Tem despertado as atenções da “intelligentzia brasileira” a série de programas da TV Pública Brasileira (TV BRASIL), idealizada pelo compositor, violinista, poeta, escritor e cantor carioca, Jorge Mautner (nasceu Henrique George Mautner, filho de Anna Illichi, de origem iugoslava e católica, e Paul Mautner, judeu e austríaco. "Eu nasci aqui um mês depois de meus pais chegarem ao Brasil fugindo do holocausto"). É a série “AMÁLGAMA BRASILEIRA”, que mostra de norte ao sul do país o amálgama do povo brasileiro. Único. Mágico. Encantador!
Através de intervenções poéticas e da fala de eruditos e populares, podemos encontrar exemplos destas misturas que compõem a nação brasileira. É um “mochilão cultural”. A idéia foi justamente reunir pessoas interessantes e interessadas que fossem atrás desse tesouro cultural brasileiro.
Corruptela de “onde é que eu estou”, “Oncontô” passeia por diferentes cidades dos estados do Ceará, Pernambuco, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Sul. Em episódios, a série revela curiosidades da História Brasileira, do nosso folclore, das músicas regionais e das ricas características deste imenso país. As edições serão temáticas e falarão de assuntos como maracatu, tambores, festas religiosas e artesanato.
Mautner é entusiasta: “O Brasil é o continente indicado há muito tempo. Todas as profecias falam isso. Rabindranath Tagore (filósofo indiano) dizia que “a civilização superior do amor nascerá no Brasil”. Jacques Maritain (filósofo francês) dizia que “o único lugar onde a justiça e a liberdade poderão aflorar juntas é o Brasil”. Stefan Zweig escreveu no século 19 o livro “Brasil, o País do Futuro”. Já é isso agora.
Na imagem, Caetano Veloso, Pedro Bial e Jorge Mautner, falando sobre o documentário O filho do Holocausto que começa a ganhar trajetória internacional. Dirigido pelo “senhor BBB”, Pedro Bial, filme será exibido no Festival do Cinema Brasileiro de Paris. Ele conta a história de Jorge Mautner, filho de um judeu austríaco que se refugiou aqui no Brasil ainda no início da Segunda Guerra Mundial.
"A nova era nascerá no Brasil... isso se realiza agora... porque nós temos um País que é continente, e o mundo todo quer ser brasileiro...” Em Portugal, eles já tinham essa visão ecumênica, resultante da influência muçulmana e do fato de serem muito pequenininhos e quererem se separar (da Espanha). Até mesmo as navegações só tiveram sucesso porque Portugal foi o único país que, em segredo, acolheu os Templários, que estavam sendo queimados como heréticos na frente da Igreja. Portugal os acolheu com um pequeno truque, que já é uma amálgama: mudou o nome deles para Cavaleiros de Cristo. Com a chegada dos Templários, os portugueses dão um salto, porque toda aquela sabedoria que eles tinham das culturas antigas da Grécia, da Cabala Judaica, da Babilônia, da China e da África passaram para o espírito da Coroa Portuguesa.
“O processo de “brasilificação” está em avanço absoluto. Não há dúvida. É por isso que a Copa do Mundo vai ser aqui, as Olimpíadas também e o Papa virá novamente. O Brasil é a esperança concreta do século 21. Temos as florestas, o petróleo e outras riquezas, mas a maior de todas é o povo brasileiro, com essa amálgama.”
Mautner diz que “o termo foi usado pela primeira vez por José Bonifácio. Em 1823, ele já dizia que, “diferente de todas as outras nações, o Brasil era essa amálgama”. É um conceito químico para a combinação de metais que cria um novo metal. Exatamente o que aconteceu aqui e que dá ao brasileiro uma capacidade de reinterpretar a cada segundo tudo novamente e, incluindo posições contrárias e opostas, alcançar o caminho do meio, o equilíbrio”.
E amálgama, além de mistura química, uma liga de metais, significa mistura de pessoas ou coisas heterogêneas. “Agora explodiu a democracia mesmo, pulsante. Desde Figueiredo, Sarney, mesmo com Collor, até Fernando Henrique, Lula. É o ápice. Não é à toa que as Olimpíadas vão ser aqui, que a Copa do Mundo vai ser aqui. A humanidade precisa do Brasil não apenas para comer, para tomar água, mas para viver no nosso espírito. Para se sentir otimista, para poder ter força e dar a volta por cima”, diz com entusiasmo Mautner. “Além de nossas florestas para respirar!”
O GRANDE TEÓRICO DO POVO BRASILEIRO: DARCY RIBEIRO!
Toda essa pregação sobre o amálgama brasileiro “é a mistura, a miscigenação, a alquimia constante que faz com que o brasileiro consiga reinterpretar tudo num segundo e absorver pensamentos contrários, alcançando o caminho do meio. Isso é fruto da nossa ancestralidade indígena. Da cultura negra que inventou os arquétipos antes de Jung e colocou vários cérebros na nossa cabeça, e também dos portugueses, que ao receberem os templários deram um salto. Isso tudo se reflete aqui, nessa amálgama, que é o que o mundo deseja para a sobrevivência da espécie."
Darcy Ribeiro nasceu em Minas (1922), no centro do Brasil. Formou-se em Antropologia em São Paulo, pela Escola de Sociologia e Política (1946) e dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia. Neste período fundou o Museu do Índio e criou o Parque Nacional Indígena do Xingu. Escreveu uma vasta obra etnográfica e de defesa da causa indígena.
Nos anos seguintes (1955), dedicou-se à educação primária e superior. Criou a Universidade de Brasília - UNB e foi Ministro da Educação. Mais tarde foi Ministro-Chefe da Casa Civil e coordenava a implantação das reformas estruturais, quando sucedeu o golpe militar de 64, que o lançou no exílio.
Viveu em vários países da América Latina onde, conduzindo programas de reforma universitária, com base nas idéias que defende em “A Universidade Necessária”. Foi assessor do presidente Salvador Allende, do Chile, e Velasco Alvarado, do Peru. Escreveu neste período os cinco volumes de seus Estudos de Antropologia da Civilização (O processo civilizatório, As Américas e a Civilização, O dilema da América Latina, Os Brasileiros: 1. Teoria do Brasil, e Os índios e a Civilização), que têm 96 edições em diversas línguas. Neles propõe uma teoria explicativa das causas do desenvolvimento desigual dos povos americanos.
Darcy Ribeiro deixou uma obra magnífica. Em seu último trabalho, no qual dedicou todo o seu entusiasmo e sua vasta experiência, “O POVO BRASILEIRO”, ele nos deu o perfil, o retrato do povo brasileiro, destinado a ser a grande civilização mestiça e tropical a encantar e ter papel decisivo no concerto das Nações!
E é com entusiasmo que temos acompanhado o trabalho intelectual e musical de Jorge Mautner. Ao levar o “Oncotô?” em uma bem elaborada série televisiva, vai consolidando o amálgama do povo brasileiro, ou seja, é a mistura, a miscigenação dos brasileiros que encanta o mundo e nos transforma no país destinado a liderar as grandes transformações da humanidade.








