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outubro 09, 2015

PMDB foi CENTRÃO, BLOCÃO...agora é PODER!!!

Blocão = Centrão...kkkkk


O PMDB se transformou, desde o (des)governo de José Sarney, no partido mais fisiológico do Brasil! O PMDB tinha Ulisses Guimarães – o Senhor Diretas Já”-, tinha o Jarbas Vasconcelos, o Pedro Simon MAS tinha também o deputado federal, Roberto Cardoso Alves... E foi criado o CENTRÃO, deixando os peemedebistas autênticos sem rumo, e passaram a achacar o governo federal de todos os meios: cargos, licitações, verbas, emendas parlamentares, etc.

De um lado, os peemedebistas históricos e, de outro lado, a imensa maioria dos peemedebistas “adeptos” da famosa frase de São Francisco:

“É DANDO QUE SE RECEBE...”

E o presidente SARNEY não só conviveu muito bem com o chamado “CENTRÃO” do PMDB, sob o comando do Robertão (Roberto Cardoso Alves) como se integrou, hoje, completamente ao BLOCÃO – reedição mais despudorada ainda do antigo CENTRÃO.

E o BRASIL, desde 1985, está sendo VERGONHOSAMENTE colocado sob a DIREÇÃO do atual BLOCÃO! É UMA VERGONHA!!!

O artigo “Fala, PMDB!”, do Arnaldo Jabor, publicado no jornal “O Globo” é mais um alerta para que a SOCIEDADE BRASILEIRA SE ORGANZE E TOME O SEU DESTINO EM SUAS PRÓPRIAS MÃOS: 


Fala, PMDB!

O PMDB é a salvação da democracia; suja, mas muito nossa

Arnaldo Jabor

“Sem nós, a presidenta não faz nada! Não pensem vocês que estamos de brincadeira. Esses soviéticos não aprendem... Tentaram enrolar o PTB, logo com quem? — o ‘cobra criada’ Jefferson que os botou para correr. Sei que o plano da presidente(a) é combater nosso excesso de poder. Não adianta; em nosso ‘blocão’, além dos ‘nanicos’ nós temos os grandes mestres, os faixas pretas do país: Sarney, o eterno, a fênix Renan, e agora o implacável Eduardo Cunha, tantos... Estamos no Executivo sim, mas o comandante Temer não sacia nossa fome. E o Temer é o tipo de vice que ‘não aporrinha’, mas nós aporrinharemos, sim.

Esses comunas pensam que a gente é babaca. Temos séculos de aprendizado. O PMDB é uma das mais belas florações de nossa história. Temos interesses, claro. Queremos cargos e ministérios importantes porque sem nós não tem comuna que se dê bem. Não é assim que essa tigrada do PT fala: ‘os fins justificam os meios’? Pois é, nós somos os meios.

No entanto, os fins são deformados pelos meios e de ‘meios’ acabaremos sendo ‘fins’. Sentiram a profundidade do PMDB? Não há casamento sem interesse. É belo e progressista o interesse. O desprendimento, a honestidade alardeada são hipocrisia de teóricos. Já foi o tempo em que o PT nos dominava, debaixo de destemperos e esculachos da presidenta. Vocês acham que vamos sair em campanha para reeleger essa mulher antipática, brizolista? Vamos é defender a democracia com nossos métodos tradicionais em que a vaselina e o ‘toma lá dá cá’ sempre levaram o país para a frente.

O Eduardo Cunha, que era o ‘coisa ruim’, virou ‘coisa linda’, pois ele é um técnico, um expert tenaz em acochambramentos e perfídias brasilienses. Antes, nossas revoltas eram desorganizadas, sem rumo. Edu nos devolveu o orgulho e consolidou um projeto de militância.

E nossos fins são frutos de uma grande tradição brasileira que os maldosos chamam de ‘corrupção’, quando são hábitos incrustados em nossa vida como a cana, o forró, nossos bigodes que chamam de bregas, as ancas das amantes risonhas com ouro tilintando em pescoços e pulsos, diante da palidez infeliz de nossas esposas.
Vocês não entendem que isso é a cara do país? Vocês reclamam de nossa voracidade. E os milhares de glutões petistas — mais de 100 mil — que invadiram o batatal do poder para comer tudo?

O PMDB é um exército de amigos unidos — qual o mal? Admire a beleza superior deste patrimônio espiritual que nós possuímos, tanto em nosso partido como nas alas aliadas.
E tem mais: nós do PMDB temos um projeto sim para este país... Um projeto muito mais pragmático, mais progressista que esse dogmas de 1917 do Dirceu e outros — abstrações ridículas como ‘igualdade’, ‘controle social’ , ‘comitês centrais’, ‘palavras de ordem’.

Nosso projeto é mais Brasil. “São coisas nossas, muito nossas...”, como cantou o Noel. Nosso projeto é uma girândola de malandragens, de negociatas que deixam cair pelas brechas, pelas frestas, fecundas migalhas de progresso. É isto: tudo que houve de bom no país foi fruto de malandragens, do adultério entre o privado e o público.
Não, cara, não há corrupção no PMDB — trata-se apenas da continuação de um processo histórico. O dinheiro que arrecadamos em emendas do orçamento, em gorjetas justas de empresas e burocratas, esse dinheiro sempre foi a mola do crescimento do país. Haveria Brasília sem ela? Onde estaríamos nós? Na roça de um país agropastoril? Esta é a eterna verdade desde a Colônia, tão eterna quando a miséria que sempre haverá. Querem o quê? Que fiquemos magros também, que dividamos nossas conquistas com os que nada têm? Quando eu faço uma piscina azul em meio à seca, não é crueldade, porque é preciso que alguém tenha piscina na caatinga para que a dor dos miseráveis seja suportável. A vida do pobre ganha um sentido hierárquico: ele está embaixo, mas se consola porque alguém vive feliz em cima. Vamos olhar para a outra face da beleza: a alegria de ver a grande arte dos lucros fabulosos, as mandíbulas salivando a cada grande negócio fechado, o encanto dos shoppings de luxo, o eufórico alarido dos restaurantes, os roncos de jet skis à beira-mar, a euforia dos almoços de conchavos... Tudo isso doura o nosso progresso.

Portanto, não nos venham com papos de inclusão social. É tudo lero-lero para enrolar o povão. O PT não gosta do povo, não. O PT só gosta dele mesmo e de um poder imaginário no futuro que ninguém sabe qual é. Não fizeram uma mísera reforma estrutural, só houve shows de Lula na mídia e PACs irrelevantes. E nos chamam de ‘reacionários’; eles é que são.

Bolivarianismo caboclo não admitimos. Jamais viraremos a Venezuela, como querem o Rui Falcão, que já está lá puxando o saco do Maduro, e o Marco Aurélio Garcia, o último dos bolcheviques, para quem ‘tudo vai bem na Venezuela’, apesar do exagero da ‘mídia conservadora’. Nossa estratégia é mole, embuçada, insidiosa, mas muito eficaz.

A classe dominante deste país é uma grande família, unida por laços de amizade total, mesmo que definhe sob nossos pés a massa de escravos em seus escuros mundos.
Nós somos muito mais Brasil do que esse bando de comunas que chegaram aí, com um sarapatel de ideias feitas por um leninismo mal lido e um getulismo tardio. Querem nos colar a pecha de ladrões, mas, por exemplo, quem comprou uma refinaria para a Petrobras no Texas por 1 bilhão e 200 milhões que não vale nem 100 milhões? Quem comprou? E o esquema da Holanda? Quem está jogando bilhões (quanta propina...) em estádios? Eles roubaram e roubam muito mais e a gente fica com a fama?
No entanto, sou otimista — acho sim que a aliança PT-PMDB poderá ser doce e linda. Mas, do nosso jeito, pois na infraestrutura de nosso passado de donatários ninguém toca.

O PMDB é a salvação da democracia; suja, mas muito nossa.”

(jornal “O Globo”, de 18/03/2014)

março 18, 2014

Blocão = Centrão...kkkkk

Blocão = Centrão...kkkkk


O PMDB se transformou, desde o (des)governo de José Sarney, no partido mais fisiológico do Brasil! O PMDB tinha Ulisses Guimarães – o Senhor Diretas Já”-, tinha o Jarbas Vasconcelos, o Pedro Simon MAS tinha também o deputado federal, Roberto Cardoso Alves... E foi criado o CENTRÃO, deixando os peemedebistas autênticos sem rumo, e passaram a achacar o governo federal de todos os meios: cargos, licitações, verbas, emendas parlamentares, etc.

De um lado, os peemedebistas históricos e, de outro lado, a imensa maioria dos peemedebistas “adeptos” da famosa frase de São Francisco:

“É DANDO QUE SE RECEBE...”

E o presidente SARNEY não só conviveu muito bem com o chamado “CENTRÃO” do PMDB, sob o comando do Robertão (Roberto Cardoso Alves) como se integrou, hoje, completamente ao BLOCÃO – reedição mais despudorada ainda do antigo CENTRÃO.

E o BRASIL, desde 1985, está sendo VERGONHOSAMENTE colocado sob a DIREÇÃO do atual BLOCÃO! É UMA VERGONHA!!!

O artigo “Fala, PMDB!”, do Arnaldo Jabor, publicado no jornal “O Globo” é mais um alerta para que a SOCIEDADE BRASILEIRA SE ORGANZE E TOME O SEU DESTINO EM SUAS PRÓPRIAS MÃOS: 




Fala, PMDB!

O PMDB é a salvação da democracia; suja, mas muito nossa

Arnaldo Jabor

“Sem nós, a presidenta não faz nada! Não pensem vocês que estamos de brincadeira. Esses soviéticos não aprendem... Tentaram enrolar o PTB, logo com quem? — o ‘cobra criada’ Jefferson que os botou para correr. Sei que o plano da presidente(a) é combater nosso excesso de poder. Não adianta; em nosso ‘blocão’, além dos ‘nanicos’ nós temos os grandes mestres, os faixas pretas do país: Sarney, o eterno, a fênix Renan, e agora o implacável Eduardo Cunha, tantos... Estamos no Executivo sim, mas o comandante Temer não sacia nossa fome. E o Temer é o tipo de vice que ‘não aporrinha’, mas nós aporrinharemos, sim.

Esses comunas pensam que a gente é babaca. Temos séculos de aprendizado. O PMDB é uma das mais belas florações de nossa história. Temos interesses, claro. Queremos cargos e ministérios importantes porque sem nós não tem comuna que se dê bem. Não é assim que essa tigrada do PT fala: ‘os fins justificam os meios’? Pois é, nós somos os meios.

No entanto, os fins são deformados pelos meios e de ‘meios’ acabaremos sendo ‘fins’. Sentiram a profundidade do PMDB? Não há casamento sem interesse. É belo e progressista o interesse. O desprendimento, a honestidade alardeada são hipocrisia de teóricos. Já foi o tempo em que o PT nos dominava, debaixo de destemperos e esculachos da presidenta. Vocês acham que vamos sair em campanha para reeleger essa mulher antipática, brizolista? Vamos é defender a democracia com nossos métodos tradicionais em que a vaselina e o ‘toma lá dá cá’ sempre levaram o país para a frente.

O Eduardo Cunha, que era o ‘coisa ruim’, virou ‘coisa linda’, pois ele é um técnico, um expert tenaz em acochambramentos e perfídias brasilienses. Antes, nossas revoltas eram desorganizadas, sem rumo. Edu nos devolveu o orgulho e consolidou um projeto de militância.

E nossos fins são frutos de uma grande tradição brasileira que os maldosos chamam de ‘corrupção’, quando são hábitos incrustados em nossa vida como a cana, o forró, nossos bigodes que chamam de bregas, as ancas das amantes risonhas com ouro tilintando em pescoços e pulsos, diante da palidez infeliz de nossas esposas.
Vocês não entendem que isso é a cara do país? Vocês reclamam de nossa voracidade. E os milhares de glutões petistas — mais de 100 mil — que invadiram o batatal do poder para comer tudo?

O PMDB é um exército de amigos unidos — qual o mal? Admire a beleza superior deste patrimônio espiritual que nós possuímos, tanto em nosso partido como nas alas aliadas.
E tem mais: nós do PMDB temos um projeto sim para este país... Um projeto muito mais pragmático, mais progressista que esse dogmas de 1917 do Dirceu e outros — abstrações ridículas como ‘igualdade’, ‘controle social’ , ‘comitês centrais’, ‘palavras de ordem’.

Nosso projeto é mais Brasil. “São coisas nossas, muito nossas...”, como cantou o Noel. Nosso projeto é uma girândola de malandragens, de negociatas que deixam cair pelas brechas, pelas frestas, fecundas migalhas de progresso. É isto: tudo que houve de bom no país foi fruto de malandragens, do adultério entre o privado e o público.
Não, cara, não há corrupção no PMDB — trata-se apenas da continuação de um processo histórico. O dinheiro que arrecadamos em emendas do orçamento, em gorjetas justas de empresas e burocratas, esse dinheiro sempre foi a mola do crescimento do país. Haveria Brasília sem ela? Onde estaríamos nós? Na roça de um país agropastoril? Esta é a eterna verdade desde a Colônia, tão eterna quando a miséria que sempre haverá. Querem o quê? Que fiquemos magros também, que dividamos nossas conquistas com os que nada têm? Quando eu faço uma piscina azul em meio à seca, não é crueldade, porque é preciso que alguém tenha piscina na caatinga para que a dor dos miseráveis seja suportável. A vida do pobre ganha um sentido hierárquico: ele está embaixo, mas se consola porque alguém vive feliz em cima. Vamos olhar para a outra face da beleza: a alegria de ver a grande arte dos lucros fabulosos, as mandíbulas salivando a cada grande negócio fechado, o encanto dos shoppings de luxo, o eufórico alarido dos restaurantes, os roncos de jet skis à beira-mar, a euforia dos almoços de conchavos... Tudo isso doura o nosso progresso.

Portanto, não nos venham com papos de inclusão social. É tudo lero-lero para enrolar o povão. O PT não gosta do povo, não. O PT só gosta dele mesmo e de um poder imaginário no futuro que ninguém sabe qual é. Não fizeram uma mísera reforma estrutural, só houve shows de Lula na mídia e PACs irrelevantes. E nos chamam de ‘reacionários’; eles é que são.

Bolivarianismo caboclo não admitimos. Jamais viraremos a Venezuela, como querem o Rui Falcão, que já está lá puxando o saco do Maduro, e o Marco Aurélio Garcia, o último dos bolcheviques, para quem ‘tudo vai bem na Venezuela’, apesar do exagero da ‘mídia conservadora’. Nossa estratégia é mole, embuçada, insidiosa, mas muito eficaz.

A classe dominante deste país é uma grande família, unida por laços de amizade total, mesmo que definhe sob nossos pés a massa de escravos em seus escuros mundos.
Nós somos muito mais Brasil do que esse bando de comunas que chegaram aí, com um sarapatel de ideias feitas por um leninismo mal lido e um getulismo tardio. Querem nos colar a pecha de ladrões, mas, por exemplo, quem comprou uma refinaria para a Petrobras no Texas por 1 bilhão e 200 milhões que não vale nem 100 milhões? Quem comprou? E o esquema da Holanda? Quem está jogando bilhões (quanta propina...) em estádios? Eles roubaram e roubam muito mais e a gente fica com a fama?
No entanto, sou otimista — acho sim que a aliança PT-PMDB poderá ser doce e linda. Mas, do nosso jeito, pois na infraestrutura de nosso passado de donatários ninguém toca.

O PMDB é a salvação da democracia; suja, mas muito nossa.”

(jornal “O Globo”, de 18/03/2014)



novembro 24, 2012

Ulisses Guimarães:
Senhor Diretas, Já!

DIRETAS, JÁ! DIRETAS, JÁ! DIRETAS, JÁ!
Foi no Palácio dos Bandeirantes, então governado por Franco Montoro, que saiu a decisão da escolha de TANCREDO NEVES como candidato a Presidente da República, representando as oposições, pelo sistema ainda indireto das eleições presidenciais. Franco Montoro e Ulisses Guimarães – o SENHOR DIRETAS, JÁ! – eram as lideranças naturais caso o movimento pelas eleições diretas tivessem obtido sucesso.
Mesmo com o falecimento de Tancredo Neves, Ulisses Guimarães conseguiu, como presidente da Câmara dos Deputados e presidente da Constituinte, aprovar, pelo Congresso Nacional, a CONSTITUIÇÃO DE 1988 – a CONSTITUIÇÃO CIDADÃ! Mesmo com sistemático “boicote” feito por Sarney e pela “turma do centrão” – a ala fisiológica dos parlamentares” – a Constituição de 1988 conseguiu chegar até meados dos anos 90. De lá para cá, todos os governos “ditos de esquerda”, adotaram uma política neo-liberal com a conseqüente alterações constitucionais que desfiguraram o “espírito cidadão” da nossa Nova Constituição.
Primeiro, Fernando Henrique Cardoso quebrou uma “NORMA PÉTREA” de nosso Regime Republicano: desde a implantação da República NÃO era permitida a reeleição dos governantes. Todos sabemos o preço ($$) da aprovação da reeleição, verdadeiro rascunho/inícial do MENSALÃO mineiro e o do PT. FHC + Lula +Dilma mantiveram a mesma política NEO-LIBERAL, com os Bancos em situação privilegiada  (nunca neste país os banqueiros ganharam tanto) , além dos juros “escandalosos” a transformarem o Brasil no paraíso do Capital Especulativo.
É isso.
O artigo de Carlos Chagas na “Tribuna da Imprensa” de 24/11/2012, precisa ser lido. Vamos fazer a reconstrução de nossa DEMOCRACIA, vamos convocar a “intelligentzia brasileira” para a realização de uma REFORMA POLÍTICA através de uma nova CONSTITUINTE!

Carlos Chagas

Transcorridos em outubro, sem maiores comemorações, os dezesseis anos da promulgação da atual Constituição, o que mais se vê são lamentações e críticas. Sob a omissão explícita dos que foram constituintes e ainda hoje se encontram na ativa da vida política, tanto quanto dos que mergulharam no ostracismo, não se ouviu uma só comemoração pelo que a nova carta representou em matéria de afirmação dos direitos individuais e sociais. Virou moda compará-la à Geni dos versos do Chico Buarque, depois de haver sido “a Constituição-cidadã, do arrabalde, do mocambo e da favela” à qual se referiu com justo e redobrado orgulho o seu artífice maior, o dr. Ulysses Guimarães.
É pena que os mortos não falem, porque mais do que calar as críticas oportunistas de hoje, sua voz serviria para lembrar um dos momentos mais expressivos da reconstrução da democracia brasileira. É curta a memória dos sabujos do neoliberalismo, enfileirados todos na tentativa de continuar defendendo o indefensável, no caso, a permanência desse modelo cruel que demoliu boa parte das conquistas da Constituição de 1988. O pretexto foi a ruína das estruturas de um muro de palha.
O ilusório mundo moderno globalizado imaginou haver promovido o fim da História e levou esse bloco de irresponsáveis a culpar a Constituição como forma de conquistar passaportes para a conquista de migalhas caídas da mesa do banquete dos poderosos. Ledo engano. De nada adiantou reformar e desfigurar nossa lei fundamental através de emendas que alienaram a soberania nacional.
O resultado aí está: apesar dos nítidos avanços verificados no governo Lula, ainda se contam aos milhões os indigentes que sobrevivem com a metade do salário mínimo por mês; também alguns milhões de desempregados; quantos cidadãos que acordam sem saber se vão almoçar? Empresas nacionais condenadas ao fracasso por precisarem livre-competir com multinacionais privilegiadas pelas reformas adotadas depois de 1988; prevalência da atividade especulativa e predatória sobre a atividade produtiva; privatizações do patrimônio público erigido às custas de muito sacrifício e, por fim, inviabilidade total do modelo responsável por haver culpado a Constituição como causa de todos os nossos males.
Esta seria a mais perfeita Constituição que o Brasil já possuiu, tivesse sido cumprida e não desfigurada pela sanha dos neoliberais que desde a cerimônia da promulgação empenharam-se em desmoralizá-la e transfigurá-la, esquecidos de que emergiu da vontade nacional expressa por seus legítimos representantes.
ATÉ A CABOTAGEM…
A consequência? Princípios fundamentais revogados, como o dos monopólios do petróleo, do gás canalizado, da propriedade estatal do subsolo e até da navegação de cabotagem; direitos sociais suprimidos em cascata, em nome da livre negociação entre patrões e empregados, ou seja, entre a guilhotina e o pescoço; serviços públicos de custo multiplicado em favor de oligarquias financeiras alienígenas; aumento desmesurado da violência por falta de opções dadas aos desgarrados do pequeno clube dos privilegiados.
Encontra-se exangue, moribundo e apenas insepulto o neoliberalismo que se opôs à Constituição e conseguiu golpeá-la mortalmente. São responsáveis pela nossa débacle as elites políticas e econômicas que, por engodo e mistificação, ascenderam ao poder em 1995, usurpando-o quatro anos depois com a vergonhosa emenda da reeleição.
Por isso não comemoraram o 5 de outubro deste ano, mas, ao contrário, continuam apontando a nossa lei fundamental como causa dos efeitos criados pelo seu egoísmo suicida. Valesse uma exortação, ou um sonho, e este seria a possibilidade de voltarmos atrás o relógio do tempo, retornando o Brasil à letra integral de sua nova Constituição.
Claro que nada é perfeito, o mundo gira e adaptações sempre serão imprescindíveis, mas jamais as que se perpetraram malandramente para destruir o que de mais profundo a Constituição representava: um caminho novo, seguro e determinado no rumo do aprimoramento social, econômico e político.
Até porque, falta regulamentar princípios apenas enunciados, como aquele que oportunamente, nestes dias, demostra a falácia dos neoliberais. O artigo 220 determina ao Congresso estabelecer os meios legais para a defesa do cidadão e da família diante dos excessos da programação do rádio e da televisão. Censura, nunca mais, seria renegar tudo o que a Constituição um dia pretendeu consagrar. Mas multas pesadíssimas sobre os que incorressem na prática de baixarias apresentadas nas telinhas, por que não? Debite-se aos neoliberais mais essa omissão, mancomunados que estão com certos e minoritários barões da mídia interessados na preservação, pela ordem, dos respectivos lucros.