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setembro 21, 2017

DIA 21 DE SETEMBRO! DIA DA ÁRVORE: EMBAÚBA! É PRIMAVERA!




DIA DA ÁRVORE: EMBAÚBA!




O dia 21 de Setembro, além de ser o dia da árvore, marca também a chegada da primavera. Por esta razão o dia da árvore foi escolhido nesta data, junto com a primavera. No Brasil, há 30 anos é comemorado o dia da árvore junto com o início da primavera. Com o dever de explicar a importância das árvores.
Em Botucatu comemoramos a EMBAÚBA como ÁRVORE SÍMBOLO. Assim, nada mais oportuno que trazermos o Registro Histórico dessa co0memoração

A revista botucatuense de cultura PEABIRU, edição especial, nº 22, de janeiro/fevereiro de 2008, trouxe o excelente artigo do saudoso colaborador Cláudio de Almeida Martins, especialista em programas pedagógicos e de desenvolvimento gerencial, escritor e funcionário aposentado da CESP, sobre a Cuesta de Botucatu, com o título de “CUESTA RASGADA”, onde busca resgatar a beleza e os valores ambientais típicos da nossa região.
Com destaque para a EMBAÚBA que é uma árvore típica do cimo da Cuesta de Botucatu. A EMBAÚBA que também é conhecida por Umbaúba, Ambaíba, Ambaúba, Imbaúva ou Imbaúba é árvore da família das Moráceias (cecropia palmata): é árvore de tronco indiviso.Embaubal é o bosque de embaúbas. Também é chamada de árvore dos macacosou árvore-preguiça ou torém.
O antigo traçado da Sorocabana passava por Vitória (Vitoriana), Lageado e...Embaúba! Sim, Embaúba é uma pequena Vila pertencente a Botucatu que até hoje é procurada pelos amantes da pesca por ser um local ideal e piscoso.
Hoje, o descuido e o desrespeito à natureza reduziu muito o número de Embaúbas em nossa região, em nossa cuesta, mas como a natureza é pródiga, ainda a encontramos pela cidade e o exemplo pode ser visto no Vale do Sol, em uma pequena ilhota no Grande Lago, onde encontramos uma Embaúba que “teimou” em crescer entre capivaras, patos e cisnes...e no novo jardim da Prefeitura Municipal onde foi plantada uma bela muda de Embaúba.

O “JORNAL DA CUESTA”, moderno periódico que circulou em 2004, impresso nas rotativas do “Jornal da Cidade”, de Bauru, trazia a Embaúba como símbolo ecológico do jornal.

Cuesta Rasgada


                                       Cláudio de Almeida Martins


No princípio de uma manhã, soltei-me da ponta de uma folha de embaúba, lá do cimo da Cuesta.
No início, quase devagar e flutuando, meu corpo começou a girar e a cair.
Não havia escolhido o percurso a seguir e nem aonde queria chegar, mas, mesmo assim, atirei-me ao desafio que o destino havia escolhido, com a vontade férrea, que é comum aos seres determinados.
Ao primeiro balanço da folha, dei um leve rodopio no ar e já pude divisar, do alto em que me encontrava, um cenário antes nunca imaginado.
Pude observar, com os olhos de um menino curioso, os contornos de uma Cuesta extraordinária. À medida que eu viajava, pude ver a união exuberante da natureza. Eram árvores frondosas, médias, miúdas, todas em perfeita harmonia. Eram flores grandes e pequenas, frutos bonitos e outros nem tanto, mas o conjunto dessas diferenças, mostrava um resultado indescritível, uma aquarela divina, que jamais um ser humano conseguiu registrar numa tela ou num escrito.
E fui caindo.
E fui descendo.





Quanto mais ia me aproximando das copas das árvores, pude ir distinguindo as peculiaridades de cada uma. Era o amarelo puro de um Ipê, o rosado de umaPaineira, o verde claro de um Pau-de-Santo, as rugas de um Barbatimão, as folhas enfileiradas de um Cedro, o tronco tortuoso e comprido da Bracatinga, as bolinhas doCinamomo, o amarelo do Bambú Canário, os espinhos da Mamica de Porca, o brilho das folhas miúdas do Sangue Negro, as vagens do Ingazeiro, as folhas de sobre tom da fruteira de Lobo, a cor branca dos frutos do Salta Martim.
Nesse meu vôo livre, pude perceber, que por entre todo esse emaranhado de árvores e de vegetação rasteira, outro tipo de vida existia. Eram Preás em atividades incessantes, Pacas num contínuo remoer, Veados em bandos, Tamanduás escarafunchando cupinzeiros, Cachorros do Mato em matilhas, gatos do mato ariscos no ambiente,Capivaras no tijuco, Sanhaços nos pés de amora, Sabiás, coleira, laranjeira e Póca nos pés de Guabiroba, Almas de Gato com ares de sonhadores, Jandaias arrelientas,Siriemas correndo atrás de pequenos insetos, e pude ouvir o zumbido do frenético vai e vem das abelhas e sentir o aroma do mel que produziam.
E fui descendo em queda livre até que toquei numa folha de amendoizeiro e escorri pelo seu tronco. Dali, precipitei-me novamente no vazio.
Agora minha viagem já se fazia mais rápida.
Fui girando.
Fui dando voltas e mais voltas.
Sabia que estava bem mais próximo a ter contato com uma nova realidade antes nunca experimentada.
E cheguei.
Bati numa rocha de cor escura e pelas suas fendas fui deixando parte de mim.
Deslizei rápido, mas não tão rápido que me impedisse de observar a realidade que se mostrava.
Passei por grotas maravilhosas e encantadoras, que, se vistas por poetas ou escritores, com certeza se tornariam o centro de uma obra prima.
Despenquei de uma pedra lisa para a imensidão, não sei precisar quanto tempo fiquei no ar, mas foi o suficiente para ver que por um pequeno vão da mata, um grupo de pessoas caminhava. Consegui observar que não eram mais que três figuras e não estavam sós.
Junto à eles, cinco animais caminhavam. Eram burros carregados com tralhas, pelo que pude perceber, bem pesadas.
Os homens caminhavam lentamente, e de forma ritmada buscavam o acesso mais fácil não tocando nas vegetações à volta. Verifiquei que respeitavam-se mutuamente, a natureza permitia a passagem deles e eles, em contrapartida, não a agrediam.
Sei que não é possível, mas senti lágrimas correrem de mim, um casamento perfeito.
De repente, deixei de ver os homens e pude sentir que estava entrando em contato com outros iguais.
Entrei num turbilhão de irmãos.
Todos unidos, presos a um só rumo.
Segui, não me opus.
Com essa união me senti mais forte e mais rápido, a cada momento sentia encantamento diferenciado. Em determinado momento estava no centro de um redemoinho, em outro fazia parte de uma correnteza, em outro nas voltas dos remansos e, num relance, fui sumindo.
E fui me desfazendo.
Fui me sentindo mais leve.
Alcei vôo por entre as árvores em forma de neblina e fui alcançando suas copas.
E fui caminhando.
Num relance, senti que estava vendo a folha da Embaúba que me recolhera.
Fui-me distanciando.
Subi.
Viajei.
E como viajei.
Não sei quanto tempo girei pelos ares e por onde, só sei que divisei mundos diferentes, mundos verdes, secos, floridos, frios, agradáveis e indiferentes.
Não sei se foi por cusa do meu nascimento, mas nunca deixei de pensar na minha folha de Embaúba e da Cuesta de minha infância. Nunca achei outra vista tão bela quanto àquela da primeira experiência.
Num momento, que para mim foi mágico, fui me formando como no início.
Senti que tomava corpo.
Senti que os meus pedaços estavam se unindo novamente.
Em meio a fortes barulhos e clarões pude ir distinguindo meus novos rumos.
Foi rápido.
Desci felozmente num redemoinho e parei sobre uma superfície lisa. Quando abri os olhos novamente, vi que me encontrava numa folha de embaúba, no cimo da Cuesta.
Fiquei radiante de alegria.
Até que enfim estava de volta ao lugar que mais me agradava.
Aguardei ansioso para a viagem que por certo iria fazer.
Fiquei por um bom tempo repousando na minha folha mãe, sentindo a ternura e a carícia do amor materno.
Enfim o momento tão aguardado chegou.
Soltei-me com o maior prazer no devido momento, agora iria rever o meu cenário de sonho. Eu queria ver minha natureza estampada na retina dos meus olhos.
Onde, onde se escondera a minha infância?
Não conseguia mais ver muitas das árvores, irmãs de nascimento.
Aonde estavam os Sangues de Negro, as Paineiras, os Gravatás, os Ingazeiros?
Aonde estavam?
E os Sanhaços, os Bem-te-vis?
Cadê as Codornas, as Perdizes, cadê?
Muito pouco pude encontrar em meu retorno, e o que encontrei, estava todo escondido, camuflado, amedrontado.
Procurei pelas flores, pelos frutos e nada. O muito pouco é o nada para mim. Vestígios, nada mais que vestígios.
Dos homens, que observei respeitando o meu mundo, nem os rastros. Agora, percebi cicatrizes imensas encravadas na carne de minha Cuesta. Pude sentir o cheiro acre da poluição que as máquinas deixam ao subir pelas costas desse corpo sagrado.
As comitivas se tornaram predadoras.
Minha Cuesta foi rasgada.
Tiraram dos meus olhos a beleza da minha infância e, em seu lugar, nada puseram.
Desta vez foi rápido.
Não consegui caminhar devagar, não tinha onde me segurar, desci velozmente.
Minha Cuesta, sou um pequeno pingo d’água que perdeu seu brilho porque você foi violentada, foi açoitada e não consegue mais mostrar sua beleza natural.
Minha Cuesta, você foi rasgada e não consegue mais viver feliz. Eu também não consigo mais viver, não consigo mais completar meu ciclo natural de vida.
Tudo mudou.
Os meus irmãos não podem ser normais, eles vivem se alternando, mudando suas trajetórias.
E assim ocorreram as inundações, surgiram os estios infernais, e minha Cuesta nunca mais foi igual.
Estou em peregrinação constante pelos céus, atento a tudo que acontece na terra. No dia em que minha Cuesta receber o curativo, para fechar a sua ferida, volto à minha folha mãe, da Embaúba, e começo minha vida de pingo d’água, feliz, brilhante, e sei que, meus irmãos, generosos como são, se unirão a mim e assim retornarão as estações normais na Cuesta.
Eu fui um pingo d’água e hoje sou vapor, mas posso retornar se você trabalhar para reunir meus pedaços.
As feridas podem ser curadas e para isso necessitam de muito amor e carinho. Sei que cicatrizes ficam, serão restos de uma história infeliz, da ação de ignorância violenta.
Espero que, em minha próxima viagem, possa descer tranqüilamente em minha folha mãe, e nunca tenha que atravessar um buraco de telhado para repousar, sobre a tela de quadro de Museu, que tenta retratar uma folha de Embaúba...extinta.
S. O .S.
S. O .S.....Cuesta

março 16, 2016

EMBAÚBA é a árvore símbolo da CUESTA DE BOTUCATU!

Cuesta Rasgada


A revista botucatuense de cultura PEABIRU, edição especial, nº 22, de janeiro/fevereiro de 2008, trouxe o excelente artigo do colaborador Cláudio de Almeida Martins, especialista em programas pedagógicos e de desenvolvimento gerencial, escritor e funcionário aposentado da CESP, sobre a Cuesta de Botucatu, com o título de “CUESTA RASGADA”, onde busca resgatar a beleza e os valores ambientais típicos da nossa região.
Com destaque para a EMBAÚBA que é uma árvore típica do cimo da Cuesta de Botucatu. A EMBAÚBA que também é conhecida por Umbaúba, Ambaíba, Ambaúba, Imbaúva ou Imbaúba é árvore da família das Moráceias (cecropia palmata): é árvore de tronco indiviso.Embaubal é o bosque de embaúbas. Também é chamada de árvore dos macacosou árvore-preguiça ou torém.
O antigo traçado da Sorocabana passava por Vitória (Vitoriana), Lageado e...Embaúba! Sim, Embaúba é uma pequena Vila pertencente a Botucatu que até hoje é procurada pelos amantes da pesca por ser um local ideal e piscoso.
Hoje, o descuido e o desrespeito à natureza reduziu muito o número de Embaúbas em nossa região, em nossa cuesta, mas como a natureza é pródiga, ainda a encontramos pela cidade e o exemplo pode ser visto no Vale do Sol, em uma pequena ilhota no Grande Lago, onde encontramos uma Embaúba que “teimou” em crescer entre capivaras, patos e cisnes...e no novo jardim da Prefeitura Municipal onde foi plantada uma bela muda de Embaúba.



O “JORNAL DA CUESTA”, moderno periódico que circulou em 2004, impresso nas rotativas do “Jornal da Cidade”, de Bauru, trazia a Embaúba como símbolo ecológico do jornal.

Cuesta Rasgada

                                       Cláudio de Almeida Martins

No princípio de uma manhã, soltei-me da ponta de uma folha de embaúba, lá do cimo da Cuesta.
No início, quase devagar e flutuando, meu corpo começou a girar e a cair.
Não havia escolhido o percurso a seguir e nem aonde queria chegar, mas, mesmo assim, atirei-me ao desafio que o destino havia escolhido, com a vontade férrea, que é comum aos seres determinados.
Ao primeiro balanço da folha, dei um leve rodopio no ar e já pude divisar, do alto em que me encontrava, um cenário antes nunca imaginado.
Pude observar, com os olhos de um menino curioso, os contornos de uma Cuesta extraordinária. À medida que eu viajava, pude ver a união exuberante da natureza. Eram árvores frondosas, médias, miúdas, todas em perfeita harmonia. Eram flores grandes e pequenas, frutos bonitos e outros nem tanto, mas o conjunto dessas diferenças, mostrava um resultado indescritível, uma aquarela divina, que jamais um ser humano conseguiu registrar numa tela ou num escrito.
E fui caindo.
E fui descendo.



Quanto mais ia me aproximando das copas das árvores, pude ir distinguindo as peculiaridades de cada uma. Era o amarelo puro de um Ipê, o rosado de umaPaineira, o verde claro de um Pau-de-Santo, as rugas de um Barbatimão, as folhas enfileiradas de um Cedro, o tronco tortuoso e comprido da Bracatinga, as bolinhas doCinamomo, o amarelo do Bambú Canário, os espinhos da Mamica de Porca, o brilho das folhas miúdas do Sangue Negro, as vagens do Ingazeiro, as folhas de sobre tom da fruteira de Lobo, a cor branca dos frutos do Salta Martim.
Nesse meu vôo livre, pude perceber, que por entre todo esse emaranhado de árvores e de vegetação rasteira, outro tipo de vida existia. Eram Preás em atividades incessantes, Pacas num contínuo remoer, Veados em bandos, Tamanduás escarafunchando cupinzeiros, Cachorros do Mato em matilhas, gatos do mato ariscos no ambiente,Capivaras no tijuco, Sanhaços nos pés de amora, Sabiás, coleira, laranjeira e Póca nos pés de Guabiroba, Almas de Gato com ares de sonhadores, Jandaias arrelientas,Siriemas correndo atrás de pequenos insetos, e pude ouvir o zumbido do frenético vai e vem das abelhas e sentir o aroma do mel que produziam.
E fui descendo em queda livre até que toquei numa folha de amendoizeiro e escorri pelo seu tronco. Dali, precipitei-me novamente no vazio.
Agora minha viagem já se fazia mais rápida.
Fui girando.
Fui dando voltas e mais voltas.
Sabia que estava bem mais próximo a ter contato com uma nova realidade antes nunca experimentada.
E cheguei.
Bati numa rocha de cor escura e pelas suas fendas fui deixando parte de mim.
Deslizei rápido, mas não tão rápido que me impedisse de observar a realidade que se mostrava.
Passei por grotas maravilhosas e encantadoras, que, se vistas por poetas ou escritores, com certeza se tornariam o centro de uma obra prima.
Despenquei de uma pedra lisa para a imensidão, não sei precisar quanto tempo fiquei no ar, mas foi o suficiente para ver que por um pequeno vão da mata, um grupo de pessoas caminhava. Consegui observar que não eram mais que três figuras e não estavam sós.
Junto à eles, cinco animais caminhavam. Eram burros carregados com tralhas, pelo que pude perceber, bem pesadas.
Os homens caminhavam lentamente, e de forma ritmada buscavam o acesso mais fácil não tocando nas vegetações à volta. Verifiquei que respeitavam-se mutuamente, a natureza permitia a passagem deles e eles, em contrapartida, não a agrediam.
Sei que não é possível, mas senti lágrimas correrem de mim, um casamento perfeito.
De repente, deixei de ver os homens e pude sentir que estava entrando em contato com outros iguais.
Entrei num turbilhão de irmãos.
Todos unidos, presos a um só rumo.
Segui, não me opus.
Com essa união me senti mais forte e mais rápido, a cada momento sentia encantamento diferenciado. Em determinado momento estava no centro de um redemoinho, em outro fazia parte de uma correnteza, em outro nas voltas dos remansos e, num relance, fui sumindo.
E fui me desfazendo.
Fui me sentindo mais leve.
Alcei vôo por entre as árvores em forma de neblina e fui alcançando suas copas.
E fui caminhando.
Num relance, senti que estava vendo a folha da Embaúba que me recolhera.
Fui-me distanciando.
Subi.
Viajei.
E como viajei.
Não sei quanto tempo girei pelos ares e por onde, só sei que divisei mundos diferentes, mundos verdes, secos, floridos, frios, agradáveis e indiferentes.
Não sei se foi por cusa do meu nascimento, mas nunca deixei de pensar na minha folha de Embaúba e da Cuesta de minha infância. Nunca achei outra vista tão bela quanto àquela da primeira experiência.
Num momento, que para mim foi mágico, fui me formando como no início.
Senti que tomava corpo.
Senti que os meus pedaços estavam se unindo novamente.
Em meio a fortes barulhos e clarões pude ir distinguindo meus novos rumos.
Foi rápido.
Desci felozmente num redemoinho e parei sobre uma superfície lisa. Quando abri os olhos novamente, vi que me encontrava numa folha de embaúba, no cimo da Cuesta.
Fiquei radiante de alegria.
Até que enfim estava de volta ao lugar que mais me agradava.
Aguardei ansioso para a viagem que por certo iria fazer.
Fiquei por um bom tempo repousando na minha folha mãe, sentindo a ternura e a carícia do amor materno.
Enfim o momento tão aguardado chegou.
Soltei-me com o maior prazer no devido momento, agora iria rever o meu cenário de sonho. Eu queria ver minha natureza estampada na retina dos meus olhos.
Onde, onde se escondera a minha infância?
Não conseguia mais ver muitas das árvores, irmãs de nascimento.
Aonde estavam os Sangues de Negro, as Paineiras, os Gravatás, os Ingazeiros?
Aonde estavam?
E os Sanhaços, os Bem-te-vis?
Cadê as Codornas, as Perdizes, cadê?
Muito pouco pude encontrar em meu retorno, e o que encontrei, estava todo escondido, camuflado, amedrontado.
Procurei pelas flores, pelos frutos e nada. O muito pouco é o nada para mim. Vestígios, nada mais que vestígios.
Dos homens, que observei respeitando o meu mundo, nem os rastros. Agora, percebi cicatrizes imensas encravadas na carne de minha Cuesta. Pude sentir o cheiro acre da poluição que as máquinas deixam ao subir pelas costas desse corpo sagrado.
As comitivas se tornaram predadoras.
Minha Cuesta foi rasgada.
Tiraram dos meus olhos a beleza da minha infância e, em seu lugar, nada puseram.
Desta vez foi rápido.
Não consegui caminhar devagar, não tinha onde me segurar, desci velozmente.
Minha Cuesta, sou um pequeno pingo d’água que perdeu seu brilho porque você foi violentada, foi açoitada e não consegue mais mostrar sua beleza natural.
Minha Cuesta, você foi rasgada e não consegue mais viver feliz. Eu também não consigo mais viver, não consigo mais completar meu ciclo natural de vida.
Tudo mudou.
Os meus irmãos não podem ser normais, eles vivem se alternando, mudando suas trajetórias.
E assim ocorreram as inundações, surgiram os estios infernais, e minha Cuesta nunca mais foi igual.
Estou em peregrinação constante pelos céus, atento a tudo que acontece na terra. No dia em que minha Cuesta receber o curativo, para fechar a sua ferida, volto à minha folha mãe, da Embaúba, e começo minha vida de pingo d’água, feliz, brilhante, e sei que, meus irmãos, generosos como são, se unirão a mim e assim retornarão as estações normais na Cuesta.
Eu fui um pingo d’água e hoje sou vapor, mas posso retornar se você trabalhar para reunir meus pedaços.
As feridas podem ser curadas e para isso necessitam de muito amor e carinho. Sei que cicatrizes ficam, serão restos de uma história infeliz, da ação de ignorância violenta.
Espero que, em minha próxima viagem, possa descer tranqüilamente em minha folha mãe, e nunca tenha que atravessar um buraco de telhado para repousar, sobre a tela de quadro de Museu, que tenta retratar uma folha de Embaúba...extinta.
S. O .S.
S. O .S.....Cuesta

abril 11, 2015

E da DISPUTA (tiroteiro) NA PORTEIRA surgiu Botucatu...

E da DISPUTA (tiroteiro) NA PORTEIRA surgiu Botucatu...






O conhecimento precisa ser amplo. É preciso que se conheça as mais conhecidas versões de quem fundou Botucatu e o que quer dizer seu nome. Ao longo da história foram adotadas diferentes versões... No futuro, quem sabe?!?

A HISTÓRIA DE BOTUCATU é rica e empolga a todos. Os pioneiros conquistaram o direito de fundá-la, com ousadia, coragem e até um pouco de violência...
BOTUCATU – dia 14 de ABRIL ! – estará comemorando seu 160º Aniversário!

SALVE, BOTUCATU !!!

Quem Fundou Botucatu

1) Os Padres Jesuítas:

Segundo essa interpretação histórica, Botucatu teria sido "Uma Grande Fazenda", formada pela elitizada ordem religiosa da Companhia de Jesus, em 1719. Portanto, Botucatu teria "nascido sob o signo da cruz" , segundo o Prof. Plínio Airosa, da USP, "...antiga fazenda, confiscada aos padres jesuítas em 1759, origem do mesmo município..." Em pesquisas realizadas em Sorocaba, o escritor botucatuense, Hernâni Donato, comprovou que os primeiros botucatuenses nasceram nessa fazenda. (in "Memórias de Botucatu I", de Armando M. Delmanto, págs. 16/17, 2ª edição 1995);

2) Simão Barbosa Franco:



"Dizem os estudiosos e historiadores que, em 1766, o barbudo e truculento Simão Barbosa Franco, fundando a freguezia de "Nossa Senhora das Dôres de Cima da Serra", plantou o marco inicial da nossa querida cidade. Um período de obscurantismo caiu sobre a vida do lugarejo que, em 1779, tinha apenas 7 fogos ou casas, com 48 moradores..." Essa versão é a que predominava nos idos do início do século, registrada no "Almanack de Botucatu de 1920". (in "No Velho Botucatu", de Sebastião de Almeida Pinto, pág.23, 2ª edição, 1994);

3) José Gomes Pinheiro e Joaquim Costa:



"Em 1835, com o aparecimento aqui do sertanista Joaquim Costa, que resolveu "possear" o Ribeirão que ficou conhecido como "Dos Costas", hoje Ribeirão Lavapés é que começou de fato a crescer o burgo sertanejo. Costa e sua gente, construiram algumas casas, sem alinhamento, no local onde é a atual Praça Coronel Moura. Em 1843, surgiu um litígio, questões de terra, entre os Costas e o Cap. José Gomes Pinheiro, fazendeiro na região, terminando a questão por um acordo. A famosa disputa da porteira, consagrada por um dos maiores escritores botucatuenses procura retratar a disputa entre as partes. O Cap. José Gomes Pinheiro, de acordo com o combinado, doou os terrenos em causa para o patrimônio de uma freguezia que seria fundada, sob o orago de Sant´Anna numa delicada homenagem a sua Exma esposa, Dª Anna Florisbela Machado Pinheiro. Esta freguezia foi elevada a distrito em 1846 e absorveu, logo, a antiga freguezia de "Nossa Senhora das Dôres de Cima da Serra..." Essa versão, hoje, é a predominante no meio oficial municipal. (in "No Velho Botucatu", de Sebastião de Almeida Pinto, págs. 23/24, 2ª edição, 1994).

Obs.: Ilustrações de Vinicio Aloise.

BOTUCATU: História de uma Cidade

Na comemoração de mais um aniversário de Botucatu, temos o histórico-institucional do município para que a memória de nossa cidade seja preservada e conhecida de nossa comunidade

QUE QUER DIZER BOTUCATU ?

Não é pacífica a interpretação do real significado do topônimo BOTUCATU. Pelo menos três interpretações procuram esclarecer o assunto e muitas formas gráficas trazem à luz a grande variedade e evolução das formas encontradas através dos tempos.

1. BONS ARES

A Interpretação Etimológica é a que busca a análise termo a termo do texto, atendendo à pontuação, à colocação dos vocábulos, à origem etimológica destes e outros dados dessa natureza. A interpretação etimológica é a que tem encontrado maior acolhida nos últimos tempos. A posição do Prof. Plínio Airosa, da Universidade de São Paulo, é clara: "botu" e "catu" surgiram de "ybytu" e "katu". Segundo Plínio Airosa, "ybytu" significa "hálito da terra", "ar corrente", ou seja, "aragem", "vento", e "katu" significa ""bem" ou "bom". Teríamos então "vento bom" ou "bons ventos", ou seja, "bons ares".

2. SERRA GRANDE

A Interpretação Histórica nos remete ao ensinamento do Superior dos Jesuítas no Brasil, o Tenente Estanislau de Campos, nos idos de 1719 : IBITICATÚ teria se formado pelo elemento "ibiti" que significa "serra" e "catú" que significa "grande" ou "boa". Isso nos daria SERRA GRANDE. Morador que foi daqui, na Fazenda Botucatu, da Companhia de Jesus, era grande conhecedor da língua gentílica. De Ibiticatú apareceu mais tarde a palavra Hubutucatú, ao depois Votucatú e, finalmente, Botucatu. No "ALMANACK DE BOTUCATÚ", publicado em 1920, por Augusto de Magalhães, essa era a interpretação predominante e que traduzia "fielmente a realidade de nossa natureza". Na busca da interpretação histórica do significado da denominação "BITICATÚ", nada mais certo do que se procurar a reconstituição das aspirações do momento em que surgiu a necessidade de se denominar a região e do por quê historicamente tenha sido adotada a denominação e o que significava para os que a utilizavam no dia-a-dia de então. Por esse prisma, o real significado da denominação IBITICATÚ será o de SERRA GRANDE, segundo ensinamento do Superior dos Jesuítas, eis que ele vivenciou o fato, ou seja, utilizou juntamente com os demais jesuítas a denominação com a interpretação dada. É o valor histórico da interpretação que supera a interpretação etimológica ou gramatical, que se funda sobre as regras da Lingüística.

3. TEMPLO DA SERPENTE



Interpretação Mística? Ou sonho? Ou lenda?
Frei Fidélis Maria Di Primiero, capuchinho que veio para Botucatu em 1952, era um historiador e um estudioso de nossas lendas. Um dos poucos historiadores que dominava a lingua SUMÉRIA, tinha uma concepção completamente revolucionária para explicar o povoamento das Américas : o povoamento teria ocorrido por pessoas de cultura suméria, praticantes do culto à Serpente Negra. A tradução suméria nos daria o seguinte :
"BUT UK" como "TEMPLO DA SERPENTE" e "A TU" como "ESCAVADO NA ROCHA". A verdade é que essa é a tradução literal da língua suméria. Dizia Frei Fidélis que "no Brasão da cidade de Botucatu (o 1º Brasão) notamos ao lado das Três Pedras, uma estrada que os autores do escudo entendiam relacionada com um caminho que os Brasis denominavam PEABIRU e que os Jesuítas deram como "Caminho de São Tomé".


 Os estudos do capuchinho centraram-se nas Três Pedras, às quais interpretou que eram formação rochosa (uma delas, a Pedra do Meio, com formato fálico) e seriam um "EX-TU" : TEMPLO NEGRO FÁLICO, catalizando em torno de si energias cósmicas profundas, constituindo-se em verdadeiro epicentro de fenômenos misteriosos. Para Frei Fidélis, o TEMPLO NEGRO FÁLICO não seria composto de formação rochosa natural e ,sim, um templo construído 5.000 mil anos atrás para ser o centro de um culto negro e que teria sido destruído por XUMÉ ou SUMÉ, Grão Sacerdote Sumério. Frei Fidélis dizia que o "Peabiru" era um caminho encontrado antes da vinda dos conquistadores europeus, caminho aberto miraculosamente pela passagem do Apóstolo São Tomé, o grande missionário das Índias, caminho largo, uns oito palmos, a estender-se por mais de duzentas léguas, desde a Capitania de São Vicente até as margens do Paraná, passando pelos rios Tibagy, Itahy e Pequery". O PEABIRU ia de São Vicente a Kusko, no Peru.

UMA GRANDE FAZENDA

No ano de 1719, A Companhia de Jesus, através do Tenente Estanislau de Campos, Superior da Ordem no Brasil, partia para a formação de duas fazendas, objetivando a sustentação do Colégio de São Paulo em termos de alimentos e renda originada da comercialização dos produtos : as Sesmarias que seriam a base para as fazendas de Guareí e Botucatu. A Fazenda de Botucatu era voltada à pecuária, com currais e ranchos de moradia, sendo que sua população oscilava sempre entre dez a vinte pessoas. Por 40 anos ela floresceu fornecendo carne para o Colégio de São Paulo e comercializando gado para todo o sertão. Desde o seu início até o leilão público, fruto da implacável perseguição do Marquês de Pombal aos jesuítas, a fazenda teve vida própria. OS PRIMEIROS BOTUCATUENSES nasceram na Fazenda Botucatu dos padres jesuítas, segundo pesquisa do historiador Hernâni Donato nos arquivos de Sorocaba, então Matriz de toda a região. Segundo relato de Hernâni Donato em seu "Achegas", a extensão da Fazenda Botucatu era grande: "...por um lado, a fazenda chegava ao Paranapanema enquanto do outro, conforme anota a doação de Campos Bicudo, tocava o Tietê. Para o sul, ligava-se à fazenda também jesuítica de Guareí". Em 1760, os jesuítas tiveram seus bens confiscados pelo Marquês de Pombal - o todo poderoso Ministro de Portugal - e foram expulsos dos territórios portugueses e, portanto, do Brasil. As benfeitorias (currais e ranchos rústicos), os escravos (13), as 440 cabeças de gado e os 43 cavalos dos padres ficaram como a mostrar que a fazenda tinha vida própria. Os índios catequisados fugiram, assim como muito gado escapou para o sertão.

SOB O SIGNO DA CRUZ

Citada por Hernâni Donato a posição de historiadores que reivindicam para os jesuítas os méritos maiores de povoadores e remotos fundadores de Botucatu, como Plínio Airosa : "...antiga fazenda, confiscada aos padres jesuítas em 1759, a origem do mesmo município." Em outras palavras : Botucatu teria sido uma fazenda, uma GRANDE FAZENDA JESUÍTA e os padres da Companhia de Jesus SEUS FUNDADORES, sendo certo, por registro passado e sacramentado, que os PRIMEIROS BOTUCATUENSES nasceram na Fazenda Jesuíta. Nascida sob o signo da cruz e desbravada pela competente e elitizada ordem religiosa dos jesuítas, a Fazenda Botucatu era parte de real importância no "CAMINHO DO PEABIRU", na "TRILHA DO SUMÉ" que ia de São Vicente até Kusko, no Peru.

SURGE O POVOADO

A partir de 1830, intensificou-se o afluxo de criadores e lavradores vindos de Tietê, Sorocaba e Itapetininga. Por essa época, a região já estava posseada e dividida em quatro (4) grandes fazendas de criação de gado : FAZENDA MONTE ALEGRE (englobando nossa atual parte central e os bairros do Lavapés, Tanquinho e Bairro Alto), sendo seu proprietário o Cap. José Gomes Pinheiro; a FAZENDA RIO CLARO, pertencente ao Cap. Ignácio Apiaí; a terceira fazenda era resultante da fusão das fazendas BOQUEIRÃO e PULADOR, pertencentes ao Cap. Joaquim Gabriel de Oliveira Lima e José Inocêncio Rocha; e a quarta, a FAZENDA BOM JARDIM, pertencente a um posseiro e criador de sobrenome Marques. Todos os proprietários eram residentes em Itapetininga. Dos muitos nomes citados como prováveis fundadores ou benfeitores de Botucatu, fora, é claro, a presença indiscutível dos jesuítas, GOMES PINHEIRO e JOAQUIM COSTA foram os que encontraram melhor acolhida entre os historiadores. Gomes Pinheiro como doador de terras e Joaquim Costa como consolidador e incentivador do povoado. Em 1845, o Cap. José Gomes Pinheiro doou parte de suas terras, já posseadas por Costa, para que se constituísse a Freguesia. Em 1846, o Governador da Província, Manuel da Fonseca Lima e Silva, promulgava a lei criando uma Freguesia no Distrito de Cima da Serra de Botucatu, sob a invocação de Sant´Ana. Pelos meados de 1855, havia em Botucatu aproximadamente 83 habitações, das quais 40 cobertas de telhas. No dia 14 de abril de 1855, foi criado o Município, só instalado a 27 de setembro de 1858.

FORMAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA

O Distrito (freguesia) de Botucatu foi criado pela Lei Provincial nº 7, de 19 de fevereiro de 1846. A 14 de abril de 1855, por força da Lei Provincial nº 18, elevou Botucatu à categoria de cidade. A Comarca data de 20 de abril de 1866, criada pela Lei Provincial nº 61. Botucatu é constituída pelos Distritos de Rubião Junior e Vitoriana.


LOCALIZAÇÃO 

O município de Botucatu localiza-se na região centro sul do Estado de São Paulo e ocupa uma área de 1522Km2, mesmo após o desmembramento que deu lugar à formação do município de Pardinho e a perda do Distrito da Prata (Pratânia), que primeiro passou a integrar o município de São Manuel e, hoje, Pratânia é município autônomo. Pertenceram a Botucatu: Santa Bárbara do Rio Pardo, Lençóis Paulista, Anhembi, Bofete, Avaré, São Manuel, Aparecida de Água da Rosa, Pardinho e Pratânia. Os limites de Botucatu são com os municípios de Dois Córregos, Santa Maria da Serra, Pardinho, Itatinga, Anhembi, Bofete, São Manuel, Pratânia e Avaré.

BOTUCATU



LEITURA DINÂMICA - Em busca de progresso e desenvolvimento, Botucatu consegue as suas primeiras escolas, suas primeiras industrias (1º Ciclo Industrial), sua Diocese (1908), sua Escola Normal (1911), o Colégio dos Anjos - Santa Marcelina (1912), o Colégio Arquidiocesano Nossa Senhora de Lourdes, hoje, La Salle ( 1913), Escola de Comércio (1919), a Escola Profissional, posteriormente Escola Industrial, em 1936. Passa por uma grande crise (1929/30) que se arrasta pelos anos 30, passa por seu 2º Ciclo Industrial (meados dos anos 50 até meados dos anos 60), com dificuldades e poucas perspectivas consegue , em 1962, as Faculdades Oficiais (Medicina, Medicina Veterinária, Biologia e Agronomia - FCMBB), hoje destacados Campi da UNESP, acrescidos de outras Unidades de Ensino Superior como Engenharia Florestal, Zootecnia e Enfermagem. Em meados dos anos 70, tem início o seu 3º Ciclo Industrial que traz uma perspectiva sólida para seu futuro. Com uma população estimada em mais de 140 mil habitantes, Botucatu começa a representar importante polo de desenvolvimento industrial no Estado e são concretas as possibilidades de vir sediar uma Universidade Regional Estadual (Universidade Estadual Regional DR. VITAL BRASIL), moderna e ágil, tendo como base os campi local da UNESP. Para o século XXI, graças à privilegiada posição geográfica de Botucatu, fica para a cidade a esperança de vir a sediar a futura Capital do Estado de São Paulo, cuja mudança para o interior foi expressamente prevista pela Constituição Estadual, promulgada em 1989. (AMD)