Botucatu em Versos, de Progresso Garcia.
Político faz versos também?!?
Faz, sim senhor!
E o ex-vereador Progresso Garcia é a prova provada disso. Bom orador que tinha muita criatividade e humor em suas falas era, também, um poeta...
“BOTUCATU EM VERSOS” foi publicado, pela primeira vez, pela FOLHA DE BOTUCATU, de 19/04/1961 e também foi publicado pelo jornal VANGUARDA DE BOTUCATU, de abril de 1981. É um poema cívico e, como os seus similares, é longo mas mostra a caminhada de Botucatu pela visão do poeta.
Progresso Garcia foi vereador, vice-prefeito e chegou a substituir o prefeito João Queiroz Reis em suas férias. Fotógrafo de profissão teve efetiva participação na vida
comunitária botucatuense.BOTUCATU EM VERSOS
Progresso Garcia
Botucatu
Parece velha
Porém és jovem, menina crescida, um colosso de cidade,
Que cravada numa serra
Viraste uma grande terra
Distribuindo virtudes
Assim com manda Deus.
Botucatu centenária
Botucatu legendária
Menina dos olhos meus.
Cento e seis anos passaram
Velozes, rápidos como o vento
E antes...que eras tu? Sertão, exuberante matagal.
Paraíso das serpentes
De espinhaços reluzentes
Que andavam por aqui,
Qual senhoras do lugar.
Botucatu soberana
Botucatu de Santana
Soubeste fazer amar.
Entraram os machadeiros
Pan-pan-pan daqui pra li
Abrindo picadas, abrindo caminhos, erguendo choupanas.
Vieram mineiros ricos
Vieram ricos fazendeiros
E caboclos boiadeiros
Louvando para i housanas.
Botucatu da esperança,
Botucatu da aliança
O céu e a terra tu irmanas.
Foste tão cobiçada
Por ricaços estrangeiros
Por patrícios brasileiros, que queriam dominar seus bens.
Viveste teus duros dias
Pinheiro Machado doou-te
A terra tão necessária
Pra construir tua freguesia.
Botucatu da saudade
Botucatu da verdade
Soberana e Luzidia.
Das queimadas
Que abriram claros
Nasceram cafezais, alinhados, verdinhos e amarelados.
Trazendo tanta riqueza
Trazendo tanta beleza
Tanto dinheiro veio
Trazendo tudo pra cá.
Botucatu pioneira
Botucatu do cruzeiro
Encanto maior não há.
Construíram-se casinhas
Com telhados de sapé
Paredes de barrote, piso de chão duro, vermelho como que.
Apareceram escolas
Sobradinhos arrojados
De construção colonial
Enfeitando sua feição.
Botucatu da cultura
Botucatu da candura
Tens alma, tens coração.
Veio a Santa Padroeira
Colocaram lampiões
Pelas ruas bem traçadas, alinhadas, muito largas e arejadas.
Surgiram daí escritores
Trovadores, toureiros
Poesia dos Brasileiros
Irradiando seus amores
Botucatu dos bons ventos
Botucatu dos alentos
Perfumados de suas flores.
Foi chegando de mansinho
O trem de ferro fumegante
Alarmando a caboclada que corria, com medo, assustada.
O trem antigo, cansado
Subindo esta ramparia
Rasgando a serra bravia
Trazendo o progresso pra cá.
Botucatu religiosa
Botucatu carinhosa
Perfume de manacá.
Surgiu a pequena indústria
Surgiu a Igreja e o Bispado
Vieram professores, doutores, policiais e magistrados.
O algodão foi plantado
Com suor na terra pura
Riqueza cheia de alvura
Com lindos flocos ao léu.
Botucatu do calor
Botucatu do amor
Presente que vem do céu.
Nasceu a Escola Normal
Para marcar a tua vida.
Formando mestres para ti, para todos, para a pátria estremecida.
Modificou tua história
Essa escola abençoada
Fazendo-te respeitada
Por todo o Brasil em fora.
Botucatu das lareiras
Botucatu das fruteiras
Majestade tens agora.
Teus filhos se esforçaram
Trabalharam, não cansaram
Para fazer de ti uma grande cidade, querida, respeitada.
Trouxeram a luz elétrica
Pavimentaram as ruas
Por isso é que hoje atuas
Qual pequena capital.
Botucatu do respeito
Botucatu do conceito
De carinho manancial.
Cento e seis anos se passaram
Teus filhos muito te honraram
Tens cientistas, mestres, engenheiros, industriais e advogados.
Teu nome hoje é lembrado
Teu nome é tão difundido
Tudo feito e construído
Pelo amor dos filhos teus.
Botucatu legendária
Botucatu centenária
Menina dos olhos meus.




