
7 bilhões no Planeta e 1 bilhão passa fome!!!
«Em matéria de luta contra a fome estamos, ainda, infelizmente no domínio do paternalismo, da caridade, da ajuda, do humanismo.»
Josué de Castro
Recentemente, foi comemorado, no mundo todo, o número de habitantes no Planeta atingir a assustadora soma de 7 Bilhões de Habitantes!! E esse dado nos remete aos estudos de Thomas Maltus e de Josué de Castro. A Teoria Malthusiana e do outro lado a Teoria Reformista. É bom recordarmos as duas:
TEORIA POPULACIONAL MALTHUSIANA

Thomas Malthus foi um cientista inglês (economista), estudioso das ciências sociais que elaborou a TEORIA POPULACIONAL MALTHUSIANA, que previa que o crescimento populacional do planeta dobraria a cada 25 anos. Segundo Malthus, a população mundial cresceria em uma progressão geométrica enquanto a produção de alimentos cresceria em uma progressão aritmética. Então, seu estudos se baseavam, fundamentalmente, no crescimento da população e na produção de alimentos.
A Teoria Malthusiana preconizava o controle da natalidade como única forma de se evitar o crescimento desordenado da população, visto que esse acarretaria a falta de alimentos para a população gerando, como conseqüência, a fome.
As previsões de Malthus não se concretizaram. Sua teoria, quando elaborada no século XVIII, o foi em cima de uma realidade limitada da civilização, muito mais rural e sem o grande pool industrial e a descoberta tecnológica que mudariam substancialmente a qualidade e a quantidade na produção de alimentos. Pela Teoria Malthusiana, em 2 séculos, o crescimento da população teria sido 28 vezes maior que o crescimento da produção de alimentos, o que seria uma situação catastrófica para a humanidade. Com o início da Revolução Industrial e, na seqüência, a Revolução Tecnológica, tanto a agricultura quanto a industria tiveram aumentadas as suas capacidades produtivas afastando o temor da falta de produção. Felizmente, Malthus estava errado e as suas previsões não se concretizaram..
TEORIA REFORMISTA
Pela Teoria Reformista, a verdade está exatamente no inverso da Teoria Malthusiana, ou seja, é a pobreza que gera a super população e não a superpopulação como causa da pobreza. Pois a população se tivesse acesso à educação, cultura, saúde, ela própria regularia o seu crescimento. Seriam a falta de condições mínimas de sobrevivência que acarretariam um alto crescimento populacional. Os reformistas atribuem a origem da pobreza à má divisão de renda, advindo daí a exploração dos países sub-desenvolvidos pelos países desenvolvidos.
RESUMINDO: Má distribuição de renda gerando a pobreza que geraria a superpopulação.
A FOME NO MUNDO E JOSUÉ DE CASTRO
Na Escola de Sociologia e Política, em meados dos anos sessenta, nós estudávamos os livros de Josué de Castro, formávamos grupos de estudo e discussão. A Teoria Malthusiana era o instrumento de dominação do imperialismo norte-americano a pregar o controle da natalidade e a manutenção do “status quo” dos países sub-desenvolvidos e o Mestre Josué de Castro, o nosso norte, pregando o combate à pobreza e o desenvolvimento sustentável. Com seus livros, mas principalmente com o “GEOGRAFIA DA FOME”, ele era uma UNANIMIDADE! Tinha sido Presidente da Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), Deputado Federal, Embaixador do Brasil na ONU e, depois de 1964, já exilado, foi Professor Estrangeiro Associado na Universidade de Paris. Faleceu em 1973, no exílio, em Paris.

Josué Apolônio de Castro, nasceu no Recife (05/09/1908), médico, professor de geografia, sociólogo, político e ativista brasileiro que dedicou sua vida ao combate à pobreza , contra a fome e pelo desenvolvimento sustentável. Foi crítico feroz das idéias de Malthus que explicavam a fome como conseqüência do crescimento demográfico. Não. A realidade para ele era outra: a pobreza é que levava ao crescimento populacional, como pregava a Teoria Reformista. E mais, Josué de Castro afirmava ( e, no início, assustava a todos) que a carência de proteínas no organismo do ser humano aumentava a sua fertilidade. Essa tese teve a sua confirmação em um estudo realizado por pesquisadores da Harvard Medical School (Escola de Medicina de Harvard) e publicado, em 2007, no livro The Fertility Diet (A Dieta da Fertilidade), que orienta mulheres a reduzir o consumo de proteínas animal e vegetal, entre outros alimentos, para estimular a ovulação.
Josué de Castro lutou pela Reforma Agrária como um dos instrumentos a viabilizar o desenvolvimento sustentável. Para ele “o crescimento populacional deve ser analisado, não como um fenômeno isolado, mas como uma conseqüência de fatores políticos, econômicos e sociais”.
ANO 2011 – 7 BILHÕES DE HABITANTES NO PLANETA

«Em matéria de luta contra a fome estamos, ainda, infelizmente no domínio do paternalismo, da caridade, da ajuda, do humanismo.»
Josué de Castro
Exatamente isso. As palavras de Josué de Castro continuam ABSOLUTAMENTE certas. Em pleno século XXI, a produção pecuária já é suficiente para alimentação de uma população de 9 Bilhões ! Então, com 7 Bilhões de habitantes, NÃO era para existir FOME NO PLANETA TERRA! E vamos pegar o Brasil como exemplo: apesar da grande exportação de alimentos (a base da nossa economia externa) e da grande fartura disponível em nossos supermercados e mercados, a FOME existe simplesmente porque as pessoas NÃO possuem dinheiro para suprir as suas necessidades básicas!
RESUMO FINAL: o BOLSA FAMÍLIA é o retrato da frase de Josué de Castro na abertura deste post. Então, é preciso mudar. É preciso passar do paternalismo que antes era dos coronéis e, hoje, é do Governo Federal, para um desenvolvimento sustentável. E para isso acontecer, o Brasil NÃO pode continuar sendo o CAMPEÃO MUNDIAL dos juros altos. É preciso acabar com o lucro excessivo dos Bancos e apoiar o capital produtivo.
E, como primeiro passo, ESTANCAR A CORRUPÇÃO E ACABAR COM A IMPUNIDADE!!!
Importante Opinião:
Francisco e Josué
Ricardo Dantas Faria
“A eleição do papa Francisco e todo o simbolismo envolvendo o nome que o cardeal Bergoglio determinou ser chamado, além da isenção de vaidades um tanto incomum entre seus pares, trouxeram novamente à tona. Veio-me logo à lembrança uma das figuras mais injustiçadas deste nosso Brasil, e que foi muito mais além nessa questão. Um intelectual cujo trabalho não se restringiu ao conforto dos gabinetes, e que teve a coragem não de se ater aos pobres de um modo corriqueiro, mas de trazer à baila, em toda a sua crueza, a miséria e o fenômeno da fome que, conforme por ele mesmo assinalado, era alvo do silêncio conspiratório da elite social do país.
Refiro-me a Josué de Castro. Relendo seus textos, sou afetado por um misto de admiração e angústia. Admiração por alguém que ousou, do alto do seu saber, denunciar sem medo de réplica o palavreado inútil dos estudiosos de até então, por demais distantes do que, em verdade, interessava aos famélicos – dar um fim a desgraça de cada dia, materializada na dor da fome que transcendia o físico e, simultaneamente, corroía a alma.
Angústia, porquanto passados mais de sessenta anos, a rigor nada mudou. Nada! Perdoem-me os que acreditam que as bolsas disso e daquilo são uma solução Porque a cada vez que vejo crianças brincando na terra seca entre carcaças de animais, “alimentando-se”, quando muito, de um pouco de garapa, meu sentimento imediato é o de repulsa. Repulsa porque compartilho, com os que têm o poder de fazer algo e não o fazem, a qualidade de humano. E um sentimento de impotência que, por piegas que pareça, tende a me levar, num átimo, das lágrimas à raiva. Raiva de certos cínicos que sabem que, para assenhorar-se do poder, nada oferecem além de paliativos – afinal, é do desespero de muitos desses humildes que eles obtêm a sua eternização na política.
Que olhemos para trás. Que não sucumbamos à falácia de que o Brasil é o país do futuro, porque o futuro, a rigor, é uma incógnita para seres e nações. Que voltemos o nosso olhar, mesmo que brevemente, para o passado E que não deixemos morrer a obra de tantos que foram silenciados porque chegaram tão perto da verdade, e cujas sementes continuam aí, ainda possíveis de se semear.
Reflitamos. Às vezes dói. Mas nos revigora.”
(“Tribuna da Imprensa”, 24/03/2013)
