"certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim, que perguntar carece, como não fui eu que fiz...”
É sempre assim: uma frase, um artigo, uma musica, uma crônica ou um livro
parecem ter saído do fundo da nossa alma. Será? Tem até uma canção do
Milton Nascimento e do Tunai (irmão do
João Bosco), chamada
CERTAS CANÇÕES, cuja primeira frase reproduzimos acima, na abertura do artigo.
É isso, sim. Em uma crônica muito bem escrita, eu gostaria de poder dizer:
EI, AMIGO, ESTE ARTIGO É MEU!!!!
Mas o artigo, infelizmente,
NÃO é meu. É artigo de
origem registrada. Faz parte das crônicas do livro
“APENAS UMA HISTÓRIA”, publicado em abril de
2007, com ilustrações do
Prof. Vinício! O livro é o primeiro lançamento do
José Maria Benedito Leonel,
educador consagrado e comunicador tarimbado.
Zé Maria Leonel e esposa em uma cavalgada
Eu que estava à época – após
25 anos – fechando o
meu ciclo de participação e militância na
ABL – Academia Botucatuense de Letras, uma das tarefas, das
“lições de casa” que eu não consegui fazer com sucesso, foi levar o
Zé Maria, como é chamado o
escritor, para
ingressar e enobrecer a ABL...
Amigo de infância, fizemos o ginásio juntos no
La Salle, fizemos o
Tiro de Guerra juntos, tivemos amigos e
“sonhamos” com tantas morenas bonitas na mesma época que eu diria, sem errar, que o
Zé Maria foi e é
um amigo para ser guardado para sempre...Seguimos caminhos diversos: ele,
Educador; eu,
Advogado, com
militância cívica...Mas ambos
sonhadores e “apaixonados” pela cidade de Botucatu de um modo geral e,
ele, de
modo especial, por sua
“Piapara”. O
Zé Maria tem a
alma do caboclo da nossa região.
Escreve como o caboclo fala. Ele é – em minha opinião de escritor – o
“nosso” Rolando Boldrin. E o artigo que eu gostaria de ter escrito, diz o seguinte:
“Agora já sei que o tempo não para, que o dia que passo não vorta mais. Agora já sei que a vida engana a gente. Tudo vai embora: o tempo da criança, a mocidade, as canturia, as varsa que dancemo, as sabedoria das prosa, os laços arrebentados pelo tempo, os agrados, os desafetos.
Tudo vai embora. Vai embora a vaidade, a arrogância, o poder. A vida vai quebrando o nosso orgulho, domando nossas valentia, acomodando nossos repente, silenciando as cordas da viola Tudo vai embora. Vai embora a força do braço e do abraço. Vai embora as certezas que a gente defendia. Nada é tão certo assim, tão verdadeiro assim. Quem acha que é, que fique achando. Eu também já achei e não acho mais. Tudo vai embora. Na memória da gente vai ficando sobras, vurtos...”
E conclui: “O que é a vida da gente? Até onde a gente é dono das rédea, troteando os dia de acordo com o nosso querê? Até onde o destino tem que sê cumprido? Que hora é a hora de muda a sorte, escolhê outra estrada, anda por outros ataio?”
São trechos que escolhi.
Que beleza! Quanta brasilidade, não é mesmo?!?
Finalizando, a
FRASE QUE EU GOSTARIA DE TER ESCRITO, saída da sabedoria do sempre mestre
Agostinho Minicucci:
”A
mãe-pátria é a nossa cidade, no sentido de que elas, as cidades, as vilas, as fazendas
compõem o país. Quem ama o seu torrão natal é um grande patriota, que idolatra o seu berço para enaltecer a grandiosidade da nação... Antes de vivermos para nós mesmos é preciso que vivamos para a nossa Pátria e ela se chama Botucatu.”
E para encerrar estas reminiscências tão saborosas, ficamos com a música
“Tristeza do Jeca”, de autoria de
Angelino de Oliveira, feita especialmente para a
cidade de Botucatu, a cidade que escolhera como sua...pra sempre...É considerada
a melhor música do cancioneiro raiz brasileiro.
ANGELINO DE OLIVEIRA
“TRISTEZA DO JECA”, de Angelino de Oliveira, com Tonico &Tinoco/ ouça aqui
Tristeza do Jeca
de
Angelino de Oliveira, com
Tonico & Tinoco
Nestes versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Prá você quero contar
O meu sofrer e a minha dor
Eu sou como um sabiá
Que quando canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está
Nesta viola canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade
Eu nasci naquela serra
Num ranchinho beira-chão
Todo cheio de buracos
Onde a lua faz clarão
Quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada
Principia um barulhão
Nesta viola, canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade
Lá no mato tudo é triste
Desde o jeito de falar
Pois o Jeca quando canta
Dá vontade de chorar
E o choro que vai caindo
Devagar vai-se sumindo
Como as águas vão pro mar.