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junho 01, 2017

ANIVERSÁRIO DA REPÚBLICA ITALIANA - 02 DE JUNHO!

ITÁLIA UNIDA – 155 ANOS ! - 1861 – 2017



A bela península itálica era um mosaico de pequenos reinos, com dialetos próprios, que não compartilhavam sequer a mesma língua e cultura. O processo de unificação da Itália, que culminou no ano de 1861 e que, agora, comemora mais um "COMPLEANNO", na verdade foi se estruturando aos poucos.  Desde quando foi símbolo da República Cispadana, Cisalpina, Lígure, Romana, Anconitana, Partenopea, de tantos grupos insurreicionais existentes na Península para reivindicar a liberdade de todo povo italiano, até quando foi proclamada Bandeira da República Italiana, em 2 de junho de 1946. A bandeira tricolor, por exemplo, símbolo cívico da Nação Italiana surgiu há mais de 200 anos. Tornada símbolo oficial em 1946, as cores da nossa bandeira de fato foram estabelecidos pelo Senado de Bologna, há o registro (Senato di Bollogna), de 18 de ottobre 1796: 


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“Bandeira com cores Nacionais – Perguntada quais são as cores Nacionais para formar uma bandeira, respondeu o Verde, o Branco e o Vermelho”. Em 7 de janeiro, em Reggio-Emília os 110 representantes das províncias de Bologna, Ferrara, Reggio e e Modena, proclamaram a Bandeira Tricolor símbolo daquela República Cispadana que haviam fundado no ano precedente. Naquela reunião foi feita monção para “que se torne Universal o Estandarte ou Bandeira Cispadana de três cores, Verde, Branco e Vermelho e que estas três cores sejam usadas também no Emblema Cispadano, o qual deve ser portado por todos”



São registros históricos importantes para que se marque, com toda magnitude, os festejos da unificação italiana. Com a colaboração e a experiência de meu filho Marcelo Delmanto, por ter morado na Itália por 3 anos, onde se especializou em Direito da Comunidade Européia (Università di Bologna), ficando como representante do Brasil (2000/2004), junto à Regione Emilia-Romagna, indo 2 vezes ao ano para os congressos dos jovens descendentes residentes no exterior.

Projeto do Novo Milênio, com as raízes do passado.../ leia aqui

A UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA


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A unificação da Itália ocorreu sob o comando de três lideranças indiscutíveis: a primeira delas, o Rei Vittorio Emanuele II, da Casa de Savóia, que desde o Reino da Sardenha/Piemonte (1848), passou a lutar seriamente pela unificação italiana; a segunda liderança, a que representava a corrente monarquista, é a do Ministro de Vittorio Emanuele, o banqueiro e fazendeiro Camilo Benso – Conde de Cavour, que se revelou um excelente administrador e estrategista político, a nível interno e internacional, viabilizando o apoio, num primeiro momento de Napoleão III à causa da unificação; e aterceira liderança é a do herói de dois Continentes, a de Giuseppe Garibaldi, já com longa e bem sucedida experiência de luta, representando a corrente republicana, que à frente de seus camisas vermelhas mobilizou todos os italianos pela causa comum. Garibaldi representou a grande liderança militar e política do movimento, sabendo reconhecer, mesmo sendo republicano convicto, a liderança de Vittorio Emanuele II, como Rei da Itália, para evitar a divisão da grande pátria com que sempre sonhara.


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UMBERTO I (UMBERTO PRIMO): “O REI BOM”

Após o falecimento de Vittorio Emanuele II – o grande arquiteto da unificação italiana – seu filho, Umberto I, assume o trono e se revela como o consolidador da unificação e como o pacificador das divergências naturais do país, antes dividido entre tantos ducados, reinos e repúblicas... Pelo apoio que sempre soube prestar de forma positiva às vítimas das inundações, terremotos, epidemias de cólera e outras tragédias nacionais, foi aclamado pelo povo como “O BOM”.

Interessou-se, particularmente, pela política externa italiana, sendo o responsável pela reaproximação com a Alemanha e a Áustria. Em um atentado terrorista ocorrido em 1900, após 22 anos de um reinado que serviu para consolidar definitivamente a unificação da Itália, morria assassinado Umberto I – “O REI BOM”!

GIUSEPPE GARIBALDI / ANITA GARIBALDI

“Montado em seu cavalo,
Garibaldi é o Capitão.
Nas verdes ondas do campo,
A sua rédea é o timão.”
Érico Veríssimo


Os versos reproduzidos por Érico Veríssimo em O Continente, primeira parte de “O Tempo e o Vento”, mostram a força com que a imagem desse grande herói está enraizada em nossa cultura popular. A história sempre registra os feitos dos heróis autênticos. Giuseppe Garibaldi foi um deles. Chefe Militar Revolucionário, desde moço participara das lutas políticas em prol da unificação de seu país. Pertenceu à “Jovem Itália”, uma sociedade secreta (maçônica) fundada (1831) por Giuseppe Mazzini, que se notabilizou em procurar atrair para a causa da unificação italiana a presença de expressivos segmentos da sociedade, como os camponeses e os operários. Garibaldi, perseguido politicamente, participou como exilado político, de lutas no Uruguai e no Brasil. No Uruguai, lutou ao lado de Venâncio Flores. No Brasil, participou da Guerra dos Farrapos, já com sua imagem firmada no Brasil, tendo seus feitos cantados e glorificados nas canções de campanha.
A Guerra dos Farrapos foi o mais longo movimento de contestação do Poder Central. Esse movimento foi auxiliado pela maçonaria e liderado pelo Coronel Bento Gonçalves. Segundo Érico Veríssimo, a Guerra dos Farrapos terminou “com honra para os dois lados”.

Giuseppe Garibaldi/ Herói de 2 Mundos/ leia aqui

Anita Garibaldi/Heroína de 2 Mundos/ leia aqui

Anita Garibaldi/Revolucionária/ leia aqui

A figura carismática de Giuseppe Garibaldi sempre esteve ligada à presença forte de Anita Garibaldi. Na famosa Retirada da Laguna, o grande guerreiro deixou expressa a importância de Anita:“À testa de alguns homens, resto de tantos combatentes que tinham, com justa razão, merecido o título de bravos, eu ia a cavalo. Orgulhoso dos vivos, orgulhoso dos mortos... Ao meu lado, a mulher digna de toda admiração. Que me importava pois não possuir senão o que tinha comigo? Que me importava servir a uma República pobre, que não pagava ninguém e da qual, ainda que fosse rica, eu não teria aceitado coisa alguma?”



Mini-série 7 Mulheres/ leia aqui

Com 18 anos, Anita conheceu Giuseppe Garibaldi: foi amor à primeira vista. Com o fim da breve República Juliana, o casal segue para o sul. Anita combate ao lado de Garibaldi em Santa Vitória, passa o Natal de 1839 em Lages e toma parte no combate das Forquilhas (Curitibanos), quando é presa mas consegue uma fuga espetacular. Na retirada da tropa, o casal teve seu primeiro filho, Menotti (1840). No dia 26 de março de 1842, Anita e Giuseppe se casam na Igreja São Francisco de Assis, já em Montevidéu, onde depois nasceram os filhos Rosa, Tereza e Riccioli.

Poucos meses antes de Garibaldi terminar a sua heróica participação no Rio de La Plata, Anita viaja para a Itália com os filhos, onde Giuseppe chegaria em abril de 1848, no comando do navio Speranza, já rebatizado de Bifronte.

Depois de morar em Genova e Nice, Anita segue ao encontro do marido que comanda a Legione Italiana. No dia 19 de agosto de 1849, Anita falece nos braços do esposo em pranto, longe dos filhos, num quartinho da casa dos irmãos Ravaglia, em Mandriole. Após a morte de Anita, Giuseppe, triste e derrotado, voltou ao exílio para percorrer parte da África, Espanha, Inglaterra e América do Norte.

Alexandre Dumas, admirador e amigo de Giuseppe Garibaldi, publicou sua obra “Memórias de Garibaldi”, baseada no relato diário do grande guerreiro. Nesse trabalho, Alexandre Dumas retrata com emoção a figura de Anita Garibaldi, mostrando a sua importância como musa e companheira do grande herói dos dois continentes... (revista Peabiru, nºs 09/10 – maio/junho e julho/agosto de 1998).

junho 18, 2016

1928 - CASA DE SAÚDE SUL PAULISTA DE BOTUCATU - REGISTRO HISTÓRICO

EMPREENDEDORISMO DOS “ORIUNDI” NA SAÚDE!


No inicio dos anos 20, a então poderosa colônia italiana em Botucatu atingia o auge de sua prosperidade. Era mais unida e o sentimento da origem comum ainda era forte. A colônia italiana tinha a sua escola, a sua banda musical, o seu jornal, o seu clube social, o seu teatro, os seus estabelecimentos comerciais, as suas fábricas e até a sua loja maçônica. Longe deles qualquer sentimento divisionista, ao contrário, o que havia era uma natural aglutinação de pessoas com a mesma origem, os mesmos costumes, a mesma paixão pelas coisas...

Como ocorrera, com muito sucesso, na capital, onde acolônia italiana erguera o imponente Hospital Umberto Primo, em 1904, ampliando-o sucessivamente, o exemplo passou a ser seguido pelos núcleos mais expressivos dos imigrantes italianos nas cidades do interior do estado.

E Botucatu estava situada no limite de onde chegara aEstrada de Ferro Sorocabana, em 1889 e dali partindo para a conquista do interior, “plantando” cidades com o progresso que as suas paralelas levavam: Lençóis Paulista, Bauru, Assis, Ourinhos e Presidente Prudente se destacando entre tantas outras...

Na segunda metade dos anos 20, Pedro Delmanto (Pietro Del Manto) já tinha completado seu ciclo produtivo de calçados: com fazenda de gado, curtume, fábrica de calçados (máquinário importado da Alemanha) e loja de comércio, sendo que exportava calçados para aFrança e a Alemanha. Era um imigrante empreendedor de sucesso. Mas tinha um grande sonho: um hospital para atender a forte colônia italiana de Botucatu e dirigido por seu filho primogênito, Aleixo, que se formara em Medicina pela Real Universidade de Parma, na Itália. Assim, inaugurou a Casa de Saúde Sul Paulista, em 1928, trazendo como seu Diretor Clínico, oProfessor Titular de Cirurgia Clínica da Real Universidade de Nápoles, Dr. Ludovico Tarsia que tivera que se exilar no Brasil por problemas políticos naItália.

Histórico completo da CASA DE SAÚDE SUL PAULISTA/leia aqui

Inaugurada com toda a pompa, com banda de música, a presença de autoridades e comparecimento expressivo da população num verdadeiro congraçamento dos imigrantes com os botucatuenses e, suprema honra, com a presença doCônsul Geral da Itália representando o Rei da Itália.Sucesso. Com a Direção do Prof. Dr. Ludovico Tarsia, compunham a Diretoria: os Drs. Aleixo Delmanto e Miguel Losso, médico italiano já integrado à colônia local.


(Foto do Museu Histórico e Pedagógico "Francisco Blasi")
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Pedro Delmanto viera de Castellabate (Província de Salerno), cidade natal da família Matarazzo. Iniciou sua vida profissional como sapateiro com o Mestre Francisco Grandino, na cidade de Sorocaba, junto a Francisco Matarazzo que também iniciara lá a construção de seu império. Seguiu, depois, acompanhando o crescimento daSorocabana, para Botucatu, onde se estabeleceu, casou e constituiu uma grande família.

Da Itália para o Brasil/Oriundi empreendedores/leia aqui

Espelho e orgulho de todo imigrante italiano as Industrias Reunidas Francisco Matarazzo - IRFM representaram o TERCEIRO MAIOR ORÇAMENTO DO BRASIL! O então poderoso jornalista e empresário, Assis Chateaubriand vai chamar, em 1934, esse grupo industrial de “O ESTADO MATARAZZO”, lembrando queSão Paulo tinha uma renda bruta de 400 mil contos e o parque industrial Matarazzo uma receita de 350 mil, acima de qualquer outra unidade federativa brasileira...OConde Matarazzo, financeira e economicamente é o segundo Estado do Brasil...” Sim, apenas a União e oEstado de São Paulo tinham um orçamento maior do que as Indústrias Matarazzo. É registro histórico.

Hospital Matarazzo/Histórico/leia aqui

Fotos Raras do Hospital Matarazzo/veja aqui

Com essa força, foi o principal patrocinador da fundação, em 1904, do Hospital Umberto Primo. E não parou aí. A ampliação foi constante, chegando a 27.000 m2 de área construída a um quarteirão da Avenida Paulista. O crescimento do complexo hospitalar foi constante:


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• Prédio original do Hospital Umberto I (pavilhão administrativo), 1904
• Casa de Saúde Francisco Matarazzo,1915
• Capela, 1922
• Casa de Saúde Ermelino Matarazzo, 1925
• Cozinha, Lavanderia e Refeitório, 1929
• Residência das irmãs, Ambulatórios e Enfermarias, anterior a 1930
• Clínica Pediátrica Amélia de Camilis, 1935
• Pavilhão Vitório Emanuele III, 1937
• Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, 1943
• Prédio Hospitalar (ampliação), 1974

Na década de 50, chegou a ter 500 leitos e nos anos 70passou a ser referência na formação de profissionais, ao firmar convênio com o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social), sendo quesua maternidade era vista como a melhor da América do Sul. Com o fim do Império Matarazzo, o hospital também entrou em crise. Já transformado em um ícone arquitetônico e por sua importância histórica foi tombado, em 1986, pelos órgãos do patrimônio.

A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil – PREVI, comprou o prédio, em 1996, para transformá-lo num complexo turístico e hotel. Não realizou o planejado e o vendeu, neste ano de 2011, para a PUC –Pontíficia Universidade Católica que fará o aproveitamento dos prédios, colocando um Campus Universitário e um complexo cultural.

As vidas, o trabalho e o sucesso cruzaram várias vezes a amizade fraterna entre as famílias Delmanto e Matarazzo. Até nos esportes e na política haveria de ficar marcado um trabalho conjunto.

PALESTRA ITÁLIA TRI-CAMPEÃO E DEPUTADO MAIS VOTADO!


Nos anos 30, Dante Delmanto já formado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP) e trabalhando no escritório do Dr. Adriano Marrey Junior – Mestre do Direito Penal e Líder do Partido Democrático – é eleito para presidir o Palestra Itália, clube da colônia italiana, sucedendo o Conde Luighi Eduardo Matarazzo. Lá, conquista o único tri-campeonato (32/33/34) do clube e constrói (com ajuda financeira do Grupo Matarazzo) o Estádio Palestra Itália com seus famosos jardins suspensos. Naseleições constituintes de 1934 é eleito com a maior votação para Assembléia Legislativa de São Paulo, onde ficou até a implantação da Ditadura do Estado Novo, por Getúlio Vargas, em 1937. Nesse mesmo ano, abriu seu escritório de advocacia que alcançaria fama nacional. É registro Histórico.

Dante Delmanto no Palestra Itália e no Parlamento paulista/leia aqui

Obs.: Este texto é uma homenagem ao meu avô paterno,Pedro Delmanto, que nasceu no dia 29 de junho de 1870 - Dia São Pedro - em Zoppi/Castellebate/Salerno/Itália.