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dezembro 15, 2017

Roberto Abreu Sodré, Herbert Levy e Carlos Lacerda - Visita Histórica a Botucatu - 1964


 REGISTRO HISTÓRICO :



 Nos anos 50 e 60, a ESCOLA NORMAL atingia o auge do prestígio educacional. Mesmo com seu nome alterado para INSTITUTO DE EDUCAÇÃO "DR. CARDOSO DE ALMEIDA". E o prestígio da nossa Escola Normal  transformava a cidade de Botucatu em palco privilegiado do mundo político nacional.
Assim, em 1963, as professorandas tiveram como paraninfo o Sr. Laudo Natel, Vice-Governador do Estado de São Paulo. E, em 1964, as formandas escolheram o Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Era simplesmente o político mais polêmico do país e candidato a Presidente da República nas eleições de 1966 (que seriam adiadas e transformadas em eleições indiretas pelo Regime Militar).
Por aí dá para se ter uma idéia da importância nacional da tradicional Escola Normal de Botucatu! Em todas as solenidades nos anos anteriores, sempre o Paraninfo escolhido era um cidadão das mais altas qualificações, quer fosse da cidade ou da capital ou de outro estado.
Carlos Lacerda durante sua vida, por duas vezes esteve em Botucatu. A primeira vez, nos idos de 1935, quando procurado pela polícia, após sua participação no grande evento que foi o lançamento do Manifesto Comunista por Luís Carlos Prestes, quando Lacerda fora o Orador Oficial. Nessa ocasião, Lacerda abrigou-se por uns dias na Fazenda do Sr. José Augusto Rodrigues, conforme depoimento do mesmo. Na segunda vez, em 1964, já então Governador do Estado da Guanabara (Rio de Janeiro), Lacerda veio paraninfar asProfessorandas do Instituto de Educação "Dr. Cardoso de Almeida". A notícia da solenidade, publicada no jornal "O ESTADO DE S. PAULO", de 22/12/1964, nos dá uma idéia de sua presença entre nós, ciceroneado por Antonio Delmanto (presidente municipal da UDN) e pelo Deputado Estadual Roberto de Abreu Sodré(presidente regional da UDN):
"...O Governador dirigiu-se juntamente com sua comitiva à casa do Sr. Lourenço Ferrari, para se preparar para a cerimônia de formatura dos professorandos do Instituto de Educação "Dr. Cardoso de Almeida", e às 20 e 15 chegou ao Tênis Clube onde se realizaria a cerimônia. Além do governador Lacerda, fizeram parte da mesa Dom Henrique Golland Trindade, Arcebispo de Botucatu; dep. Herbert Levy; cap. Armando Siciliano, da junta de Recrutamento local; José Pedretti Neto, patrono da turma; Benedito Mendes de Almeida, inspetor regional; Octacílio Paganini, presidente da Câmara; Joaquim Amaral Amando de Barros, prefeito de Botucatu; Waldir Danziato, diretor do Instituto de Educação e Roberto de Abreu Sodré, presidente da UDN Regional."


"Na ocasião, Lacerda discursou sob rara inspiração, tanto que no final, encerrando, dom Henrique lembrou "...que aquele ginásio, palco de tantas lutas físicas, recebia agora o campeão da palavra, o governador da Guanabara."
 Além da solenidade de formatura, Lacerda tivera encontro, à tarde, com lideranças sindicais e políticas, no Círculo Operário, onde o debate foi aberto aos presentes.

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Visita Histórica: Em dezembro de 1964, o Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, veio aBotucatu paraninfar as professorandos do Instituto de Educação "Dr. Cardoso de Almeida" (ESCOLA NORMAL). Na oportunidade, proferiu palestra no Círculo Operário. Presente, a alta cúpula da UDN: à partir da esquerda, deputado federal Herbert Levy, governador Lacerda, deputado estadual Abreu Sodré e vereador Antônio Delmanto.

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agosto 08, 2016

Igreja da Vila dos Meninos Sagrada Família

Igreja da Vila dos Meninos Sagrada Família


Hoje a VILA DOS MENINOS SAGRADA FAMÍLIA
 ocupa área das mais valorizadas de Botucatu. Na verdade, quando de sua construção essa área era um descampado, hoje, com a moderna Avenida Vital Brasil, com o Boulevard, com o Trade Center e com os seus  estabelecimentos comerciais passou a ser um ponto urbano muito valorizado.

E da planta de todo o conjunto da “Vila dos Meninos” temos, com destaque, a IGREJA. Ainda pouco conhecida de toda a comunidade é um dos mais belos templos religiosos de nossa cidade. No estilo “espartano” que Dom Henrique implantou na reforma e adequação da Catedral Metropolitana aos novos preceitos da Igreja Católica, também encontramos na IGREJA DA VILA DOS MENINOS.

A sua inauguração, em 05/06/1966, com a presença de autoridades municipais e do povo, a "VILA" foi inaugurada, com os 53 meninos internados, sob a direção interna das abnegadas Irmãs Religiosas "Servas do Senhor". Dom Henrique não cabia em si de tão contente, agradeceu a ajuda da população botucatuense e os esforços da Diretoria para dotar a cidade de uma casa para os meninos residirem e serem educados para uma vida melhor. Com a realização da primeira missa na Igreja da Vila dos Meninos, Dom Henrique concluia a sua missão de proteger os meninos desamparados, desde sua passagem pela Bahia e desde a sua chegada a Botucatu.



do livro "Gente de Dantes", de Luiz Baptistão

Dom Henrique sentia que faltava em Botucatu, um teto para abrigar o menino de rua. Assim, em 1953, fundou um lar para eles em sua própria moradia, abrigando 10 meninos. Também, em 1953, foi lançada a pedra fundamental da "VILA" e iniciada a construção de seus alicerces. Foi longa a caminhada, mas com a ajuda firme e dedicada de sua Diretoria, a obra estava concluída em 1966.

Vale uma visita para conhecer a obra meritória de Dom Henrique, hoje sobrevivendo da ajuda da comunidade em eventos beneméritos que realiza.




REGISTRO HISTÓRICO:


VILA DOS MENINOS “SAGRADA FAMÍLIA”



“Desde sua chegada a Botucatu, d. Henrique, Bispo Diocesano, fez uma promessa solene: cuidar dos menores abandonados e construir um abrigo.Penso que de tudo o que soube de nossa gente, foi induzido a estabelecer provisoriamente em sua residência um reduto de meninos desfavorecidos de recursos.”(jornal “DEMOCRACIA”, 26/03/50)

Mais tarde, com o prof. Vieira Novelli se dispôs a fundar uma “Vila”, destinada a amparar meninos abandonados ou faltos de atendimento.

Então, no dia 02/06/53, no Paço Episcopal formou uma comissão sob a sua orientação, composta do Padre João Ramalho Dias, prof. Milton Mariano e das exmas. Senhoras d. Eulalina Rodrigues Torres, Anita Fernandes, Fióca Delmanto e Olinda Thadei, para angariar fundos. Por seu lado, a Mitra Diocesana doou um terreno no valor de Cr$ 80.000,00. Das famílias visitadas, a Comissão arrecadou a importância de Cr$ 192.000,00.


final da construção da "VILA DOS MENINOS"

Dom Henrique designou a primeira Diretoria:

Dr. Antonio de Araújo Azevedo – Presidente (posteriormente substituído por Luiz Baptistão); Fióca Delmanto – Vice; Rosa Maria Peduti Nogueira e Jair Conti – 1ª e 2ª Secretarias; Ignácio de Loyola Vieira Novelli e Antonio Melhado de Campos – 1º e 2º Tesoureiros.  A mesma Diretoria continuou até a inauguração da “Vila dos Meninos” em 1966.

março 31, 2016

O Simbolismo Cívico de Botucatu - Registro Histórico.

O Brasão de Botucatu

Os Símbolos do Município de Botucatu tem sido, nos últimos tempos, objeto de acaloradas discussões, protestos e movimentos organizados. Isso revela que a nossa simbologia cívica está necessitada de uma maior adequação à história botucatuense.
 Foram 3 os Brasões de Botucatu:

1º Brasão - o Brasão do Centenário - foi o que mais permaneceu oficialmente.  Surgiu por ocasião das comemorações de nosso 1º Centenário.  A municipalidade atendeu às reivindicações das forças representativas da comunidade e à necessidade de o município elaborar o seu símbolo representativo, designando o escritor botucatuenseHernâni Donato e o professor Gastão Dal Farra para que elaborassem o Brasão de Botucatu.  Como era o nosso primeiro Brasão, contou com  entusiástica  colaboração doProf. Sebastião  de  Almeida Pinto.  O Brasão elaboradotrazia em seu bojo a história de Botucatu, tendo passado pelo crivo exigente do Prof. Sebastião de Almeida Pinto, destacado historiador botucatuense, do Prof. José Pedretti Neto, também destacado estudioso de nossa história e do parecer minucioso de nosso 1º Arcebispo - Dom Henrique Golland Trindade.
Na perspectiva do preciosismo da heráldica, com certeza, em alguns aspectos técnicos do brasão, haveria falha técnica em sua elaboração.  É compreensível.  No entanto, destaque-se o encontro perfeito e completo de nossa história com o simbolismo gráfico do brasão.
2º Brasão surgiu no final dos anos 70.  Foi uma grita geral.  Após 26 anos, as autoridades constituídas resolveram mudar o Símbolo Oficial do Município.  A ausência de participação dos botucatuenses e a pressa na mudança foi destacada por pronunciamentos dos Vereadores e claro posicionamento das Entidades representativas, com destaque para a Academia Botucatuense de Letras.  Trabalho do Sr. Lauro Escobar, especialista em heráldica, o nosso 2º Brasão foi elaborado na mesma época que o Brasão da vizinha cidade de Anhembi.  Eram parecidos.  Nosso 2º Brasão estava condenado a ter vida curta...
No ano de 1983, a Prefeitura Municipal de Botucatu patrocinou nova mudança em nosso Símbolo Municipal.
Nosso 3º Brasão surgiu de consulta pública, sob a coordenação da Prefeitura Municipal e colaboração da Academia Botucatuense de Letras.
Embora aberta à participação da comunidade, a elaboração do 3º Brasão de Botucatu não empolgou, eis que não houve motivação suficiente para que os botucatuenses se mobilizassem.
É sabido que não basta ser perito em heráldica para ser capaz de compor um Brasão.  É preciso ir além.  É preciso conhecer o espírito do povo, a sua história, para que o Símbolo Oficial a ser elaborado seja, realmente, o intérprete desses fatores, quer sob o aspecto histórico, quer sob o aspecto de sua plasticidade técnica.  Um perito em português, é sabido, nem sempre faz a melhor poesia...
Optou-se pela mudança , mais uma vez...No entanto, o 3º Brasão  não  empolgou a população , nem durante a sua feitura e, o que é mais grave, nem depois que se transformou, por força de lei, em Símbolo Municipal.  De uma técnica perfeita e de uma plasticidade inatacável, o nosso 3º Brasão  é irritantemente ínsipido e frio e vazio, em termos de mensagem e simbolismo.
movimento pró-retorno do Brasão do Centenáriocontinua...Isso é significativo.  Por ocasião das discussões à respeito da mudança de nosso Brasão, o historiador botucatuense escreveu vigoroso artigo e deixou o seu alerta: "...Em futuro não remoto, a Academia, o Centro Cultural, a Casa de Cultura, os jornais e as rádios bem que poderiam levar o assunto à tribuna irrecorrível: o plebiscito..."
Breve, Botucatu estará comemorando o seu 159ºaniversário.  Quem sabe será uma oportunidade para que haja o tão esperado casamento entre os nossos Símbolos Municipais e a História deste povo que soube construir, no cimo da serra, uma comunidade participativa e orgulhosa de seu passado, vivenciando o seu presente e construindo o seu futuro.

SUGESTÃO: Já demos a nossa sugestão e vamos repetí-la: que se mantenha o atual Brasão e se eleve a nível de BRASÃO DO CENTENÁRIO o nosso Brasão Histórico, elaborado por Hernâni Donato e Gastão Dal Farra. Nos links apresentados na abertura “O Brasão de Botucatu I e II”, apresentamos toda a luta pela manutenção do Brasão do Centenário, com o o artigo do Hernâni Donato, os discursos dos vereadores e artigo dedicado ao nosso símbolo municipal. Vale a leitura

A seguir, daremos os aspectos técnicos de cada Brasão.

O Brasão do Centenário
1º Brasão (de 1952 a 1978)

Criado  pela Lei nº 273, de 28/08/52, o 1º Brasão de Botucatu foi elaborado pelo historiador botucatuenseHernâni Donato e desenhado pelo também botucatuense Prof. Gastão Dal Farra. Prefeito: Emílio Peduti.
"Descrição : Escudo redondo português encimado pela coroa mural da municipalidade, dividido em dois quartéis sendo o primeiro cortado.  No primeiro quartel, na parte de dextra, em sinople, três montanhas heraldicas, cortadas do leste para o oeste geográficos por um caminho em ascensão e ao pé das montanhas uma capela rústica encimada por uma cruz.  No primeiro quartel, na parte de senextra, em blau, da esquerda para a direita um sol e uma estrela sobre dois rios paralelos.  No segundo quartel, um livro, um báculo e um arado manual.  Na coroa, em escudete, um fuso encimado pelo seu significado de atividade matriarcal, o orago da cidade.  Como suportes, à dextra, um ramo de café frutado em goles, à senextra um ramo florido de algodão em cor natural.  No listél, em letras de ouro sobre sinople, a palavra "Botucatu".
Justificativa: O escudo português, redondo, liga a origem da cidade e o povoamento do município à tradição lusitana no Brasil.  No primeiro quartel, à dextra, as montanhas heraldicas mostram a Serra de Botucatu, balisa no caminho dos bandeirantes, principal distintivo geográfico da região e primeiro elemento da mesma que compareceu na História.  O caminho ascendente lembra as estradas coloniais que fizeram da serra um carreadouro de civilização e de povoamento, a ponto de haver um governador da província determinado que a ida ou o retorno do sertão se fizesse atravessando aquelas serras.  A capela ensina que a primeira construção e tentativa de povoamento é devida aos padres da Companhia de Jesus que ali mantiveram uma fazenda de criar, de 1719 até 1760, na qual fazenda nasceram os primeiros botucatuenses cristãos.  A capela mostra ainda que a cidade nasceu para a civilização, tal como o Brasil e São Paulo, sob o signo da Cruz de Cristo.  O campo em sinople relembra as pastagens que constituiram o motivo, a formação das primeiras fazendas e núcleos populacionais.  Na parte da senextra, o campo blau diz da pureza do clima que veio dar o nome à região, sabido que Botucatu significa bons ares.  A estrela, símbolo das virtudes teologais afirma que a cidade e o povo foram sempre firmesem sua Fé erguendo inúmeros templos de várias profissões religiosas; constante na sua caridade, mantendo asilos e casas de abrigo, e da sua permanente Esperança nos dias futuros.  Os rios paralelos que são o Tietê e o Pardo, confirmam o ensinamento de que Botucatu cumpriu desde os seus primeiros dias a missão de conduzir através de seu território a civilização e a conquista.  O Tietê conquistou o sertão do Brasil, nos séculos XVII e XVIII e o Pardo povoou o sertão de São Paulo no século XIX.  No segundo quartel, o livro, o báculo e o arado dizem que a projeção da cidade e do município veio do seu trabalho profícuo e da sua atividade espiritual pois durante meio século Botucatu foi o maior centro educacional do sudoeste paulista e do território de sua diocese é que sairam os territórios de várias outras dioceses paulistas.
     Na coroa, em escudete, o fuso, significando atividade matriarcal, demonstrando que o orago da cidade é Sat´Anna.  Como suportes, à dextra um ramo de café frutado lembrando que o município não só foi grande produtor de café mas também origem de uma importante variedade: o "café amarelo" ou "café de Botucatu".  À senextra, um ramo florido de algodão que foi outro importante produto agrícola da região.  A final, é consignado o nome do município no listél, objetivando bem individualizar o brasão."

 2º Brasão
(de 1978 a 1983)

Criado pela Lei nº 2.130, de 12/03/78, foi elaborado porLauro Ribeiro Escobar.  Prefeito: Luiz Aparecido da Silveira.
"Descrição : Escudo ibérico, de blau, com um monte de três cabeços de jalde, movente da ponta, carregado de um fuso de goles, um aquilão de argente sainte de nuvens do mesmo, movendo do ângulo sinistro do chefe e bordadura de goles, carregada em chefe de uma cruz flordelizada, acompanhada em orla de sete flores de liz, tudo de jalde.  O escudo é encimado de coroa mural de argente, de oito torres, suas portas abertas de goles e tem como tenentes, à dextra, a figura de um bandeirante e à sinistra, a figura de Minerva, em trajes característicos, ambos de carnação.  Listél de blau, com o topônimo "BOTUCATU" e letras de jalde.
Justificativa :Escudo ibérico, em azul, usado em Portugal à época do descobrimento do Brasil, evoca os primeiros colonizadores de Botucatu; um monte de três cabeças - em amarelo - simboliza a Serra de Botucatu; aquilão prateado, saindo das nuvens, simboliza o topônimo Botucatu: "Ybiti", ventos, ares, e "Katu", bons; fuso em vermelho, evoca Santana, padroeira da cidade; coroa prateada significa emancipação política do Município; bandeirante, à direita, evoca os bandeirantes que tinham seu marco na Serra de Botucatu, em sua caminhada para oeste; Minerva, à esquerda, deusa da Sabedoria representa o centro de cultura, que é Botucatu, pelas famosas escolas; listél com topônimo Botucatu, em amarelo."
 3º Brasão
(desde 1983)

Criado pela Lei nº 2.397, de 10/11/83, foi elaborado a partir do concurso aberto, sob a Coordenação da Prefeitura e Academia Botucatuense de Letras, buscou, em substituição ao 2º Brasão, a elaboração de um brasão tecnicamente bem elaborado.  Prefeito: Antonio Jamil Cury.
"Descrição :Escudo português.  Portas abertas das torres. Campo azul. Fuso de prata. Terra do verde. Perfil da cuesta e ramos de café amarelo.
Justificativa : O escudo português indica a cultura que fundamenta a comunidade pátria e a local, cuja categoria de município é atestada pela coroa mural. As portas das torres, abertas em azul, asseguram a hospitalidade aos que chegam. O campo azul reflete o céu e o clima que inspiraram ao indígena o nome ybytukatu, significando bons ares. O fuso de prata, símbolo do trabalho e de Sant´Anna, a Padroeira, nele reverencia os fundadores da cidade e nela celebra as virtudes da Mãe e Mestra. O verde do terrado acentua a fertilidade da terra e evoca o dilatado território original botucatuense, matriz de muitos outros municípios. A faixeta de prata evidencia o perfil da cuesta, impressiva característica geográfica da região, recordando, ainda, caminhos que mesmo antes do descobrimento do Brasil, cruzando o chão municipal, serviam de intercâmbio de conhecimentos e riquezas, os ramos de cafeeiro, frutificados em amarelo ouro, realçam a variedade chamada "Café Amarelo" ou "Café Botucatu", privilégio das lavouras locais. O topônimo "Botucatu", em prata listél azul, valoriza o respeito dos municípios pelos legados do passado, reafirma o seu zelo pelas singularidades da terra e a perseverança nos valores espirituais e fraternos e garantias de futuro melhor." (AMD)

outubro 21, 2014

Dom Henrique Golland Trindade: uma mão franciscana e amiga foi estendida para mim...

Dom Henrique Golland Trindade: uma mão franciscana e amiga foi estendida para mim...



“Vou lhes dar 3 diagnósticos para um mal que é típico da gente serraçuma:

1º ato – Cornélio Pires, no palco do Casino, fim dos anos 30: “é difícil entender este povo. Gosta das minhas piadas porque ri de estourar. Mas não move as mãos, não aplaude. É frio.”

2º ato – Um humilde botucatuense que nos anos 40 chegou a campeão brasileiro de um certo esporte: “o pessoal, lá na terra, parece que tem vergonha de me cumprimentar. É onde menos sou festejado!”

3º ato – D.Frei Henrique, anos 50, assistindo a um bem organizado desfile cívico-religioso, ali na Cel. Moura: “Aplaudam. Vamos aplaudir, ó povo frio. Não sabem o trabalho que dá?”                                      

                   Hernâni Donato.


Dom Henrique Golland Trindade, foi nosso 4º Bispo Diocesano, tomando posse em 1948 e, em 1958, tomou posse como nosso 1º Arcebispo até 1968: foram 20 anos de pastoreio onde pode compreender o “espírito” dos botucatuenses como afirmou Hernâni Donato no trecho de abertura.






Antônio Delmanto como presidente da Câmara Municipal recepcionou
Dom Henrique em sua chegada a Botucatu



Agora, está completando 40 anos de seu falecimento (06/11/1974).
Reformou e modernizou a Catedral, construiu a Vila dos Meninos “Sagrada Família”, fundou a Ordem das “Servas do Senhor” e comandou a Comissão de Botucatu Pró Faculdade de Medicina. Foi de todos os bispos e arcebispos o que mais interagiu com a comunidade botucatuense.

Vamos mostrar, resumidamente, sua atuação na chegada a Botucatu: a construção da Vila dos Meninos, a sua interação com a Maçonaria, o seu comando na conquista da Faculdade de Medicina (Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu – FCMBB) e a sua mão estendida a uma criança...

A CHEGADA A BOTUCATU DE SEU 4º BISPO  DIOCESANO

A posse de Dom Henrique ocorreu em 15 de agosto de 1948. A posse foi festiva. A cidade se engalanou com autoridades estaduais e municipais, autoridades judiciárias, militares e religiosas e com maciça presença da população. Com destaque para a presença do Governador Adhemar Pereira de Barros e sua esposa Dona Leonor Mendes de Barros. No jornal “DEMOCRACIA”, de 15/08/48, a notícia do grande acontecimento:

“Às 15 horas, acompanhado do Sr. Governador do Estado e Exma. Esposa, dos Secretários de Viação e Obras Públicas, da Justiça e do Interior, d. Frei Henrique desembarcou no aeroporto local. Após cumprimentos S.Exa. Revma. Se dirigia ao Paço Municipal acompanhado de um cortejo de mais de cem automóveis. Na Prefeitura, d. Frei Trindade, foi saudado em nome do Prefeito, pelo prof. Adolfo Pinheiro Machado que saudou, também, o Sr. Governador do Estado.”

VILA DOS MENINOS “SAGRADA FAMÍLIA”



“Desde sua chegada a Botucatu, d. Henrique, Bispo Diocesano, fez uma promessa solene: cuidar dos menores abandonados e construir um abrigo. Penso que de tudo o que soube de nossa gente, foi induzido a estabelecer provisoriamente em sua residência um reduto de meninos desfavorecidos de recursos.”(jornal “DEMOCRACIA”, 26/03/50)

Mais tarde, com o prof. Vieira Novelli se dispôs a fundar uma “Vila”, destinada a amparar meninos abandonados ou faltos de atendimento.
Então, no dia 02/06/53, no Paço Episcopal formou uma comissão sob a sua orientação, composta do Padre João Ramalho Dias, prof. Milton Mariano e das exmas. Senhoras d. Eulalina Rodrigues Torres, Anita Fernandes, Fióca Delmanto e Olinda Thadei, para angariar fundos. Por seu lado, a Mitra Diocesana doou um terreno no valor de Cr$ 80.000,00. Das famílias visitadas, a Comissão arrecadou a importância de Cr$ 192.000,00.


final da construção da "VILA DOS MENINOS"

Dom Henrique designou a primeira Diretoria: Dr. Antonio de Araújo Azevedo – Presidente (posteriormente substituÍdo por Luiz Baptistão); Fióca Delmanto – Vice; Rosa Maria Peduti Nogueira e Jair Conti – 1ª e 2ª Secretarias; Ignácio de Loyola Vieira Novelli e Antonio Melhado de Campos – 1º e 2º Tesoureiros.  A mesma Diretoria continuou até a inauguração da “Vila dos Meninos” em 1965.

A IGREJA E A MAÇONARIA

No jornal “DEMOCRACIA”, de 11/08/48, encontramos o registro da visita do novo Bispo à Misericórdia Botucatuense:

“Comovente visita de D. Henrique à Misericórdia:
“S.Exa.Revma. foi saudado pelo dr. Antonio Pires de Campos, que em brilhante improviso exaltou a fé, a satisfação pela visita do Pastor e historiou a fundação, enaltecendo o trabalho humanitário realizado pelo benemérito médico dr. Costa Leite.
D. Henrique agradecendo, pronunciou uma verdadeira peça oratória, sempre se referindo aos pobres, aos que sofrem, ao significado do hábito de se beijar o anel episcopal, tão condenado por alguns, e, finalizando, pediu permissão ao venerando dr. Costa Leite em beijar-lhe as mãos, aquelas mãos caridosas que tanto haviam feito pela pobreza e que, beijando-as expressava a gratidão dos pobres.
O dr. Costa Leite, bastante comovido, olhos cheios de lágrimas, retribuiu beijando o anel de Dom Henrique...”
Que bonita cena.Que bela simbiose entre integrantes de uma mesma comunidade. O Pastor beijando as mãos do médico humanitário e venerável maçon e este, por sua vez, beijando o anel do Bispo em sinal de respeitoà autoridade religiosa.”

NO COMANDO DA COMISSÃO PRÓ FACULDADE DE MEDICINA

Botucatu estava fragmentada, como sempre, pelas divisões na política. Pois o Governador Jânio Quadros, admirador de Dom Henrique viu como uma solução a unificação política na Comissão Pró Faculdade de Medicina sob o comando absolutamente neutro de nosso Pastor.

A”FOLHA DE BOTUCATU” trouxe o manifesto de Dom Henrique sobre o movimento pró-Faculdade de Medicina:

“ESTEJAMOS UNIDOS PARA SERMOS FORTES”
“Importante manifestação pública do Bispo Diocesano sobre a criação da Faculdade de Medicina. A CAUSA É DE BOTUCATU INTEIRA.
“Vimos acompanhando com interesse e atenção o trabalho que se desenvolve em favor da Faculdade de Medicina de Botucatu. Estamos compartilhando, de coração, dessa esperança justíssima baseada em opiniões valiosas, com que nosso povo aguarda palavra definitiva sobre tão importante assunto. Entendemos que a causa é de Botucatu, de Botucatu inteira, de Botucatu intelectual, Botucatu operária, Botucatu abastada, Botucatu pobre. E, por assim entendermos, julgamos também que é dever de todos e, por isso mesmo nosso, de trabalhar para que essa esperança se torne realidade o mais breve possível.
E nesta hora achamos que é missão do Bispo apelar ao povo de Botucatu, a seus filhos mais ilustres, às suas autoridades, aos seus dirigentes políticos, aos seus homens do comércio, da indústria e da lavoura para que se unam, num esforço comum, em pról de uma causa comum.
O Bispo, que tanto ama esta terra, e da qual se considera filho, sentir-se-á feliz,sumamente feliz, se puder contribuir para a união de todos e, através dessa união, conseguir, com a graça de de Deus, a Faculdade de Medicina de Botucatu.
Em 12 de maio de 1958.
D. Henrique G. Trindade.
Bispo Diocesano.”

A mesma “FOLHA”, DE 11/06/58, TRAZ A MANCHETE: “MOVIMENTA-SE A COMISSÃO PRÓ-FACULDADE DE MEDICINA.”, completando: “EMBAIXADA BOTUCATUENSE, CHEFIADA PELO BISPO, conferenciará com o GOVERNADOR.”

RESUMO: O Governador Jânio Quadros criou a Faculdade de Medicina de Botucatu em 1958. Em 1962, o Governador Carvalho Pinto, ampliando sua concepção, criou a FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS E BIOLÓGICAS DE BOTUCATU – FCMBB, devidamente instalada em 1963. É REGISTRO HISTÓRICO!

MÃO FRANCISCANA E AMIGA...

Botucatu tem prestado suas homenagens à memória de Dom Henrique. Através de livros e da imprensa, suas obras estão sendo lembradas. No livro “Memórias de Botucatu 2”, de 1993, no capítulo “Dom Henrique – O Semeador!”, prestamos a nossa homenagem historiando sua trajetória como Bispo e Arcebispo de Botucatu. E no jornal “Vanguarda de Botucatu”, de agosto de 1973, fizemos um artigo sobre a sua obra VILA DOS MENINOS DA “SAGRADA FAMÍLIA”.

Mas é importante registrar uma passagem da qual fomos participantes e pudemos sentir a presença paterna e solidária de Dom Henrique.

Em casa tínhamos sua foto ao lado da foto do Papa Pio XII. A foto foi dedicada ao meu pai e à família. Uma seta mostra o seu retrato na parede, é a foto da abertura deste post.



Na minha formatura no Ginásio Arquidiocesano La Salle, em 1962, acompanhado de minha mãe recebi o abraço amigo de Dom Henrique. E o registro da “mão franciscana e amiga estendida para um menino":



“Uma pequena estória envolve o escriba e esse franciscano culto e simpático que foi Dom Henrique.

Eu cursava, no período da tarde, o preparatório para o exame de admissão no Ginásio Arquidiocesano “Nossa Senhora de Lourdes”. Ainda não tinham vindo os Irmãos Lassalistas. Era época do Padre Claudino.

Eis que numa tarde, durante a aula, um colega de classe traz a notícia que estourou como uma “bomba” em minha cabeça. Era problema de família e atingiu-me em cheio. Nunca mais tive uma reação como aquela, não tive controle. A chorar, deixei a sala de aula e o ginásio correndo e, sem rumo, fui me sentar na calçada, encostado na parede de fundo da Catedral.

Provavelmente, acionado pelo Diretor, pouco tempo depois surge Dom Henrique. Desce do carro e se dirige a mim:
 “- Como é Armandinho, já terminaram as aulas?” Arrematando em seguida e sem chance para qualquer raciocínio: 
“- Venha comigo, vamos tomar um lanche no Palácio.”

E lá fomos no carro de Dom Henrique. A mesa já estava posta e era farta e atraente, com bolo, pão, bolacha, geleia e frutas. Fiquei deslumbrado.
Dom Henrique sabia prender a atenção e encantar com sua simpatia e cultura. Falou de tudo, menos de meu problema. Levou-me a passear pelos belos jardins do Palácio Episcopal. Depois, o carro levou-me para casa onde minha mãe já me esperava. O problema continuava, mas aquela atitude de Dom Henrique valera por mil consolos e chegara na hora exata em que era necessária. Não falou sobre o assunto e nem era necessário. O que houve foi apenas o apoio amigo, a presença amiga e o carinho amigo.
Não era preciso mais nada. Nem palavras e nem sermões...

Isso me fez bem, muito bem. Aquela companhia tão importante e imponente a tratar com tanta atenção um garoto...Eu estava carente e naquele momento uma mão amiga foi estendida para mim...
Esse foi o Pastor que conheci.
Esse foi Dom Henrique, o nosso 1º Arcebispo.”

(artigo publicado no livro “Memórias de Botucatu 2”, de 1993, págs. 109/110)

Essa a minha homenagem a Dom Henrique Golland Trindade. Amigo de minha família e padrinho de Crisma de meu irmão Décio...

No ano de 1970, quando lancei meu primeiro livro, “Juventude: Participação ou Omissão”, ele enviou-me uma mensagem inesquecível. Já era Arcebispo Resignatário e morava no Convento das Irmãs “Servas do Senhor” que ele fundou, com toda a humildade. Seu quarto tinha apenas uma cama e um criado mudo.


A mensagem:
“A Juventude: participação ou omissão. Querido Armando – Obrigado. Parabéns. – Parece um sonho. mas é uma realidade. O menino de ontem, o jovem de hoje, o homem de amanhã!
Parabéns! Continue. Gratíssimo. O Senhor o ilumine e lhe dê coragem sempre.
Seu velho amigo arcebispo. Frei Henrique. Btu 29/09/70.”