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junho 05, 2016

A poética dos beijos de Mário de Andrade

BEIJOS MAIS BEIJOS...


Biografia de Mário de Andrade/Leia aqui

"Mário de Andrade foi a figura central do movimento de vanguarda de São Paulo por vinte anos. Músico treinado e mais conhecido como poeta e romancista, Andrade esteve pessoalmente envolvido em praticamente todas as disciplinas que estiveram relacionadas com o modernismo em São Paulo, tornando-se o polímata nacional do Brasil. 

Suas fotografias e seus ensaios, que cobriam uma ampla variedade de assuntos, da história à literatura e à música, foram amplamente divulgados na imprensa da época. Andrade foi a força motriz por trás da Semana de Arte Moderna, evento ocorrido em 1922 que reformulou a literatura e as artes visuais no Brasil, tendo sido um dos integrantes do "Grupo dos Cinco". As idéias por trás da Semana seriam melhor delineadas no prefácio de seu livro de poesia Paulicéia Desvairada e nos próprios poemas."


BEIJOS MAIS BEIJOS

Mário de Andrade

Beijos mais beijos,
Milhões de beijos preferidos,
Venho de amores com a minha amada,
Insaciáveis.
Rosas mais rosas,
Milhões de rosas paulistanas,
Venho de sustos com a minha amiga,
Implacáveis.
Luzes mais luzes,
Luzes perdidas na garoa,
Trago tristezas no peito vivo,
Implacáveis.
Ideais, ideais,
Ideais raivosos do insofrido,
Trago verdades novas na boca,
Insaciáveis.
Jornais, jornais,
Notícias que enchem e esvaziam,
- Me dá uma bomba sem retardamento,
Implacável!
Horas mais horas,
Rio do meu mistério esquivo,
- Me dá violetas pelos meus dedos
Insaciáveis…
(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)
(Tribuna da Imprensa - 06/06/2013)

agosto 26, 2015

A Beatriz de Chico Buarque...

A Beatriz de Chico Buarque...

Este blog tem, sempre, buscado a sua pauta, o seu tema, no site da “Tribuna da Imprensa”.Sempre atualizado, sempre abordando, de forma corajosa, os mais variados ssuntos. Mas, diariamente, traz um momento de poesia, como a minorar os horrores dos “malfeitos” quehumilham a Nação Brasileira. E, hoje, vamos transcrever a matéria dedicada ao Chico Buarque que escreveu a letra de “Beatriz”, com melodia de Edu Lobo:


sábado, 15 de setembro de 2012 | 10:01
O cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, deixou a sua genialidade invocar inspiração para fazer a letra da música “Beatriz”, tanto que foi buscar um poema de Jorge Lima, onde a personagem chamava-se Agnes e era equilibrista, mas chegou a um ponto que a letra não saía com esse nome, Agnes. Então, passado alguns dias, surgiu o nome “Beatriz”, que era a musa inspiradora de Dante Alighieri, a qual podemos notar quando Chico faz alusão ao citar na letra “comédia” e “divina”, mencionando outra obra de Dante, A Divina Comédia.
Dizem que Dante viu Beatriz uma única vez, e nunca falou com ela, nutrindo uma paixão que iria inspirar seus poemas. Beatriz é uma das canções do musical “O Grande Circo Místico”, cujo disco com o mesmo nome foi lançado, em 1983, pela Som Livre.
BEATRIZ
Edu Lobo e Chico Buarque
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)


BEATRIZ – Chico Buarque/ouça aqui

agosto 13, 2013

Um Olhar estrangeiro sobre o Brasil,
por Arnaldo Jabor

Um Olhar estrangeiro sobre o Brasil

O cronista Arnaldo Jabor, também um dos melhores e mais criativos cineastas brasileiros, nos traz um retrato fiel do novo filme estrelado por Glória Pires que vive um caso amoroso com uma americana: é a história da empreendedora Lota Macedo Soares e da poetisa Elizabeth Bishop. No texto, Jabor relata a visão da intelectual norte-americana sobre o Brasil, país que amou e onde viveu seu grande amor por quase 20 anos:

A rara flor da poesia

ARNALDO JABOR

Vi o filme novo de Bruno Barreto, Flores Raras, previsto para entrar em cartaz esta semana. Uma história de amor entre duas mulheres nos anos 50/60 no Rio. O filme tem uma delicadeza rara hoje em nosso cinema, cheio de neochanchadas para arrasar quarteirões e embrutecer mais ainda o imaginário das plateias. Flores Raras não; tem um clima quase "de época" na mise-en-scène, pois retrata ainda o tempo da delicadeza e da ilusão - praias, montanhas e sol cegando a cidade para seus problemas. É um dos belos filmes de Bruno, como Dona Flor ou o Romance da Empregada. Duas mulheres se amam: Lota e Elizabeth Bishop.
Muita gente não sabe quem foi Elizabeth Bishop, nem é obrigada a saber. Trata-se de uma grande poeta americana que, em 1951, passou pelo Brasil, apaixonou-se pela brasileira Lota de Macedo Soares, intelectual da elite carioca, e aqui ficou por 16 anos, entre grandes alegrias, sofrimentos, crises de alcoolismo e extraordinários poemas. Lota era assessora de Carlos Lacerda e comandou a construção do nosso "Central Park" - no Aterro do Flamengo, contra os vorazes políticos picaretas que queriam tomar conta da área. Ali, consumiu sua saúde e seu amor por Bishop. Sempre ouvi falar de Elizabeth Bishop, mas só fui ler seus poemas há poucos anos, quando saiu a excelente tradução de Paulo Henriques Britto. Por que não li na época, eu que gostava tanto de poesia? Porque (deliciem-se, patrulheiros...) como ela era "caso" de Lota, assessora de Carlos Lacerda, o inimigo máximo da esquerda janguista, ficava feio ler seus trabalhos. Ela era uma "americana lésbica" e, certamente, "reacionária" - palavras devastadoras para nós. Éramos assim em1967.

No entanto, Bishop não era apenas uma "boa poetisa". Ela está no nível de Marianne Moore, Roberto Lowell e outros; tem uma poesia seca e dolorida, um amor transbordante e contido, uma poesia afetiva das "coisas", como fez Francis Ponge, João Cabral, Moore e, lá longe, John Donne. Elizabeth Bishop fez uma poesia não lamentosa, uma poesia crítica e seca, com forte nostalgia romântica, sem a melancolia paralisada de outro gênio como Emily Dickinson.
Bishop escreveu muitos poemas sobre o Brasil dos anos 50 e 60, nos quais se vê, mesclada a uma irritação "calvinista" com nossas mazelas, uma profunda compaixão pelo desamparo social, um amor raríssimo pela fragilidade do povo, poucas vezes encontrado em poetas brasileiros.
Elizabeth Bishop não era de "esquerda nem de direita", como se dividiam todos naquela época (e ainda hoje).
Era uma liberal americana, com olhos anglo-saxões, que assistiu como uma "brasilianista artística", a anos cruciais de nossa história: a morte de Getúlio, JK, Jânio, e até o golpe militar de 1964. É curioso ver que sua vida piora enquanto o Brasil piora. E Elizabeth tem nesse tempo a antevisão dolorosa do futuro difícil que esperava nosso País. Ela vê uma infraestrutura secular de equívocos que estão nas instituições como um veneno que tudo contamina. Elizabeth viu além das ideologias, além dos dogmas.
Ela escreve: "Como país, acho que o Brasil não tem saída - não é trágico como o México não; é apenas letárgico, egoísta, autocomplacente, meio maluco". Mas, mesmo assim, tem amor por ele: "Um País onde a gente se sente de algum modo mais perto da verdadeira vida, a de antigamente. (...) Com todos os seus horrores e estupidez, uma parte do mundo perdido ainda não se perdeu aqui".
Seu olhar profundo se detinha sobre os sintomas do que nos acontecia e poderia continuar acontecendo. Ela viu os indícios de tragédia e paralisia que se ocultavam por trás do egoísmo da direita udenista e também da iludida generosidade "de esquerda", ela viu que uma maldade profunda nos regia, que uma impiedade secular comandava nosso atraso. Ela poderia ter escrito, no mesmo tom de Eça de Queiroz, cem anos antes, sobre o Brasil:
"O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas idéias aumenta a cada dia. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do País. Não é uma existência; é uma expiação".

Seus poemas sofisticadíssimos desciam ao nosso chão:
"Sob a falsa amendoeira/ uma puta ainda menina/dança um chá-chá-chá, girando/como um átomo na esquina (...) na sombra negra de meu prédio/ um negro levanta a camisa/ pra mostrar um curativo/ cobrindo negra ferida/ com um bafo de cachaça/ potente feito bazuca/ aponta a bandagem branca/ e me diz coisas malucas/ dou-lhe dinheiro e boa-noite/ por força do hábito. Ah!/ não haveria uma palavra/ mais relevante pra lhe dar?"
Perguntem a qualquer ladrão de gravata de Brasília e todos dirão de mãos postas e olhos em alvo que "o povo é sagrado". Nós costumamos idealizar epicamente o povo ou o ignoramos com empáfia; nós costumamos rir de sua ignorância ou transformamos a zona geral, a bagunça, em uma espécie de orgulho cultural, como se o fracasso permanente e outras bossas fossem uma "riqueza macunaímica" - o tesouro de nosso destino de "malandros inzoneiros".
Elizabeth Bishop não. Ela olha cada ferida aberta, olha o negro bêbado, a cadela leprosa na rua, a solidão do bandido Micuçu no morro da Babilônia, o doente morrendo na maca no rio Amazonas, os bolos coloridos de mau gosto na padaria, as sandálias de plástico das pobres mães com bebês em Ouro Preto, provérbios em para-choques de caminhões, os pobres diabos jogando absurdas peladas no capim por toda a parte, os tatus e corujas fugindo da queimada, crianças doentes brincando na lama, toda essa desgraça vegetando no meio de majestosas paisagens cortadas por cachoeiras e florestas. E chora, tomando porres homéricos nos botequins mais sujos.
Bishop amava o Brasil com olhos mais fundos do que nós.
(O Estado de S. Paulo, 13/08/2013)

junho 06, 2013

Beijos Mais Beijos,
por Mário de Andrade

BEIJOS MAIS BEIJOS...

Biografia de Mário de Andrade/Leia aqui

"Mário de Andrade foi a figura central do movimento de vanguarda de São Paulo por vinte anos. Músico treinado e mais conhecido como poeta e romancista, Andrade esteve pessoalmente envolvido em praticamente todas as disciplinas que estiveram relacionadas com o modernismo em São Paulo, tornando-se o polímata nacional do Brasil. 

Suas fotografias e seus ensaios, que cobriam uma ampla variedade de assuntos, da história à literatura e à música, foram amplamente divulgados na imprensa da época. Andrade foi a força motriz por trás da Semana de Arte Moderna, evento ocorrido em 1922 que reformulou a literatura e as artes visuais no Brasil, tendo sido um dos integrantes do "Grupo dos Cinco". As idéias por trás da Semana seriam melhor delineadas no prefácio de seu livro de poesia Paulicéia Desvairada e nos próprios poemas."


BEIJOS MAIS BEIJOS

Mário de Andrade

Beijos mais beijos,
Milhões de beijos preferidos,
Venho de amores com a minha amada,
Insaciáveis.
Rosas mais rosas,
Milhões de rosas paulistanas,
Venho de sustos com a minha amiga,
Implacáveis.
Luzes mais luzes,
Luzes perdidas na garoa,
Trago tristezas no peito vivo,
Implacáveis.
Ideais, ideais,
Ideais raivosos do insofrido,
Trago verdades novas na boca,
Insaciáveis.
Jornais, jornais,
Notícias que enchem e esvaziam,
- Me dá uma bomba sem retardamento,
Implacável!
Horas mais horas,
Rio do meu mistério esquivo,
- Me dá violetas pelos meus dedos
Insaciáveis…
(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)
(Tribuna da Imprensa - 06/06/2013)

novembro 20, 2012

Serás um homem, meu filho!

GUILHERME DE ALMEIDA
- PRÍNCIPE DOS POETAS BRASILEIROS!!! -

Ouça o poema “SE” / aqui
Momento Poético!
Buscando na poesia do sempre “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, Guilherme de Almeida, o momento mais apropriado para a realidade dos paulistas. Buscamos, sempre, no poema da “Nossa Bandeira” um pouco de inspiração cidadã. E a bravura do guerreiro na tradução do poema “IF” de Rudyard Kipling (Joseph Rudyard Kipling – nasceu em Bombaim em 1865 e faleceu em Londres em 1936, foi um autor e poeta britânico dos mais populares), Guilherme de Almeida – na opinião dos críticos literários! – reescreveu a poesia de Kipling e construiu uma de suas mais belas páginas: “Se”!
RUDYARD KIPLING

Guilherme de Andrade de Almeida (1890-1969), considerado o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, nasceu em Campinas (SP), foi uma personalidade de destaque nos meios intelectuais e sociais como poeta, jornalista, advogado, cronista, tradutor, além de desenhista e profundo conhecedor de cinema.
Dominou amplamente o fazer poético, por ser grande conhecedor da ciência do verso e da língua, ajudando-o também a ser um excelente tradutor. Traduziu, também, os poetas Paul Géraldy ("Eu e Você"), Rabindranath Tagore ("O Jardineiro" e "O Gitanjali"), Charles Baudelaire ("Flores das Flores do Mal"), Sófocles ("Antígona") e Jean Paul Sartre ("Entre Quatro Paredes").
Com a publicação do livro de poesias "Nós" (1917) iniciou sua carreira literária. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, seu escritório serviu de redação para os fundadores da revista "Klaxon". Percorreu o Brasil, difundindo as idéias da renovação artística e literária. Os livros "Meu" e "Raça" (1925) são fiéis à temática brasileira e ao sentimento nacional.

É muito importante destacar a opinião abalizada de um crítico literário sobre a arte da tradução. Pois Guilherme de Almeida, a cada tradução que fazia, construía a sua obra também. Marcelo Tápias, crítico literário e Diretor da Casa de Guilherme de Almeida é claro: “O objetivo que se impõe ao presente artigo é o de discutir o referencial da estrita equivalência na avaliação crítica de traduções, para concluir que ele não se mostra o mais adequado à tradução de poesia. A respeito da conceituação de tradução poética e do que seja “fidelidade” na ação tradutória, considere-se de início um pensamento como aquele elaborado por Haroldo de Campos (por meio de seus artigos sobre “transcriação”) que permite ver a tradução de um poema como uma criação de algo novo, com suas próprias “regras” internas, ainda que resulte de um processo de recriação e seja construído de modo a guardar relações de paramorfismo com o texto-fonte.”
Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, meu filho!

setembro 15, 2012

Com Chico Buarque
em busca de Beatriz...

CHICO BUARQUE DE HOLLANDA
Este blog tem, sempre, buscado a sua pauta, o seu tema, no site da “Tribuna da Imprensa”. Sempre atualizado, sempre abordando, de forma corajosa, os mais variados assuntos. Mas, diariamente, traz um momento de poesia, como a minorar os horrores dos “malfeitos” que humilham a Nação Brasileira. E, hoje, vamos transcrever a matéria dedicada ao Chico Buarque que escreveu a letra de “Beatriz”, com melodia de Edu Lobo:

sábado, 15 de setembro de 2012 | 10:01
O cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, deixou a sua genialidade invocar inspiração para fazer a letra da música “Beatriz”, tanto que foi buscar um poema de Jorge Lima, onde a personagem chamava-se Agnes e era equilibrista, mas chegou a um ponto que a letra não saía com esse nome, Agnes. Então, passado alguns dias, surgiu o nome “Beatriz”, que era a musa inspiradora de Dante Alighieri, a qual podemos notar quando Chico faz alusão ao citar na letra “comédia” e “divina”, mencionando outra obra de Dante, A Divina Comédia.
Dizem que Dante viu Beatriz uma única vez, e nunca falou com ela, nutrindo uma paixão que iria inspirar seus poemas. Beatriz é uma das canções do musical “O Grande Circo Místico”, cujo disco com o mesmo nome foi lançado, em 1983, pela Som Livre.
BEATRIZ
Edu Lobo e Chico Buarque
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Para ouvir a canção Beatriz, clique no rádio