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julho 29, 2019

MINHA CAMINHADA PEABIRUANA



MINHA CAMINHADA PEABIRUANA

capa: quadro do artista plástico, grafiteiro e muralista PAULO TERRA

contracapa: ilustração da artista plástica IDA GARDINI

1970 - capa: IDA GARDINI


Alea jacta est!

É um sonho!   Uma emoção diferente e boa!

Meu 12º livro: “MINHA CAMINHADA PEABIRUANA”.
O termo “Caminhada Peabiruana” foi criado pelo saudoso professor Agostinho Minicucci a representar o histórico da cidade de Botucatu vivenciado através dos tempos e registrado na revista cultural Peabiru. Na revista, estávamos construindo, segundo o Mestre Minicucci, o caminho histórico do Peabiru Botucatuense, com esforço, carinho, dedicação e, por que não, ousadia.

Na “MINHA CAMINHADA PEABIRUANA”, os temas de uma vida: O PENSAMENTO CONSERVADOR DA DIREITA NOS ANOS 70!, CRÔNICAS DA MINHA CIDADE: O LIVRO DE BOTUCATU, 1976 – 2016 VEREADOR BOTUCATU REGISTRO HISTÓRICO, ACADEMIA BOTUCATUENSE DE LETRAS: UM ESCRIBA PANFLETÁRIO NA ACADEMIA,  CONSTITUINTE: 30 ANOS DEPOIS, O SONHO NÃO ACABOU: LIVRO HISTÓRICO DO JORNALISMO JOVEM DE BOTUCATU!, O PIONEIRO 1º TELEJORNAL DE BOTUCATU – 1997, MEMÓRIAS DE BOTUCATU, A HISTÓRIA DA MEDICINA EM BOTUCATU - “MEMÓRIAS DE BOTUCATU 2”,  NA TERRA DO PEABIRU: MEMÓRIAS DE BOTUCATU III,  CENTENÁRIO: ALMANAQUE CULTURAL DE BOTUCATU - ALMANACK DE BOTUCATU, REVISTA PEABIRU - 20 ANOS: O MAIOR ACERVO HISTÓRICO/CULTURAL DE BOTUCATU!,  “DOS TAPETES VERMELHOS DO PODER, CONHEÇO CADA DOBRA, O LIVRO DA CIDADANIA: A HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO POLÍTICA PAULISTA – 1934,  HOMENAGEM A HERNÂNI DONATO,  OS DELMANTOS, A FOLHA DOBRADA & AS ARCADAS, DONA FIÓCA, MINHA MÃE! HOMENAGEM 08 DE MAIO DIA DAS MÃES!,  MEU PAI, SAUDADES!

Sim, 50 Anos depois...

JUBILEU DE OURO !

Em 1970, lançava o meu primeiro livro, “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OIU OMISSÃO”. Também em 1970, lançava o jornal “VANGUARDA”. Vivia uma explosão de cidadania. E era muito bom !

Antes, havia lançado o jornal estudantil “TRIBUNA DO ESTUDANTE”, em 1963, do Colégio La Salle e o jornal “A REALIDADE”, em 1966, na Escola do Sociologia & Política, agregada à USP. Após os lançamentos do livro “JUVENTUDE” e do jornal “VANGUARDA”, lançamos o “JORNAL DE BOTUCATU”, em 1981,  a “FOLHA DE BOTUCATU”, em 1988 e o “JORNAL DA CUESTA”, em 2004.

Em 1997, o lançamento da Revista Cultural Botucatuense - PEABIRU e, na internet, o SITE/ARMANDOMORAES DELMANTO e o BLOG DO DELMANTO.

Nesse período, os livros: “A Juventude: Participação ou Omissão” (1970); “Crônicas da Minha Cidade” (1976); “Constituinte” (1981); “O Sonho Não Acabou” (1988);  “Memórias de Botucatu” (1ª edição - 1990); “Memórias de Botucatu 2” (1993); “Memórias de Botucatu” (2ª edição - 1995); “Memórias de Botucatu III”, (2000); “Almanaque Cultural de Botucatu” (2000); “História da Vitória Política dos Paulistas - 1934” (2010) e “Minha Caminhada Peabiruana” (2019/2020).

Ufa! 
Valeu a pena!

São 50 Anos exercitando a Cidadania Municipal!

Sim, valeu a pena !!!

Obs.: 
Diagramação: Edil Gomes (Editora Diagrama)
Texto completo do post no Blog de Delmanto

Para acessar o livro (e-book):

citando o nome do livro: “Minha Caminhada Peabiruana” e o nome do autor: Armando Moraes Delmanto.

junho 22, 2019

CRÔNICAS DA MINHA CIDADE: O LIVRO DE BOTUCATU


CRÔNICAS DA MINHA CIDADE:
O LIVRO DE BOTUCATU


Foto de 1976, trabalhada e colorida pelo Edil Gomes, originalmente em preto & Branco. Muito bom!

No ano de 1976, eu lançava o meu primeiro livro sobre Botucatu. “Crônicas da Minha Cidade, e fazia a seguinte dedicatória: 
“Para Antônio Delmanto: meu pai, meu amigo, meu exemplo.” 
E trazia, na abertura, um texto de Carlos Lacerda:

"Como Santa Teresinha do Menino Jesus, se me desculpam a ousadia, eu também quero tudo.
Quando a irmã mais velha deu à menina Teresa a possibilidade de escolher entre bonecas, fitas e cacarecos do seu baú, ela disse gulosamente: "Quero tudo". O que Fêz Dom Marcos Barbosa, monge de São Bento, afirmar agora que realmente Teresinha era ambiciosa, quis tudo, as bonecas, as fitas, os cacarecos que a irmã distribuia - e o Carmelo e o mundo e o Céu.
Sou dos que querem tudo. Por isso é que não sou ambicioso no sentido vulgar do têrmo, dos que aspiram a alguma coisa em particular, uma só, consagradora e definitiva. Não tenho a ambição da legião de honra ou de ser troço na vida. Tenho ambições bem maiores. E um temor considerável de me deixar esmagar pelo êxito, medalhar-me, consolidar-me na mesquinharia.
A alguém que perguntava por sua vida, Jules Renard dizia que ia bem, sem mais nada; e correspondia com outra pergunta: "E a sua?"
"Creio que não posso me queixar", disse o gajo. "Já pertenço ao Clube dos Seguradores e Banqueiros". Terá feito a pausa que impressiona e acrescentado: "Breve conto entrar para dois Conselhos Consultivos de grandes empresas". Era tudo o que ele queria da vida. Era muito pouco. Pobre diabo.
Imagine o tipo que só quer ser senador, embaixador, presidente, irmão-de-opa, banqueiro de bicho, dono de botequim, delegado do IBC em Trieste, procer da ARENA. Tudo é muito importante, mas quem só quer ser isso é uma pessoa sem importância. Quem só isso aspira é aspirador de pó".

Eu me preparava para minha campanha política como candidato a vereador em Botucatu. Era uma missão importante: suceder a meu pai que tivera um desempenho marcante como representante da comunidade, com trabalhos relevantes e sempre com a maior votação da cidade... as sua palavras passaram a nortear a minha caminhada: 
"... Encerro minha carreira pública na certeza de ter bem cumprido a minha missão. Eu nunca trai e nunca faltei com a minha palavra. Eu nunca me omiti quando foi necessário a minha presença em defesa da coletividade. Eu nunca fugi da luta. Mesmo quando a vitória era duvidosa e espinhoso o caminho a percorrer, eu disse presente e o percorri, pois a defesa dos postulados democráticos, de meu ideal e dos interesses do povo são sumamente mais importantes que qualquer vitória ou derrota episódica. Hoje, transfiro essa minha bandeira a alguém que há tempos vem me assessorando. Há tempos eu venho acompanhando o desenvolvimento global desse meu amigo e posso afirmar – com certeza – que ele reúne as condições de integridade, capacidade e idealismo para merecer a confiança que meus amigos e correligionários me tem distinguido. Ele é o meu filho Armando. Nesses anos todos, Armando tem demonstrado o seu ideal e interesse pelas coisas de nossa terra. Assim, ele conseguiu o que a meu ver foi a maior conquista depois da Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu – FCMBB: o COLÉGIO INDUSTRIAL. Mas não ficou nisso, dois Ginásios Estaduais conseguiu para a nossa cidade, recebendo respectivamente os nomes de “Prof. Pedro Torres” e “Prof. Pedretti Netto”. Isso, sem falar na ajuda às entidades assistenciais que o Armando obteve junto ao Governo do Estado. Além disso, por ser advogado e jornalista militante (com dois livros publicados) acredito firmemente que o Armando através de seu ideal, juventude e capacidade, poderá defender à altura os nossos ideais e as aspirações da cidade de Botucatu.”



Com esse espírito é que foi idealizado o livro. A publicação de "Crônicas da Minha Cidade" foi a realização de um grande sonho: o exercício da cidadania em nossa terra natal. Esse objetivo começou também em 1970 ao lançarmos o "Vanguarda de Botucatu". "O Jornal Jovem para a Nova Botucatu", era o seu lema. O começo foi difícil. Mas nós vencemos. Hoje, na perspectiva do tempo, o jornal "Vanguarda" (1970/1980) continuou como Jornal de Botucatu (bi-semanário) até meados de 1995... Era o jornal de maior tiragem do município, levando sempre aos botucatuenses a sua mensagem de fé no futuro da cidade e o seu intransigente combate contra a inércia administrativa e o descaso com que vinha sendo tratado o futuro de Botucatu.
O aguerrido "Vanguarda" sempre apresentou um jornalismo sério e construtivo. Cada edição foi intensamente vivida e trabalhada. Sempre partidários de que jornalismo é acima de tudo orientação e formação da opinião pública de modo a propiciar a nossa eleitor subsídios suficientes que formasse a sua opinião sobre os mais variados assuntos e vivesse os problemas de sua cidade, participando como artífice anônimo do futuro de Botucatu.
"Crônicas da Minha Cidade" é uma coletânea das coisas e da gente de Botucatu. Escrita na luta incessante do jornalismo ela expressa, agora e sempre, o nosso imperecível amor e a nossa inabalável crença no futuro de Botucatu.







Comentários sobre o livro "Crônicas da Minha Cidade":

"Você comprova as espectativas que eu tinha a seu respeito como estudante: dinâmico, realizador e democrta até a medula. Você tem o virus da democracia, célula por célula. É uma herança, sem dúvida. Desde aquela monografia que você fez, no 1º colegial, e o lançamento do jornalzinho, senti, como diria Castro Alves, o despertar de uma vocação.
Li o seu livro, reli, li de novo. Magnífico. Fui-me encontrar numa apresentação da qual ignorava a existência. Recompus-me num passado de recordação. Pra frente! 
                          Prof. Agostinho Minicucci"

"Muito grato pela remessa de um exemplar do seu livro "Crônicas da Minha Cidade". Afora o valor da obra qual mensagem de jornalismo, encontro nele abundância o ingrediente que sempre me emociona: o amor à terra natal. Principalmente em alguém que a deixou fisicamente mas permanece jungido a ela pelo coração. Grato também por me ter feito participar do seu livro mediante a transcrição de um escrito inteiramente desprentencioso e desvalioso. Com os voto de sucesso, o abraço do Hernâni Donato".

"Em meu nome e no de Ruth agradeço a gentileza da dedicatória e faço votos para que você prossiga de vitória em vitória na sua curta, mas já tão expressiva existência como jornalista e homem voltado para a causa pública. Milton Marianno".

"É com satisfação que envio a V.Sa. os cumprimentos e o agradecimento do Senhor Governador pela gentileza da oferta do seu livro "Crônicas da Minha Cidade", parabenizando-o pela excelente coletânea. George Nogueira - Secretario do governador Paulo Egydio Martins".

"Caro Delmanto: Foi com satisfação que recebi o livro de sua autoria, "Crônicas da Minha Cidade". Agradeço a sua amável lembrança e cumprimento-o pela feliz idéia. Cordialmente, Prof. Manoel Gonçalves Ferreira Filho - Vice-Governador do Estado".

"Ao prezado colega Armando Delmanto, muito agradeço a remessa das saborosas "Crônicas", que estou lendo com crescente interesse, bem como a amabilíssima dedicatória. Prossiga! Abraça-o o Antonio Chaves - Professor Catedrático de Direito Civil da USP".

"Meu caro Delmanto: Não foi surpresa nenhuma verificar quão agradável é a leitura de suas "Crônicas da Minha Cidade", que me enviou. Já naqueles saudoso tempos em que trabalhavamos juntos pintavam os germes do escritor que agora vejo florescem com galhardia. Tenho a mais absoluta certeza que logo nos brindará com outros excelentes trabalhos. Queira recomendar-me ao seu caro Pai. Abraços, Prof. Francisco Carlos Sodero - Presidência do Conselho Regional do SENAI/SP".

"Jovem e prezado amigo. Saúde e paz. Muito obrigado pelo envio de "Crônicas da Minha Cidade", que dá sequência à "Juventude: participação ou omissão".
Vejo, com alegria, que você persevera em sua carreira de jornalista e escritor preocupado com os problemas de sua geração e da vida comunitária da sua encantadora e dinâmica Botucatu. Gostei muito da fotografia que você reproduziu na contra-capa: Antonio e Armando Delmanto, abraçados e sorridentes, companheiros de ideal e de luta no "Vanguarda de Botucatu": - duas gerações dos Delmantos servindo exemplarmente à sua terra natal e à sua gente.
Parabéns, Armando. Prossiga, para contentamente  de seus amigos e admiradores, entre os quais se inclue o Lucas Nogueira Garcez (ex-Governador do Estado de São Paulo)".




junho 16, 2019

PRESIDENTE BOLSONARO: “tamojunto” HÁ 50 ANOS ! AVANTE !!!


PRESIDENTE BOLSONARO: “tamojunto” HÁ 50 ANOS ! AVANTE !!!




Neste momento político difícil por que passa o país sob o comando do PRESIDENTE BOLSONARO, trazemos o registro histórico de nossa atuação pioneira no jornalismo, com determinação e idealismo a favor da participação política do jovens na construção da Nação Brasileira.

No jornalismo, tínhamos coluna diária no jornal “DCI - DIÁRIO DO COMÉRCIO & INDUSTRIA”, além de colunas semanais nos semanários “Shopping News” e “City News”, da capital paulista. 




Dessa atuação jornalística resultou o livro “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO”, em 1970. A coluna diária pregava a participação da juventude na mudança política que o Brasil estva vivendo sob o comando do PRESIDENTE MÉDICI.

Hoje - 50 Anos depois ! - o Brasil está vivendo um novo período positivo de cidadania e nacionalismo positivo. Acertadamente, o PRESIDENTE BOLSONARO disse que foi o PRESIDENTE MÉDICI  o último PRESIDENTE DO BRASIL  a ser aplaudido em um estádio de futebol. Verdade! E estamos a ver a repetição desse fenômeno político: o PRESIDENTE BOLSONARO repetidas vezes é APLAUDIDO quando comparece nos estádios de futebol. Será que é um recado do povo ?!?

Em 1970, eu editava o jornal “VANGUARDA DE BOTUCATU” - “o jornal jovem para a nova Botucatu!”. E a matéria sobre a importância do então PRESIDENTE MÉDICI obteve excelente repercussão. Por oportuno, trazemos a manifestação do então comandante do IIº Exército sobre o lançamento do livro “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO”.




O livro obteve expressivas manifestações de apoio:

"Ao jovem amigo Armando M. Delmanto cumprimento cordialmente, agradeço a remessa de "A Juventude: participação ou omissão" e formulo meus melhores votos para o prosseguimento de sua carreira de jornalista e de escritor preocupado com os problemas dos jovens de nosso país. Lucas Nogueira Garcez — Ex-Governador do Estado de São Paulo e Presidente do Diretório Regional da Arena. S.P. 22/08/70".

Lucas Nogueira Garcez — Ex-Governador do Estado de São Paulo

“A Juventude: participação ou omissão”: Com 118 páginas, o livro traz os principais artigos publicados na coluna diária “A Juventude”, no prestigioso jornal da Capital, “Diário Comércio & Indústria”. Foi durante o ano de 1969 essa experiência jornalística de escrever diariamente temas do dia a dia, reivindicações dos jovens, busca de espaço político, análise dos grandes acontecimentos políticos do mundo, etc. Ao publicar os principais artigos escritos, sempre se busca os temas referenciais, ou seja, busca-se colocar a atividade jornalística como uma formadora de opiniões, uma delineadora de rumos, uma crítica construtiva a favor do aperfeiçoamento da cidadania... Com o livro “A Juventude: participação ou omissão”, foi assim. Nos dizeres escritos na contracapa, todo o perfil do livro: “A juventude, hoje e urgentemente, tem que se compenetrar de que é a equação e a solução de toda uma problemática. Somente a juventude pode, sem o niilismo da esquerda e a inércia da direita, realizar a missão de soerguimento moral e estrutural da Nação Brasileira, até agora preterido pela ausência e inconsequência da própria juventude...”AD. 
Na apresentação do livro, o Prof. Francisco Carlos Sodero, professor de português do Colégio Dante Alighieri, escreveu: “O jovem Armando Moraes Delmanto reúne, em livro, uma série de artigos publicados na imprensa paulistana, através do “Diário Comércio & Indústria”. Todos eles pertencem à sequência “A Juventude”, o que já de início revela suas tendências, suas preocupações, sua problemática. Desarvorada, em grande parte, no mundo todo; guiada por falsos líderes, repetidores de “slogans” insignificativos, a juventude de nossos dias revoluteia pelas praças públicas, à procura de algo que lhe sacie a sede e a fome de verdade e de substância. Suas mais generosas energias, desperdiçam-nas em passeatas reivindicatórias de ninharias, de nugas anódinas. Armando Moraes Delmanto, desde 1963, fundando o “Tribuna do Estudante”, em Botucatu, vislumbrava a necessidade de uma orientação sadia, no sentido de democraticamente satisfatória, para os jovens de sua geração, e, desde essa oportunidade, não esmoreceu. Pelo contrário, ano a ano vem desenvolvendo suas atividades no sentido de procurar a solução dos problemas da juventude, sem o que não haveria base para a estruturação de um pensamento...” 

E no prefácio, escrito pelo jornalista Paulo Zingg, Presidente da API - Associação Paulista de Imprensa, o retrato da mensagem jovem do livro: 
“Neste livro, coletânea de artigos escritos em jornais, Armando Moraes Delmanto apresenta o seu depoimento de jovem sobre a juventude. Autêntico, vivido, real, sincero e brasileiro. Não é um alienado, adotando teorias que não encontram guarida nos seus países de origem, nem aceitando valores estranhos para a solução de nossos problemas. Porta-voz de uma geração, homem do interior com vivência política, universitário, Delmanto é, acima de tudo, um revolucionário capaz de mudar de atitude em face dos problemas, como diria Alberto Tôrres, para equacionar os desafios nacionais nas grandes linhas da modernização, da revolução tecnológica e da indispensável democratização da sociedade. E de apontar à juventude os grandes rumos, de desfraldar as grandes bandeiras e de rasgar os grandes horizontes...”
“A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO” – edição de 1970:

"A Juventude: participação ou omissão”. 
"A Juventude: participação ou omissão”. Querido Armando — Obrigado. Parabéns — Parece um sonho. Mas é uma realidade. O menino de ontem, o jovem de hoje, o homem de amanhã! Parabéns! Continue. Gratíssimo. O Senhor o ilumine e lhe dê coragem sempre. Seu velho amigo arcebispo. Frei Henrique Golland Trindade. Btu. 29/09/70”.
Dom Frei Henrique Golland Trindade - Arcebispo Metropolitano de Botucatu

"Prezado Armando. Ao meu ex-aluno e hoje amigo agradeço as provas de consideração e respeito que tem me dado enviando-me regularmente o "Vanguarda" e agora o seu livro "A Juventude: participação ou omissão". Como professora sinto-me plenamente realizada diante do que você está fazendo pelos jovens, pelo Brasil e pela humanidade. Embora tenha contribuído com multo pouco para sua formação, um ano somente, muito me envaideço de tê-lo na conta de meus ex-alunos Que este entusiasmo jovem e sadio contagie os bons e os leve a grandes empreendimentos para o bem da humanidade, grandeza de nossa Pátria e orgulho de nós, os velhos, que participamos dos seus ideais. Com toda admiração, os meus agradecimentos. Profa.Jair Conti. Btu. 21/06/70".
Profa.Jair Conti



O momento de mudança política chegou! O momento é agora! Demitindo ministro general ou mudando o presidente do BNDES, o PRESIDENTE BOLSONARO está marcando a sua atuação política na construção do BRASIL que todos queremos!  E a sua presença é aplaudida nos estádios de futebol e nos mostra a necessidade de avanços e reformas para um grande futuro para o Brasil!

“BRASIL ACIMA DE TODOS, 
                      DEUS ACIMA DE TUDO!”

setembro 23, 2017

VANGUARDA DE BOTUCATU: O SONHO NÃO ACABOU!

O SONHO NÃO ACABOU
Com o lançamento do jornal “VANGUARDA” – O JORNAL JOVEM PARA A NOVA BOTUCATU – começávamos a lançar a base que iria fechar seu ciclo em 1976... Inspirados no jornal “O PASQUIM”, fizemos um jornalismo ousado e moderno. 









 Era feito por uma equipe inesquecível de colaboradores que tiveram seus nomes gravados no livro “O SONHO NÃO ACABOU”, lançado em 1988, como forma de registrar essa grande empreitada jornalística a favor da mudança política em nossa cidade. O prefácio foi do saudoso escritor botucatuense, Francisco Marins e o jornal teve como padrinho o também saudoso escritor botucatuense, Hernâni Donato.
O prefácio do escritor Francisco Marins é uma preciosidade. A Noite de Autógrafos foi um acontecimento cultural, realizada na LIVRARIA PAPIRUS, mostra a presença participativa de seus primeiros colaboradores e convidados:


REGISTRO HISTÓRICO:

O lançamento do livro "O Sonho Não Acabou", coletânea de artigos publicados no jornal "Vanguarda de Botucatu", contou com a presença do Dr. Francisco Marins que fez o prefácio do livro, abaixo transcrito. O ilustre escritor botucatuense foi Membro Efetivo da Academia Paulista de Letras, tendo ocupado por duas vezes a sua presidência sendo, ao depois, seu Presidente Emérito. Ele e o saudoso escritor Hernâni Donato são Patronos da Academia Botucatuense de Letras.





SOBRE UM JORNAL E UMA ANTOLOGIA
O estudo da história da imprensa interiorana e da participação de seus principais órgãos é indispensável ao conhecimento da evolução de nossa sociedade e da sua afirmação humana, econômica e político-social.
Infelizmente, porém, poucos municípios brasileiros guardaram, em seus arquivos, exemplares das publicações jornalísticas que compõem a sua memória local, a serviço da coletividade. São Paulo é, dentre poucos de nossos Estados, aquele que mais cogitou da importância para as futuras operações, da preservação desse enorme acervo, já relatado nos estudos de Lafayete de Toledo, Afonso de Freitas, Carlos Rizzini e Freitas Nobre e, também, quando fundou o Centro Paulista de Pesquisa e Memória da Im­prensa. A este se filiou, por largo empenho, o saudoso conterrâneo - jor­nalista Gastão Thomaz de Almeida, descendente de família botucatuense, com destacada atuação, no passado da imprensa local: Levy, Genésio e João Thomaz de Almeida.
Por ocasião da mostra - "Imprensa do Interior - 100 anos de his­tória", realizada na Biblioteca Mário de Andrade, escrevia Gastão Tho­maz de Almeida, autor da obra "Imprensa no Interior" (1983), que aquela exposição deveria merecer apoio e estímulo por parte dos estudiosos, leito­res, sociólogos, escritores e poetas, pois o jornalismo, que tivera seu pioneirismo em Sorocaba, desde 1842, mesmo com modestos e despretenciosos jornais, abria espaço para a iniciação literária e para a maior divulgação de inúmeros talentos, que certamente ficariam no anonimato.
Botucatu, neste aspecto, é também digna de estudo. Um levanta­mento da história de nossa imprensa, tarefa ainda por se realizar, rastreando a trilha já aberta pelas "Achegas" de Hernâni Donato, colocará a cidade, em posição de destaque - pela qualidade do material impresso, multiplicidade dos órgãos jornalísticos, longevidade, postura cultural, va­lor dos artigos e, também, incentivo ao comparecimento de novos traba­lhadores das letras.
Não iremos nomear quantos foram os periódicos: jornais, revistas, almanaques, que se publicaram - alguns de vida efêmera, outros mais du­radouros e dos colaboradores que, através de suas páginas, granjearam afirmação e, posteriormente, alçaram vôos mais altos, até com projeção nacional.
Vanguarda, o periódico sobre o qual nos incumbe falar, apareceu em 1970, com um programa definido e, como toda obra de moços, a alardear vanguardismo, que nascia do próprio nome e da esperança dos jovens que a criavam. Enfatizou, desde logo, o seu propósito cultural e passou a acolher e estimular crônicas, artigos, poesia e matéria literária, dando incentivo também, a autores iniciantes. Procurava interpretar o espírito de uma ge­ração e apontar caminhos. Feitura gráfica razoável para a época e até com duas cores de impressão. Textos artesanalmente trabalhados. Boa revisão. Alguns avanços de crítica político-social...
Tudo isso fez que o milagre da sobrevivência se realizasse por uma década, quando o rol de novas publicações indica vida curtíssima para a maioria dos títulos.
Armando Delmanto, idealizador e mola propulsora de Vanguarda, descendente de velho tronco de militantes da nossa imprensa e da vida política de nossa cidade como Dante, Aleixo, Antônio e Osmar, ao avaliar o desempenho daquele órgão, diz hoje, com o mesmo entusiasmo "o sonho não terminou". Com coragem e fibra, Delmanto reafirma que valeu a pe­na lutar e que, mesmo sem barretadas à política partidária, é possível ir-se à frente, embora os nomes dos órgãos jornalísticos passem a ser outros. Nós porém, lembramo-nos da sentença latina: "Ad augusta - per angusta..."
A sua idéia de reunir em livro material publicado ao longo dos anos de Vanguarda se não é original, pelo menos é incomum: uma antologia dos colaboradores mais ativos. É forma de guardar, de modo mais duradouro, o que se tornou efêmero no dia-a-dia da vida jornalística. A matéria ora coletada é díspar e sem um fio de unidade, como conseqüência das multifaces da publicação. Mas dá pra ver que alguns dos colaboradores foram originais e inovadores, ora dando vazão a anseios pessoais, ou até atirando farpas, com as críticas humanas e sociais. Outros escritores, já donos de um estilo e cultura, como sempre tivemos no jornalismo local, apenas par­ticiparam numa forma de incentivo, à novel publicação.
Para alguns o princípio, pra outros reafirmação. Juntos, porém, de­ram um testemunho válido, que esperamos seja reavivado com o apareci­mento desta antologia - a qual certamente recordará um belo momento cultural de Botucatu.
Cumprimentos ao Armando Delmanto e a cada um dos colaborado­res cujos nomes aqui não reproduzimos, mas que estão em destaque no índice do pórtico desta obra.
Percebemos, também, que o "sonho, efetivamente, não terminou" pois há o nascimento de um novo órgão - a Folha de Botucatu - carregan­do um nome que já foi legenda em nossa terra, nos tempos de mestre Pedro Chiaradia e da geração que ele, com tanta sabedoria, soube incentivar. Es­peremos que o idealismo de Vanguarda continue e permaneça!
Francisco Marins
("O Sonho não Acabou"/Agosto/1988)

Por entender que o "Vanguarda de Botucatu" representou o espírito de uma geração que soube assumir o compromisso com seu tempo é que estamos promovendo a divulgação do que foi o Vanguarda, com a reprodução de alguns artigos dos muitos colaboradores que teve.  Artigos que foram um marco, ficaram na história da imprensa botucatuense. E mostramos, abaixo, o layout da coluna social (“Acontecências”, idealizada por Olavo Pupo e que teve enorme influência na juventude botucatuense por muitos anos. No início, feita pelo Olavo e a Rita Pedrosos, foi comandada também por Claudia Pedroso, Totica Pedros e Andrea Morato e Fernando Amando de Barros) FOI OBJETO DE FORTE RESISTÊNCIA DE SETORES TRADICIONAIS DA COMUNIDADE BOTUCATUENSE POR SUGERIR UM “MEMBRO GENITAL”...rsrsrs








O "Vanguarda de Botucatu", já o dissemos, não acabou em 1980.  Ele continuou através do "Jornal de Botucatu", fundado em novembro de 1980.  O "Jornal de Botucatu" surgia como um jornal bi-semanário, sem engajamento político, mas com uma linha definida de defesa da comunidade.  Foi o primeiro jornal feito no linotipo em Botucatu à partir dos anos 70.  Até 1980, os nossos jornais eram feitos no tipo, com exceção do Vanguarda, sempre feito fora de Botucatu por problemas de perseguições políticas dos poderosos de então.  Pois bem, em 1980 , trouxemos para Botucatu a Gráfica completa do Ariosto Campiteli, de Bauru, que passou a ser sócio do jornal recém criado.  Hoje, a Revista Peabiru procura manter a mesma linha de atuação, mobilizando a nossa comunidade, convocando a "intelligentzia botucatuense", enfim, construindo a nossa cidadania. O prefácio de Hernâni Donato e seu artigo comemorando os 10 Anos do “VANGUARADA” e + os promeiros artigos da equipe jovem de colaboradores é um precioso acervo de nosso jornalismo:





"Um Voto Esperançoso...Mais Um
Rapazes: o diretor do jornal não brinca em serviço.  Chegou e mandou: Vanguarda quer inovar.  Sacuda a nossa moçada.  Dê-lhe um plá dosado para os males de Botucatu.
Bom, não tenho receituário para uso dos moços que insistem em abrir o seu caminho dinamitando a estradinha aberta pelos mais velhos.  Mas concordo em que para Botucatu, o momento, mais do que nunca, é o de balançar a roseira.  Mais do que nunca porque ela goza de privilégio único de receber, de golpe, o enriquecimento do sangue novo de milhares de universitários.  Gente de sangue quente, às vezes descontrolada exatamente por causa do sistemático "pé na tábua"em que vive, mas de cuja generosidade é possível esperar tudo.  Mesmo aquilo que é mais necessário para a cidade: giro de duzentos graus na bússola do comportamento coletivo.
Vou lhes dar 3 diagnósticos para um mal que é típico da gente serraçumana.
1º ato: Cornélio Pires, no palco do Casino, fim dos anos 30: "é difícil entender este povo.  Gosta das minhas piadas porque ri de estourar.  Mas não move as mãos, não aplaude.  É frio!".
2º ato: um humilde botucatuense que nos anos 40 chegou a campeão brasileiro de um certo esporte: "o pessoal, lá na terra, parece que tem vergonha de me cumprimentar.  É onde menos sou festejado!".
3º ato: d. Frei Henrique, anos 50, assistindo a um bem organizado desfile cívico-religioso, ali na Cel. Moura:  "Aplaudam.  Vamos aplaudir, ó povo frio.  Não sabem o trabalho que dá?".
Tradução: se a rapaziada que forma com a Vanguarda ou em torno dela - excluída toda e qualquer conotação político-partidária - tem mensagem ou acredita tê-la e quer fazer algo pela cidade, não espere compreensão, nem aproveitar fundamentos existentes. Comece da base, feche os ouvidos, abra os olhos, veja as nossas lições mais práticas da história local e geral.  E construa o legado da sua geração.  Não espere aplausos.  Haverá exceções, busca de diálogo, oferecimento de ajuda que afinal os voluntariosos estão em toda parte.
Se a bandeira da Vanguarda é fazer e renovar, não atacar ou destruir, tem um  campo largo pela frente.  E merece o apoio de quem sente que é preciso mudar a mentalidade para não ter que mudar de cidade.  Espero que Vanguarda, liberta de ganchos políticos que a limitem e imobilizem, tenha forças para resistir aqueles que vão tentar destruí-la, pela omissão; negá-la, pela tentativa do ridículo; esfriá-la, pela inércia com que gelaram tantos outros empreendimentos igualmente generosos; desviá-la pelo descrédito organizado e sistemático.  E que ajude a repor Botucatu entre as primeiras das nossas cidades.  Se ela perdeu - quem negará que ela tenha perdido lastro, infelizmente? - foi só por culpa da sua gente.  Gente que brinca com o futuro, com o voto, com as lideranças.  Estou exagerando?  Voltem a cabeça e vejam as conquistas e realizações dos últimos 10 ano.  Individualizem os seus idealizadores.  A constatação será melancólica.
Por isso - sem que isto signifique pronunciamento político ou grupal, mas apenas mais um voto de esperança, confio em Vanguarda.  Como em todo movimento de juventude.  Nós já tivemos freios demais.  Precisamos de bons aceleradores.
Toque aqui, Vanguarda !  Prá frentex, gente."

O posicionamento de Hernâni Donato não deixa de ser uma aula de sociologia "botucuda".  Era o quadro, sem tirar nem por, de nossa sociedade sedimentada mas com falta de perspectivas para o futuro...
No 10º aniversário do "Vanguarda de Botucatu", em 1980, mais uma vez a palavra amiga e incentivadora de Hernâni:

"Pelos Primeiros Dez Anos de o "Vanguarda"
Segundo as agências de propaganda, um jornal atinge a maioridade ao superar a marca do ano de publicação.  Este período está para o jornalismo, assim como o nada saudoso "mal de sete dias"estava para crônica da mortalidade infantil nos velhos tempos.  Mas, quando se trata de jornal interiorano, elas, as agências, exigem três anos de publicação.  Aí sim, passam as folhas caboclas a gozar do "status" de jornal a merecer conceito, às vezes até uma programação que lhe oxigene os pulmões financeiros.
Pois o jornal do Delmanto está quebrando a barreira dos dez anos.  Mesmo quantos não subscrevem a linha política que le imprimiu ou imprime ao "seu" jornal, hão de parabenizá-lo por vir respondendo ao gongo que tiranicamente o convoca para novos assaltos dessa luta sem intervalos que é o fazer imprensa.  Principalmente - isto já é um refrão mas nem por isso é menos verdade - principalmente, imprensa interiorana.
Quantos amem Botucatu e respeitem o jornalismo - uma das formas de manter dignas as comunidades - hão de fazer coro ao nosso voto: o de que, pelos decênios em fora, o Armando saiba fazer bem o seu jornal.  E seja feliz com ele e por ele".

No primeiro número do "Vanguarda", mandavamos o nosso recado:



  "Os Moços e os Fatos

Os fatos estão aí, e os moços também. Os fatos revelam que as oligarquias faliram, as oligarquias políticas, econômicas e sociais. Perderam completamente o contato com a gente, com os cidadãos, com os seres humanos que vivem neste país. E, talvez, coisa muito mais séria - porque causa do primeiro fenômeno, perderam o contato com a realidade brasileira. Velhas elites políticas, carcomidas por vícios e erros que se enraizaram no fundo da terra, de cerne enrijecido, e que não podem vislumbrar o horizonte, nem mesmo a fimbria dos resíduos dos problemas, como diria o velho mestre Bérgson.
De outro lado estão os moços. Em primeiro lugar seu número pesa na demografia brasileira. São mais de 60% de nossa população. Ainda mais, desde a era getulesca, não tiveram oportunidade de realmente se realizarem, numa política estruturalmente organizada. Ou foram levados por caminhos escusos, para a demagogia populista, ou foram marginalizados, para que os velhos pajés da carcomida demagogia eleiçoeira, utilizando-se deles, galgassem os galarins do poder.
Esta é uma hora de renovação. Não apenas de renovação de estruturas políticas, porque estas não se fazem no papel. Mas de renovação de valores humanos, colocando no lugar certo aqueles que podem dar à Nação o trabalho e a revitalização dos costumes políticos. A quem entregaremos os destinos da Nação; a quem entregaremos o comando da política e da administração da coisa pública? Aos que foram responsáveis pelo atual caos político; aos que surgiram (politiqueiros e politiquetas) nos vícios e erros do passado?
Aqui não há dúvidas: ou se confia, agora, nos moços, ou chorar-se-á lágrimas amargas de remorsos indesculpáveis".

Hoje, neste artigo, vamos apresentar apenas alguns artigos de colaboradores que marcaram o jornal e algumas de suas principais e criativas capas.  O Alcides Nogueira, já o dissemos, começou a publicar seus trabalhos no Vanguarda e foi um dos destaques da juventude que acompanhou o jornal.  O Nando Cury, a Cláudia e o Olavo Pupo, também.
Havia no Vanguarda, desde o  número, a coluna Acontecências (nome bolado pelo Olavo Pupo) e que trazia os principais eventos jovens da cidade.  No início, era feita por um grupo, tendo à frente o Olavo, depois continuou com a Rita Pedroso, depois dela as suas irmãs Cláudia e Totica e, nos últimos anos, pela Andréia Morato e pelo Fernando Amando de Barros.  A primeira publicação das Acontecências, saiu assim:

  Acontecências nº 1

"Orpheu Nogueira Pinto (Alcides Nogueira) batalhando sua nova peça ainda sem título.
O livro de Armando Delmanto está para sair - aguardem.
Zé Mané em estreito contato com Gilberto Gil, que está musicando alguma coisa bem nossa.
Estréia a nova peça de Leilah Assumpção: Jorginho Machão.
Tico Marques escultor e pintor botucatuense no elenco do Crito Nu.
Neuza Moisés charmisíssima em suas rápidas temporadas.
Fátima Bestetti contratando manecos para uma revista nova de São Paulo.
Piu não se contém de saudades da terra, por isso sempre aqui.
Esperados: Gigi Carnier e Fernando Gurgel.
Você viu o cometa Aquarius?
Badaladíssimo o novo disco dos Mutantes!  A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado.
José Roberto Morato prefere Anhembi para suas temporadas.
Olavo Pupo é vidrado em música sertaneja (não espalhem).
Maga Nepomuceno elegantíssima de botas de cano alto compradas na Prata.
Meire num animado fim-de-semana numa fazenda de Pardinho.
Pedro Bala em Itatinga parecendo personagem de bang-bang.
A bossa é chapéu de palha tipo panamá, cá entre nós em Bofete tem lindos.
Mara Pires Correa confessou-se tão gamada pelas alpargatas do trote da Filosofia que nunca mais deixará de usá-las.
O Recanto do Ypê sempre quente-quente-quente.  Tataio Balarim acontecendo com a turma da pesada.
Nilze Aranha sempre feliz desfilando de carro novo.
Mas bom mesmo é rede para balançar ou sonhar.
Os boys fazendeiros continuam fascinando as turistas.
Minha amiga Lourdinha confeccionando mil colares para a Feira do Artesanato que funcionará na Bosque aos domingos.
Talvez para breve a Missa da Juventude aguardamos notícias TLC.
As disnatias botucatuenses estão maravilhosas na nova geração basta ver o Castelinho.
De Bauru circulando Mirian Tebet veio trazer abraços.
De Campinas Reinaldo Boneco.
Totica Cesar Pedroso telefonando para pedir música e Viva o Som.
Lúcia Lacerda escrevendo contos para uma revista.
Micisa Pardini atarefadíssima com o elegante Chá do Coração.
Existe também o bazer do Coração com artesanatos De Luxe cooperem.
O pessoal da Madureza anda em festas com tantas aprovações.
O Balcão continua atraindo multidões, aliás a melhor peça do ano.
Os boys da terra fervendo em Barra Bonita.
Surgem convites para futuras festas esperamos.
XPTO sacudindo a moçada, música quente - Super Star.
E a boite do CAPS, virá? " 

É um retrato da Botucatu no início dos anos setenta.  Dá para se ter uma idéia do cenário real de nossa juventude naqueles tempos...  No livro "O Sonho Não Acabou", reproduzimos vários artigos de vários colaboradores.  Agora, apenas reproduziremos os artigos do Alcides Nogueira, do Nando Cury, do Olavo Pupo e do Hélio Donato.  Cada um na sua linha, com seu estilo, mas esses artigos, com certeza, ajudam a que se tenha desenhado o perfil dos nossos jovens de então:

"Idealismo Poético
Olavo de Figueiredo Pupo

O idealismo tem que ser poético.  Pedimos ordem e o progresso mas também o amor e a fraternidade.
Que os tratores partam para a Amazônia mas partam sorrindo e passem cantando.
Tudo é bonito - um caminhão que busina: Fé Fé não precisa ter letreiro no parachoque.
Não mais é preciso sair de Botucatu para poder crescer pois agora a cidade cresce  e quem permanece cresce junto.
O plá está aqui mesmo - música sertaneja - chapéu de palha e saber falar CARÇA ARMOÇO.
Ser caboclo é estar por dentro e viver a natureza.
Temos nossos poetas nossa poesia nossa música nosso teatro nossos loucos nossas loucuras.  Alguma coisa no Ar.
Se alguma coisa de novo acontecer terá que ser no Brasil mas não em São Paulo ou Rio mas nas cidades Onipresentes.
Os baianos tem seu movimento nós temos que concretizar o nosso.
O negócio é deixar de lado a sofisticação e fazer alguma coisa.
  ( Vanguarda nº 1, abril/70 )

"O Poster Divino
Alcides Nogueira Pinto

Fotografei todo mundo em branco e preto.  Fotografei todo mundo e todo mundo vai comprar as fotografias.  AVE DINASTIAS BOTUCATUENSES.
O cometa de Aquarius passou sobre a cidade.  Fomos para a serra vê-lo.
O Olavo viu o cometa descer transformar-se num carro alegórico e desfilar desde o Cemitério até o Pontilhão com TodoMundo da cidade atrás dele todas as Gentes todas as peças da cidade.
Eu via a estátua do Pedutãoãoãoão passar O BUSTO do Caxias a Santana Derrubada e o Doutor Costa Leite sair da Misericórdia.
Mais atrás vinha o pessoal do Tênis o pessoal do 24 o pessoal da Churrascaria os De Colores a negada do Caps a turminha do BHC e os que fazem footing na Rua Amando.
É muito bonito ver os colóquios amorosos nos carros ao lado do Nelli depois das oito da noite. BOTUCATU ESTÁ CRESCENDO.
Aqui abunda felicidade.
Aonde foi parar o programa do Miguel onde eu pedia a música da janis Joplin Ball and Chain e eles não tinham onde eles tocavam Caetano toda hora  e a gente berrava que Roberto Carlos era várzea.
Roberto Carlos era várzea.
Roberto Carlos é tão várzea!!!
Eu fotografei Todo Mundo e tudo isso e fiz posters.  Vou vender os posters e vocês vão comprar.
Ainda existia a cejotacê que acabou não sei porque e ficou sem ver você.
O Zé Mané vai de vermelho atrás do cometa de Aquarius.
A estátua do Pedutão é tropicália.  Botucatu é tropicália.
Vi.
Vi e fotografei.
No Princípio era o Verbo.
No meio a fotografia a Fotografia a FOTOgrafia.
No final as damas e senhores de 115 anos vão arrastar mantos e viver de estrelas.  Vai haver festa nos salões tradicionais e rouge nos rostos anormais.
E vou virar Sapo se isso não acontecer.
Em Rubião há uma tôrre e há um campo de aterrisagem de naves estrangeiras.  Invasoras.
Somos filhos da serra e filhos dos deuses e os Deuses eram Astrounatas.
Eu fotografei os deuses. Os Deuses e não consegui fazer os posters.
(Vanguarda de Botucatu nº 2, maio/70)

"Botucatu - Anos 60
...E o Sonho Não Acabou,
Apenas Adormeceu!
Nando Cury (Luiz Fernando Cury)

Beatles e sua ideologia
Reunião de toda a família
Tardes dançantes com Q Suco
Cristaleira, porta-chapéus, o cuco
Dia de aniversário
Empinar papagaio
Namoro nas matinês
O curso de inglês
A paquera no Bosque
Gibi, pé de moleque
O jogo de botão
Lageado e Rubião
O time de futebol
Ver o por do sol
Conjunto de música e festival
Escolas de Samba, blocos de carnaval
As excursões e os pic-nics
Cabra-cega e o jogo de bétis
Carrinho de rolemã
Dia de Reis - romã
Andar de bicicleta
A vida de atleta
A beira da piscina
Gumex e brilhantina
A missa de domingo
O rancho no Rio Bonito
A praça do Correio
O lanche no recreio
"Soldado e Ladrão"
Festa de São João
Chicletes de bola
O uniforme da escola
A fé e a procissão
A primeira televisão
Um antigo perfume
Içá e vagalume
Longas férias afinal
Divertimentos no quintal
A presença dos avós
A engraçada mudança de voz...
A cidade era grande aos nossos olhos, mas a amizade era maior.
As paixões vinham e se sucediam de modo rápido e inesperado.
A saudade se fazia doída e a ansiedade curtida ansiosamente.
A esperança era ainda otimista e o futuro muito sonhado e aguardado.
Entre as verdades dessa infanto-adolescência a maior delas é que éramos todos infantis e adolescentes de verdade.
E as coisas, as pessoas, os fatos, os lugares que fizeram aquela época, continuaram e permanecem aí latentes para influenciar, influir, talvez numa revisão geral de sentimentos.  E mais, pedem urgentemente por uma visão crítica, para julgar e selecionar o que realmente é válido experimentar, curtir e viver hoje, no final dos anos 70."

"Crônica à Cidade Amada
Hélio Donato

A GUISA DE APRESENTAÇÃO, MUITO PRAZER....
Oi turma, ói nóis aqui!
Puxa amizade, você não sabe como estamos contente em vir aqui para a Vanguarda, escrever estas "maltraçadas" linhas.
Como é bacana fazer parte desta equipe capitaneada pelo amigo Armandinho, rapaz culto e de valor, de muitos méritos, entre os quais, dos mais apreciáveis, dar a Botucatu este jornal que é o fino do jornal, moderno, jovem, bem a altura de uma cidade universitária.
Rapaz bondoso esse que nos concede uma coluna para escrevermos, bem ao nosso estilo, sobre a cidade amada.
Esse "ao nosso estilo", é muito importante e digno de registro ao amigo leitor, posto que escrevemos o que sentimos, na hora em que sentimos, sem nenhuma preocupação literária (qué-qué-isso, minha gente...) por vezes deixando escapar alguns errinhos de português pelos quais, desde já, antecipadamente previno: quem me der a honra da atenção, que me aceite assim, né Armandinho e aqueles-outros, ciosos dos escritos imaculados, que procurem os grandes clássicos grandes gramáticos que andam sendo procurados pelo caboclo Mamado.
Pois é do alto desta colina, digo coluna, que vamos falar sobre as coisas de nossa Botucatu, das gentes, das acontecências, dos seus bons ares e das suas escolas.
E como hoje é dia de festa (para mim, é claro) e ao ensejo que se nos depara agradecemos aos prezados leitores vanguardistas que nos apoiam e também ao moço Armandinho e aos que forem do contra, previnimos "se alguém tiver algo a declarar, que o faça agora ou cale para sempre".  Falei?
Nada mais havendo a se tratar, damos por encerrada a presente e primeira crônica, que depois de lida e achada conforme, vai por mim assinada juntando a ela a promessa para uma nova apresentação, no próximo número, aqui mesmo, e quando o Moacir quiser, né?
Tchau!"
(Vanguarda de Botucatu nº 19, agosto/72)