jovem de 16 anos e Orlando estava muito contrariado por ter que fazer a cirurgia... Faleceu durante o ato operatório. Foi fulminante. Com apenas 57 anos nos deixava...

Essa, a pequena homenagem que queríamos fazer ao DR. ORLANDO DELMANTO. Foi Rotaryano (Rotary Clube de Santo André), foi presidente do Clube de Xadrez de Santo André e recebeu da PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTO ANDRÉ, uma homenagem. Deixou bom nome em Santo André, com a Municipalidade dando seu nome ao CENTRO DE PUERICULTURA DA AVENIDA DOM PEDRO II: 
CENTRO DE PUERICULTURA 
“DR. ORLANDO DELMANTO”.