março 07, 2012

Anita Garibaldi e o Dia da Mulher!

              
“HEROÍNA DE DOIS MUNDOS”
DIA INTERNACIONAL DA MULHER – 8 DE MARÇO!
Há mais de 150 Anos, ANITA GARIBALDI encanta o imaginário popular. Na Itália ou na América do Sul, essa “HEROÍNA DE DOIS MUNDOS”, é tema de poesias, romances, novelas e filmes, além de dar nome a ruas, monumentos e cidades. Assim, nada mais justo que homenageá-la no DIA INTERNACIONAL DA MULHER – 08 DE MARÇO! Nada melhor do que buscar as origens desta mulher corajosa, guerreira, feminina e brasileira!
                   GUERRA DOS FARRAPOS
Anita uniu-se ao revolucionário exilado e herói italiano, Giuseppe Garibaldi. Garibaldi viera para o Brasil (1837) para ajudar a criação da República Rio-Grandense e ao tomar a cidade portuária de Laguna, transformando-a na primeira capital da República Juliana, veio a conhecer Anita. Daí para a frente, só a morte os separou...
Apaixonada por Garibaldi e encantada com os seus ideais democráticos e liberais, Anita aprende a lutar com espadas e a manejar com competência as armas de fogo. Surgia, aos poucos, a guerreira corajosa que acompanharia o esposo em todos os combates.

                           A grande fuga

“Durante a Batalha de Curitibanos, o casal se separa, inadvertidamente, e Anita é capturada pelo exército imperial. Presa, os oficiais a informam de que Garibaldi morreu. Anita, que estava grávida, pede então que a deixem procurar o corpo de seu companheiro entre os mortos. Sem encontrá-lo, e suspeitando que estivesse vivo, ela se aproveita de um descuido dos soldados, salta sobre um cavalo e foge em meio aos disparos de seus perseguidores. Poucos quilômetros depois, depara-se com o rio Canoas e, sem hesitar, lança-se nas águas. A perseguição cessa, pois os soldados acreditam que ela esteja morta. Mas Anita passa à outra margem e vaga durante quatro dias pela mata, sem comer ou beber. Finalmente, reencontra os rebeldes e, na cidade de Vacaria, une-se novamente a Garibaldi. Poucos meses depois nasceria o primeiro filho dos quatro que tiveram.

Posteriormente, em 1841, Anita e Garibaldi seguiram para Montevidéu. A cidade estava sitiada pelas forças do argentino Juan Manuel de Rosas, que apoiava Manuel Oribe contra o ditador Fructuoso Rivera. O casal luta ao lado de Oribe. O sítio durou cerca de nove anos, ao fim dos quais Rivera foi derrotado na batalha de Arroyo Grande”.

                    Batalha de Gianicolo

Anita e Garibaldi casaram-se em 26 de março de 1842, na paróquia de San Bernardino. Em 1847, Garibaldi enviou Anita à Itália, como sua embaixadora, a fim de preparar o terreno para o grande retorno de seu marido, que, acompanhado de um exército de mil homens, pretendia desembarcar na Itália para lutar na primeira guerra da independência italiana, contra a Áustria.

Depois da chegada de Garibaldi, eles seguem para Roma, onde se proclama a República Romana. A cidade, contudo, é atacada por tropas franco-austríacas, e Anita, grávida do quinto filho, luta ao lado de Garibaldi na batalha de Gianicolo. Obrigados a bater em retirada, o casal foge acompanhado de um exército de quase quatro mil soldados. São perseguidos, contudo, por forças francesas, napolitanas e espanholas.

Durante a fuga, quando chegam a San Marino, que também havia se libertado dos austríacos, Garibaldi e Anita não aceitam o salvo-conduto oferecido pelo embaixador norte-americano e decidem prosseguir na fuga. Anita, entretanto, contrai febre tifóide e não resiste. Falece na fazenda Guiccioli, perto de Ravenna, em 4 de agosto de 1849.

Obrigado a fugir para o exílio, que duraria dez anos, Garibaldi sequer pôde acompanhar o funeral da esposa.

Chamada de Heroína dos Dois Mundos, Anita está enterrada na colina de Gianicolo, em Roma, onde ambos são homenageados com estátuas eqüestres”
(Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional)


Giuseppe Garibaldi representa, com seu idealismo e com o papel histórico que desempenhou, um personagem grato aos brasileiros, uruguaios, argentinos, e sobretudo aos italianos, seus conterrâneos, que tiveram em sua límpida espada a simbologia da unificação da Itália.
                  COLINA DE GIANICOLO
Neste local, onde descortina-se uma bela paisagem do centro da capital italiana, travou-se uma das mais heróicas batalhas pela instauração da República em Roma. Garibaldi manteve o ponto estratégico com apenas 15 mil soldados, contra 65 mil dos inimigos franceses. Registrou-se ali um dos mais sangrentos combates do longo período pela implantação da República. É conhecido oficialmente como "Passegiata del Gianicolo".
Na COLINA DE GIANICOLO, os “HERÓIS DE DOIS MUNDO”Giuseppe e Anita Garibaldi - são homenageados com estátuas eqüestres”. Garibaldi representou a grande liderança militar e política do movimento pela UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA. Mesmo sendo republicano convicto, soube reconhecer a liderança de Vittorio Emanuele II, como Rei da Itália, para evitar a divisão da grande pátria com que sempre sonhara.


“A imensa escultura de bronze está colocada sobre um pedestal de alvenaria, medindo cerca de dez metros de largura e oito de altura. Sobre ele, uma mulher jovem montada no selim do cavalo a galope, patas dianteiras no ar. Com um revólver na mão direita e uma criança recém-nascida agarrada com a mão esquerda, junto ao peito, transmite uma imagem forte, até emocionante, mesclada de bravura e amor maternal. A obra, que levou dois anos para ser concluída, é de autoria do escultor Rutelli.”
“A localização privilegiada já indica o carinho que os italianos dedicam há anos a Anita Garibaldi. Está no Gianícolo, numa das Sete Colinas de Roma, na Piazza Anita Garibaldi, a 100 metros de um gigantesco pedestal construído em cimento que abriga a legendária figura de Giuseppe Garibaldi.”(idem)
             
A TRAJETÓRIA DE GIUSEPPE GARIBALDI


A figura carismática de Giuseppe Garibaldi sempre esteve ligada à presença forte de Anita Garibaldi. Na retirada da Laguna, extenuado e abatido, Garibaldi não se deixou vencer pelo pessimismo. Com uma reação típica de sua bravura, o grande guerreiro deixou expressa a importância de Anita em sua vida:
“ À testa de alguns homens, resto de tantos combatentes que tinham, com justa razão, merecido o título de bravos, eu ia a cavalo. Orgulhoso do vivos, orgulhoso dos mortos... Ao meu lado, a mulher digna de toda a admiração. Que me importava, pois, não possuir senão o que tinha comigo? Que me importava servir uma República pobre, que não pagava ninguém e da qual, ainda que fosse rica, eu não teria aceitado coisa alguma?”
É muito importante relembrarmos que Giuseppe Garibaldi sempre participara das lutas políticas pela unificação da Itália. Pertenceu à “Jovem Itália”, uma sociedade secreta fundada (1831) por Giuseppe Mazzini, que se notabilizou em procurar atrair para a causa da unificação italiana a presença de expressivos segmentos da sociedade. Perseguido e exilado político, Garibaldi participou de lutas no Uruguai e no Brasil (Guerra dos Farrapos).
Foi o mais longo movimento de contestação ao Poder Central: era contra os abusivos impostos imperiais e contra as restrições à liberdade. Durou dez anos essa guerra (1835/1845). Os revoltosos contaram com o apoio dos camponeses e com o apoio da sociedade maçônica, sob o comando do Coronel Bento Gonçalves e contou com a experiência revolucionária de Giuseppe Garibaldi. No ano de 1845 foi selado um acordo entre os revolucionários e o Poder Central (Barão de Caxias, futuro Duque, foi o responsável pelo final feliz).
Os soldados rebeldes foram anistiados e incorporados ao Exército Nacional; os escravos que participaram do movimento foram alforriados; e os estancieiros foram anistiados e tiveram reconhecidas as suas lideranças na região. Segundo Érico Veríssimo, a Guerra dos Farrapos terminava “com honra para os dois lados”
               AS HOMENAGENS NO BRASIL
Essa “HEROÍNA DE DOIS MUNDO”, é tema de poesias, romances, novelas e filmes, além de dar nome a ruas, monumentos e cidades. A genialidade do famoso Joãozinho Trinta , levou para a maior festa popular brasileira – o Carnaval! – a história da “Heroína de Dois Mundos”, pela Escola de Samba Viradouro. A homenagem destacou a sua vida e a sua dedicação na luta pela liberdade empreendida por seu companheiro Giuseppe Garibaldi, no Uruguai, no Brasil e na Itália!


A atriz Giovanna Antonelli no papel de Anita Garibaldi
Em Laguna, tem o Museu Anita Garibaldi. Praças e ruas levam seu nome por todo o Brasil e pela Lei nº 730, de 17 de junho de 1961, o Governador do Estado de Santa Catarina, CELSO RAMOS, assinou a criação do município de ANITA GARIBALDI. Essa homenagem traduz o carinho e admiração que os catarinenses prestam a grande figura da ilustre mulher, nascida Ana Maria de Jesus Ribeiro e famosa no Brasil e no mundo com o nome de Anita Garibaldi.
E, hoje, nas comemorações do DIA INTERNACIONAL DA MULHER, nada mais oportuno do que lembrarmos dessa brasileira ilustre e pioneira na emancipação feminina: ANITA GARIBALDI!!!

7 comentários:

Delmanto disse...

Nas comemorações do DIA INTERNACIONAL DA MULHER – 8 DE MARÇO! - , nada melhor do que lembrarmos de uma MULHER, heroína revolucionária, pioneira, carismática e que, por sua luta pela democracia e pela liberdade, ficou famosa no Brasil e no Exterior! Ela é ANITA GARIBALDI!
Tudo aconteceu à partir de 1839! Em 1839!!! Quando essa guerreira participou e teve destaque na GUERRA DOS FARRAPOS, ao lado de seu marido, o herói italiano GIUSEPPE GARIBALDI! Depois lutou pela liberdade no Uruguai e, finalmente, na UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA!
Aqui no Brasil, o voto da mulher e o voto secreto passaram a ser pregados pelo político e jurista Assis Brasil – quase um século depois! - que percorreu o Brasil na companhia dos estudantes de Direito do Largo de São Francisco (USP) que pertenciam ao Partido da Mocidade (depois, Partido Democrático).
Eles percorreram o Brasil de 1927 até a Revolução de 1930. O voto feminino e o voto secreto ERAM compromissos da Revolução de 30. Mas Getúlio Vargas depois de assumir o Poder, passou a protelar as coisas e seu governo que era provisório passou a ser PROVISÓRIO por muito tempo! Só depois da REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA de 1932 é que as coisas passaram a acontecer. Na ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE de 1933/34 é que foram aprovados os votos secreto e feminino, mesmo tendo Getúlio, diante da pressão nacional, promulgado em 1932, o Código Eleitoral, baseado no livro “Democracia Representativa” (1893), do jurista Assis Brasil.
Não foi “presentinho” do Ditador Getúlio Vargas, foi fruto de muita luta e muita coragem dos paulistas, quando muitos perderam a vida pela volta do país ao Estado de Direito, com uma Constituição Democrática e moderna. Então, ANITA GARIBALDI representa não só a HEROÍNA DE DOIS MUNDOS, mas, com muito orgulho, representa a MULHER BRASILEIRA a mostrar a sua bravura e idealismo numa época em que nada era permitido à mulher, apenas a subserviência. É REGISTRO HISTÓRICO.

Anônimo disse...

Delmanto, essa história de Giuseppe e Anita Garibaldi parece história inventada. É tudo muito lindo e envolvente. Fui pesquisar... Soube, por testemunhos dos revolucionários, que foi amor à primeira vista. No dia 20 de abril, Anita decide seguir Giuseppe subindo a bordo de seu navio. E nessa viagem, Anita teve a sua primeira prova de fogo, quando o navio foi atacado por tropas imperiais em Imbituba e depois na chamada batalha naval de Laguna. Que mulher corajosa e forte. Ela é a melhor lembrança emblemática para a comemoração do Dia Internacional da Mulher!!! Naquele tempo... Que belo exemplo feminino de bravura! (carla.bueno2011@bol.com.br)

Anônimo disse...

O consagrado escritor Alexandre Dumas, em 1860, imortalizou a imagem desse herói em seu livro “Memórias de Garibaldi”, baseada no relato do diário do grande guerreiro. Nesse trabalho, Alexandre Dumas retrata com emoção a figura de Anita Garibaldi, mostrando sua importância como musa e companheira do grande herói dos dois continentes...(haroldo.bueno@hotmail.com)

Anônimo disse...

Muito interessante descobrir nas entrelinhas da história de países e de pessoas, a importância que as sociedades secretas exerceram com uma atuação efetiva e objetiva. Em nosso país a Abolição dos Escravos, a Independência de Portugal, a educação, orientação e formação de Dom Pedro II, a Proclamação da República, a Revolução de 1930, a Revolução Constitucionalista de 1932, a Constituinte de 1933/34 e as Constituintes Estaduais de 1934, sempre se admirava a coerência e a firmeza dessas sociedades secretas. E, na história da Unificação Italiana, mais uma vez, a presença dessas sociedades. No processo de unificação do país, com a sociedade “Jovem Itália”, sob o comando de Mazzini, conquistava os jovens italianos e, especialmente, os camponeses e os operários. Vejam quanto era avançada a sociedade e amplo os seus objetivos. E a atuação de Giuseppe Garibaldi, no Brasil, apoiando Bento Gonçalves, líder maçon, contra a política extorsiva do Império em relação aos proprietários e fazendeiros do sul do Brasil. Foi a mais longa guerra civil que tivemos e acabou com o poder imperial aceitando grande parte das reivindicações dos sulistas da Guerra dos Farrapos. A história sempre nos ensina. Seria bom que essas sociedades secretas voltassem a cuidar da nossa cidadania e impedissem tantos malfeitos que a classe política vem fazendo perante uma Nação paralisada e sem rumo.(bastosgustavo@yahoo.com.br)

Aurelio disse...

Amigo Delmanto, muito bom postar uma história dessas e ver que a luta as vezes é a única saída, Anita, minha conterrânea, que dá o nome da cidade onde nasci, Anitápolis, foi uma das poucas ou senão a única a pegar em armas partindo para o combate em nome de um ideal!
Parabéns a todas as mulheres nesse dia que é delas e a você pelo ótimo post!
Grande abraço meu amigo!!!

Anônimo disse...

A rede Globo fez uma mini-série de grande sucesso no mundo inteiro. As “SETE MULHERES”, onde dá destaque para as figuras apaixonantes de Giuseppe e Anita Garibaldi, interpretados por Thiago Lacerda e Giovanna Antonelli. A interpretação dos dois foi sob medida e mostrou toda a grandeza daquele amor e a parceria corajosa e revolucionária dos dois. Foi inesquecível! (ludmila.cunha@yahoo.com.br)

Anônimo disse...

É uma história muito bonita, de "amores e guerras". Apaixonante e muito bem contada em "A Casa das Sete Mulheres", com direção de Jaime Monjardim. Parabéns pela homenagem Armando, um abraço.
Patricia Delmanto.

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