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julho 09, 2011

Super-Homem: é um avião? É o Chávez?!?

"A democracia é a forma histórica de decadência do Estado"
Friedrich Nietzsche


Em sua volta repentina à Venezuela, Hugo Chávez não deixou de exibir seu lado histriônico. Vestido com traje esportivo de cores berrantes, o Beiçola de Caracas (como diz Reinaldo Azevedo) lançou para o povo venezuelano a sua interpretação da “Teoria do Super-Homem” (ubermenschen), do filósofo Friedrich Nietzsche. É piada. Chávez não tem limites para seu “non-sense”...



Chávez vai Desfilar na Sapucaí?/Augusto Nunes/ leia aqui

E falando do “Super-Homem” de Nietzsche, Chávez cita seus ídolos históricos: Che Guevara, José Martí, Simon Bolívar, Marx, Fidel Castro entre outros. Como a dizer: sou como eles, estou retornando à Pátria... Pois para Nietzsche “...o eterno retorno oferece uma saída fora “da mentira de dois mil anos”(cristianismo) e a transmutação dos valores traz consigo o novo homem que se situa além do próprio homem, ou seja, o super-homem!

Câncer de Chávez é falso/Reinaldo Azevedo/ leia aqui

Presidente é adepto de gestos teatrais/ leia aqui


A verdade é que o filósofo alemão acreditava e afirmava que o cristianismo elevou os sub-homens, o que foi uma desgraça e um retrocesso na concepção da vida e da própria organização social. Em sua doutrina, ele eleva o homem, isto é, cria a convicção dos super-homens (Ubermenschen) que são os únicos dignos de viverem, de reinarem, de prevalecerem. Daí o estado totalitário. Seja de direita, seja de esquerda. O Estado totalitário, como justificação do valor dos super-homens. O Estado totalitário representa a força dos mais capazes, isto é, daqueles que, em nome da “doutrina”, donos e interpretes da verdade, deverão governar aqueles que foram criados para obedecer e seguir as linhas do líder carismático. Assim, a Doutrina Bolivariana seria o caminho a seguir... E, ele – pasmem! – o líder carismático a ser seguido!!!


E o filósofo alemão além da frase “A Democracia é a forma histórica de decadência do Estado” na abertura deste post, dizia também a famosa frase: “Deus está morto!” Quando pensamos nas conseqüências trágicas da teoria nietzscheana, nem sequer podemos imaginar como pode um ser racional postular princípios tão perigosos e tão facilmente refutáveis. Onde estão as raças superiores? Onde estão os super-homens? No Kremlin? No antigo Reichstag?

Ora, Hitler viu o fim do super-homem numa guerra que ele quis e planejou para provar essa “verdade”. Da mesma forma, o super-homem comunista, criado à imagem e semelhança de Marx e que manteve povos aprisionados por décadas e décadas e que só se libertaram com a queda do muro de Berlim...

Como aceitar, então, o totalitarismo, seja de direita, seja de esquerda?!?

Quando o homem se esquece de que a humanidade, como um todo, e como soma de elementos individuais, se constitui de seres igualmente capazes, e que todos somos, realmente, uma só formação somático-mental, que se pode desenvolver desigualmente, mas na essência compartilha da essência de todos, a teoria dos super-homens e, pois, do estado totalitário não suporta qualquer discussão.

NÃO!!! O super-homem é aquele que cada vez mais se iguala a si mesmo e ao homem médio, comum. O super-homem é aquele que, capaz de conhecer suas fraquezas, não se deixa levar por “slogans” que a Psicologia Experimental demonstra serem experiências semelhantes as de Pavlov. Comunismo e nazismo – duas afirmações da incapacidade de analisar e criticar. Prova cabal da inexistência de super-homens. Afinal de contas, viva o homem, na acepção humana da palavra!