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abril 03, 2016

PAULO BOMFIM - O Príncipe dos Poetas! - fez poesia para Botucatu

"EU VOU PRA BOTUCATU” – Poesia de Paulo Bomfim



Verdadeiramente é um privilégio: o PRÍNCIPE DOS POETAS BRASILEIROS homenageando Botucatu...Recebemos, em 2001, a primeira Reunião da APL – Academia Paulista de Letras realizada fora da Capital (em conjunto com a Academia Botucatuense de Letras) e, na ocasião, fomos brindados com essa linda poesia de Paulo Bomfim.

(revista cultural PEABIRU nº27, março/abril de 2009)
clique na imagem para ampliá-la

O poeta já tinha mantido contatos e feito uma visita a Botucatu. E a sua poesia mostra toda a sensibilidade do PRÍNCIPE DOS POETAS BRASILEIROS...




abril 07, 2015

O Batizado da Cidade Morena, poesia de José Pedretti Neto.

O Batizado da Cidade Morena, poesia de José Pedretti Neto.


Completando a Série “Botucatu é Poesia”, trazemos uma preciosidade literária que é o poema-homenagem de Pedretti Neto à sua cidade. Em um tempo em que os poetas escreviam e homenageavam seu torrão natal... Já próximos do aniversário de Botucatu, ao mesmo tempo que divulgamos a boa literatura, procuramos incentivar novos poetas a apresentarem seus trabalhos no exercício sadio da cidadania.

Pedretti Neto (artigo no final) exerceu o magistério e o jornalismo, tendo participado de todos movimentos culturais de nossa cidade. Já falecido, foi lembrado na fundação da ABL – Academia Botucatuense de Letras como seu PATRONO, quando HUGO PIRES fez sua ilustração para a Galeria dos Patronos da ABL.


O seu poema cívico em homenagem a Botucatu também foi apresentado durante as comemorações do 1º Centenário, no dia 26 de maio de 1955 e publicado na edição de nº 1, da revista botucatuense de cultura - PEABIRU, de janeiro/fevereiro de 1997:



O BATIZADO DA CIDADE MORENA


Houve uma festa enorme

no batizado da cidade recém-nascida.

Na catedral verde da mata

toda enfeitada de festões e cipoama

o padrinho foi o primeiro que chegou.

Era um bandeirante ousado e façanhudo.

um comedor de terra.

um come-léguas,

um Chico vira mundo.

Entrou com o facão abre-picada

e sem dar satisfação

meteu as botas pela nave tapetada de musgo.

Lá fora

no átrio da igreja de esperança,

- capim fino, dormideiras, maravilhas brancas e vermelhas...
                                                                                     (joás...

tudo que é planta e flor se transformou num tapete em demanda da pia batismal !

O bandeirante façanhudo

carranca carregada.

barba negrejante,

subiu a serra

e parecia que o coração aos saltos lhe saia pela boca.

Lá em cima,

nos corcovos da terra

a serra descia e subia e voltava e sumia

brincando de esconde-esconde com o sol.

O bandeirante parou extasiado e

respeitoso fez o Sinal da Cruz.



Depois, conclamando as gentes prá festança disparou um violento tiro de arcabuz.

A serra inteira incendiou-se de luz...

Veio o padre.

seu vigário.

todo de preto,

mas alegre e brincalhão.

Parece que este homem tem um sol no coração.

Bem se vê que ele é destemido,

destorcido.

capaz de enfrentar o saci, o curupira

e até assombração !

Cruz credo !

Este homem não tem medo de mula sem cabeça...

Este homem dá risada do caipora e

da magia dos pagés.

Este homem

- parece mentira ! -

na terra de Tupã plantou uma capelinha.

Uma capelinha que diante da serra é tão pequenina,

miudinha,

assim deste tamanho...

Mais parece uma casa de boneca essa capela...

Mas essa capela tão pequena,

com seu sino espevitado.

desafinado.

marcou o destino da terra que nascia :

a marca da alegria e da bondade

que os sinos de Deus imprimem na vida,

nos homens,

nos povos,

nas cidades...

E seu vigáno-jesuíta

trouxe coroinhas cor de cobre

uns tapuias que moravam por ali.

Na cátedral verde da mata

os picos da serra eram torres apontando o Infinito !

Um artista consumado,

o vento sul,

vento andejo.

moleque endiabrado,

independente como ele só,

altivo como não há outro,

ajeitou a ondulante cabeleira de maestro

e depois

com a batuta das palmeiras

vaidosas,

esperançosas,

altaneiras,

preludiou o "Glória" na ramagem da floresta.



Era o início da festa !



O bandeirante chegou desajeitado

carregando nos braços possantes um corpo franzino de

menina.

Um corpo moreno

vestido do azul do céu

e do branco das nuvens.

O padre tirou do Lavapés a água lustral

para o batismo da cidade.

E enquanto falava com Deus numa língua desconhecida

tomou o óleo louro do sol

e com ele traçou no corpo moreno da terra o sinal da Cruz!

Depois,

num gesto altivo e nobre,

levantou a voz e proclamou :

"Em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo

eu te batizo. Botucatu."

Pelas quebradas, pelos vales, pelas grotas,

pelas picadas da serra,

na paz das solidões e das malocas,

o eco repetiu o nome batismal...

Acordaram as tribos mal dormidas...

Repetia a Natureza comovida :

Este nome tem um gosto de cantiga

este nome simboliza um fanal...



Depois.

a festança de fazer água na boca.

O Lavapés alcoviteiro.

novidadeiro.

perdendo a languidês saiu aos pulos e aos pinotes

contando umas coisas que ele ouviu.

Umas coisas que não entendeu muito bem

umas coisas esquisitas,

uns pensamentos, umas profecias

saidos da boca de seu vigário-jesuíta.

No ocaso o sol se punha.

O jesuíta olhou a paisagem ensangüentada de sol

e erguendo o braço apontou a distância.

E ali do púlpito telúrico,

para as aves, para as plantas, para os bichos, para o

                                                             [bandeirante,

pronunciou o seu sermão :

- Esta cidade, meus irmãos, um dia

será nossa esperança como já é nossa alegria.

Do Lavapés ao ribeirão Tanquinho,

do Capivara ao Tietê ao Pardo e ao Paranapanema

pela terra onde zunem flechas

por onde andejam as tribos erradias

do Iguatemi ao Ivinhema

há de impor-se o nome de Ibitucatu !

Nome, mensageiro de amor.

mensageiro de fé,

mensageiro de paz,

um nome que há de ser símbolo

para dar ao amigo um abraço,

para dar à criança um regaço,

para fechar os olhos do que morre,

para rezar sobre a campa uma oração.


Para dar ao inimigo o seu perdão!


Botucatu será maior que todas as cidades,

de todos os tempos, de todos continentes,

de todas as idades !

Nessa avaliação não importa a riqueza, nem tamanho.

O que importa é ter nobreza e coração

ser trabalhador, ser honesto e ser cristão !

E Botucatu o será !


Na sua majestade sobre a serrania

ela mesma confessará um dia :

acima de mim, olhai vós todos,

acima de mim somente existe,

a cidade de Deus,

o Deus que me criou !


JOSÉ PEDRETTI NETO




JOSÉ PEDRETTI NETO:

Ele contradisse pelo seu valor a frase evangélica de que ninguém é profeta em sua própria terra. Viu transcorrer sua vida inteira adstrito àquele amor telúrico que o levara, às vezes, à exaltação a mais sincera e entusiasta. Aqui estudou, trabalhou, educou-se e aqui desenvolveu pela sua inteligência e pelos seus exemplos a mais bela e nobre existência de cidadão, professor, de profissional das letras.
Ao contrário da maioria, jamais abandonou o berço para conquistar lá longe os louros da vitória. Aqui se fez e devolveu à Terra-Mãe, aos cêntuplos, todas as honras que lhe coroaram o nome.

Nasceu Pedretti Neto em 12 de agosto de 1920, filho de Nello e Edith Maria Varoli Pedretti. Frequentou a antiga Escola Normal como aluno primário e secundário. Mediante provas graduou-se no nível superior.
Desde aí serviu o agora Instituto de Educação “Dr. Cardoso de Almeida”, por longos anos, como professor de Prática de Ensino. Mediante concurso foi nomeado para Chefiar a Secção de Educação do Curso de Formação de Professores Primários daquele estabelecimento, cargo que ocupou até seu falecimento.

De 1959 a 1964 exerceu a Direção do Estabelecimento, período em que mais brilho se projetou a tradicional Escola. No cinquentenário da antiga Normal, Pedretti Neto convocou e a seu convite reuniram-se numa brilhante confraternização todos os remanescentes de todas as cinquenta turmas diplomadas. Festa inesquecível, quando foram prestadas homenagens aos Mestres do Passado.

Pedretti Neto lecionou no Instituto Santa Marcelina, ocupando as cadeiras de Filosofia e Psicologia. Na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras foi professor catedrático de Metodologia do Ensino. No Colégio La Salle foi professor do curso de contabilidade, lecionando

A par de suas atividades didáticas, Pedretti Neto distinguiu-se como poeta, escritor, jornalista, historiador e tradutor. Herdou do pai, velho jornalista, todo o humor, o senso crítico e a “verve” latina que atraia para suas colunas o leitor interessado. Colaborou com todos os jornais da cidade e da região. Fora da cátedra, seu lugar efetivo era na redação da “Folha de Botucatu” tão bem dirigida e orientada pelo mestre

Casado com a professora Laurentina Peres Pedretti, deixou três filhos que lhe seguiram as sendas do estudo e da inteligência. Sua morte inesperada e prematura, num entardecer de 4 de maio de 1968, deixou órfão e vazio, desde então, o jornalismo botucatuense.

Iniciado no jornalismo desde os quatorze anos, Pedretti Neto distinguiu-se na imprensa da capital, ocupando desde 1948, pelo espaço de vinte anos, o encargo de correspondente do “O Estado de São Paulo”. Dono de cultura solidamente adquirida, Pedretti Neto mais do que ninguém era um pesquisador de nossas origens. Tinha absoluto conhecimento da língua italiana e profundo senhor da história da colônia italiana nestas terras, deixou escritos dois volumes densos e interessantíssimos à respeito.

Católico militante, com atuação evidente no laicato, foi colaborador de

Entre os trabalhos deixados constam obras de valor didático, de grande alcance e atualidade.
Foi fundador do Centro Cultural de Botucatu. Grande conhecedor da obra e vida de Vital Brasil, promoveu na cidade grandes festejos por ocasião do transcurso de seu centenário. Possuia a medalha-comenda Vital Brasil.

Muitas vezes premiado pelo “O Estado”, teve muitas e valiosas colaborações publicadas, extraída de seu livro “O Clube dos 33 Contentes” e a “Tomada da Porta Pia” e muitas outras mais.

(Folha de Botucatu/ 15/12/1988 e publicado no livro “Memórias de Botucatu”, de 1990).

abril 06, 2015

Botucatu em Versos, de Progresso Garcia.

Botucatu em Versos, de Progresso Garcia.


Político faz versos também?!?

Faz, sim senhor!

E o ex-vereador Progresso Garcia é a prova provada disso. Bom orador que tinha muita criatividade e humor em suas falas era, também, um poeta...

“BOTUCATU EM VERSOS” foi publicado, pela primeira vez, pela FOLHA DE BOTUCATU, de 19/04/1961 e também foi publicado pelo jornal VANGUARDA DE BOTUCATU, de abril de 1981. É um poema cívico e, como os seus similares, é longo mas mostra a caminhada de Botucatu pela visão do poeta.




Progresso Garcia foi vereador, vice-prefeito e chegou a substituir o prefeito João Queiroz Reis em suas férias. Fotógrafo de profissão teve efetiva participação na vida
comunitária botucatuense.

BOTUCATU EM VERSOS

Progresso Garcia



Botucatu

Parece velha

Porém és jovem, menina crescida, um colosso de cidade,



Que cravada numa serra

Viraste uma grande terra

Distribuindo virtudes

Assim com manda Deus.



Botucatu centenária

Botucatu legendária

Menina dos olhos meus.



Cento e seis anos passaram

Velozes, rápidos como o vento

E antes...que eras tu? Sertão, exuberante matagal.

Paraíso das serpentes

De espinhaços reluzentes

Que andavam por aqui,

Qual senhoras do lugar.



Botucatu soberana

Botucatu de Santana

Soubeste fazer amar.

Entraram os machadeiros

Pan-pan-pan daqui pra li

Abrindo picadas, abrindo caminhos, erguendo choupanas.



Vieram mineiros ricos

Vieram ricos fazendeiros

E caboclos boiadeiros

Louvando para i housanas.



Botucatu da esperança,

Botucatu da aliança

O céu e a terra tu irmanas.



Foste tão cobiçada

Por ricaços estrangeiros

Por patrícios brasileiros, que queriam dominar seus bens.



Viveste teus duros dias

Pinheiro Machado doou-te

A terra tão necessária

Pra construir tua freguesia.



Botucatu da saudade

Botucatu da verdade

Soberana e Luzidia.



Das queimadas

Que abriram claros

Nasceram cafezais, alinhados, verdinhos e amarelados.



Trazendo tanta riqueza

Trazendo tanta beleza

Tanto dinheiro veio

Trazendo tudo pra cá.



Botucatu pioneira

Botucatu do cruzeiro

Encanto maior não há.



Construíram-se casinhas

Com telhados de sapé

Paredes de barrote, piso de chão duro, vermelho como que.

Apareceram escolas

Sobradinhos arrojados

De construção colonial

Enfeitando sua feição.



Botucatu da cultura

Botucatu da candura

Tens alma, tens coração.



Veio a Santa Padroeira

Colocaram lampiões

Pelas ruas bem traçadas, alinhadas, muito largas e arejadas.



Surgiram daí escritores

Trovadores, toureiros

Poesia dos Brasileiros

Irradiando seus amores



Botucatu dos bons ventos

Botucatu dos alentos

Perfumados de suas flores.



Foi chegando de mansinho

O trem de ferro fumegante

Alarmando a caboclada que corria, com medo, assustada.



O trem antigo, cansado

Subindo esta ramparia

Rasgando a serra bravia

Trazendo o progresso pra cá.



Botucatu religiosa

Botucatu carinhosa

Perfume de manacá.



Surgiu a pequena indústria

Surgiu a Igreja e o Bispado

Vieram professores, doutores, policiais e magistrados.



O algodão foi plantado

Com suor na terra pura

Riqueza cheia de alvura

Com lindos flocos ao léu.



Botucatu do calor

Botucatu do amor

Presente que vem do céu.



Nasceu a Escola Normal

Para marcar a tua vida.

Formando mestres para ti, para todos, para a pátria estremecida.



Modificou tua história

Essa escola abençoada

Fazendo-te respeitada

Por todo o Brasil em fora.



Botucatu das lareiras

Botucatu das fruteiras

Majestade tens agora.



Teus filhos se esforçaram

Trabalharam, não cansaram

Para fazer de ti uma grande cidade, querida, respeitada.



Trouxeram a luz elétrica

Pavimentaram as ruas

Por isso é que hoje atuas

Qual pequena capital.



Botucatu do respeito

Botucatu do conceito

De carinho manancial.



Cento e seis anos se passaram

Teus filhos muito te honraram

Tens cientistas, mestres, engenheiros, industriais e advogados.



Teu nome hoje é lembrado

Teu nome é tão difundido

Tudo feito e construído

Pelo amor dos filhos teus.

Botucatu legendária

Botucatu centenária

Menina dos olhos meus.

abril 03, 2015

Botucatu é Poesia...

Botucatu é Poesia...


O BLOG DO DELMANTO tem comemorado o aniversário de Botucatu – 14 de abril! – com uma série de artigos referentes ao histórico de nossa cidade, resgatando a memória de seus cidadãos prestantes e das grandes conquistas de Botucatu.


Este ano – quando Botucatu comemora 160 Anos! – vamos buscar em nossa Cultura o que de melhor se fez em linguagem poética para a cidade dos Bons Ares e das Boas Escolas.

Angelino de Oliveira/leia aqui


E, de início,  a poesia de ANGELINO DE OLIVEIRA, consagrado compositor de “TRISTEZAS DO JECA”, que nos deu “SAUDADES DE BOTUCATU”, música que viria a ser a nossa MÚSICA OFICIAL:


Saudades de Botucatu
Compositor: Angelino De Oliveira (1889 – 1964)

Nunca esquecerei de ti, oh minha terra,
Berço onde o amor nasceu.

És princesa lá da serra,
Terra dos carinhos meus.

Não mais poderei viver longe de ti.

Tu és a minha adoração.

Oh! Botucatu,
Cidade dos meus sonhos,
Terra do meu coração.

Oh! Botucatu,
Cidade dos meus sonhos,
Terra do meu coração.

Link: http://www.vagalume.com.br/daniel/saudades-de-botucatu.html#ixzz3WFUqhfEc