março 28, 2017

Botucatu e seu Líder Autêntico: JOÃO PASSOS !

JOÃO PASSOS:
Líder Autêntico!




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Em uma entrevista que dei ao saudoso amigo Jaime Sanchez, para a sua revista “Boca de Cena”, em novembro de 1998, falando sobre o Comércio de Botucatu e a falta de novos líderes, eu citava o nome de JOÃO PASSOS: “...O Comércio local está meio à deriva...Esse é o meu ponto de vista (1998). O que eu acho é que é uma atuação limitada e provinciana. O comércio de Botucatu está buscando um novo João Passos, um novo Emílio Peduti, um novo Octácilio Paganini...”

Realmente, João Passos passou a ser o principal referencial de uma Liderança Positiva. Presidiu a Associação Comercial de Botucatu em 1949, e de 1955 a 1969. Como Diretor Presidente da Cinematográfica Araujo & Passos, tinha uma presença sempre forte na defesa dos interesses dos comerciantes. Ao mesmo tempo, presidiu e viabilizou o Botucatu Tênis Clube – BTC, como o melhor clube da cidade e, como rotariano, presidiu e foi Governador do Rotary Clube. Na presidência do Rotary Clube de Botucatu, com a ajuda dos rotarianos e de sua esposa Marina Fagundes Passos, fundou a CASA DA ESPERANÇA, para a reabilitação física das pessoas. João Passos tem sido, sempre, homenageado pelos rotarianos.


Ex-presidentes do Rotary Clube prestando homenagem à João Passos, ex-presidente e ex-governador do Rotary.

João Passos era casado com Marina Fagundes Passos e teve um único filho, o arquiteto Ronaldo Passos que deu continuidade à sua atividade profissional e foi o autor do projeto arquitetônico do CINE TEATRO NELLI, considerado o teatro com a melhor acústica da região e da CASA DA ESPERANÇA.

Dona Marina Passos, elegante e discreta, era voltada à cultura, tendo sido uma das fundadoras da ABL – Academia Botucatuense de Letras, como Membro Honorário.


Na foto acima, a Acadêmica Marina Fagundes Passos, entre os Acadêmicos Vanice de Andrade Camargo Alves e Hugo Pires, na Sessão Solene de instalação da ABL - Academia Botucatuense de Letras (17/03/1973).

Em 1972, no jornal “VANGUARDA DE BOTUCATU”, de 18 de agosto, escrevi o artigo “JOÃO E MARINA”, em homenagem ao casal amigo e destacando a importância da inauguração da CASA DA ESPERANÇA, em 12 de Abril de 1970.

João e Marina



Uma das casas mais românticas e simpáticas de que tenho lembrança de minha infância. Era uma casa branca com um maravilhoso jardim. Os donos, um casal amigo, tinham a alma pura e branca como a casa...
Hoje, a casa está sem seu dono; a rua leva o seu nome; a população guarda a sua imagem com indelével carinho...
Já se disse que para falar sobre uma cidade é preciso amá-la. Diria eu, complementando, que para falar sobre qualquer coisa é preciso, antes, sentir amor por ela. Ora, falar do Sr. João Passos e de D.Marina é muito fácil. Eles foram amor. Viveram com amor. E, com amor, construíram uma obra de amor: a CASA DA ESPERANÇA.
Eu, particularmente, sinto-me à vontade para falar desse magnífico casal. Nossas famílias foram muito amigas. Tivemos uma agradável convivência.
Várias vezes tratamos de assuntos de interesse da coletividade. Pois, a verdade é que o Sr. João foi um incansável batalhador da causa pública. Juntos assinamos convênio com a Caixa Econômica do Estado de São Paulo para a conclusão da sede esportiva do BTC. Tive a oportunidade de acompanhá-lo em sua luta para a conclusão e consolidação da CASA DA ESPERANÇA, obra que retrata a sua disposição para as grandes realizações.
Na ocasião, atestei que o Sr. João a todos cativava como um gentleman, assim, o Dr. Felício Castellano, Secretário da Promoção Social, o Dr. Nelson Marcondes do Amaral, Secretário Particular e o Prof. Francisco Carlos Sodero, Assessor (Governo Abreu Sodré) e representante do mesmo na inauguração da CASA DA ESPERANÇA, todos eles foram tomados de vivo entusiasmo por essa magnífica obra.
Junto com D. Marina ele concluiu a CASA DA ESPERANÇA. Os dois, sempre juntos, lideraram os rotarianos na consecução desse grande objetivo. Hoje, a CASA DA ESPERANÇA é uma realidade e um modelo de organização e uma certeza de que muitos seres humanos lá encontrarão a ajuda humana e a recuperação técnica de que necessitam.
O Sr. João Passos, chamado por Êle para seu prematuro porém merecido descanso. D. Marina, pelos dois, continua a construir com amor uma obra digna de amor com que agradecida, toda Botucatu lhes devota.
Eu fico feliz em ter podido conviver com ambos. Compreensivo, justo, paternal, amigo e honesto, o Sr. João Passos e D. Marina serão, sempre, para mim, o exemplo de como um casal viveu com amor e de como o amor os uniu, e de como fez com que dessem amor e construíssem obras de amor...
Perco-me em minhas lembranças... Aquela casa branca...O amor que constrói...Sr. João Passos e D. Marina... Um casal de alma pura e branca como a casa... A CASA DA ESPERANÇA.

HISTÓRICO DA CASA DA ESPERANÇA:

Conta D. Marina Fagundes Passos, os dois motivos mais fortes que levaram João Passos e ela a construir a Casa da Esperança:
1º “O meu pai, com 71 anos, teve um acidente vascular cerebral, ficando hemiplégico. Fui para Avaré para cuidar dele, pois tínhamos muita afinidade e ele me atendia muito. Comecei a fazer exercícios com ele, muitos por intuição e outros orientados pelo José Oscar Guimarães, quando o encontrava aqui. O restabelecimento foi rápido, e alguns meses após, meu pai já estava capacitado a comer sozinho, cortar carne, vestir-se, tomar banho, enfim auto-suficiente para uma vida quase normal. Comprovamos, assim, quanto pode um atendimento imediato, na maioria dos casos responsáveis por inválidos e infelizes”;
2º “Algumas visitas que fizemos às Casas da Esperança de Santos e Santo André, também fundações do Rotary, onde vimos rotarianos e senhoras abnegadamente trabalhando onde centenas de crianças e adultos se recuperavam de deficiências motoras. O João, na sua ânsia de servir, já havia, com outros companheiros, construído a sede esportiva do BTC, proporcionando à infância e à juventude botucatuense, meios para praticarem esporte, ocupações sadias, deixando assim de frequentarem snokers, o que era muito frequente e comum.”
“Depois, a construção da sede social do BTC, a sala de visitas de Botucatu. Chegou a vez de fazer alguma cousa para os menos afortunados, pelos incapacitados permanente ou temporariamente. Começou a luta pela Casa da Esperança. A compra do terreno, os estatutos, a construção. A luta tremenda para conseguir recursos financeiros. As campanhas encabeçados pelo João: bailes da cerveja, bazares da pechincha, feijoadas, campanha dos boizinhos, campanha para sócios contribuintes. Os primeiros donativos, 30 mil do Governo Sodré, a planta feita pelo Ronaldo (Passos) depois de várias visitas com o João e o Dr. Costa a outros Centros de Reabilitação. A compra de equipamentos, alguns aparelhos importados. Foram companheiros atuantes desde o primeiro dia: Luiz Chiaradia, como tesoureiro; Pedro Tôrres – depois Manoel Pinhão, como secretário; Dr. Costa, como vice-presidente e médico responsável. Inaugurada a 12 de abril de 1972, como comemoração do aniversário da cidade, contou com a presença do Secretário da Promoção Estadual – Dr. Castellano e do Professor Francisco Carlos Sodero, representante do Governador Sodré. Começou a funcionar a 29 de julho de 1970 e está cumprindo sua finalidade, dando atendimento a todos que dela necessitam, gratuitamente aos impossibilitados de pagar. Fornece lanches às crianças em tratamento e sopa aos pacientes que vem de cidades vizinhas, permanecendo muitas horas na Clínica. Está dando atendimento também aos pacientes encaminhados pela Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas, que ainda não possue esse Departamento. Na sua curta história de menos de dois anos, conta com casos maravilhosos de reabilitação, como o da Rosângela Aliberti Bauer, aqui em Botucatu mesmo. Está muito bem equipada e organizada, funcionando com a colaboração voluntária dos srs. José Medaglia, Luiz Chiaradia e assistência médica e gratuita dos drs. Costa e Lunardi.”

NOTA: Artigo de 1972 (“Vanguarda”, de 18/08/72 - publicado no livro "Crônicas da Minha Cidade", de 1976) retrata o que foi essa empreitada social de grande sucesso. Hoje funciona, no local, a APAPE – Associação de Pais e Amigos das Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais (Reabilitação, Habilitação, Estimulação, Intervenção e Inclusão Social).

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