CASCAVEL OU BEIJA-FLOR?!?
”Dois Lados”, de Paulo Cesar Pinheiro, com Zé Paulo Becker e Marcos Sacramento/ ouça aqui
O artigo/histórico sobre o compositor PAULO CESAR PINHEIRO diz tudo: o letrista mais importante do Brasil. E nesse destaque a ele, vamos buscar uma composição mais recente, DOIS LADOS – com Zé Paulo Becker e Marcos Sacramento, mostrando que Paulo Cesar Pinheiro passa de geração a geração de parceiros, sempre com a mesma qualidade e sempre colocando o AMOR como tema indispensável. Vejam:
“Paulo César Pinheiro, o letrista mais importante do Brasil"
Por Robie R.
Carioca da gema, compositor precoce, genial letrista, escritor, poeta e dramaturgo. Suas músicas foram gravadas pela nata da
MPB. Parceiro de
Pixinguinha, Baden Powell, Tom Jobim, Edu Lobo, Francis Hime, João de Aquino, Dori Caymmi, Ivan Lins, Mauro Duarte, João Nogueira, Eduardo Gudin, Guinga, Toquinho, Sergio Santos, Lenine e mais uma penca que não caberia neste post. Vencedor de festivais e ganhador de prêmios de grande relevância. Compositor de trilhas feitas para teatro, cinema e televisão. Produtor também de trabalhos dedicados apenas ao público infantil. Já passou da casa dos
60 anos, tem mais de
40 de carreira e continua a todo vapor.
Como falar de uma
lenda viva em poucas linhas? Atrevo-me a fazer um
miniperfil, dar leves pinceladas e tentar traçar um pequeno esboço sobre
Paulo César Pinheiro. Para os interessados em conhecer sua obra a fundo, recomendo A
Letra Brasileira de Paulo César Pinheiro, biografia escrita pela jornalista
Conceição Campos, um livro de
416 páginas.
Paulo César Francisco Pinheiro nasceu na cidade do
Rio de Janeiro em 28 de abril de 1949. Iniciou sua carreira de poeta ainda menino. Aos
14 anos, compôs com
João de Aquino a linda música
“Viagem”, que foi gravada por inúmeros intérpretes. Aos
16 anos, teve início sua parceria com
Baden Powell (para muitos, o melhor violonista da história da Música Popular Brasileira) e, na época, ao lado de
Tom Jobim, era considerado o expoente maior da nossa música.
Sua primeira canção gravada foi o samba
“Lapinha”, composta junto a
Baden, interpretada por ninguém menos que
Elis Regina. O samba
foi classificado em primeiro lugar em 1968 na
I Bienal do Samba da TV Record, na qual concorreu com várias feras, como
Cartola, Nelson Cavaquinho, Pixinguinha, Chico Buarque e outros bambas.
Paulinho, forma como é carinhosamente chamado pelas pessoas mais próximas,
tinha apenas 18 anos ao faturar esse primeiro prêmio.
Suas principais intérpretes no início de carreira foram
Elis Regina, Elizeth Cardoso (conhecida como
A Divina) e
Clara Nunes - a
primeira mulher no Brasil a vender mais de 100 mil cópias de um disco e com quem Paulo César Pinheiro foi casado por oito anos, até a trágica morte da cantora.
Até hoje,
Paulo César Pinheiro foi gravado por mais de
500 intérpretes e tem mais de
1.100 músicas registradas em discos. Se somadas às inéditas, podem ser contabilizadas mais de
duas mil canções.
Ele é
considerado o letrista mais importante do Brasil por uma série de fatores: sua vasta obra, que é de uma qualidade que só os grandes mestres possuem; suas músicas, que foram gravadas pelos mais importantes intérpretes do Brasil; seus parceiros, que são o time titular da seleção de
craques da MPB. Sem contar as músicas
que faz sozinho (letra e melodia).
Neste gigantesco universo musical,
Paulo César Pinheiro tem preferência por uma, entre as suas milhares de crias.
“Pesadelo”, dele e de
Maurício Tapajós é a sua
favorita. Cansado de criar metáforas, fazer e refazer letras para serem aprovadas pela censura, no período mais bravo da ditadura militar,
Paulinho decidiu escrever uma letra que fosse diretamente ao ponto, sem rodeios. A música acabou passando pela censura e foi
usada pelos guerrilheiros, no início dos
anos 70, como hino para motivar e levantar a moral daqueles que lutavam contra a ditadura. Tornou-se um
canto de guerra. O
grupo MPB-4, corajosamente, foi quem primeiro gravou
esse afrontamento ao governo militar.
A letra do samba
“O Poder da Criação”, de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, ilustra bem uma das facetas desse
divino compositor, que é capaz de colocar letra em qualquer estilo musical do rico repertório existente no Brasil. Alguns deles parceiros e/ou intérpretes de Paulo César Pinheiro. O leitor pode estar se perguntando de que forma tal ser humano se tornou uma verdadeira
usina de produção. Paulo César Pinheiro assume que nasceu com um dom. Além disso, desde a infância até os dias de hoje, cultiva o hábito de sentar-se diariamente em frente a uma folha de papel em branco. Talvez seja essa a fórmula para entender o poder da criação.”
(Rolling Stones – 29/11/2013)