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janeiro 26, 2016

Carlos, o poeta X Carlos, o político...


É importante e é prazeroso mostrar as facetas desconhecidas das celebridades que marcaram a vida social, política e cultural do nosso país. E é o que faremos aqui. O poeta Carlos Drummond de Andrade expondo a sua simpatia, a sua amizade e até o seu voto. E o político Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara, escritor, tradutor e editor, com sua admiração explícita ao poeta.

Ambos tiveram efetiva militância política. O poeta, com o tempo, passou a dedicar-se apenas à literatura. Já o político Lacerda, percorreu um logo caminho, travando grandes embates e culminando com sua eleição para governador daGuanabara. Mas no início de suas vidas profissionais, pertenceram à turma de jovens boêmios da famosa“Taberna da Glória”, no Rio, composta por Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Vinícius de Moraes, Fernando Sabino, Carlos Lacerda, Paulo Mendes Campos e Dorival Caymmi.



E com a estrada da vida percorrida em sua maior parte, os dois colocam claramente a admiração mútua. É registro histórico. O blog do jornal “A Tribuna da Imprensa”, de 07/01/2012, traz a matéria de José Carlos Werneck.Vamos ao texto:

“Correspondências entre Lacerda e Carlos Drummond de Andrade"

No Natal de 1975, Carlos Lacerda envia bilhete aopoeta, oferecendo um livro da Nova Fronteira, editora que criou:

“Para Carlos Drummond de Andrade, que não gosta de mim, mas certamente gosta de Fernando Pessoa e há de gostar do Otávio Araújo, a Nova Fronteira oferece,Natal de 75, Carlos Lacerda”.

Resposta de Drummond para Lacerda:
“Agradeço-lhe vivamente, e à Nova Fronteira, o magnífico exemplar de ‘Ode Marítima’ de Fernando Pessoa, com que me distinguiram neste Natal. Realmente, é um fino objeto de arte, a que Otávio Araújo deu contribuição relevante, para maior glória do poeta. Parabéns à arte gráfica do nosso país. A afirmação de que ‘não gosto de você’ seria pelo menos exagerada, se não fosse, como é,totalmente errada. Ninguém é indiferente ao ‘charmeur’fascinante que você é, e mesmo os que supõem detestá-lo,no fundo gostam de você. Gostam pelo avesso, mas gostam. Quanto a mim, tenho presente que fomos bons camaradas na luta perdida da ABDE, e que lhe dei o meu voto para Governador (voto de que não me arrependi, em face dos lances criativos do seu Governo). Apenas, discordei de posteriores atitudes políticas de você, o que é coisa comum na vida, e não afeta relacionamento pessoal. Certo?”



De Lacerda para Drummond, janeiro de 1976:
“Apresso-me em responder à sua pergunta datada de 25 de dezembro. Foi bom que lhe dissesse e ótimo que você falasse, na carta. Haviam-me dito isso, e eu remordia a mágoa, pela muita admiração que lhe tenho, e não só intelectual, pois respeito também a sua maneira de ser, a sua integridade essencial. Transmiti à Nova Fronteira o seu elogio, que será por todos bem, isto é, devidamente bem recebido. Saúde e paz lhe deseja, com um abraço, o Carlos Lacerda.”

Que bonito!

É isso. A vida é assim...Às vezes, em uma troca de correspondência, quase protocolar, surge os sentimentos que derrubam as fantasias e as maledicências que surgem no dia a dia de nossas vidas.

É bonito e é REGISTRO HISTÓRICO!

outubro 13, 2014

Dia Mundial do Escritor

 
ARCHIBALD JOSEPH CRONIN

Na data de hoje, quando se comemora o DIA MUNDIAL DO ESCRITOR ( o DIA NACIONAL DO ESCRITOR É COMEMORADO NO DIA 25 DE JULHO), busquei na minhas lembranças a série de livros – uma coleção de capa dura – do escritor escocês Archibald Joseph Cronin, ou simplesmente A.J.Cronin como era mais conhecido. Para quem estava iniciando o curso científico, a descoberta dessa coleção de livros (pertencente ao meu irmão Décio) foi uma grande descoberta.

 
Estudando no Colégio Arquidiocesano La Salle, de Botucatu, vivia um período de muita efervescência cultural. Tanto que o professor de português e redação, Prof. Agostinho Minicucci, ao fazer o prefácio do jornal do colégio, em 1963, cravara uma verdade que tem me acompanhado até hoje:

“E estava eu lendo Criatividade profissional, um livro novo, diferente, de Eugene Von Fange...
- Professor, eu queria um artigo para o nosso jornal – “Tribuna do Estudante...”
Para quem estava mastigando criatividade, pensando no pensamento criador, na ânsia do novo, uma apresentação seria muito prosaico.
Delmanto...
Bem, deixe-me, de início, apresentá-lo. É o Delmanto do 1º Científico do Colégio Arquidiocesano. Um rapaz que brotou (o termo é criativo) no 2º ciclo, lendo e lendo, escrevendo às vezes e iniciando-se na arte literária. Percebe-se quando alguém começa a sentir os comichões literários que coçam mais que varíola agonizante...”

Definição perfeita. Era uma busca intensa por bons livros. A coleção de livros de Jorge Amado, José de Alencar, Machado de Assis, Graciliano Ramos, entre tantos outros, foram lidos com entusiasmo crescente. Com a descoberta de “A Cidadela”, do Cronin, a “viagem passou a correr o mundo”, visitando outros países, outras culturas. “A Cidadela” foi apenas o primeiro de toda a coleção. Estilo envolvente, claro.


 

Cronin não caiu no esquecimento como tantos outros escritores. Suas obras viraram filmes (“Spanish Gardem”/ "A Cidadela") e seus livros obtiveram recordes de vendagem. Era um escritor popular. “A Cidadela” foi o campeão de vendagem. Com uma vida bem alicerçada como médico, passou a se dedicar à literatura por problemas de saúde. Com o tempo, fechou seu consultório, passando a viver só para a literatura. É preciso que a atual juventude tome conhecimento de sua obra e que algum Editor reedite sua obra completa: A Cidadela, A Dama dos Cravos, Almas em Conflito, Anos de Ternura, Anos de Tormenta, As Chaves do Reino, Encontro de Amor, O Castelo do Homem sem Alma, Os Deuses Riem, Sob a Luz das Estrelas e Uma Estranha Mulher.

Na crônica de Ialmar Pio Schneider (poeta, trovador e contista) temos um perfil completo de Cronin:

"Um dos escritores mais interessantes que já tive a oportunidade de ler, foi sem dúvida, o célebre médico e romancista escocês A. J. Cronin (Archibald Joseph), que nasceu a 19 de julho de 1896, em Cardross, Dumbartoshire, Escócia, filho único de Patrick Cronin e Jessie Montgomerie. Faleceu no dia 6 de janeiro de 1981, na Suíça, para onde se transferira em 1955. O primeiro dos seus livros que li foi A Cidadela, e isto há muitos anos. Trata-se da história de um médico que provocou a manifestação do Parlamento Inglês no sentido de proibir a circulação do livro, uma vez que o romance foi considerado um “tremendo libelo contra a mercantilização da Medicina”. Diga-se que encerrava passagens autobiográficas do autor e foi a consagração definitiva de sua carreira literária. 
Depois vieram os livros que fui lendo ao longo do tempo e foram As Chaves do Reino, Sob a Luz das Estrelas, Noites de Vigília, Pelos Caminhos de Minha Vida, Um Erro Judiciário, etc. Mas ele escreveu mais de 20 romances. 
Terminei de ler por esses dias a sua primeira obra O Castelo do Homem sem Alma ( A Família Brodie), tradução de Rachel de Queiroz, que constitui um drama vivido em um lar que poderia ser feliz, porém, cuja imposição de um pai autoritário transformou em um inferno. Quando publicou este romance, escrito em apenas 3 meses em uma granja onde foi recuperar a saúde abalada por excesso de trabalho, obteve um grande êxito na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Foi adaptado ao teatro e ao cinema. 
“Sua obra já foi traduzida em quase todos os países, e no Brasil foi bem recebida pela crítica. O ensaísta e professor Genolino Amado, grande conhecedor de Literatura, especialmente da inglesa, a propósito de A Cidadela afirma: “... Um novo, intenso e singular novelista surgira na Inglaterra, trazendo na sua vocação criadora essa mescla de patético e de humour, de imaginação surpreendente e de observação direta da realidade cotidiana, tão marcada e típica nos escritores de sangue escocês.”


Outras opiniões de escritores brasileiros sobre a obra de Cronin: 

É extraordinário que certa crítica, que tanto se comoveu com o superficial teosofismo de Charles Morgan em Fountain, persista em desconhecer o poeta e pensador destes dois romances admiráveis (As Chaves do Reino e Três Amores). Destes dois romances verdadeiramente singulares, pela sua força de vida e pelo seu significado de espírito na massa da produção intelectual hodierna, tão desprovida do senso da profundidade, como só o entendem os que sabem que Deus existe...” - Tasso da Silveira (in o Diário, B. Horizonte)

“O autor de As Chaves do Reino é o mesmo de A Cidadela, A . J. Cronin. E este seu novo romance não é menos interessante do que o outro. Nem podia ser: Cronin tem o gênio do romance. Quero dizer, o segredo de surpreender a vida nos seus momentos mais dramáticos de expressão. O segredo de condensar toda uma situação psicológica num gesto, numa atitude, numa palavra, às vezes num silêncio. De ir além da superfície sem mistério nenhum dos homens e das coisas como são ordinariamente vistas. E ir a essas profundidades sem torturas de análise, sem usar escafandro, sem ele mesmo fazer-se antes um personagem de aventura para o leitor.” - Olívio Montenegro ( in Diário de Pernambuco, Recife)

“Cronin é inegavelmente um grande romancista, Católico, nos seus livros passa o sopro suave da caridade cristã, que ressalta ao contraste da sua ausência. Quem não leu A Cidadela e Noites de Vigília, e não sentiu esse espírito de caridade? – Mas o escritor é um realista, no bom sentido. Faz seus romances sobre a vida. As Chaves do Reino é um grande livro.” – Padre Negromonte ( in O Diário, B. Horizonte)

O que me atrai neste autor é sua maneira magistral de organizar a trama de seus romances, e ainda toda a experiência adquirida no exercício da Medicina que imprime em suas páginas um sentido humanitário.”

outubro 23, 2013

Academia Botucatuense de Letras: Produção Literária!

Academia Botucatuense de Letras:
 Produção Literária!


A ACADEMIA BOTUCATUENSE DE LETRAS – ABL é efetivamente um empreendimento cultural vitorioso em Botucatu. Desde a sua fundação, sob o comando firme e visionário de seu primeiro presidente, hoje Presidente Perpétuo – o saudoso ANTONIO GABRIEL MARÃO! – a ABL soube interagir com a nossa sociedade civil e, de modo especial, com as autoridades constituídas.

Academia Botucatuense de Letras Comemora 40 Anos: Registro Histórico/ leia aqui


Assim, manteve uma atuação proativa com a cidade: seu “Jornal Literário”, a participação nos eventos culturais e educacionais da Prefeitura Municipal e de entidades privadas e a publicação de seus 3 livros, registrando o desempenho cultural de seus acadêmicos. Com Sessões Lítero-Musicais, a ABL manteve a constância mesmo não dispondo de uma sede própria. Contando com a colaboração do Poder Público, como agora e de uma outra vez, ou contando com o abrigo que lhe foi dado pelo “Convivium- Espaço Cultural Francisco Marins”, a ABL tem realizado periódicas reuniões, contando com a gentileza, num primeiro momento, da casa de ELDA MOSCOGLIATO e, ao depois, da casa de MARIA HELENA BLASI TREVISANI. Foi uma caminhada cultural vitoriosa e que tem elevado o nome de Botucatu.
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A ABL já o dissemos, tem em seu histórico dois importantes eventos culturais a marcar a sua excelência na cultura botucatuense: o PRIMEIRO, em sua efetiva instalação, em 1973, com 3 Patronos vivos (Alceu Maynard Araújo, Francisco Marins e Hernâni Donato) e, antecedendo a Academia Brasileira de Letras, com 2 mulheres acadêmicas em sua instalação (Elda Moscogliato e Dinorah Silva Alvarez); em SEGUNDO e importante evento, a SESSÃO MAGNA, realizada em 2001, entre as Academias Paulista de Letras e Botucatuense de Letras, com a presença maciça dos Acadêmicos Paulistas em sua PRIMEIRA REUNIÃO formal fora da capital paulista.

Atualmente, a ABL continua em sua “caminhada peabiruana”, sempre divulgando a cultura em Botucatu. Sob a presidência do Acadêmico Antônio Evaldo Klar, tem orgulho de seus trabalhos literários.

O PRIMEIRO LIVRO:
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A primeira produção literária da ABL, ocorreu no ano de 1992, com o lançamento da “COLETÂNEA LITERÁRIA DA ACADEMIA BOTUCATUENSE DE LETRAS”. Nessa edição pioneira, a capa e os retratos dos acadêmicos foram feitos pelo acadêmico Eugênio Monteferrante Netto; a diagramação coube ao acadêmico José Antonio Sartori; e na coordenação de produção, as acadêmicas Elda Moscogliato e Leda Galvão de Avellar Pires.

Diretoria:
Presidente: Antonio Gabriel Marão
1º Vice: Luiz Peres/José Celso Soares Vieira
2] Vice: Olívio Stersa
1º Secretário: Edson Lopes
2º Secretário: Elda Moscogliato
1] Tesoureiro: José Antonio Sartori
2º Tesoureiro: Eugênio Monteferrante Netto
Bibliotecária: Leda Galvão de Avellar Pires.



Com o patrocínio da Divisão de Cultura da Prefeitura Municipal (gestão de Joel Spadaro), tinha as seguintes produções literárias e seus respectivos autores:
“Impressões do Hawaii”, de Luiz Peres; “O Auto-Retrato”, de Armando Moraes Delmanto; “Os Espíritos e os Sonhos”, de Laurival Antonio de Luca; “A Explosão – Ave, Brasília,Uma Família Paulista” de Leda Galvão de Avellar Pires; “Nello Pedretti”, de Aleixo Delmanto; “A Boneca”, de Maria Amélia Blasi de Toledo Pisa; “Mensagem – Pátria – Nada...Existe o Nada? Falando sobre Guilherme de Almeida”, de Antonio Gabriel Marão; “O Velho Ipê – A Vida das Línguas – Monômios – As Grandezas do Brasil”, de Arnaldo Moreira Reis; “Na Marcha da Vida – Sinfonia da Vida – A Florada – Convite ao Poeta – Rio São Francisco – Receita para Fazer Versos – Deixai o Poeta Cantar”, de Dinorah Silva e Alvarez; “Florilégio Musical – Humberto de Campos (Biografia) – Canto de Natal”, Aécio de Souza Salvador; “Discurso – Crônica”, de Elda Moscogliato; “Cidade Universitária”, de Osmar Delmanto; “Ainda bem... – A Mosca – Invasão – Minha Casa”, de Edson Geraldo Luiz Lopes; “Martins Fontes (Biografia)”, de Eugênio Monteferrante Netto; “Recepção à Acadêmica Dinorah Silva e Alvarez (discurso)”, de José Antonio Sartori; “Othoniel Motta (Traços Biográficos)”, de Francisco Guedelha; “A Vida e a Obra de Paulo Eiró, de Olívio Stersa; “Rubião Meira, Meu Avô”, de Domingos Alves Meira; “Raio de Sol – Despedida – Cabelos Brancos – Névoa – Princesa da Serra (Poesias)”, de Trajano Pupo Júnior; “A Palavra”, de Dom Vicente Marchetti Zioni; “José Pedretti Neto (reminiscências)”, de Maria José Del Papa Zacharias.

O SEGUNDO LIVRO:

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O lançamento do segundo livro da ABL ocorreu em 1998, em comemoração ao seu JUBILEU DE PRATA (1973 – 1998). A ABL tinha a seguinte Diretoria:
Presidente Perpétuo: Antônio Gabriel Marão
Presidente : José Celso Soares Vieira
1º Vice Presidente: Olívio Stersa
2º Vice Presidente: Maria José Del papa Zacharias
1º Secretário: Edson Geraldo L. Lopes
2º Secretário: Elda Moscogliato
1º Tesoureiro: José Antônio Sartori
2º Tesoureiro: Eugênio MonteferranteNetto
Responsável pelo acervo: Leda Galvão de Avellar Pires

As ilustrações ficaram a cargo de Benedito Vinício Aloise;
Capa : José Antônio Sartori
Foto/Capa: Marcelino Dias
Revisão: José Celso S. Vieira/Neidi Ricchini Vieira.


Com o patrocínio da Divisão de Cultura da Prefeitura Municipal (gestão de Pedro Losi Neto), tinha as seguintes produções literárias e seus respectivos autores:
“São Francisco de Sales e a Boa Imprensa”, de Luiz Perez; “Memórias”, de Sebastião de Almeida Pinto; “Até as pedras se encontram”, de Raymundo Marcolino da Luz Cintra; “As “patricinhas” de Botucatu...Nos idos de 42...”, de Leda Galvão de Avellar Pires; “Castro Alves”, de Aleixo Delmanto; “Ritmo: não vivemos sem ele”, de Maria Amélia Blasi de Toledo Piza; “Nos domínios da música”, de Antônio Gabriel Marão; “Filatelia”, de Antônio Gabriel Marão; “As grandezas do Brasil”, de Arnaldo Moreira Reis; “Na Marcha da Vida”, de Dinorah Silva e Alvarez; “O Médico e o Intelectual”, de Antonio Pires de Campos; “Mortém”, de Elda Moscogliato; “Saudação a Botucatu”, de Osmar Delmanto; “Verbo pôr”, de Bahige Fadel; “O livro”, de Sebastião da Rocha Lima; “D. Henrique, o arquiteto”, de Eugênio Monteferrante Netto; “Festa em Louvor ao Divino Espírito Santo”, de José Antônio Sartori; “Centenário de Cornélio Pires”, de Francisco Guedelha; “Retalhos do cotidiano: meu amigo Jabu”, de Olívio Stersa; “A mão direita”, de Ignácio de Loyola Vieira Novelli; “O Varredor de flores”, Ignácio de Loyola Vieira Novelli; “O século XX, o Brasil e a AIDS”, de Domingos Alves Meira; “Despedida/Raio de Sol”, de Trajano Pupo Júnior; Nossas remotas origens eclesitáticas”, Dom Aquino Correa; “Natal na primavera”, de Maria José Del Papa Zacharias; Relembranças”, Maria Helena Blasi Trevisani; “Discurso de posse na ABL, de Armando Moraes Delmanto; “Meus últimos pedidos, de Laurival Antônio de Luca; “A indiferença do rio”, de José Celso Soares Vieira; “Poemas”, Carmem Sílvia Martin Guimarães; “Biografia de Humberto Campos”, Aécio de Souza Salvador; “Aniversário com outra atração”, de Franz Habermann; “O Papagaio”, Edson G. L. Lopes; “Naturalia hominis”, Evanil Pires de Campos; “Espaço vivido: o regaste da identidade da pessoa, Álvaro José de Souza; “Comemoração leva a reviver e sonhar”, de Joel Spadaro; “A Cultura e o Clero”, de Dom Antônio Maria Mucciolo; “A Glória de Viver/The whirling top”, de Beatrice Mandan de Barriera; “Lição de Música”, de Maria Lúcia Dal Farra; “A gratidão do Tico-Tico”, Dom Henrique Golland Trindade; “Alcolea”, de Dom José Melhado Campos; “Biquinha” do meu coração”, de Hugo Pires; “Coluna Nobre”, de Genaro Lobo; “Oãram”, Milton Marianno; “Um jornal a serviço da cultura”, de Adolpho Dinucci Venditto; “Exaltação à Princesa Isabel”, de Antônio Oscar Guimarães; “Vim buscar para a vida”, de Vanice Camargo Alves; “Essas mulheres maravilhosas e suas cabeças (bem) pensantes, de Hernâni Donato; “O Missionário”, de Francisco Marins; “Mestre”, de José Pedretti Neto; e “Homenagem aos 25 anos da ABL – Retrospectiva histórica”, de José Antônio Sartori.

O TERCEIRO LIVRO:
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O lançamento do terceiro livro da ABL ocorreu em 2013, em comemoração ao 40º Aniversário da ACADEMIA BOTUCATUENSE DE LETRES (1972 – 2012). A ABL tinha a seguinte Diretoria:
Presidente Perpétuo: Antônio Gabriel Marão
Presidente Emérito : José Celso Soares Vieira
Presidente: Antônio Evaldo Klar
1º Vice Presidente: Carmem Sílvia Martin Guimarães
2º Vice Presidente: Maria Helena Blase Trevisani
1º Secretária: Carmem Lúcia Ebúrneo da Silva
2º Secretária: Maria da Glória Guimarães Dinucci Venditto
1º Tesoureiro: José Sebastião Pires Mendes
2º Tesoureira: Márcia Furrier Guedelha Blasi
1º Bibliotecária: Maria Amélia Blasi de Toledo Piza
2º Bibliotecária: Leda Galvão de Avellar Pires

A organização deste terceiro volume da ABL ficou a cargo da Acadêmica Carmem Lúcia Ebúrneo da Silva, com o apoio da Prefeitura Municipal (gestão João Cury Neto).
Revisão: José Celso Soares Vieira
Carmem Sílvia Martin Guimarães
Carmem Lúcia Ebúrneo da Silva
Antônio Evaldo Klar
Capa: Cláudia Bassetto/Paula Ângelo

Com o título “40 Anos- Coletânea – Contribuindo para a educação de Botucatu”, tinha as seguintes produções literárias e seus respectivos autores:
“Quadragésimo aniversário da Academia Botucatuense de Letras”, Antônio Evaldo Klar; “Florilégio Musical”, Aécio de Souza Salvador; “Nello Pedretti”, de Aleixo Delmanto; “A Cuesta de Botucatu”, de Álvaro José de Souza; “A Educação aqui e acolá”, Antônio Evaldo Klar; “Maria Sofia de Jesus”, de Antonio Gabriel Marão; “Quarenta Anos da Academia Botucatuense de Letras”, de Antônio Evaldo Klar; “Dom Henrique, meu padrinho e amigo”, Antônio Oscar Guimarães; “O Médico e o Intelectual”, de Antonio Pires de Campos; “52 Anos” (de “A Gazeta”), de Antonio Tílio Junior; “O Menino do Retrato”, de Arlete Bravo Nogueira; “Academia Botucatuense de Letras (40 Anos de Glórias)”, de Armando Jesus Barbieri; “Viva Alessino!”, de Armando Moraes Delmanto; As Grandezas do Brasil”, de Arnaldo Moreira Reis; “Lenda de Botucatu”, de Bahige Fadel; “Benedicto Vinício Aloise”, de Carmem Sílvia Martin Guimarães; “São Francisco de Sales e a Boa Imprensa”, de Carlos Antônio de Rosa; “O Prazer de Coordenar o Embrião-Livro”, de Carmem Lúcia Ebúrneo da Silva; “Academia Botucatuense de Letras – Um Sonho de Mamãe”, de Carmem Sílvia Martin Guimarães; “Artista e a Inocência de uma Criança”, de Celina Simionato Chamma; “O Olhar da Cidade”, de Cláudia Basseto Jesuíno; “Dinorah Silva Alvarez”, colaboração de Carmem Sílvia Martin Guimarães; “Serviço de Ambulatórios Especializados e Hospital Dia “Domingos Alves Meira”: Uma Iniciativa que Valeu a Pena”, Domingos Alves Meira; “Academia Botucatuense de Letras”, de Domingos Scarpelini; “Pássaros”, de Edson Geraldo Luis Lopes; “Faber Lignarius”, de Elda Moscogliato; “Dom Henrique, o Arquiteto”, de Eugênio Monteferrante Netto; “O Lobo da Estepe e o Espelho”, de Evanil Pires de Campos; “A Estrela de Belém”, de Francisco Guedelha; “Discípulos nas Academias Botucatuenses”, de Francisco Habermann; “Botucatu: Morada da Inteligência”, de Francisco Marins; “Era só o que Faltava, de Hernâni Donato; “Noite sem Estrelas”, de Hugo de Avellar Pires; “A Mão Direita”, de Ignácio Loyola Vieira Novelli; “João Carlos Figueiroa”; “Os Cinquenta Anos da Faculdade de Medicina de Botucatu”, de Joel Spadaro; “E tudo começou com uma vaca”, de José Angelo Potiens; “Feiras de Ciências em Botucatu, de José Antônio Sartori; “O Amigo Saci”, de José Celso Soares Vieira; “O Fim de Chicuta”, de José Pedretti Neto; “Os Senhores do Ultratempo”, de José Sebastião Pires Mendes; “Meus Últimos Pedidos”, Laurival Antônio de Luca; “Pise firme, que este chão é nosso”, Leda Galvão de Avellar Pires; “São Francisco de Sales e a Boa Imprensa”, Luiz Peres; “Aniversário”, de Márcia Furrier Guedelha Blasi; “Non Omnis Moriar”, de Marcos Luciano Corsatto; “A Famosa História da Branca da Gama”, de Maria Amélia Blasi de Toledo Piza; “Eu e a Academia”, de Maria Anna Moscogliato; “Amizade”, de Maria da Glória Guimarães Dinucci Venditto; “Para o Aniversário de Botucatu”, de Maria Helena Blasi Trevisani; “Maria José Del Papa Zacharias”; “As Guardiãs”, de Maria Lúcia Dal Farra; “Oãram”, de Milton Marianno; “Professor Mozart Morais”; “Academia Botucatuense de Letras – Quarenta Anos de Existência”, de Newton Colenci; “Dr. Jaquaribe e os Primórdios de nossa Literatura Histórica”, de Olavo Pinheiro Godoy; “Cumpadre é pra isso mermo”, de Olívio Stersa; “Ética, Moral, Imoral e Amoral”, de Omar Abujamra Júnior; “O Ensino do Latim”, Osmar Delmanto; “Adeus a dois Amigos”, de Oswaldo Minicucci; “Até as Pedras se Encontram”, de Raymundo Marcolino da Luz Cintra; “Rosa Aparecida Innocenti Dinhane”; “Flores para Botucatu”, de Rosa Nepomuceno; “...No Centenário de Botucatu”, de Rubens Rodrigues Torres; “O Simbolismo no Poema Duas Almas de Alceu Wamosy”, de Ruth Marianno; “Cultivemos Nossos Jardins”, de Sebastião da Rocha Lima; “Retalho da História Botucatuense”, de Sebastião de Almeida Pinto; “Cabelos Brancos”, de Trajano Pupo Junior; “Sola Scriptura”, de Valdir Gonzales Paixão Junior; “Venice de Andrade Camargo Alves”; “Nossas Remotas Origens Eclesiásticas”, de Vicente Marchetti Zioni.

É REGISTRO HISTÓRICO!


julho 25, 2013

Cronin & o Dia do Escritor!

ARCHIBALD JOSEPH CRONIN
Na data de hoje, quando se comemora o DIA DO ESCRITOR, busquei na minhas lembranças a série de livros – uma coleção de capa dura – do escritor escocês Archibald Joseph Cronin, ou simplesmente A.J.Cronin como era mais conhecido. Para quem estava iniciando o curso científico, a descoberta dessa coleção de livros (pertencente ao meu irmão Décio) foi uma grande descoberta.

Estudando no Colégio Arquidiocesano La Salle, de Botucatu, vivia um período de muita efervescência cultural. Tanto que o professor de português e redação, Prof. Agostinho Minicucci, ao fazer o prefácio do jornal do colégio, em 1963, cravara uma verdade que tem me acompanhado até hoje:
“E estava eu lendo Criatividade profissional, um livro novo, diferente, de Eugene Von Fange...
- Professor, eu queria um artigo para o nosso jornal – “Tribuna do Estudante...”
Para quem estava mastigando criatividade, pensando no pensamento criador, na ânsia do novo, uma apresentação seria muito prosaico.
- Delmanto...
Bem, deixe-me, de início, apresentá-lo. É o Delmanto do 1º Científico do Colégio Arquidiocesano. Um rapaz que brotou (o termo é criativo) no 2º ciclo, lendo e lendo, escrevendo às vezes e iniciando-se na arte literária. Percebe-se quando alguém começa a sentir os comichões literários que coçam mais que varíola agonizante...”
Definição perfeita. Era uma busca intensa por bons livros. A coleção de livros de Jorge Amado, José de Alencar, Machado de Assis, Graciliano Ramos, entre tantos outros, foram lidos com entusiasmo crescente. Com a descoberta de “A Cidadela”, do Cronin, a “viagem passou a correr o mundo”, visitando outros países, outras culturas. “A Cidadela” foi apenas o primeiro de toda a coleção. Estilo envolvente, claro.

Cronin não caiu no esquecimento como tantos outros escritores. Suas obras viraram filmes (“Spanish Gardem”/ "A Cidadela") e seus livros obtiveram recordes de vendagem. Era um escritor popular. “A Cidadela” foi o campeão de vendagem. Com uma vida bem alicerçada como médico, passou a se dedicar à literatura por problemas de saúde. Com o tempo, fechou seu consultório, passando a viver só para a literatura. É preciso que a atual juventude tome conhecimento de sua obra e que algum Editor reedite sua obra completa: A Cidadela, A Dama dos Cravos, Almas em Conflito, Anos de Ternura, Anos de Tormenta, As Chaves do Reino, Encontro de Amor, O Castelo do Homem sem Alma, Os Deuses Riem, Sob a Luz das Estrelas e Uma Estranha Mulher.

Na crônica de Ialmar Pio Schneider (poeta, trovador e contista) temos um perfil completo de Cronin:
Um dos escritores mais interessantes que já tive a oportunidade de ler, foi sem dúvida, o célebre médico e romancista escocês A. J. Cronin (Archibald Joseph), que nasceu a 19 de julho de 1896, em Cardross, Dumbartoshire, Escócia, filho único de Patrick Cronin e Jessie Montgomerie. Faleceu no dia 6 de janeiro de 1981, na Suíça, para onde se transferira em 1955. O primeiro dos seus livros que li foi A Cidadela, e isto há muitos anos. Trata-se da história de um médico que provocou a manifestação do Parlamento Inglês no sentido de proibir a circulação do livro, uma vez que o romance foi considerado um “tremendo libelo contra a mercantilização da Medicina”. Diga-se que encerrava passagens autobiográficas do autor e foi a consagração definitiva de sua carreira literária.

Depois vieram os livros que fui lendo ao longo do tempo e foram As Chaves do Reino, Sob a Luz das Estrelas, Noites de Vigília, Pelos Caminhos de Minha Vida, Um Erro Judiciário, etc. Mas ele escreveu mais de 20 romances.

Terminei de ler por esses dias a sua primeira obra O Castelo do Homem sem Alma ( A Família Brodie), tradução de Rachel de Queiroz, que constitui um drama vivido em um lar que poderia ser feliz, porém, cuja imposição de um pai autoritário transformou em um inferno. Quando publicou este romance, escrito em apenas 3 meses em uma granja onde foi recuperar a saúde abalada por excesso de trabalho, obteve um grande êxito na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Foi adaptado ao teatro e ao cinema.

“Sua obra já foi traduzida em quase todos os países, e no Brasil foi bem recebida pela crítica. O ensaísta e professor Genolino Amado, grande conhecedor de Literatura, especialmente da inglesa, a propósito de A Cidadela afirma: “... Um novo, intenso e singular novelista surgira na Inglaterra, trazendo na sua vocação criadora essa mescla de patético e de humour, de imaginação surpreendente e de observação direta da realidade cotidiana, tão marcada e típica nos escritores de sangue escocês.””

Outras opiniões de escritores brasileiros sobre a obra de Cronin: “É extraordinário que certa crítica, que tanto se comoveu com o superficial teosofismo de Charles Morgan em Fountain, persista em desconhecer o poeta e pensador destes dois romances admiráveis (As Chaves do Reino e Três Amores). Destes dois romances verdadeiramente singulares, pela sua força de vida e pelo seu significado de espírito na massa da produção intelectual hodierna, tão desprovida do senso da profundidade, como só o entendem os que sabem que Deus existe...” - Tasso da Silveira (in o Diário, B. Horizonte)

“O autor de As Chaves do Reino é o mesmo de A Cidadela, A . J. Cronin. E este seu novo romance não é menos interessante do que o outro. Nem podia ser: Cronin tem o gênio do romance. Quero dizer, o segredo de surpreender a vida nos seus momentos mais dramáticos de expressão. O segredo de condensar toda uma situação psicológica num gesto, numa atitude, numa palavra, às vezes num silêncio. De ir além da superfície sem mistério nenhum dos homens e das coisas como são ordinariamente vistas. E ir a essas profundidades sem torturas de análise, sem usar escafandro, sem ele mesmo fazer-se antes um personagem de aventura para o leitor.” - Olívio Montenegro ( in Diário de Pernambuco, Recife)

“Cronin é inegavelmente um grande romancista, Católico, nos seus livros passa o sopro suave da caridade cristã, que ressalta ao contraste da sua ausência. Quem não leu A Cidadela e Noites de Vigília, e não sentiu esse espírito de caridade? – Mas o escritor é um realista, no bom sentido. Faz seus romances sobre a vida. As Chaves do Reino é um grande livro.” – Padre Negromonte ( in O Diário, B. Horizonte)

O que me atrai neste autor é sua maneira magistral de organizar a trama de seus romances, e ainda toda a experiência adquirida no exercício da Medicina que imprime em suas páginas um sentido humanitário.”

julho 25, 2012

Dia do Escritor: Homenagem a A.J. Cronin!


ARCHIBALD JOSEPH CRONIN
Na data de hoje, quando se comemora o DIA DO ESCRITOR, busquei na minhas lembranças a série de livros – uma coleção de capa dura – do escritor escocês Archibald Joseph Cronin, ou simplesmente A.J.Cronin como era mais conhecido. Para quem estava iniciando o curso científico, a descoberta dessa coleção de livros (pertencente ao meu irmão Décio) foi uma grande descoberta.


Estudando no Colégio Arquidiocesano La Salle, de Botucatu, vivia um período de muita efervescência cultural. Tanto que o professor de português e redação, Prof. Agostinho Minicucci, ao fazer o prefácio do jornal do colégio, em 1963, cravara uma verdade que tem me acompanhado até hoje:
“E estava eu lendo Criatividade profissional, um livro novo, diferente, de Eugene Von Fange...
- Professor, eu queria um artigo para o nosso jornal – “Tribuna do Estudante...”
Para quem estava mastigando criatividade, pensando no pensamento criador, na ânsia do novo, uma apresentação seria muito prosaico.
- Delmanto...
Bem, deixe-me, de início, apresentá-lo. É o Delmanto do 1º Científico do Colégio Arquidiocesano. Um rapaz que brotou (o termo é criativo) no 2º ciclo, lendo e lendo, escrevendo às vezes e iniciando-se na arte literária. Percebe-se quando alguém começa a sentir os comichões literários que coçam mais que varíola agonizante...”
Definição perfeita. Era uma busca intensa por bons livros. A coleção de livros de Jorge Amado, José de Alencar, Machado de Assis, Graciliano Ramos, entre tantos outros, foram lidos com entusiasmo crescente. Com a descoberta de “A Cidadela”, do Cronin, a “viagem passou a correr o mundo”, visitando outros países, outras culturas. “A Cidadela” foi apenas o primeiro de toda a coleção. Estilo envolvente, claro.
Cronin não caiu no esquecimento como tantos outros escritores. Suas obras viraram filmes (“Spanish Gardem”/ "A Cidadela") e seus livros obtiveram recordes de vendagem. Era um escritor popular. “A Cidadela” foi o campeão de vendagem. Como uma vida bem alicerçada como médico, passou a se dedicar à literatura por problemas de saúde. Com o tempo, fechou seu consultório, passando a viver só para a literatura. É preciso que a atual juventude tome conhecimento de sua obra e que algum Editor reedite sua obra completa: A Cidadela, A Dama dos Cravos, Almas em Conflito, Anos de Ternura, Anos de Tormenta, As Chaves do Reino, Encontro de Amor, O Castelo do Homem sem Alma, Os Deuses Riem, Sob a Luz das Estrelas e Uma Estranha Mulher.
Na crônica de Ialmar Pio Schneider (poeta, trovador e contista) temos um perfil completo de Cronin:
Um dos escritores mais interessantes que já tive a oportunidade de ler, foi sem dúvida, o célebre médico e romancista escocês A. J. Cronin (Archibald Joseph), que nasceu a 19 de julho de 1896, em Cardross, Dumbartoshire, Escócia, filho único de Patrick Cronin e Jessie Montgomerie. Faleceu no dia 6 de janeiro de 1981, na Suíça, para onde se transferira em 1955. O primeiro dos seus livros que li foi A Cidadela, e isto há muitos anos. Trata-se da história de um médico que provocou a manifestação do Parlamento Inglês no sentido de proibir a circulação do livro, uma vez que o romance foi considerado um “tremendo libelo contra a mercantilização da Medicina”. Diga-se que encerrava passagens autobiográficas do autor e foi a consagração definitiva de sua carreira literária.

Depois vieram os livros que fui lendo ao longo do tempo e foram As Chaves do Reino, Sob a Luz das Estrelas, Noites de Vigília, Pelos Caminhos de Minha Vida, Um Erro Judiciário, etc. Mas ele escreveu mais de 20 romances.

Terminei de ler por esses dias a sua primeira obra O Castelo do Homem sem Alma ( A Família Brodie), tradução de Rachel de Queiroz, que constitui um drama vivido em um lar que poderia ser feliz, porém, cuja imposição de um pai autoritário transformou em um inferno. Quando publicou este romance, escrito em apenas 3 meses em uma granja onde foi recuperar a saúde abalada por excesso de trabalho, obteve um grande êxito na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Foi adaptado ao teatro e ao cinema.

“Sua obra já foi traduzida em quase todos os países, e no Brasil foi bem recebida pela crítica. O ensaísta e professor Genolino Amado, grande conhecedor de Literatura, especialmente da inglesa, a propósito de A Cidadela afirma: “... Um novo, intenso e singular novelista surgira na Inglaterra, trazendo na sua vocação criadora essa mescla de patético e de humour, de imaginação surpreendente e de observação direta da realidade cotidiana, tão marcada e típica nos escritores de sangue escocês.””

Outras opiniões de escritores brasileiros sobre a obra de Cronin: “É extraordinário que certa crítica, que tanto se comoveu com o superficial teosofismo de Charles Morgan em Fountain, persista em desconhecer o poeta e pensador destes dois romances admiráveis (As Chaves do Reino e Três Amores). Destes dois romances verdadeiramente singulares, pela sua força de vida e pelo seu significado de espírito na massa da produção intelectual hodierna, tão desprovida do senso da profundidade, como só o entendem os que sabem que Deus existe...” - Tasso da Silveira (in o Diário, B. Horizonte)

“O autor de As Chaves do Reino é o mesmo de A Cidadela, A . J. Cronin. E este seu novo romance não é menos interessante do que o outro. Nem podia ser: Cronin tem o gênio do romance. Quero dizer, o segredo de surpreender a vida nos seus momentos mais dramáticos de expressão. O segredo de condensar toda uma situação psicológica num gesto, numa atitude, numa palavra, às vezes num silêncio. De ir além da superfície sem mistério nenhum dos homens e das coisas como são ordinariamente vistas. E ir a essas profundidades sem torturas de análise, sem usar escafandro, sem ele mesmo fazer-se antes um personagem de aventura para o leitor.” - Olívio Montenegro ( in Diário de Pernambuco, Recife)

“Cronin é inegavelmente um grande romancista, Católico, nos seus livros passa o sopro suave da caridade cristã, que ressalta ao contraste da sua ausência. Quem não leu A Cidadela e Noites de Vigília, e não sentiu esse espírito de caridade? – Mas o escritor é um realista, no bom sentido. Faz seus romances sobre a vida. As Chaves do Reino é um grande livro.” – Padre Negromonte ( in O Diário, B. Horizonte)

O que me atrai neste autor é sua maneira magistral de organizar a trama de seus romances, e ainda toda a experiência adquirida no exercício da Medicina que imprime em suas páginas um sentido humanitário.”

janeiro 10, 2012

"Drummond, você não gosta de mim!!!"


É importante e é prazeroso mostrar as facetas desconhecidas das celebridades que marcaram a vida social, política e cultural do nosso país. E é o que faremos aqui. O poeta Carlos Drummond de Andrade expondo a sua simpatia, a sua amizade e até o seu voto. E o político Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara, escritor, tradutor e editor, com sua admiração explícita ao poeta.

Ambos tiveram efetiva militância política. O poeta, com o tempo, passou a dedicar-se apenas à literatura. Já o político Lacerda, percorreu um logo caminho, travando grandes embates e culminando com sua eleição para governador da Guanabara. Mas no início de suas vidas profissionais, pertenceram à turma de jovens boêmios da famosa “Taberna da Glória”, no Rio, composta por Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Vinícius de Moraes, Fernando Sabino, Carlos Lacerda, Paulo Mendes Campos e Dorival Caymmi.



E com a estrada da vida percorrida em sua maior parte, os dois colocam claramente a admiração mútua. É registro histórico. O blog do jornal “A Tribuna da Imprensa”, de 07/01/2012, traz a matéria de José Carlos Werneck. Vamos ao texto:

“Correspondências entre Lacerda e Carlos Drummond de Andrade"

No Natal de 1975, Carlos Lacerda envia bilhete ao poeta, oferecendo um livro da Nova Fronteira, editora que criou:

“Para Carlos Drummond de Andrade, que não gosta de mim, mas certamente gosta de Fernando Pessoa e há de gostar do Otávio Araújo, a Nova Fronteira oferece, Natal de 75, Carlos Lacerda”.

Resposta de Drummond para Lacerda:
“Agradeço-lhe vivamente, e à Nova Fronteira, o magnífico exemplar de ‘Ode Marítima’ de Fernando Pessoa, com que me distinguiram neste Natal. Realmente, é um fino objeto de arte, a que Otávio Araújo deu contribuição relevante, para maior glória do poeta. Parabéns à arte gráfica do nosso país. A afirmação de que ‘não gosto de você’ seria pelo menos exagerada, se não fosse, como é, totalmente errada. Ninguém é indiferente ao ‘charmeur’ fascinante que você é, e mesmo os que supõem detestá-lo, no fundo gostam de você. Gostam pelo avesso, mas gostam. Quanto a mim, tenho presente que fomos bons camaradas na luta perdida da ABDE, e que lhe dei o meu voto para Governador (voto de que não me arrependi, em face dos lances criativos do seu Governo). Apenas, discordei de posteriores atitudes políticas de você, o que é coisa comum na vida, e não afeta relacionamento pessoal. Certo?”



De Lacerda para Drummond, janeiro de 1976:
“Apresso-me em responder à sua pergunta datada de 25 de dezembro. Foi bom que lhe dissesse e ótimo que você falasse, na carta. Haviam-me dito isso, e eu remordia a mágoa, pela muita admiração que lhe tenho, e não só intelectual, pois respeito também a sua maneira de ser, a sua integridade essencial. Transmiti à Nova Fronteira o seu elogio, que será por todos bem, isto é, devidamente bem recebido. Saúde e paz lhe deseja, com um abraço, o Carlos Lacerda.”

Que bonito!

É isso. A vida é assim...Às vezes, em uma troca de correspondência, quase protocolar, surge os sentimentos que derrubam as fantasias e as maledicências que surgem no dia a dia de nossas vidas.

É bonito e é REGISTRO HISTÓRICO!