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abril 29, 2017

Peabiru Hotel Há 60 Anos a Modernidade chegava em Botucatu: 1957 - 2017

Peabiru Hotel
Há 60 Anos a Modernidade chegava em Botucatu....
1957 - 2017

NOSSO PRIMEIRO 
ARRANHA-CÉU
 Na segunda metade dos anos 50, o mundo e o Brasil estavam experimentando uma série de novidades... O rock estava surgindo e abalava as estruturas conservadoras da sociedade, com mudança de costumes, principalmente entre a juventude.  No Brasil, até a música tradicional - o samba! - sofria uma mudança significativa: uma batida diferente estava vindo para ficar... Era diferente.  Parecia jazz ou blues... Era a Bossa Nova.
 Na sociedade do após guerra, a palavra era a reconstrução, a modernidade, a ousadia nos empreendimentos.  Novas concepções de espaço, novas posturas arquitetônicas.
            A capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, se destaca como uma das mais modernas e criativas capitais brasileiras. Era o Governo de Juscelino Kubitschek (1950/1954) e Minas entrou em acelerado desenvolvimento.  A expansão da cidade de Belo Horizonte, nos anos 50, era vertical e horizontal.  Bairros modernos e residenciais para a alta classe média foram uma constante.


            
A par disso, a construção de "arranha-céus" na capital mineira deram uma nova cara para Belo Horizonte.  Tudo isso culminando no grande centro de lazer que passou a ser a Pampulha, com jardins de Burle Marx e projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer: era Brasília se desenhando durante os anos 50 em Belo Horizonte.  Com a posse de Juscelino na Presidência, em 1956, o astral mineiro "voou" para Brasília que acabou sendo inaugurada em abril de 1960
 Uma nova música, o rock-and-roll mudando os costumes e abalando as estruturas, Elvis Presley, os Beatles, James Dean e a juventude transviada... Eram os novos tempos...


 Botucatu se manifesta

            A cidade dos Bons Ares e das Boas Escolas não poderia ficar ausente dessa mudança que estava ocorrendo a nível mundial e nacional.
                       Na mesma época em que Juscelino governava Minas Gerais, a sua campanha já estava sendo feita, através da notícia bem elaborada de que havia uma nova opção, uma opção pelo crescimento, pelo desenvolvimento, pelo progresso. São Paulo não poderia ficar à margem dessa nova postura governamental: o parque do Ibirapuera (inaugurado em 1954, durante as comemorações do IV Centenário, tendo comoPrefeito Municipal, Jânio Quadros), projeto dos dois ousados idealizadores da nova Pampulha (Niemeyer e Burle Marx), serviu para divulgar ainda mais essa nova "onda" de modernidade. O Brasil todo estava acompanhando esse "boom" imobiliário e desenvolvimentista.
            Essa era a melhor propaganda: divulgar a nova postura administrativa que trazia esperança e otimismo à população.
            Em Botucatu, exatamente no dia 19 de janeiro de 1957 seria inaugurado o nosso primeiro "Arranha-Céu".   Isso há + de 50 anos atrás!  Nesse dia, Botucatu estava engalanada para as festanças da inauguração de seu maior e mais imponente edifício: o PEABIRU.   O Edifício "Pedro Amando de Barros" e "Peabiru Hotel".   Foi um acontecimento inesquecível. Botucatu inserida no desenvolvimento que acontecia em todo o Brasil.
            A "FOLHA DE BOTUCATU", de 19 de janeiro de 1957, mesmo dia da inauguração de nosso "arranha-céu", trazia um retrospecto desse "boom" imobiliário que estava acontecendo em nossa cidade, mudando o aspecto de sua principal rua de comércio:
            "... Depois do prédio "Arthur Serpa Pinto", de 3 pavimentos, em cujo andar térreo se acha instalada a Caixa Econômica Estadual, situada em frente à praça João Mendes (atual Comendador Emílio Peduti), foi construído o prédio Stefanini, igualmente de 3 pavimentos, próximo à praça Cel. Moura. Outro prédio situado no centro comercial da rua Amando de Barros, será dentro em breve inaugurado. Referimo-nos ao prédio "João e Martha Rafael", de dois simples, mas amplos andares, de propriedade da firma João Rafael e Irmãos, cujas prósperas atividades nesta praça datam de mais de meio século. No andar térreo, que ocupa uma área de 600 metros quadrados, será instalada a loja da "Casa Royal", da mesma firma. Dois outros prédios importantes estão em via de construção na mesma rua Amando. Um já com sua construção bem adiantada, situado na esquina da rua Monsenhor Ferrari, no local da antiga residência do saudoso Dr. Costa Leite, é de propriedade da firma Romani, Mori S/A, e abrigará exclusivamente o estabelecimento comercial e industrial da mesma firma (hoje, abriga a Simape). O outro prédio, que está com seus alicerces       concluídos, é de propriedade do Sr. Albertino Martins, e fica situado na mesma rua Amando, esquina da rua Velho Cardoso, onde era antigamente instalado o Bar Seleta (hoje, abriga o Posto da Telesp). Terá esse prédio 3 andares na rua Amando e 4 na rua Velho Cardoso. Esses dois últimos prédios estão sendo construídos pela Engitec Ltda., engenharia civil, mecânica e eletrotécnica, há um ano fundada nesta cidade. Como se pode constatar com grande satisfação para nós, os botucatuenses, a nossa principal artéria comercial , vai radicalmente transformando e melhorando o velho e acanhado aspecto..."
            A FOLHA foi feliz ao traçar esse cenário da principal artéria comercial de Botucatu. Era fácil constatar : Botucatu estava se desenvolvendo com rapidez - até hoje não igualado o ritmo de renovação arquitetônica em nossa cidade - única e exclusivamente graças à iniciativa dos empresários locais.  Quer dizer, a iniciativa privada foi a responsável pelo ciclo desenvolvimentista por que passou a cidade de Botucatu.       
           
O ARRANHA-CÉU

             Na mesma edição em que traçou o panorama acima descrito,o jornal "Folha de Botucatu", de19/01/57, trazia com orgulhoso destaque a notícia da inauguração do nosso arranha-céu.  Tomando toda a 1a. página,o jornal trazia foto do prédio, foto do Patrono do prédio, o Sr. Pedro Amando de Barros, genitor do proprietário, foto de Dona Nicota, genitora do proprietário e Paraninfa da solenidade, foto de Dom HenriqueGolland Trindade, então Bispo Diocesano e Paraninfo da solenidade e, com destaque, a foto do proprietário J. Amaral Amando de Barros.  No texto, os principais dados a respeito do novo edifício: "A construção do Edifício "Pedro Amando de Barros" foi inciada em 1º de Agosto de 1953, pela firma Azevedo & Travassos S/A, sob a direção direta e pessoal do Engº Dr. Antonio Araujo Azevedo. O projeto do edifício é de autoria doarquiteto dr.Gustavo Gama Monteiro. A sua decoração esteve a cargo do sr. Salvador Monteiro.
            O nome do edifício foi dado em homenagem à memória do saudoso pai do proprietário.
            O nome Peabiru dado ao hotel é ligado à história da cidade e se refere à antiga e famosa via de penetração bandeirante escalando a Serra de Botucatu.
            O prédio será ocupado : Andar Térreo, Sobre-Loja e Sub-Solo : na Ala norte: pelo Banco do Brasil ; na ala sul: pelo saguão do Peabiru Hotel.              1º Andar:         pelas firmas Omareal, Mecatral e Neiva.
Do 2º até o 7º Andar : pelo Peabiru Hotel e respectivos restaurante e bar.
            O Peabiru Hotel, possuirá 42 quartos e 12 apartamentos de 2 quartos cada um, com instalações sanitárias as mais modernas e perfeitas, e lavanderia automática.
            Os legumes, frutas, carne suína,etc., serão fornecidos pela Fazenda Boa Esperança (do proprietário do edifício).
            A firma que explorará o hotel é a SOCIEDADE PEABIRU LTDA.
         Rede telefônica interna (PBX) com cinco troncos e oitenta ramais, em via de instalação."
         O relato foi minucioso por parte da Folha.  A inauguração estava tendo a necessária e indispensável cobertura da imprensa botucatuense. O relato continuava : "...o edifício consta de 2 blocos, de linhas modernas e sóbrias; com 7 pavimentos... sendo que o primeiro andar é ocupado pelos escritórios das firmas pertencentes ao Grupo Azevedo: Neiva, Omareal e Mecatral..." E mais: "... no último andar estão instalados o Restaurante Panorâmico e o original Bar "Vista-Vision" donde se descortina toda a cidade de Botucatu.
         Servido por espaçoso e moderno elevador, o Peabiru Hotel se classifica, mercê do conforto que oferece, do bom gosto e de sua decoração e de sua magnífica localização, podendo-se afirmar que é, no momento, o melhor do interior do Estado de São Paulo.  Os móveis e as cortinas foram especialmente desenhados para oPeabiru, o mesmo acontecendo com os quadros que ornamentam seus quartos e salas, todos eles pintados por artistas de renome, o que dá ao hotel um tom de originalidade e ineditismo dificilmente superados"

"VISTA-VISION"
          O chamado Bar "Vista-Vision" na verdade era um espaço destinado para uma sofisticada Boate.  De finíssima decoração e com uma vista surpreendente e bela, o Bar"Vista-Vision" teria sido vetado pelas forças conservadoras da cidade, especialmente pela Igreja. Isso era o  que   sempre se comentou à "boca pequena" por toda a sociedade botucatuense...  A verdade é que nunca funcionou o bar ou a pretensa boate e, mais verdade ainda, é que nunca houve, por parte do proprietário, qualquer reclamação ou comentário à respeito... A verdadeira versão desse fato está perdida na imaginação popular e nas várias versões levantadas...
               
       O  Empresário  Pioneiro

Joaquim Amaral Amando de Barros

             Já dissemos que todo o "boom" imobiliário que renovou e modernizou Botucatu foi fruto da iniciativa privada.  Era a visão dos empresários "empurrando" Botucatu para o progresso e o desenvolvimento.
            Nesse contexto é que vemos a figura do empreendedor Joaquim Amaral Amando de Barros.  De todos os prédios, o Edifício "Pedro Amando de Barros" era o mais arrojado, o maior, era o nosso primeiro arranha-céu...           
            Comerciante bem sucedido no ramo de materiais de construção, o Sr.Amaral de Barros estava a demonstrar o seu tino empreendedor, a sua visão do futuro e a sua sensibilidade política.  Tanto é assim que anos mais tarde (1963), ele chegaria à Prefeitura Municipal de Botucatu, tendo como Vice-Prefeito o grande líder popular José da Silva Coelho.           
            O empreendimento foi tão positivo, que o Sr. Amaral de Barros obteve grande prestígio político junto à comunidade botucatuense e revelou-se um empresário de visão, pois a empreitada só obteve sucesso e proporcionou lucro.  Botucatu registrou o nome desse empreendedor : J. Amaral Amando de Barros.
 INAUGURAÇÃO

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 Ato Inaugural. No saguão do "Peabiru Hotel" vemos a presença do Pref. Municipal João Reis, dos Srs.  Rafael João Rafael, Adolpho Dinucci, João Passos, Lincoln Vaz, Rubens da Silva Cardoso, Pedro Chiaradia, do então bispo Dom Henrique Golland Trindade, do Monsenhor Melhado, de Dª Nicota (ao lado de Dom Henrique - ambos Paraninfos), do Dr. Amando de Barros Sobrinho, do orador pela Câmara Municipal, Dr. Antonio Delmanto, do Sr. Plínio Paganini e do casal - anfitrião Joaquim Amaral Amando de Barros e Dª Celina.
  A inauguração de nosso primeiro "arranha-céu" mobilizou toda a cidade e a imprensa botucatuense destacou o fato.  A Folha de Botucatu, de 23/01/57, sob o título "Acontecimento Auspicioso", trazia com minúcias a solenidade de inauguração :
            "Acontecimento social de grande significação, constituiu a inauguração do suntuoso edifício "Pedro Amando de Barros" e do "Peabiru Hotel", realizada sábado último, à noite.     
            Ao ato inaugural, no saguão do hotel, estiveram presentes, as mais destacadas e representativas figuras do nosso mundo social, político, religioso, econômico e financeiro.
            Falou, inicialmente, o sr. J. Amaral Amando de Barros, proprietário daqueles empreendimentos, dizendo da sua satisfação por entregar a Botucatu, aquele edifício, que tomara o nome de seu saudoso pai, em um hotel à altura do nosso progresso.  Agradeceu a presença de todos, e fez uma saudação toda especial à sua mãe, a veneranda senhora d. Nicota de Barros, e à S.Exa.Revma. Dom Henrique Golland Trindade, paraninfos do ato inaugural.         
            O Bispo Diocesano, após abençoar o prédio e o hotel pronunciou uma oração na qual manifestou seu contentamento por paraninfar uma obra que tanto veio contribuir para nosso desenvolvimento arquitetônico.  Lembrou s.exa.revma. o alto espírito altruístico do sr. Amaral de Barros, demonstrado através da sopa aos andarilhos, que vem patrocinando por intermédio da "Sociedade de São Vicente de Paula".     
            O orador seguinte foi o sr. João Passos que, em nome da Associação Comercial, também se congratulou com os realizadores de tão notáveis empreendimentos.           
            Pela Câmara Municipal, discursou o dr. Antonio Delmanto, dizendo da nova etapa de progresso que se iniciará em nossa cidade com o edifício "Pedro Amando de Barros".        
            Por último, usou da palavra o sr. Rubens da Silva Cardoso que, num belo improviso, concitou os homens de grandes recursos financeiros botucatuenses a seguirem o exemplo do sr. Amaral de Barros, empregando aqui os seus capitais, pois só assim Botucatu ganhará o lugar que merece no concerto das cidades do hinterland.  
            Ato contínuo, os convidados se encaminharam ao último andar do imponente edifício, onde se localiza o restaurante do hotel e o originalíssimo bar "Vista-Vision".  Aí, foram-lhes oferecidas lautas mesas de doces e salgadinhos, regadas à champanha, cerveja, guaraná e delicioso "ponche".     
            Foi uma festa magnífica, digna do edifício e do hotel que estavam sendo inaugurados e se prolongou até todos se fartarem.         
            Todas as dependências do confortável hotel foram mostradas aos visitantes , que manifestaram a sua admiração."
            De 1957 para cá, Botucatu conquistou outros edifícios, outros "arranha-céus", maiores do que o nosso pioneiro Peabiru... No entanto, o pioneirismo deixa, sempre, a sua marca, o seu registro.  Como, ao depois, na construção dos edifícios residenciais, o pioneirismo ficou com a empresária D. Sofia Toledo Zanoto.


            Esta reportagem da Revista Peabiru tem por objetivo oregistro histórico desse magnífico empreendimento, como forma de se resgatar a memória de Botucatu e, ao mesmo tempo, concitar, neste final e início de século, os empresários botucatuenses para que eles sejam, como o foram os empresários dos anos 50, audazes, vencedores e propulsores do progresso e do desenvolvimento de Botucatu (AMD).
 obs. : o logotipo apresentado no início deste artigo é cópia fiel do decalque original do lançamento do hotel em 1957, que nos foi fornecido pelo sr.Luiz Caramelo, então gerente do Peabiru Hotel.  As fotos que ilustram a matéria foram cedidas, ainda em vida, pelo Sr. J. Amaral Amando de Barros.
(Revista Peabiru, nº 02, Ano I, março/abril de 1997/Livro "Memórias de Botucatu III", 2000)
 Registro Histórico:


Correspondência do escritor e dramaturgo botucatuense Alcides Nogueira quando do lançamento do livro"Memórias de Botucatu III", no ano 2000, publicada no "Almanaque Cultural de Botucatu/2000", nos mostra, com destaque, a importância que a inauguração desse "arranha-céu" teve para a sociedade botucatuense nos anos 50:

"SP, 19/01/2000
        
                                                                 

Caríssimo Armando,

Mal recebi e já mergulhei na leitura das "Memórias de Botucatu III". Como sempre, você consegue aliar à pesquisa uma linguagem coloquial, o que torna a visão de nossa história ainda mais agradável e atraente. Fiquei emocionado com os detalhes da construção do nosso primeiro arranha-serra (bela expressão). As memórias do menino botucatuense misturam-se aos dados fornecidos pelo historiador. Como uma personagem do "Armacord", também eu sempre imaginei a boate do Peabiru como palco de festas suntuosas e de encontros fortuitos. E, em minha cabeça, padres furibundos barravam o meu sonho felliniano.
O "Lawrence" é material para novela!  Que história mais fantástica. E fiquei comovido ao ver a foto da casa da Sra. Leandro Dupré.  Quero saborear cada página, pois sei que aprenderei muito com essa leitura.  Mais uma vez você contribui, de forma incisiva, para que Botucatu não perca sua identidade, e para que nós tenhamos muito orgulho da cuesta.
   Obrigado pela dedicatória tão gentil, parabéns pelo belíssimo trabalho, e um abraço a todos de sua família.
 Alcides Nogueira"

junho 21, 2016

MISERICÓRDIA BOTUCATUENSE - REGISTRO HISTÓRICO.

Na capital paulista nós temos a Santa Casa de Misericórdia, tradicional e modelar estabelecimento hospitalar. E por todo o Estado de São Paulo e peloBrasil, temos as Santas Casas, hospitais erguidos e mantidos pela caridade das comunidades a que servem... Faço essas considerações, exatamente, pelo fato do hospital que vamos focalizar não levar o nome de Santa Casa: é tão somente Misericórdia Botucatuense.



Sempre me recordo que meu pai, médico, comentava que a Misericórdia não era uma Santa Casa, mas com certeza, era uma Casa Santa! Principalmente em seus primórdios, quando não havia a assistência médica organizada por parte do Governo Federal, funcionando os serviços de saúde pela mobilização da própria comunidade que contava com entidades filantrópicas, geralmente maçônicas. O Centenário da Misericórdia teve seu registro completo no livro "Memórias de Botucatu 2", publicado em 1993:



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Histórico Completo da Misericórdia Botucatuense/leia aqui

PARTE 2 – Continua o Histórico/leia aqui

PARTE 3 – Continua o Histórico/leia aqui

Pois bem, a Misericórdia Botucatuense foi fundada em 1893, passando a funcionar em 1901, graças ao médico baiano, Dr Antonio José da Costa Leite, que teve a brilhante iniciativa. Como único médico da cidade e da região, acompanhando o avanço das paralelas poderosas da Estrada de Ferro Sorocabana e contando com o apoio financeiro e a doação de terras de fazendeiros e ricos proprietários da cidade.

1ª. FASE DO HOSPITAL:
Dr Costa Leite obtém da matriarca Da. Isabel Franco de Arruda, rica proprietária vinda de Piracicaba, a doação 10 contos de réis. Dez contos de reis! Os fazendeiros Antonio Ferreira da Silva Veiga Russo e Domingos Soares de Barros doaram parte de suas propriedades para o hospital. Sendo que o Domingão (como era conhecido) doou propriedades como primeira fonte de renda da Misericórdia.


Com firme apoio da comunidade foi eleita a primeira Diretoria: Dr Costa Leite, Antonio Cesar, Amando do Amaral Barros, João Rodrigo e Floriano Simões. Como Provedor, o Juiz de Direito, Dr Luiz Ayres de Almeida Freitas. A planta do hospital foi de autoria do arquiteto Francisco B. Soler (espanhol).

Interessante o registro da presença, por dois anos, do médico e depois cientista famoso, Dr. Vital Brasil. Pertenceu ao quadro clínico da Misericórdiae, como secretário, elaborou algumas Atas. Com a existência de muitas fazendas, portanto de muitas matas e animais peçonhentos (cobras e escorpiões), começou a pesquisar e estudar o soro-antiofídico. Em, 1897, seguiu para a capital para atuar no recém fundado Instituto Butantã, onde se consagrou para a ciência.

2ª. FASE DO HOSPITAL:

Em 1937grave crise abalou o funcionamento da Misericórdia. O Corpo Clínico se afastou por desentendimento com a Administração. Após breve período sem prestar serviços, fechado, o hospital reabriu em uma iniciativa da Comissão de Diretores da Administração da Entidade Mantenedora. Foram convidados os srs. Emílio Peduti e o Dr Antônio Delmanto. O primeiro, empresário e capitalista bem sucedido e, o segundo, médico botucatuense com especialização na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com estágio com o Dr Benedito Montenegro, considerado o melhor cirurgião da época e, posteriormente,Diretor da Faculdade de Medicina da USP.

Delmanto e Peduti em solenidade do Hospital

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As instalações da Misericórdia eram modestas. Era preciso ampliar. Moderno aparelho de Raio X, caríssimo à época e impossível de ser comprado com recurso próprio, foi uma oferta do Comendador Antonio Pereira Ignácio, fundador da Votorantim (avô do empresário Antonio Ermírio de Moraes). O industrial Antonio de Souza Noschese, doou a sala e todos os aparelhos de Ortopedia, a viúva do ex-prefeito Tonico de Barros doou toda a ala de ginecologia com vários quartos e equipamentos, que passou a ser a ala Maternidade “Nhazinha de Barros”. Enfim, com a mobilização do corpo clínico obteve-se as doações necessárias para o pleno funcionamento do hospital.



Em 1993, a grande comemoração do CENTENÁRIO DA MISERICÓRDIA BOTUCATUENSE. Uma vida onde a benemerência supriu, por décadas, a ausência do Estado no importante setor de prestação de serviços de saúde. Hoje, o hospital está consolidado, mesmo enfrentando as dificuldades que todos os hospitais do Brasil ainda enfrentam.

registro do histórico do Centenário da Misericórdia Botucatuense precisa ser divulgado como forma de se preservar a história e deixar exemplos da participação positiva e vitoriosa da comunidade organizada.

Prof. Arlindo Machado, da Escola de Comunicações e Artes da USP, sobre a importância dos registros históricos e dos livros de história, nos lembra que “...a biblioteca da Sorbonne, tida como a maior da Europacontava com um acervo, no seu início, de 1.228 livros.Hoje, as maiores bibliotecas do mundo abrigam cada uma por volta de dez milhões de volumes. E destaca a importância de registros, como o que estamos fazendo, dos fatos históricos:”...Bancos de Dados inteligentes deverão substituir os inexpressivos fichários atuais, novos softwares ajudarão na tarefa de localizar, selecionar e compreender a informação...deverão condenar ao esquecimento as antigas livrarias e remodelar o conceito de biblioteca...”

Esse é o futuro. É perfeitamente possível digitalizar coleções inteiras de jornais antigos. É viável, através de softwares específicos, catalogar toda uma biblioteca. Bancos de Dados podem preservar toda a Memória Histórica das cidades.

Repetimos: esse é o futuro! E estamos trazendo o registro importante de parte da construção histórica de uma cidade do interior do Estado de São Paulo, com a construção, pela força da comunidade organizada, de seu Hospital Benemérito.
Comentários quando da postagem do Centenário da Misericórdia:




requeri disse...
o seu texto possibilita históricas lembranças.
a rica história da cidade de santos é intimamente ligada à santa casa. não aquela que existe hj, na entrada da cidade.
santos e são vicente, cidades vizinhas, grudadas, dividiam tarefas, e uniram-se ainda mais por conta da santa casa que fora estabelecida em santos, por um gruppo de jesuítas, por volta de 1543. santos recebeu esse nome por causa da santa casa que servia às duas cidades. os habitantes de são vicente viajavam horas para serem atendidos na santa casa de misericórdia de todos os santos, que ficava no extremo oposto, da cidade vizinha instalada no outro extremo oposto em relação a são vicente, ou seja, na entrada do estuário, onde um trapixe servia de porto.
abreviar para "santos" ficou mais econômico. em lugar de dizer: vou à santa casa de misericórdia de todos os santos. ficava mais simples dizer: vou a santa casa de santos.

as santas sasas existem desde 1498. dona leonor, viúva de dom joão II, rei de portugal, determinou a fundação da santa casa de misericórdia de lisboa. daí, cada canto do planeta que portugal conquistava, era obrigado a receber uma santa casa. elas, as santas casas, eram as organizações mais fortes e emblemáticas da colonização portuguesa.

adoro essas histórias.

é isso.
requeri disse...
desculpa. o correto é trapiche. ato falho.
Anônimo disse...
Na cidade de Jaú foi a mesma coisa. A comunidade se uniu e construíram a Santa Casa, mantida por uma Entidade Filantrópica. Não havia assistência pública para a saúde era o salve-se quem puder. Foi a época da conquista desse imenso país. Em cada cidade, pelo menos no Estado de São Paulo, havia uma Santa Casa. Hoje, com todo o dinheiro arrecado pelo Governo Federal os hospitais mantidos pelas Santas Casas passam verdadeiro terror financeiro. O dinheiro do SUS é uma humilhação e está fazendo com que inúmeros hospitais fechem suas portas. É urgente uma nova política para a Saúde. É preciso que o SUS pague um valor justo pelos serviços prestados e que pague sem atraso. Ninguém está pedindo favores governamentais, mas apenas o que é devido pelos serviços prestados ao próprio Governo Federal. O valor de uma consulta ou de uma operação cesareana paga pelo SUS é uma vergonha! E o Congresso Nacional só trabalha alguns dias da semana e só pensa em tirar vantagens... (jair.castro66@yahoo.com.br)
Delmanto disse...
Esse relato de Requeri sobre Santos e a sua Santa Casa é uma aula de história. São as raízes da civilização portuguesa que viabilizaram a colonização da Terra Brasilis. O valor das Santas Casas foi de fundamental importância para a saúde das populações carentes das cidades que se formaram nos primórdios da Nação. Da mesma forma, o relato de Jair sobre a cidade de Jaú. Com certeza, por todo o Brasil, vamos encontrar depoimentos que enaltecem o papel dessas Casas de Benemerência. O Governo Federal precisa voltar a atenção para uma justa remuneração pelos serviços prestados pelas Santas Casas. O SUS precisa pagar em dia e dar o justo valor dos procedimentos médicos prestados. É compensador sentir que tema tão importante encontra a atenção de tantos brasileiros. O Brasil tem futuro. E o passado glorioso de nossas Santas Casas de Misericórdia é um orgulho de toda a Nação Brasileira.
requeri disse...
aaaaaaaaaaaah pagar bem e em dia, hj em dia?!?!?!?!?! ... fui lá praqueles tempos atrás, pra não ter que pensar em comentar sobre a condição da saúde no brasil.
Anônimo disse...
As Santas Casas de Misericórdia, desde o início, desempenham papel de destaque na assistência médica do país. No início, era entidades de benemerência que prestavam assistência aos desvalidos. Com a estruturação do serviço de previdência e de assistência médica no Brasil, as Santas Casas foram enquadradas como meros hospitais, mas não houve a contrapartida do Governo Federal. O pagamento pelos procedimentos, atos cirúrgicos, consultas e exames é ridículo. A luta pela sobrevivência continua mas é necessário que os nossos deputados federais voltem seus olhos para esse verdadeiro apostolado que ainda é exercido pelas Santas Casas. O governo do Estado de São Paulo tem dado regularmente ajuda às Santas Casas de Misericórdia, mas é insuficiente pois o déficit é grande. O Governo Federal é que precisa comparecer e ajudar. É sempre lembrado o trabalho dessas Entidades Beneficentes. A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, tem entre suas finalidades que: “A Missão da Irmandade é exercer a caridade e a misericórdia para o socorro e a assistência aos enfermos, idosos, inválidos e desamparados, prestando serviço de assistência à saúde buscando atingir a excelência no atendimento. O objetivo é ser uma Instituição de excelência, reconhecida nacional e internacionalmente pela assistência, ensino e pesquisa na área da saúde” Vamos fazer um abaixo assinado, com milhões de assinaturas, para ver se o Congresso Nacional ou a presidente da República fiquem sensibilizados para a gravidade da situação.
(mariceiaoliveira@yahoo.com.br)