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outubro 21, 2014

Dom Henrique Golland Trindade: uma mão franciscana e amiga foi estendida para mim...

Dom Henrique Golland Trindade: uma mão franciscana e amiga foi estendida para mim...



“Vou lhes dar 3 diagnósticos para um mal que é típico da gente serraçuma:

1º ato – Cornélio Pires, no palco do Casino, fim dos anos 30: “é difícil entender este povo. Gosta das minhas piadas porque ri de estourar. Mas não move as mãos, não aplaude. É frio.”

2º ato – Um humilde botucatuense que nos anos 40 chegou a campeão brasileiro de um certo esporte: “o pessoal, lá na terra, parece que tem vergonha de me cumprimentar. É onde menos sou festejado!”

3º ato – D.Frei Henrique, anos 50, assistindo a um bem organizado desfile cívico-religioso, ali na Cel. Moura: “Aplaudam. Vamos aplaudir, ó povo frio. Não sabem o trabalho que dá?”                                      

                   Hernâni Donato.


Dom Henrique Golland Trindade, foi nosso 4º Bispo Diocesano, tomando posse em 1948 e, em 1958, tomou posse como nosso 1º Arcebispo até 1968: foram 20 anos de pastoreio onde pode compreender o “espírito” dos botucatuenses como afirmou Hernâni Donato no trecho de abertura.






Antônio Delmanto como presidente da Câmara Municipal recepcionou
Dom Henrique em sua chegada a Botucatu



Agora, está completando 40 anos de seu falecimento (06/11/1974).
Reformou e modernizou a Catedral, construiu a Vila dos Meninos “Sagrada Família”, fundou a Ordem das “Servas do Senhor” e comandou a Comissão de Botucatu Pró Faculdade de Medicina. Foi de todos os bispos e arcebispos o que mais interagiu com a comunidade botucatuense.

Vamos mostrar, resumidamente, sua atuação na chegada a Botucatu: a construção da Vila dos Meninos, a sua interação com a Maçonaria, o seu comando na conquista da Faculdade de Medicina (Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu – FCMBB) e a sua mão estendida a uma criança...

A CHEGADA A BOTUCATU DE SEU 4º BISPO  DIOCESANO

A posse de Dom Henrique ocorreu em 15 de agosto de 1948. A posse foi festiva. A cidade se engalanou com autoridades estaduais e municipais, autoridades judiciárias, militares e religiosas e com maciça presença da população. Com destaque para a presença do Governador Adhemar Pereira de Barros e sua esposa Dona Leonor Mendes de Barros. No jornal “DEMOCRACIA”, de 15/08/48, a notícia do grande acontecimento:

“Às 15 horas, acompanhado do Sr. Governador do Estado e Exma. Esposa, dos Secretários de Viação e Obras Públicas, da Justiça e do Interior, d. Frei Henrique desembarcou no aeroporto local. Após cumprimentos S.Exa. Revma. Se dirigia ao Paço Municipal acompanhado de um cortejo de mais de cem automóveis. Na Prefeitura, d. Frei Trindade, foi saudado em nome do Prefeito, pelo prof. Adolfo Pinheiro Machado que saudou, também, o Sr. Governador do Estado.”

VILA DOS MENINOS “SAGRADA FAMÍLIA”



“Desde sua chegada a Botucatu, d. Henrique, Bispo Diocesano, fez uma promessa solene: cuidar dos menores abandonados e construir um abrigo. Penso que de tudo o que soube de nossa gente, foi induzido a estabelecer provisoriamente em sua residência um reduto de meninos desfavorecidos de recursos.”(jornal “DEMOCRACIA”, 26/03/50)

Mais tarde, com o prof. Vieira Novelli se dispôs a fundar uma “Vila”, destinada a amparar meninos abandonados ou faltos de atendimento.
Então, no dia 02/06/53, no Paço Episcopal formou uma comissão sob a sua orientação, composta do Padre João Ramalho Dias, prof. Milton Mariano e das exmas. Senhoras d. Eulalina Rodrigues Torres, Anita Fernandes, Fióca Delmanto e Olinda Thadei, para angariar fundos. Por seu lado, a Mitra Diocesana doou um terreno no valor de Cr$ 80.000,00. Das famílias visitadas, a Comissão arrecadou a importância de Cr$ 192.000,00.


final da construção da "VILA DOS MENINOS"

Dom Henrique designou a primeira Diretoria: Dr. Antonio de Araújo Azevedo – Presidente (posteriormente substituÍdo por Luiz Baptistão); Fióca Delmanto – Vice; Rosa Maria Peduti Nogueira e Jair Conti – 1ª e 2ª Secretarias; Ignácio de Loyola Vieira Novelli e Antonio Melhado de Campos – 1º e 2º Tesoureiros.  A mesma Diretoria continuou até a inauguração da “Vila dos Meninos” em 1965.

A IGREJA E A MAÇONARIA

No jornal “DEMOCRACIA”, de 11/08/48, encontramos o registro da visita do novo Bispo à Misericórdia Botucatuense:

“Comovente visita de D. Henrique à Misericórdia:
“S.Exa.Revma. foi saudado pelo dr. Antonio Pires de Campos, que em brilhante improviso exaltou a fé, a satisfação pela visita do Pastor e historiou a fundação, enaltecendo o trabalho humanitário realizado pelo benemérito médico dr. Costa Leite.
D. Henrique agradecendo, pronunciou uma verdadeira peça oratória, sempre se referindo aos pobres, aos que sofrem, ao significado do hábito de se beijar o anel episcopal, tão condenado por alguns, e, finalizando, pediu permissão ao venerando dr. Costa Leite em beijar-lhe as mãos, aquelas mãos caridosas que tanto haviam feito pela pobreza e que, beijando-as expressava a gratidão dos pobres.
O dr. Costa Leite, bastante comovido, olhos cheios de lágrimas, retribuiu beijando o anel de Dom Henrique...”
Que bonita cena.Que bela simbiose entre integrantes de uma mesma comunidade. O Pastor beijando as mãos do médico humanitário e venerável maçon e este, por sua vez, beijando o anel do Bispo em sinal de respeitoà autoridade religiosa.”

NO COMANDO DA COMISSÃO PRÓ FACULDADE DE MEDICINA

Botucatu estava fragmentada, como sempre, pelas divisões na política. Pois o Governador Jânio Quadros, admirador de Dom Henrique viu como uma solução a unificação política na Comissão Pró Faculdade de Medicina sob o comando absolutamente neutro de nosso Pastor.

A”FOLHA DE BOTUCATU” trouxe o manifesto de Dom Henrique sobre o movimento pró-Faculdade de Medicina:

“ESTEJAMOS UNIDOS PARA SERMOS FORTES”
“Importante manifestação pública do Bispo Diocesano sobre a criação da Faculdade de Medicina. A CAUSA É DE BOTUCATU INTEIRA.
“Vimos acompanhando com interesse e atenção o trabalho que se desenvolve em favor da Faculdade de Medicina de Botucatu. Estamos compartilhando, de coração, dessa esperança justíssima baseada em opiniões valiosas, com que nosso povo aguarda palavra definitiva sobre tão importante assunto. Entendemos que a causa é de Botucatu, de Botucatu inteira, de Botucatu intelectual, Botucatu operária, Botucatu abastada, Botucatu pobre. E, por assim entendermos, julgamos também que é dever de todos e, por isso mesmo nosso, de trabalhar para que essa esperança se torne realidade o mais breve possível.
E nesta hora achamos que é missão do Bispo apelar ao povo de Botucatu, a seus filhos mais ilustres, às suas autoridades, aos seus dirigentes políticos, aos seus homens do comércio, da indústria e da lavoura para que se unam, num esforço comum, em pról de uma causa comum.
O Bispo, que tanto ama esta terra, e da qual se considera filho, sentir-se-á feliz,sumamente feliz, se puder contribuir para a união de todos e, através dessa união, conseguir, com a graça de de Deus, a Faculdade de Medicina de Botucatu.
Em 12 de maio de 1958.
D. Henrique G. Trindade.
Bispo Diocesano.”

A mesma “FOLHA”, DE 11/06/58, TRAZ A MANCHETE: “MOVIMENTA-SE A COMISSÃO PRÓ-FACULDADE DE MEDICINA.”, completando: “EMBAIXADA BOTUCATUENSE, CHEFIADA PELO BISPO, conferenciará com o GOVERNADOR.”

RESUMO: O Governador Jânio Quadros criou a Faculdade de Medicina de Botucatu em 1958. Em 1962, o Governador Carvalho Pinto, ampliando sua concepção, criou a FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS E BIOLÓGICAS DE BOTUCATU – FCMBB, devidamente instalada em 1963. É REGISTRO HISTÓRICO!

MÃO FRANCISCANA E AMIGA...

Botucatu tem prestado suas homenagens à memória de Dom Henrique. Através de livros e da imprensa, suas obras estão sendo lembradas. No livro “Memórias de Botucatu 2”, de 1993, no capítulo “Dom Henrique – O Semeador!”, prestamos a nossa homenagem historiando sua trajetória como Bispo e Arcebispo de Botucatu. E no jornal “Vanguarda de Botucatu”, de agosto de 1973, fizemos um artigo sobre a sua obra VILA DOS MENINOS DA “SAGRADA FAMÍLIA”.

Mas é importante registrar uma passagem da qual fomos participantes e pudemos sentir a presença paterna e solidária de Dom Henrique.

Em casa tínhamos sua foto ao lado da foto do Papa Pio XII. A foto foi dedicada ao meu pai e à família. Uma seta mostra o seu retrato na parede, é a foto da abertura deste post.



Na minha formatura no Ginásio Arquidiocesano La Salle, em 1962, acompanhado de minha mãe recebi o abraço amigo de Dom Henrique. E o registro da “mão franciscana e amiga estendida para um menino":



“Uma pequena estória envolve o escriba e esse franciscano culto e simpático que foi Dom Henrique.

Eu cursava, no período da tarde, o preparatório para o exame de admissão no Ginásio Arquidiocesano “Nossa Senhora de Lourdes”. Ainda não tinham vindo os Irmãos Lassalistas. Era época do Padre Claudino.

Eis que numa tarde, durante a aula, um colega de classe traz a notícia que estourou como uma “bomba” em minha cabeça. Era problema de família e atingiu-me em cheio. Nunca mais tive uma reação como aquela, não tive controle. A chorar, deixei a sala de aula e o ginásio correndo e, sem rumo, fui me sentar na calçada, encostado na parede de fundo da Catedral.

Provavelmente, acionado pelo Diretor, pouco tempo depois surge Dom Henrique. Desce do carro e se dirige a mim:
 “- Como é Armandinho, já terminaram as aulas?” Arrematando em seguida e sem chance para qualquer raciocínio: 
“- Venha comigo, vamos tomar um lanche no Palácio.”

E lá fomos no carro de Dom Henrique. A mesa já estava posta e era farta e atraente, com bolo, pão, bolacha, geleia e frutas. Fiquei deslumbrado.
Dom Henrique sabia prender a atenção e encantar com sua simpatia e cultura. Falou de tudo, menos de meu problema. Levou-me a passear pelos belos jardins do Palácio Episcopal. Depois, o carro levou-me para casa onde minha mãe já me esperava. O problema continuava, mas aquela atitude de Dom Henrique valera por mil consolos e chegara na hora exata em que era necessária. Não falou sobre o assunto e nem era necessário. O que houve foi apenas o apoio amigo, a presença amiga e o carinho amigo.
Não era preciso mais nada. Nem palavras e nem sermões...

Isso me fez bem, muito bem. Aquela companhia tão importante e imponente a tratar com tanta atenção um garoto...Eu estava carente e naquele momento uma mão amiga foi estendida para mim...
Esse foi o Pastor que conheci.
Esse foi Dom Henrique, o nosso 1º Arcebispo.”

(artigo publicado no livro “Memórias de Botucatu 2”, de 1993, págs. 109/110)

Essa a minha homenagem a Dom Henrique Golland Trindade. Amigo de minha família e padrinho de Crisma de meu irmão Décio...

No ano de 1970, quando lancei meu primeiro livro, “Juventude: Participação ou Omissão”, ele enviou-me uma mensagem inesquecível. Já era Arcebispo Resignatário e morava no Convento das Irmãs “Servas do Senhor” que ele fundou, com toda a humildade. Seu quarto tinha apenas uma cama e um criado mudo.


A mensagem:
“A Juventude: participação ou omissão. Querido Armando – Obrigado. Parabéns. – Parece um sonho. mas é uma realidade. O menino de ontem, o jovem de hoje, o homem de amanhã!
Parabéns! Continue. Gratíssimo. O Senhor o ilumine e lhe dê coragem sempre.
Seu velho amigo arcebispo. Frei Henrique. Btu 29/09/70.”


setembro 27, 2014

Dom Maurício Grotto de Camargo é o mais novo Cidadão Botucatuense!


Dom Maurício Grotto de Camargo é o mais novo Cidadão Botucatuense!



É tradição em Botucatu o tratamento respeitoso e afetivo aos dirigentes da Igreja Católica. Tendo sido a maior Diocese do interior paulista, Botucatu se orgulha de sua tradição religiosa com os Protestantes e Católicos.

DOM MAURÍCIO GROTO DE CAMARGO, tomou posse na Arquidiocese de Botucatu em 2009 e logo se entrosou com a comunidade botucatuense. Tornou-se Membro Honorário da ABL – Academia Botucatuense de Letras e, agora, recebeu o título de CIDADÃO BOTUCATUENSE.



A solenidade foi na Câmara Municipal de Botucatu, sob a presidência do vereador Ednei Carreira, contando com a presença de inúmeros convidados, especialmente com a presença de sua mãe e familiares. A sede do Legislativo ficou lotada. Sua Excelência Reverendíssima foi saudado pelo vereador Fontão – autor da homenagem aprovada por unanimidade! - , pelo Reverendo Antonio Coine e pelo Prefeito Municipal, João Cury Neto.

Fotos oficiais do Legislativo Botucatuense - clique nas imagens para ampliá-las

Emocionado, DOM MAURÍCIO mostrou toda a sua interação com Botucatu e sua alegria e disposição para levar a bom termo sua missão pastoral.

Quando se tornou MEMBRO Honorário da ABL, DOM MAURÍCIO  ofereceu aos acadêmicos um exemplar do livro “Papa Francisco – Mensagens e Homilias”, divulgando e reforçando a nova postura da Igreja Católica sob o papado do Papa Francisco.



Por oportuno, reproduzimos artigo que colocamos na homenagem que fizemos quando da posse de DOM MAURÍCIO como Membro Efetivo da ABL:


                         A ABL e OS PURPURADOS!
clique na imagem para ampliá-la

A revista PEABIRU representa o maior acervo cultural sobre Botucatu e sua história. E a revista de nº 11, de setembro/outubro de 1998, traz um artigo da saudosa cronista de Botucatu, a acadêmica Elda Moscogliato, no qual ela mostra a importância dos prelados da Igreja Católica – os Arcebispos Metropolitanos! –como membros da ABL – Academia Botucatuense de Letras.


Foram três Arcebispos de Botucatu citados por Elda: Dom Henrique Golland Trindade, Dom Vicente Marchetti Zioni e Dom Antonio Maria Mucciolo, além de outros representantes da Igreja Católica. E, hoje, complementamos o seu trabalho com a inclusão do atual Arcebispo Metropolitano de Botucatu, Dom Maurício Grotto de Camargo.

Como parte das comemorações 40º Aniversário da ABL, foi realizada, no último dia 17 de maio, no Salão Anchieta(antigo Seminário), Sessão Solene da ABL, sob apresidência do Acadêmico Antonio Evaldo Klar. Com a belíssima apresentação do Coral Municipal, tomaram posse como Membros Honorários da ABL, o dramaturgo Robert Coelho e o Arcebispo de Botucatu, Dom Maurício Grotto de Camargo e, comoMembro Correspondente, a artista plástica Marlene Caminhoto Nassa.

Dom Maurício é o primeiro arcebispo que teve a sua assunção à Arquidiocese de Botucatu vindo de uma sua Diocese: primeiro a grande Diocese/Arquidiocese de Botucatu (a Mãe), a maior do Estado; depois,desmembrada, a já instalada Diocese de Assis (a Filha) e, finalmente, desmembrada também, a Diocese de Presidente Prudente (a Neta), onde Dom Maurício era Bispo. É o quarto Arcebispo de Botucatu a enobrecer a ABL! Vamos ao artigo de Elda Moscogliato:

Os Purpurados da ABL
Elda Moscogliato

É de sua própria essência contar uma Academia Cultural com a presença de purpurados entre seus membros, fato altamente honroso para a agremiação que nele se escuda, se enriquece e se elitiza. Entendido aqui o termo purpurado além de significar alta dignidade eclesiástica sintetiza também uma rica hierarquia que ascende de padres notáveis, monsenhores, bispos, arcebispos, cardeais, que se distinguiram na vida clerical através da inteligência, do talento, do estudo aprimorado das ciências, das artes, da vastidão da cultura humanística, da sabedoria, do ensino, da educação dando plena expansão ao primado da evangelização dos povos.

A longa história da Igreja vem do fundo dos séculos marcando essencialmente o medievalismo, pelos seus vultos admiráveis de pensadores, sábios e apóstolos, na formação das nações.
Daí que no decorrer dos tempos as sociedades culturais puderam contar em seus quadros com a presença respeitável, austera, conselheira e amiga dos padres da Igreja.
Neste breve preâmbulo cuida a crônica - numa evocação sempre entusiasta e jubilosa - da nossa Academia Botucatuense de Letras que, semelhantemente às suas congêneres do País conta em seus quadros com a presença altamente significativa, desde seus inícios, de purpurados numa seqüência notável de nomes ilustres que marcaram as culminâncias intelectuais de nossa histórica cidade.


Citemos, para corroborar a assertiva, o brilho de alguns purpurados nas nossas academias pátrias: na Paulista de Letras: Pé. Hélio Viotti - o mais credenciado biógrafo de Anchieta; o histórico Monsenhor Francisco de Paula Rodrigues; Dom Benedito de Souza; Monsenhor Castro Nery; Monsenhor Manfredo Leite. Na Brasileira de Letras, o vulto inconfundível de Dom Aquino Corrêa entre tantos prosadores, oradores e literatos.
Logo na sua instalação, contou nossa ABL com dois Arcebispos: D.Frei Henrique Golland Trindade resignatário e Dom Vicente Marchetti Zioni, como Honorários. O saudoso D. José Melhado Campos, então Bispo Emérito de Sorocaba, foi nosso Membro Correspondente, sempre presente em nossas Sessões Solenes, numa das quais foi homenageado pelos seus cinqüenta anos de vida sacerdotal, saudado na ocasião pelo Prof. Milton Marianno, conhecido pelos seus dotes oratórios. Usando de um pensamento de André Frossard, escritor francês que traçou em livro, o perfil de João Paulo II, Milton destacou a célebre frase: "As palavras antes de serem ditas, devem ser rezadas", tema do discurso.
O título honorífico a que fez jús D. Zioni - por todos os méritos digno da honraria, não agradou ao Arcebispo - homem de uma atividade admirável, voltada aos estudos profundos e constantes, pesquisador arguto, analista sério e justo, bibliófilo mergulhado devotadamente em seus arquivos impecáveis, sempre atencioso e prestativo aos que lhe demandam as luzes da memória privilegiada. Não se acomodou ao título, preferindo ser Efetivo, trabalhando pela Academia.


Dr. Marão teve conhecimento do fato e exultou. Grande honraria poder contar com o Arcebispo dentre seus Membros Efetivos. Imediatamente anunciou uma assembléia geral e nela propôs a eleição. Houve um consenso geral.
Ao arcebispo foi-lhe concedida a proposta de uma Cadeira, a de n" 22, cujo Patrono por ele seria escolhido, o que se deu com a designação de D. Aquino Corrêa, prosador, orador e poeta, Arcebispo de Cuiabá.
D.Zioni leu a sua tese em Sessão Solene, na data de 31 de março de 1979.
Desde então é nosso companheiro assíduo, quer em reuniões ordinárias, quer em Sessões Solenes, nos momentos de euforia ou de preocupações assegurando-nos com sua presença, o ambiente reconfortante de bênçãos e de paz tão necessária a cada circunstância.

Outro exemplo que tanto enobrece a Academia é o de D. Antônio Maria Mucciolo que, ao ser eleito como Membro Honorário optou também, entusiasticamente, pela posição de Efetivo, manifestando-se conviver e integrar-se ao nosso ambiente para o qual se mostra voluntariamente participante.
Ocupará, com a posse a se realizar nesta sexta-feira (25/09/98), em sessão solene festiva, a Cad. N° 7, cujo Patrono é Guilherme de Almeida.
Arcebispo de Botucatu desde 1989, D. Antônio Maria Mucciolo registra em seu brilhante curriculum-vitae títulos enobrecedores de intensa vida apostólica o que o faz um perfeito Arcebispo-Itinerante a percorrer zelosamente a imensa Arquidiocese levando com sua presença, seu exemplo e seus cuidados a sacra proteção de sua palavra, seu estímulo, sua orientação segura.
Da sua personalidade extraordinária fala muito alto a participação ativa na criação e instalação da Rede Vida de Televisão - o Canal da Família, que em seus três anos de existência conquistou uma notoriedade mundial, atraindo a si cerca de oitenta milhões de telespectadores.
Destacando a personalidade de nossos dois Arcebispos e o que ambos representam no convívio acadêmico que tanto deles se engrandece, esta coluna presta-lhes respeitosa homenagem na comemoração solene dos vinte e cinco anos de existência da ABL.

(revista PEABIRU nº 11 – setembro/outubro/1998 –Ano I)