fevereiro 13, 2011

egito@povolivre.com

Foi uma revolução? Uma insurreição armada? Potências estrangeiras insuflando e mobilizando a população? O Exército queria mais poderes?

NÃO. Nada disso...

O povo conectado através de suas lideranças naturais, a juventude motivada, famílias nas ruas, multidão crescendo, o repúdio à violência, o acerto de contas e o prazo expirado de um Ditador e de um Regime que há 30 anos oprimiam e calavam um povo de tradições de lutas e de exemplos de heroísmos. Foi o fim de uma era de opressão! Caiu o Ditador. Renunciou ao poder que tivera. Fugiu...

Simples assim?!?

Sim, simples assim e surpreendente! Mágico! Vozes que chegavam aos lugarejos, às aldeias e que vibravam na periferia do Cairo. A arma mortal era aparentemente inofensiva. Ela conectava pessoas, levava rapidamente notícias, relatava online a espectativa de um mundo todo acompanhando as esperanças de uma Nação inteira. A Aldeia Global se corporificava no avanço tecnológico da comunicação via internet...

Mas havia a pobreza, o descontentamento dos oprimidos, a oposição dos cidadãos prestantes, havia a exploração dos governantes, havia a corrupção dos pulhas, sim, os ingredientes da opressão que são os mesmos de inúmeros povos do planeta terra. Mas aqui havia essa nova chama da liberdade de imprensa , da liberdade de expressão que constroe a Democracia, dá voz aos mais fracos e castiga os malfeitores do serviço público...



O globo/leia aqui

estadão/leia aqui

A imprensa nos mostrou, desde o início, a mobilização crescente e...diferente. Tendo levado o presidente dos EUA a afirmar, com admiração, que vira, via internet, na praça da vitória, famílias inteiras com seus filhos pequenos e, também, jovens, muitos jovens! Era o Egito redivivo a cobrar os seus direitos e a resgatar a sua honra!

NO PASSADO, UMA HISTÓRIA DE VITÓRIA DIFERENTE...

Como a grande maioria dos brasileiros, eu também acompanhei essa explosão de cidadania! E fiquei com a certeza de que uma mobilização daquele vulto, com gente surgindo de todos os lados não seria, não poderia ser obra de uma revolta organizada, adrede preparada, não! Foi obra das mensagens rápidas para uma população que tinha uma liderança natural que, esta sim, já estava conectada e acompanhava o que acontecia no mundo todo. E lembrei-me do fim da opressão para inúmeros países com o desmoronamento do Império Soviético.

Ninguém imaginava, à época, que seria possível ruir como ruiu a União Soviética. Poucos lhe faziam oposição, os intelectuais engajados silenciavam quando a bota e os tacões dos invasores soviéticos humilharam os húngaros e invadiram a antiga Checoslováquia! Houve, sim, um silêncio sepulcral da grande imprensa brasileira quando, iniciante no jornalismo, escrevemos em jornal da capital paulista, a nossa revolta contra aquele massacre e contra o silêncio conivente das cabeças pensantes engajadas ou simplesmente medrosas.

O artigo “TIREM AS PATAS DAÍ ! ” retratou a barbárie da invasão soviética. E, no ano de 2010 – 40 anos depois ! – fomos ver, in loco, a realidade da agora República Tcheca. E pudemos repetir as palavras daquele artigo/protesto:
“As patas e os tacões indesejáveis e indesejados continuarão a conspurcar o solo livre: o checoslovaco. Sim, livre, porque ninguém mata a liberdade. Nem tanques, nem canhões, nem patas de cavalos. E um dia a mocidade desse país, espelho para o mundo, gritará com toda a força de seus pulmões: svoboda, svoboda! (liberdade, liberdade!)”




Checoslováquia/leia aqui

No ano passado, após a visita à antiga Checoslováquia, escrevemos o artigo “Checoslováquia: Svoboda, Svoboda !”, e o unimos ao artigo escrito há 40 anos: “Tirem as Patas Daí!”. Os dois testemunhos passaram a fazer parte da matéria “ A INVASÃO DA CHECOSLOVÁQUIA” que foi divulgada com muito orgulho em livro e no meu site na internet.

O “DAY AFTER” DO EGITO !

Para os grandes estudiosos, para os cientistas políticos, para os analistas políticos da imprensa mundial restou uma enorme e surpreendente surpresa. A praça da vitória continuava com a população se confraternizando, mas lideranças que mantinham contato com a imprensa do mundo todo que estava acompanhando o grande protesto, tão logo chegou a notícia da renúncia do Presidente Mubarak e de seu vice, comunicaram: o protesto acabou!

E, em uma cena inédita, populares a varrerem o chão, limpando pichações, lavando estátuas nas ruas e na praça. E tudo num clima de grande euforia e comemoração, crianças subindo nos tanques de guerra, soldados irmanados à população! E a operação limpeza era espontânea, como a dizer ao mundo que tudo acompanhava, que o povo estava consciente do que fizera e, agora, era a hora da mobilização positiva. Um cartaz, em inglês, levantado por um cidadão na praça, dizia tudo: “Desculpem. Estamos Reconstruindo o Egito !”

4 comentários:

Anônimo disse...

Boa tarde, amigo Delmanto! Quero parabenizá-lo pelo seu blog, principalmente por sua visão profunda da situação egipcia e mundial, e seu artigo sobre o Sarney. Não sei se leu meu pequeno artigo no Diário, na quinta-feira passada, mas mencionei "uma ponta de inveja" ao ver a garra daquela juventude a lutar nas ruas por uma liberdade democrática, quando por aqui faziam arruaça por causa de...futebol! Quando veremos de novo os "cara-pintadas" (reedição piorada da juventude de 60 e 70) sairem às ruas com a mesma garra para exigir uma VERDADEIRA varredura no país? Emblemática é a cena que você mencionou, dos cidadãos limpando monumentos e exibindo cartazes "estamos reconstruindo o Egito" ! Quando é que vamos expelir o lixo acumulado debaixo do tapete? Melhor dizendo, quando vamos abolir os tapetes que só servem para isso?
E ficamos por aqui, como você mencionou, no protesto cidadão de longo prazo, no mínimo solidários com os corajosos Arnaldos Jabores, Carlos Alexandres, Boris Casoys e etc. que acabam sendo pregadores num deserto de incapacidades e incompetências intelectuais e políticas. É claro que temos gente boa. Mas porque são tão covardes? E nós? Dentro de nosso mísero nicho, como poderíamos tentar sequer mudar as coisas?
Abraços, e desculpe o desabafo.Sebastião.
jspmendes@hotmail.com

Anônimo disse...

Olha, foi uma grande emoção. Eu e toda a família acompanhamos tudo. É sabido que para uma multidão mobilizada com emoção não existe líder ou comandante que direcione a massa. E o que vimos foi uma multidão totalmente emotiva ocupando toda a parte central da cidade do Cairo e tudo terminando com comemorações e confraternizações. Ficará na história das Nações que retomam os seus destinos. O Comando Militar tem o poder, mas não são loucos de quererem permanecer. Dois motivos, um é a motivação da população egípcia e o outro é a posição dos Estados Unidos, aliado e padrinho/mantenedor da economia do país. A democracia começara dando seus primeiros passos e, com a força daquele povo, ainda será uma Nação Modelo para os outros países árabes.
(carlosantoniomascarenhas@yahoo.com.br)

Anônimo disse...

É mesmo, a primeira revolução via internet, uma revolução limpa. O terreno era fértil para a revolta, mas foi a rapidez com que foram conectadas as lideranças civis para a mobilização da população. Foi incrível. Acho que as Ditaduras do mundo todo devem ficar preocupadas. Pena que em Cuba nem a internet chega, lá é um Estado Policial. Mas a tecnologia ainda vai acabar com a “mamata” dos irmãos Castro: 50 anos de Ditadura! E Fidel ainda é o ídolo para o Zé Dirceu, o Hugo Chaves, o Genoíno (do mensalão), o Delubio e outros menos conhecidos...Eco!!!
(jair.castro66@yahoo.com.br)

rebloggando-requeri disse...

comovente a ação do povo no egito.
revolta puramente popular. mobilização do povo sem interferência ou indução de qq partição da sociedade que teve início aqui, na internet.
sou maluca por esse mundão sem dono.

é isso.

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