dezembro 17, 2016

1976 – 2016 Vereador/Botucatu - Registro Histórico

1976 – 2016
Vereador
Botucatu
Registro Histórico


Na memorável Sessão da Câmara Municipal, vemos, ao fundo, o vereador Progresso Garcia e, sentados na platéia, o futuro prefeito Jamil Cury e a Dra. Cecília Magaldi.


São 40 anos!

“...Reinício de caminhada. Todo dia é um recomeçar. Todo dia é dia de sonho. Sempre é preciso sonhar. Hoje, recomeçamos...porque o sonho não acabou. O sonho não acabou...
Com o mesmo ímpeto do primeiro artigo escrito em 1963, com a mão trêmula de medo do iniciante mas com o coração cheio de sonho do jovem, reiniciamos a nossa caminhada jornalística... O ano de 1963 vai longe como longe estão os 17 anos do então estudante do 1º científico do Colégio La Salle. Mas o sonho, hoje, tem a mesma intensidade. A nossa geração soube sonhar e viver com intensidade; às vezes o sonho era tão delirante que o sonho de um enroscava no sonho do outro. Mas se sonhava muito. E saia faísca e saia fumaça e saiam fogo relâmpagos e trovões...
Com o mesmo espírito, com o mesmo sonho do iniciante mas, com a segurança de quem já caminhou muito, já tropeçou muito e sempre soube se levantar, é que reiniciamos a nossa caminhada...”


Esse era o espírito em 1976, quando sai candidato a vereador em Botucatu. O MESMO ESPÍRITO porque já havíamos tido a oportunidade de exercemos a nossa cidadania ao sairmos candidato a deputado estadual – sob o símbolo da renovação! – realizando memorável campanha de mudança política na cidade que ainda carregava o ranço de uma política pequena e provinciana.

Aqui abro um parêntese.

O Moço de Botucatu







Com o lançamento do jornal “VANGUARDA” – O JORNAL JOVEM PARA A NOVA BOTUCATU – começávamos a lançar a base que iria fechar seu ciclo em 1976... Inspirados no jornal “O PASQUIM”, fizemos um jornalismo ousado e moderno. 








Era feito por uma equipe inesquecível de colaboradores que tiveram seus nomes gravados no livro “O SONHO NÃO ACABOU”, lançado em 1988, como forma de registrar essa grande empreitada jornalística a favor da mudança política em nossa cidade. O prefácio foi do saudoso escritor botucatuense, Francisco Marins e o jornal teve como padrinho o também saudoso escritor botucatuense, Hernâni Donato.


Pois bem, nas eleições estaduais de 1970, sai candidato a deputado estadual.

RESUMINDO: em 1966, meu pai, Antônio Delmanto, era o candidato natural da cidade a deputado estadual. Com apenas 2 partidos (Arena e MDB), surgia a oportunidade de Botucatu ter um único candidato a deputado estadual, pois a oposição (MDB), através de seu presidente, Progresso Garcia, garantia que não lançaria candidato se o candidato da Arena fosse Antônio Delmanto. A Arena sempre foi um partido de muitas linhas políticas ligadas aos partidos do passado. Com a resistência de Vasco Bassoi em retirar sua possível candidatura, NÃO pode ser feita essa união política para que Botucatu elegesse um deputado estadual para defender seus interesses.
Pois bem, Antônio Delmanto retirou sua candidatura e Vasco Bassoi saiu candidato. O MDB lançou a candidatura de Progresso Garcia. Vasco Bassoi elegeu-se suplente (6º suplente). Antônio Delmanto conseguiu com que o então governador Abreu Sodré, convocasse para o seu governo os deputados eleitos, possibilitando, assim, que Vasco Bassoi assumisse o cargo de deputado estadual. Menos de um ano de exercício parlamentar,  o deputado Bassoi passou a fazer oposição. Essa a razão da minha candidatura. Renovar e “retirar” o político que, a nosso ver, faltara com a palavra dada.

RESULTADO: não consegui ganhar a eleição, pois a candidatura foi bancada apenas por mim e meus colegas universitários mas – com certeza! – cumpriu seu objetivo, fazendo com que eu tivesse, em Botucatu, mais votos que o então deputado Vasco Bassoi, que não se reelegeu... E a “semente” da renovação política ficasse viva na memória da população botucatuense.

Aqui fecho o parêntese.

Como resultado de minha votação como candidato a deputado estadual, em 1976, pregando a renovação política, passei a ser "parceiro" bom na política... O único político que fez campanha comigo foi o meu pai. Eu não aceitava a participação dos outros políticos. Minha campanha era coordenada por universitários da PUC (Direito), tendo à frente o universitário Antonio de Oliveira Moruzzi que presidia um partido na Católica de Direito (PUC/SP) e tinha atuação no interior, pois era de São Carlos.

Em 1972, saiu candidato a prefeito de Botucatu, o Plínio Paganini. E pelo acordo político da situação da época, eu seria candidato a vice do Plínio. E eu não sai. Não quis sair candidato. Não pelo Plínio. Não participei daquela eleição. A eleição de 1970 havia sido muito frustrante, deixando claro que só “com dinheiro” era possível eleger um candidato a deputado por Botucatu, com um eleitorado regional insuficiente para garantir a eleição no então (e atual) sistema político. As reiteradas eleições do deputado Milton Monti, de São Manuel, como deputado estadual e depois federal, é a certeza que a nossa região não poderia eleger, por ela, seu deputado. O deputado Miltinho, apadrinhado do governador Orestes Quércia, tinha e tem votação em todo o Estado. É fato.


Então, o candidato a vice do Plínio foi o Agnelo Audi. Foram eleitos com grande votação. Daí, em 1976, o Lico Silveira saiu candidato, situação também. E eu seria o candidato a vice do Lico, por acordo político também. E eu não aceitei ser candidato a vice. O Monteferrante saiu como vice. Sai vereador com o Meira (Domingos Alves Meira/Álvaro Line Ceriliani). Com isso ganhei a inimizade do Lico Silveira por muitos anos... Fui oposição por muito tempo...



Então, na política de Botucatu, eu tenho uma participação com o Figueiroa, quando sai candidato a prefeito em 1982. Era garantida minha reeleição, mas o Plínio era candidato e lançou o Mário Sartor (empresário da construção civil) em sub-legenda. Então, o PMDB precisou lançar, também, uma sub-legenda.


O Jamil Cury era o candidato, em 1982, com a “onda democrática” representada por Franco Montoro, candidato a governador pela oposição (PMDB). Era uma candidatura imbatível. Mas o outro candidato era o Plínio, ex-prefeito e político popular. Então o Plínio é o Plínio. O homem tem voto. E o Plínio, esperto como sempre, lançou Mário Sartor. E o PMDB passou a precisar de uma sub-legenda...

Sai eu, que fui o vereador mais votado. Do PMDB, eu era o mais votado. Saí candidato a prefeito por sacrifício. Os votos das sub-legendas iam para os eleitos do mesmo  partido. Meu candidato a vice foi o médico Roberto Sogayar. O Figueiroa coordenou a campanha. Passamos a fazer oposição ao Jamil, devido ao apoio (velado) de Lico Silveira a ele, "abandonando" a candidatura do Mário Sartor.  O Jamil elegeu-se com facilidade e a passagem de Montoro por São Manuel, elegeu Milton Monti prefeito, eis que ele saiu por sacrifício, pois o então candidato do PMDB tinha retirado sua candidatura. O PMDB venceu em todo o Estado. Era a Mudança Política. Era a redemocratização!




Enfim, essa foi a minha atuação política em Botucatu durante essa transição do regime militar para a abertura democrática.
Deixei de ser vice-prefeito por 2 vezes por concepção política própria, na qual acreditava na necessidade de renovação política.

Tenho orgulho de minha atuação política como vereador de Botucatu ( Universidade Estadual “Vital Brasil”; Botucatu como 13ª Região Administrativa do Estado e a vinda da Capital Paulista para o planalto de Paula Souza a enriquecer e valorizar a nossa região com o nome de PAULICÉIA), além de exercer uma atuação fiscalizadora, juntamente com Progresso Garcia (escândalo da Cecap e o “quase” impeachment do prefeito de então), em defesa dos interesses da comunidade.



Ao completar 40 Anos dessa JORNADA DEMOCRÁTICA faço o seu registro histórico como a deixar a certeza de que é POSSÍVEL E NECESSÁRIA a RENOVAÇÃO POLÍTICA e o combate efetivo contra os maus políticos, os corruptos e os oportunistas...

Estarei sempre a postos...

Sou um eterno participante...

Eterno candidato, não!

Eu já deixei de ser candidato inúmeras vezes. Mas, participante, sim!

E, todos sabem, o que mais existe são os ETERNOS SUPORTES do Poder ! Suporte, badalo do Poder.

Eu prefiro ser um batalhador, levantando sempre a bandeira da renovação.


É o EXERCÍCIO DA CIDADANIA na nossa PEQUENA PÁTRIA (Agostinho Minicucci) que é BOTUCATU!!!

14 comentários:

Marcelo Delmanto disse...

O comício no Largo do Curió, na Vila Maria foi a última aparição do vovô Antônio em campanha política. O "Vanguarda" registrou bem essa inesquecível campanha contra os poderosos ($$$)... Mas mantivemos a bandeira da renovação e do combate à corrupção!

Delmanto disse...

Boa a sua lembrança, Marcelo.
A lição de casa foi feita. Fiz a parte que acreditava ser minha obrigação cívica... Deixando de lado o comodismo que anestesia e enfraquece os mais positivos sonhos de cidadania é preciso que façamos a nossa parte.
Será que vale a pena? Será que vale a pena se expor, ir contra a “realidade presente”? Vale a pena querer um país melhor, com menos desigualdades sociais, sob o império da Lei e com uma estrutura política que nos livre do deslumbramento dos despreparados, dos oportunistas e dos demagogos e CORRUPTOS? Vale a pena lutar por tudo isso? Vale a pena? Vale?
Claro que vale!!!
“Eu me lembro de um fato ocorrido em 1994, quando eu fui candidato a Deputado Federal pelo PDT de São Paulo, tendo conseguido a legenda graças à interferência do jornalista amigo, Roberto D’Avila, então Secretário do Meio Ambiente do Rio, na gestão Brizola. No absurdo da estrutura política brasileira, os partidos tinham e tem donos e, os não apadrinhados, só participam quando ocorre uma oportunidade dessas... Pois bem, fui até meu pai, político forjado no Partido Democrático, que se transformou depois no Partido Constitucionalista e acabou por formar a base da União Democrática Nacional, para pedir, como sempre, seus conselhos.
Fui direto na minha dúvida: “Olha pai, eu fui convidado para sair candidato pelo PDT a deputado federal. Mas, está difícil. Eles (do PSDB) estão com a prefeitura municipal (Botucatu), deputado estadual, governador do estado e presidente da república... Está duro. Não sei se vale a pena...”
Eu tinha, na época, os meus 47/48 anos. E levei um “pito”! Ele, com seus 89 anos: “Olha aqui, se eu tivesse 10 anos menos, eu sairia candidato. Você tem que levantar a bandeira, rapaz! Senão, como é que vai ter mudança?”
Então, eu me senti deste tamanhinho...
Sai candidato. Foi uma vitória inesperada: 12 mil votos, só em Botucatu! Fui eleito 3º suplente. Não gastei um tostão... Quer dizer, fui candidato numa época em que não acreditava e a eleição foi uma surpresa... Meu pai me deu aquela lição de cidadania, aquele inesquecível “pito”e...morreu... Morreu em agosto e não chegou a ver o resultado da eleição...
Então, eu repito:
É claro que vale a pena! Vale a pena lutar! Vale a pena viver!
É isso que tenho procurado fazer durante toda a minha vida. Confesso que sem o desempenho contínuo que a cobrança paterna me teria feito... Mas tenho procurado fazê-lo...
Valeu. Grande abraço.

Anônimo disse...

Armando Delmanto (fACEBOOK):
Admiro e me orgulho de sua trajetória meu pai!

Delmanto disse...

Valeu, meu Filho. Obrigadao!

Anônimo disse...

Arlete Oliveira Corse (FACEBOOK):
Parabéns.

Anônimo disse...

Ilza Maria Nicoletti Souza (Facebook):
Que caminhada !! Que orgulho os seus devem ter de você ! Pena que parou tão cedo . Nosso país está carente de homens assim !

Delmanto disse...

Salve, Ilza Maria. Seus comentários são, sempre, puros energéticos...rsrsrs OBRIGADO. Gostava muito do que fazia e fazia com entusiasmo. Valeu. Grande abraço.

Anônimo disse...

Jason Pamplona Pagnossa (Facebook):
Parabéns

Anônimo disse...

Nilza Stipp (Facebook):
Parabéns por essa memorável caminhada !

Anônimo disse...

Luiz Roberto Ribeiro (Facebook):
Parabéns Aramando, grande abç desejando um feliz natal e um ano novo de muitas ""renovações políticas""

Anônimo disse...

Ana Maria Nogueira Pinto Quintanilha (Facebook):
Armandinho, eu como botucatuense, me orgulho muito de você! Não mude nunca, tá!

Delmanto disse...

Puxa, Ana Maria Nogueira Pinto Quintanilha, que bom saber disso... Tenho vc e seus irmãos como amigos para sempre, além de Dona Laly e do Dr. Sebastião. Obrigadão. Bom domingo para vc e sua família. Grande abraço.

Anônimo disse...

Márcio Coraíni (Facebook):
Gostava de ler o seu jornal. Creio
que os jovens da época , também ,
curtiram Vanguarda.

Delmanto disse...

Salve, Márcio. Quanto tempo, heim? O seu comentário é a prova provada de que o Vanguarda tinha grande apoio entre nós, os jovens dos anos 70,,,rsrsrs Valeu. Grande abraço

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