ALEIXO DELMANTO (1901- 1994)
Aleixo (Alessio) Varoli foi um dos pioneiros da imigração italiana (
1875/1887). Já em
1865, estava estabelecido na região de
Itu, onde tinha
fazenda e negócios. De
Itu, veio para
Botucatu onde se estabeleceu com
Indústria de Bebidas. Ficou
representante Consular da Itália e exerceu efetiva liderança na
poderosa colônia italiana de Botucatu. Presidiu por muitos anos a
Società Italiana di Beneficenza exercendo o cargo de
Agente Consular da Itália em nossa cidade. Com o casamento de suas
3 filhas, constituiu ampla família, com efetiva influência e destaque na sociedade local
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Seus genros,
todos italianos, Francisco Botti (Francesco Botti Caffoni), Pedro Delmanto (Pietro Del Manto) e Adeodato Faconti.
Francisco Botti, casado com
Albina Varoli, atuou no setor bancário e deu continuidade à atuação na cafeicultura do sogro, assumindo a sua grande propriedade rural.
Botti chegou a ter seu próprio banco, o
Banco Brasul (absorvido em meados da década de
1970 pelo
Banco Itaú) em sociedade com a família
Mellão, da vizinha cidade de
São Manoel. Pedro Delmanto, casado (
1900) com
Maria Varoli, atuou no
setor calçadista, possuindo
Loja de Calçados, Fábrica de Calçados e o Curtume Bella Vista, especialmente montado para servir a
Fábrica Delmanto. Adeodato Faconti, casado com
Leonilda Varoli, sucedeu ao sogro na
Industria de Bebidas, além de atuar de forma expressiva como
jornalista e escritor, tendo exercido a
vereança em Botucatu.
Pedro Delmanto e Maria Varoli Delmanto, tiveram
7 filhos: Aleixo, Antônio, Dante, Orlando, Berval, Peggy (Imaculada Conceição) e Wanda. Queria todos formados,
tutti dottori...
Os imigrantes italianos que vieram para Botucatu no final do século retrasado (
1887), chegaram carregados de esperanças e com uma só determinação: serem vencedores na nova pátria.
Como a educação no Brasil, no início do século, ainda não tivesse atingido o nível que hoje possui, principalmente no interior,
Aleixo Varoli patrocinou a ida de seus netos para a Itália, para que pudessem estudar e preparar-se para a futura vida profissional.
Aleixo Varoli enviou seus netos para que estudassem no
tradicional e conceituado “Collegio Maria Luigia”, da cidade de Parma, em regime de
semi-internato. Mais uma vez, contou com a colaboração de
Giuseppe Botti para que fizesse o acompanhamento, na sua ausência, da atuação dos meninos. Foram do Brasil, com
média de 9 anos, Aleixo Delmanto (filho de Pedro/Maria Delmanto) e Alfonso, Julio, Carlos e Mário Botti (filhos de Francisco/Albina Botti).
Todos fizeram
do básico ao colegial na Itália, tendo
Aleixo Delmanto feito também a
Faculdade de Medicina da Universidade de Parma e, depois (
1930/31), especialização na
Universidade de Bolonha - a
mais antiga Universidade do Mundo! Tanto
Parma como
Bolonha pertencem, hoje, à
Região Emilia-Romagna, uma das mais desenvolvidas da Itália.
Em seu retorno ao Brasil, o
jovem médico botucatuense (primeiro “oriundo” local a formar-se em Medicina), recebeu uma grata surpresa e um grande incentivo: seu pai, o industrial italiano
Pedro Delmanto, havia
construído uma réplica reduzida de um grande Hospital de Florença! Seria em 1928 a inauguração, em Botucatu, da Casa de Saúde “Sul Paulista”...
CASA DE SAÚDE "SUL PAULISTA"
No inicio dos anos
20, a então
poderosa colônia italiana em Botucatu atingia o auge de sua prosperidade. Era mais unida e o sentimento da origem comum ainda era forte.
A colônia italiana tinha a sua escola, a sua banda musical, o seu jornal, o seu clube social, o seu teatro, os seus estabelecimentos comerciais, as suas fábricas e até a sua loja maçônica. Longe deles qualquer sentimento divisionista, ao contrário, o que havia era
uma natural aglutinação de pessoas com a mesma origem, os mesmos costumes, a mesma paixão pelas coisas...
Como ocorrera, com muito sucesso, na capital, onde a colônia italiana erguera, sob ocomando do
Conde Matatarazzo, o imponente
Hospital Umberto Primo, em
1904, ampliando-o sucessivamente, o exemplo passou a ser seguido pelos núcleos mais expressivos dos imigrantes italianos nas cidades do interior do estado.
E Botucatu estava situada
no limite de onde chegara a Estrada de Ferro Sorocabana, em
1889 e dali partindo para a conquista do interior, “plantando” cidades com o progresso que as
suas paralelas levavam:
Lençóis Paulista, Bauru, Assis, Ourinhos e Presidente Prudente se destacando entre tantas outras...
Inaugurada com toda a pompa, com
banda de música, a presença de autoridades e comparecimento expressivo da população num verdadeiro congraçamento dos imigrantes com os botucatuenses e, suprema honra, com a presença do Cônsul Geral da Itália representando o Rei da Itália. Sucesso. Com a
Direção do Prof. Dr. Ludovico Tarsia, compunham a Diretoria: os
Drs. Aleixo Delmanto e Miguel Losso, médico italiano já integrado à colônia local
ALEIXO DELMANTO – O PRIMOGÊNITO !
Com apenas
9 anos, o menino
Aleixo foi estudar na
Itália. Imaginem
um menino de 9 anos... Lá,
Aleixo fez seus estudos em
Parma onde acabou cursando
Medicina, com especialização na tradicional
Universidade de Bolonha. Em
Parma, casou-se com
Rina (Arthurina) Cantoni. E voltou para o Brasil como o primeiro dos
“oriundi” formado em
Medicina. Foi uma vitória da família e, com certeza, de toda a numerosa colônia italiana de Botucatu. Primeiramente,
de forma pioneira, na
Casa de Saúde Sul Paulista e, ao depois, por
40 anos na
Misericórdia Botucatuense, como
Chefe do Serviço de Radiologia.
Aleixo se dedicou à medicina por
60 anos de efetivo exercício profissional. Nos primeiros anos da nossa
Faculdade de Medicina pode colaborar com seus ensinamentos para o engrandecimento dessa modelar instituição.
Comunicativo e extrovertido,
Aleixo participou sempre das atividades culturais e festivas da colônia italiana na cidade.
Traduziu os clássicos italianos,
escreveu as letras de muitas músicas, inclusive,
a letra do HINO DE BOTUCATU. Foi um dos fundadores do
TAENCA (
Cine Teatro Nelli) e da
Academia Botucatuense de Letras. Enfim, foi um
cidadão prestante. Seus filhos,
Rubens Aleixo (médico) e Glória Maria (professora), deixaram-lhe
netos e bisnetos.
Em carta datada de
08 de fevereiro de 1914, meu pai,
Antônio Delmanto, deixava expressa toda a felicidade e todo o orgulho que a família e amigos tinham do jovem
Aleixo:
“...ti faccio sappere che sono passatto nella Scuola Botucatuense per poter imparare anche a língua portoghese ma il babbo me disse che da qui 2 anni vengo anch’io in Italia per poterme imparare come sideve, qui noi tutti stiamo bene...Riceve um baccio dal tuo fratello, Antonio Delmanto”.
E termina, com letras maiores:
“Viva Alessio,
Viva Alessino!”
No dia
16 de outubro de 2001, Aleixo Delmanto completaria
100 Anos!
Um Centenário! Uma vida!
Saudades, caríssimo Tio Aleixo! Saudades!