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junho 02, 2012

Vai Aprender – artigo de Arthur Virgílio

                    
                               VAI APRENDER

                            *ARTHUR VIRGÍLIO

     O ex-presidente Lula perdeu os limites e a noção de escrúpulos. Seus oito anos de governo registram méritos na condução da economia (primeiro mandato, até a demissão de Antônio Palocci, sobretudo) e na aplicação de políticas sociais, prosseguindo e ampliando as linhas que herdou de Fernando Henrique. Mas anotam também irreparáveis deslizes éticos, a começar pelo mensalão e a concluir pela vulgarização das instituições republicanas.

     À medida em que se fortalecia popularmente, favorecido pelo país organizado que recebeu e pela conjuntura econômica internacional benigna, crescia igualmente em arrogância, perdendo o contato com a humildade. Incensado por incontáveis áulicos, tomou a si próprio como um semi-Deus, infalível, senhor das verdades universais.

     Claro que seu governo não inventou a corrupção. Seu período de mando, todavia, permitiu que ela se tornasse endêmica e sistêmica.

     Aproximou-se dos piores elementos da política brasileira, sempre disposto a lhes “conceder”, publicamente, “anistia” e “perdão”, como se fosse, ao mesmo tempo, o executivo, o legislativo e o judiciário. Como se fosse monarca absolutista, a intimidar opositores e submeter “súditos”.

     Prometeu não se intrometer nas decisões do governo de sua afilhada Dilma Rousseff, porém não faz outra coisa. Não consegue desencarnar do poder que não mais pode exercer. Por sinal, aceitava os elogios de Collor e Sarney e detestava as críticas de Itamar e Fernando Henrique. Em miúdos: ex-presidente só deveria falar se fosse para apoiá-lo.

     A cada dia, apequena sua imagem e seu legado. O desastre maior e mais recente foi o pedido indecoroso que fez ao ministro Gilmar Mendes, no sentido de que buscasse adiar o julgamento do mensalão. Mais: em evidente chantagem, ofereceu “proteção” na CPMI do Cachoeira (que alegou “controlar) a esse magistrado, que reagiu com o destemor dos que nada devem.

     De uma só vez, ofendeu a soberania do Parlamento e da Suprema Corte. Expôs o ministro Ricardo Lewandowiski, como se fosse ele mero subordinado seu. Chamou o ministro Joaquim Barbosa de “complexado”. Declarou que iria “conversar” com o ministro Ayres de Brito. Diminuiu o ministro Dias Toffoli, alegando que o pressionaria a não se considerar impedido de julgar o mensalão. Destratou o ex-ministro Sepúlveda Pertence e a ministra Carmen Lucia, anunciando que “mandaria” o primeiro “segurar” a segunda. Inaceitável.

     O tiro saiu pela culatra. Tentava blindar a Delta Construções na CPMI, por se tratar da empreiteira que seu governo mais brindou com obras do PAC. Pois nem seus aliados conseguiram impedir a quebra, em nível nacional, dos sigilos telefônico, fiscal e bancário dessa empresa.

     Abriu a guarda desabridamente para proteger os mensaleiros. Pois agora é que ficou mesmo irreversível que o julgamento comece em agosto.

     O Brasil é democracia sólida. Lula está aprendendo isso na prática.

     *Diplomata, foi líder do PSDB no Senado
         

dezembro 20, 2011

Mensalão, escreveu, não leu...prescreveu...


- Charge do Aroeira -


O STF é a suprema corte do país. Já defendemos a indicação estritamente profissional para seus componentes, mas prevalece a indicação política, pelo Presidente da República... E os governos do PT, já em seu terceiro mandato, tiveram a oportunidade de indicar a maioria dos atuais membros do STF. Precisa dizer mais alguma coisa?!?

O Ministro Lewandowski declarou, na semana passada, que algumas penas dos envolvidos iriam prescrever. Essa afirmação repercutiu negativamente por todo país. Tanto assim, que o presidente do STF, Cezar Peluso, solicitou a Joaquim Barbosa, relator do caso, para que disponibilizasse o processo para agilizar a apreciação” pelos outros ministros.


E surtiu efeito. Barbosa reclamou da insinuação de que estaria “segurando” o processo, destacando que o processo requer cuidado, afirmou: “Estamos diante de uma ação de natureza penal de dimensões inéditas na História desta Corte”.



O famoso “Mensalão”, investigado desde 2005, envolveu autoridades muito poderosas, como José Dirceu que era Chefe da Casa Civil. Dirceu teve seu mandato de Deputado Federal cassado por 8 anos e foi demitido da Casa Civil. O Procurador Geral da República o indiciou como “Chefe da Quadrilha” e indiciou mais 37 pessoas.



Todos sabem que José Dirceu vem conseguindo indicar pessoas para cargos importantes do governo, fazendo pressão sobre estatais e “prestando consultoria” a empresas em um luxuoso hotel de Brasília.
RESUMINDO: Continua mandando. Praticando a “advocacia administrativa” em evidente tráfico de influência. José Dirceu tem certeza que o STF – por ser um Tribunal também Político! – o inocentará, graças aos ministros nomeados no período de governo do PT.