março 08, 2011

GRANDE ÓPERA POPULAR !

“Seria difícil imaginar um auditório com 60 mil pessoas assistindo a uma ópera, mesmo num palco a céu aberto. Mas não numa ópera popular. Nesta, o palco é móvel e múltiplo. Os atos são móveis e múltiplos. Cada ato desliza com seu cenário e seus figurantes nesse palco móvel. O libreto conta o enredo que é cantado por um coro de milhares de vozes junto aos tenores populares, em carro próprio de som. Assim é o desfile das escolas de samba: uma ópera popular...” César Maia.

O Carnaval das Grandes Escolas de Samba, do Rio e de São Paulo, é a Grande Ópera Popular. Com mais de 60 mil pessoas assistindo ao vivo e milhões de outras pelo mundo todo assistindo, através do “flash” do melhor momento do desfile de cada escola, pela televisão e pela internet. Nessa Aldeia Global, consolidada pela revolução da informação, o carnaval das grandes escolas é o grande espetáculo: é a Grande Ópera Popular!



E César Maia conseguiu definir com maestria essa grande festa popular. Ele que recentemente deixou a Prefeitura do Rio de Janeiro é considerado um grande administrador público. Com certeza, o melhor do Rio depois de Carlos Lacerda. E ele vem de uma linhagem política que teve acertos e erros, marcando por muitas gestões o Estado do Rio de Janeiro. Começou como assessor e depois Secretário de Leonel Brizola, de quem depois se afastou. E foi sucedido pelo atual prefeito Eduardo Paes, que começou com ele, como assessor, depois Secretário e depois se afastou. É a vida...

Ópera Popular/aqui

Mas a ele, César Maia, o Rio deve a criação da Cidade do Samba e da Cidade da Música. Além de uma administração que deu nova “cara” à cidade maravilhosa.

Pois bem, na administração de Leonel Brizola, havia um gênio raro: Darci Ribeiro. Foi o sociólogo brilhante que se especializou no estudo do Brasil e conseguiu captar a verdadeira “alma” do que temos, hoje, como “a raça brasileira”. Surgiram da imaginação de Darci e da arte de Niemeyer os famosos CIEPS (prédios das escolas de tempo integral) e o Sambódromo, que viria realmente formar e consolidar o carnaval como a Grande Ópera Popular! Hoje, é a Passarela Professor Darci Ribeiro, localização do Sambódromo, na avenida Marquês de Sapucaí.

Cidade do Samba/aqui

Cidade da Música/aqui

À partir do Sambódromo do Rio, vieram o Sambódromo de São Paulo (no Anhembi, o Espaço Cultural “Grande Otelo”), também criação de Niemeyer, e muitos outros com menor proporção e destaque por todo o Brasil...E o carnavalesco Chico Spinoza, da Tom Maior, definiu bem a diferença entre os carnavais de São Paulo e do Rio: “Carnaval no Rio é cultural (tem o ano todo) em São Paulo é lazer de verão...” Mas ambos, com certeza, são grandes e inesquecíveis shows!

Paradonas da Mangueira/aqui

O SUMIÇO E O RETORNO DO CARNAVAL DE RUA NO BRASIL

Se a nova realidade das Escolas de Samba – com muito dinheiro e organização empresarial --, num primeiro momento, sufocou o carnaval de rua do Rio de Janeiro passaria, quase 3 décadas depois, a contar com o ressurgimento forte dessa manifestação popular na Cidade Maravilhosa. Primeiramente, a movimentação popular se concentrou e foi crescendo na Bahia e em Pernambuco. Com verdadeira multidão (média de 1,5 a 2 milhões de foliões) seguindo os trios elétricos e os blocos carnavalescos. E, nos últimos anos, a explosão popular tomou conta do carnaval de rua do Rio e sem atritar com o grande show das Escolas de Samba. O famoso Bloco da Bola Preta (do Rio) já disputa com o Bloco do Galo da Madrugada (do Recife) a liderança de público...

Carnaval de Rua/aqui

A INFRAESTRUTURA PÚBLICA TEM QUE DAR ASSISTÊNCIA AO POVO

Essa nova realidade do carnaval de rua nas grandes capitais, especialmente no Rio de Janeiro, Salvador e Recife/Olinda, precisa que as respectivas administrações públicas dessas cidades, com planejamento prévio, providenciem a indispensável higienização das vias por onde circulam os blocos, trios elétricos e a população, ou seja, a colocação de banheiros químicos suficientes para que não ocorra mais o que vem sucedendo: após a grande festa popular o mal cheiro e a sujeira transformam esses logradouros públicos no caos de cada comunidade.

Banheiro Químico/aqui

A VOLTA DAS MARCHINHAS E DOS BAILES DE SALÕES

A outra grande vítima do crescimento gigantesco dos desfiles das grandes escolas de samba foi o tradicional baile carnavalesco de salão, com as suas marchinhas populares, em cada cidade de nosso imenso país. Acabou? Não, não acabou... Estava adormecido e, sem atritar também com o espetáculo da Grande Ópera Popular, vão ressurgindo aos poucos os concursos de marchinhas e a participação popular nos bailes de salão, especialmente no interior do Brasil. Isso é bom. Isso faz com que o povo participe também, além de assistir ao grande show carnavalesco da Grande Ópera Popular!
Carnaval é a Grande Ópera Popular!
Mas o Carnaval sempre foi a maior manifestação popular do povo brasileiro!

5 comentários:

Anônimo disse...

A Mangueira deu show! As paradonas da sua bateria chamaram e incluíram toda a platéia no grande espetáculo. Mais de 50 mil pessoas cantando e o silêncio por 20 segundos da grande bateria. Foi de parar o coração! Emoção Verde/Rosa. Essa vai ficar para a história do nosso Carnaval. Mangueira, sempre Mangueira!
(maria-de-lourdes2004@hotmail.com)

Anônimo disse...

Muito bem lembrado o nome do antropólogo Darci Ribeiro. Formou-se sociólogo, com especialidade em Antropologia, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Poucos sabem que, antes, tinha entrado na Faculdade de Medicina. Vendo que não tinha vocação para a medicina, optou pelo estudo das ciências sociais. Educador visionário, estudou profundamente os índios e conviveu com eles. Fundou o Museu do Índio, no Rio de Janeiro. Foi o idealizador do Parque Nacional do Xingu que seria concretizado pelos irmãos Villas Boas. Idealizou a Universidade de Brasília e foi o seu 1º Reitor e também idealizou a Universidade do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro. Estudou a miscigenação do povo brasileiro e escreveu livros analisando, sob o ângulo sociológico, a formação da raça brasileira. Saudades do grande Mestre!
(jair.castro66@yahoo.com.br)

rebloggando-requeri disse...

sem dúvida. desfile de escola de samba é uma ópera em trânsito e a céu aberto. sempre me dei conta disso.
sou adoradora de ópera. as de verdi são as minhas preferidas.

por outro lado, ou pelo mesmo lado ... certa vez, alguém ousou, e resolveu encenar aida de verdi no sambódromo do rio. os puristas enjoados acharam uma afronta por conta da acústica.

é isso.

Anônimo disse...

Comentário oportuno de Requeri. Está levantada a questão. Vamos discutir. Claro que há uma leitura de uma obra para o teatro e outra leitura, com outro ritmo, uma outra linguagem para o cinema. Imaginem então para o Grande Palco Móvel com milhares de pessoas na platéia. O grande brasileiro e maestro Carlos Gomes poderia ter a sua obra “O Guarani” levada no sambódromo do Rio ou de São Paulo. Adaptada, claro. A grande abertura com a imagem do grande maestro e compositor, com os demais carros alegóricos destacando os principais momentos da ópera famosa, com toda a ambientação devida. Seria uma “leitura” dinâmica de “O Guarani” e, garanto, seria de fácil compreensão para o público presente e para todos conectados pela internet ou que assistissem pela televisão. Uma grande idéia. Seria um resgate da obra clássica de Carlos Gomes com uma leitura poética e visionária de um carnavalesco competente. É isso: a Grande Ópera Popular!
(haroldo-leao@hotmail.com)

rebloggando-requeri disse...

de mozart, don giovanni e a flauta mágica, prestam-se a sambódromos. a parafernália da montagem dessas óperas corresponde a belos carros alegóricos.
a flauta mágica mais ainda. alegre, plena de festa e colorido.

é isso.

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