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outubro 11, 2014

FERREIRA GULLAR: o Poeta é Imortal!

FERREIRA GULLAR:
O Poeta é Imortal!



O poeta maranhense Ferreira Gullar foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, sucedendo a Ivan Junqueira, tradutor e poeta, na Cadeira nº 37. Gullar foi eleito com 36 dos 37 votos.

Ferreira Gullar tem 84 e será empossado em 2015. As academias costumam empossar entre seus membros, políticos e celebridades...Felizmente, desta vez, um poeta reconhecido internacionalmente foi o escolhido. Ferreira Gullar ganhou os prêmios LUÍS DE CAMÕES, MOLIÈRE, SACI  e muitos outros. Com certeza, a ABL saiu enriquecida com a eleição de Ferreira Gullar.



Em 2012 (25/09), fizemos uma homenagem a Ferreira Gullar, destacando a sua poesia TRADUZIR-SE:

 Momento Poético é sempre bom. Muito bom. Ainda mais quando traz a inspiração de Ferreira Gullar. Vamos à matéria publicada na "Tribuna da Imprensa":
segunda-feira, 24 de setembro de 2012 | 10:01
Ferreira Gullar, traduzindo a si mesmo
Ferreira Gullar, pseudônimo do maranhense José Ribamar Ferreira, jornalista, crítico de arte, teatrólogo,biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta é um dos fundadores do neoconcretismo, que entra para a história da literatura como um dos maiores expoentes e influenciadores de toda uma geração de artistas dos mais diversos segmentos das artes brasileiras.
Segundo alguns professores de literatura, o poema “Traduzir-se” reflete a profissão de fé de Gullar no exercício de uma poética em um discurso que só abrange a sociedade, porque investiga o mais fundo da subjetividade. O poeta se revela contido e grave durante o que vai expondo. Nas rimas que apresenta este poema, segue seu esquema peculiar de ajustar dois vocábulos fortes e de importância capital para o significado total: “mundo/fundo”, “multidão/solidão”, “pondera/delira”, e assim por diante.Até o sexto verso há a reiteração, quase que como um refrão, dos dois aspectos fundamentais abordados no texto: “Uma parte de mim/outra parte”. Em quase todos os poemas de Gullar é possível traçar dois paradigmas, que se resumem em antinomias existenciais, reveladoras da missão do poeta em seu desdobramento de sujeito poético e sujeito histórico. Pelo esquema de pontuação adotado, pode-se obter uma alegoria da relação entre o eu-indivíduo e o eu-coletivo. A primeira parte, denominada de “Uma parte”, seguida de uma identificação, introduz a parte seguinte, denominada de “outra parte”, através de dois pontos. Esse sinal é usado, em linguagem corrente, como indicativo de uma enumeração, citação ou aposto. O que, numa leitura alegórica, denuncia a indicação de que a “outra parte”, na verdade, está contida na primeira, ou talvez lhe é predicativa; ou seja, uma não exclui a outra, melhor, definem-se pela complementaridade.


TRADUZIR-SE

Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

novembro 20, 2012

Serás um homem, meu filho!

GUILHERME DE ALMEIDA
- PRÍNCIPE DOS POETAS BRASILEIROS!!! -

Ouça o poema “SE” / aqui
Momento Poético!
Buscando na poesia do sempre “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, Guilherme de Almeida, o momento mais apropriado para a realidade dos paulistas. Buscamos, sempre, no poema da “Nossa Bandeira” um pouco de inspiração cidadã. E a bravura do guerreiro na tradução do poema “IF” de Rudyard Kipling (Joseph Rudyard Kipling – nasceu em Bombaim em 1865 e faleceu em Londres em 1936, foi um autor e poeta britânico dos mais populares), Guilherme de Almeida – na opinião dos críticos literários! – reescreveu a poesia de Kipling e construiu uma de suas mais belas páginas: “Se”!
RUDYARD KIPLING

Guilherme de Andrade de Almeida (1890-1969), considerado o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, nasceu em Campinas (SP), foi uma personalidade de destaque nos meios intelectuais e sociais como poeta, jornalista, advogado, cronista, tradutor, além de desenhista e profundo conhecedor de cinema.
Dominou amplamente o fazer poético, por ser grande conhecedor da ciência do verso e da língua, ajudando-o também a ser um excelente tradutor. Traduziu, também, os poetas Paul Géraldy ("Eu e Você"), Rabindranath Tagore ("O Jardineiro" e "O Gitanjali"), Charles Baudelaire ("Flores das Flores do Mal"), Sófocles ("Antígona") e Jean Paul Sartre ("Entre Quatro Paredes").
Com a publicação do livro de poesias "Nós" (1917) iniciou sua carreira literária. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, seu escritório serviu de redação para os fundadores da revista "Klaxon". Percorreu o Brasil, difundindo as idéias da renovação artística e literária. Os livros "Meu" e "Raça" (1925) são fiéis à temática brasileira e ao sentimento nacional.

É muito importante destacar a opinião abalizada de um crítico literário sobre a arte da tradução. Pois Guilherme de Almeida, a cada tradução que fazia, construía a sua obra também. Marcelo Tápias, crítico literário e Diretor da Casa de Guilherme de Almeida é claro: “O objetivo que se impõe ao presente artigo é o de discutir o referencial da estrita equivalência na avaliação crítica de traduções, para concluir que ele não se mostra o mais adequado à tradução de poesia. A respeito da conceituação de tradução poética e do que seja “fidelidade” na ação tradutória, considere-se de início um pensamento como aquele elaborado por Haroldo de Campos (por meio de seus artigos sobre “transcriação”) que permite ver a tradução de um poema como uma criação de algo novo, com suas próprias “regras” internas, ainda que resulte de um processo de recriação e seja construído de modo a guardar relações de paramorfismo com o texto-fonte.”
Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, meu filho!

setembro 25, 2012

Traduzir-se!

Momento Poético é sempre bom. Muito bom. Ainda mais quando traz a inspiração de Ferreira Gullar. Vamos à matéria publicada na "Tribuna da Imprensa":
segunda-feira, 24 de setembro de 2012 | 10:01
Ferreira Gullar, traduzindo a si mesmo
Ferreira Gullar, pseudônimo do maranhense José Ribamar Ferreira, jornalista, crítico de arte, teatrólogo,biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta é um dos fundadores do neoconcretismo, que entra para a história da literatura como um dos maiores expoentes e influenciadores de toda uma geração de artistas dos mais diversos segmentos das artes brasileiras.
Segundo alguns professores de literatura, o poema “Traduzir-se” reflete a profissão de fé de Gullar no exercício de uma poética em um discurso que só abrange a sociedade, porque investiga o mais fundo da subjetividade. O poeta se revela contido e grave durante o que vai expondo. Nas rimas que apresenta este poema, segue seu esquema peculiar de ajustar dois vocábulos fortes e de importância capital para o significado total: “mundo/fundo”, “multidão/solidão”, “pondera/delira”, e assim por diante.Até o sexto verso há a reiteração, quase que como um refrão, dos dois aspectos fundamentais abordados no texto: “Uma parte de mim/outra parte”. Em quase todos os poemas de Gullar é possível traçar dois paradigmas, que se resumem em antinomias existenciais, reveladoras da missão do poeta em seu desdobramento de sujeito poético e sujeito histórico. Pelo esquema de pontuação adotado, pode-se obter uma alegoria da relação entre o eu-indivíduo e o eu-coletivo. A primeira parte, denominada de “Uma parte”, seguida de uma identificação, introduz a parte seguinte, denominada de “outra parte”, através de dois pontos. Esse sinal é usado, em linguagem corrente, como indicativo de uma enumeração, citação ou aposto. O que, numa leitura alegórica, denuncia a indicação de que a “outra parte”, na verdade, está contida na primeira, ou talvez lhe é predicativa; ou seja, uma não exclui a outra, melhor, definem-se pela complementaridade.
TRADUZIR-SE
Ferreira Gullar
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)