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janeiro 18, 2020

ALCIDES NOGUEIRA: FANTÁSTICO!

ALCIDES NOGUEIRA: FANTÁSTICO!


Na noite de sexta-feira (17), pudemos assistir pela TV Cultura, o programa PERSONA EM FOCO, com o escritor e dramaturgo botucatuense ALCIDES NOGUEIRA.

Valeu. Longe do mundo das novelas globais pudemos sentir e vibrar com a caminhada de Alcides na dramaturgia: foi construindo seu legado com toda sua vocação criativa e com muita, muita força interior. Alcides, com certeza, ainda terá muito trabalho a realizar na dramaturgia mas já tem, registrado, o seu perfil vencedor.

Além do da matéria abaixo sobre sua apresentação no programa PERSONA queremos, mais uma vez, recordar o início de sua atividade intelectual aqui em nossa cidade onde atuamos no jornalismo. Já naquela época Alcides era a vanguarda de nossa juventude com sua ousada e incrível criatividade...

 Depois, nas Arcadas tradicionais, quando fomos alunos de seu tio, prof. Antonio Chaves - catedrático de Direito Civil. Lembrando que Alcides fez pós-graduação em Direito Autoral na Suiça. Com certeza o Direito perdeu a oportunidade de tê-lo como um de seus expoentes, mas a cultura ganhou uma de suas mais destacadas expressões.

Para registro do trabalho de ALCIDES NOGUEIRA damos os links de seus trabalhos e que foram registrados pelo BLOG DO DELMANTO:

Persona em Foco recebe o escritor Alcides Nogueira

(in Observatório da Televisão - por Renan Vieira)

“O programa Persona em Foco, da TV Culturarecebeu o dramaturgo Alcides Nogueira, dono de um currículo composto por espetáculos que marcaram época no teatro. Ele é também autor de novelas e minisséries de grande sucesso. No programa, Alcides é entrevistado por duas companheiras de trabalho e amigas de longa data: a atriz Denise Del Vecchio, que interpretou vários personagens criados pelo artista no teatro e na televisão; e a atriz e escritora Tuna Dwek, que também atuou em séries escritas por ele. O programa é apresentado por Atilio Bari.
Nascido em Botucatu, no interior paulista, Alcides comenta sobre sua descendência de uma família quatrocentona de São Paulo. “O fato da gente nunca ter dado muita bola para isso, eu acho que isso facilitou muito. Na verdade, eu acho que tem uma vantagem, que é a gente ter essa brasilidade toda. E tem uma desvantagem, que é não ter tido a miscigenação com os imigrantes todos que vieram ao Brasil”.

No programa, o dramaturgo relembra momentos importantes de sua vida e carreira, como o ingresso no universo teatral; as épocas em que serviu ao Exército e cursou direito na Universidade São Francisco; os espetáculos de sua autoria e a adaptação para o teatro da obra Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, que ficou seis anos em cartaz.
Persona em Foco ainda exibiu uma série de depoimentos de personalidades que conviveram e trabalharam com Alcides Nogueira, como Maria Lúcia Dal Farra, Elias Andreato, João Carlos Couto, Paulo Betti, Marcos Frota, Jorge Takla, Clarice Abujamra, Cláudio Fontana, Leopoldo Pacheco e Maria Adelaide Amaral.”

agosto 23, 2012

Centenário de Nelson Rodrigues
1912/2012

Centenário de Nelson Rodrigues 1912/2012



"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico(desde menino)." - Nelson Rodrigues -


Neste ano estamos comemorando o Centenário de nascimento de Nelson Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980).
O maior dramaturgo brasileiro, criativo, revolucionário, suas peças teatrais eram romanceadas, fortes, contundentes. Mas Nelson Rodrigues brilhou também como cronista esportivo, sendo que só Armando Nogueira, tempos depois, fez trabalho jornalístico do mesmo nível.

Seu irmão, Mário Filho teve seu nome dado ao Maracanã: Estádio Mário Filho! Apaixonado pelo Fluminense, sabia ser imparcial em seus comentários. Produziu romances, crônicas e, na política, foi um vencedor ao tratar com coragem temas difíceis e ao dar o perfil – sem maquiagem! - de políticos e religiosos famosos. Vamos ver um pequeno trecho de Nelson Rodrigues:

“A partir do momento em que uma imagem aparece e desaparece, ela perde para a linguagem escrita que perdura. Esse é um aspecto fundamental do problema, que deveria colaborar para tornar os dois gêneros coexistentes. Fazendo um jogo de palavras, diria que a leitura é sobretudo a releitura. Reli muitas vezes “Crime e Castigo”, “Os irmãos Karamazov”, “Ana Karerina”, Machado de Assis, porque apenas a leitura não basta. É preciso a releitura, para que haja uma relação mais profunda entre o leitor e o que ele lê. Com a televisão, com a imagem, isso não é possível. A leitura é mais inteligente, porque estabelece não só uma relação mais profunda, como também uma intimidade maior entre o leitor e o livro.
O texto literário continuará existindo daqui a 1200 anos. Ele não morre, porque se ele morrer o mundo começará a morrer junto.”



Criticado por seus textos fortes, chamados de pornográficos, ele reagia dando à sua coluna no jornal o título de “A VIDA COMO ELA É...” Mostrando, assim, a seus críticos que apenas descrevia os fatos com sua própria e cruel realidade. Famoso pela frase “O ÓBVIO ULULANTE”, Nelson repetia e repetia e repetia que era o óbvio ululante a realidade da vida e da ação das pessoas o que muita gente procurava não ver...ou esconder!


Recentemente foi encontrado um vídeo nos Estados Unidos sobre Nelson Rodrigues que merece ser visto. Em uma parte, aparece Nelson fazendo palestra e embevecido, um jovem intelectual fazia perguntas: era o escritor Paulo Coelho, à época, de cabelos pretos, sem barba e de bigode...É Registro Histórico!

Particularmente, para mim, Nelson Rodrigues, sempre foi um norte, em termos de jornalismo dinâmico, objetivo, sempre indo ao cerne dos problemas e, sempre, dando a sua opinião corajosa e contundente. Em 1970, ao lançar o meu primeiro livro dedicado à participação do jovem na política e no exercício da cidadania, “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO”, fazia de um trecho de artigo de Nelson Rodrigues, a página de abertura. Olhem que texto inteligente e, já àquela época, corajoso e contundente:



O escritor e biógrafo Ruy Castro é o autor do livro “O ANJO PORNOGRÁFICO”, que mostra toda a trajetória de Nelson Rodrigues, sua família, seus sonhos e suas frustrações:



“Em “O Anjo Pornográfico”, Ruy Castro deixa claro que não quer analisar a obra do escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues. Ele irá, sim, contar histórias.
Banido qualquer julgamento ou descrição de lugares ou personagens, ele se prestou a destrinchar, detalhar, esquadrinhar, relatar fatos com precisão e riqueza de detalhes.


O maior tesão do livro fica por conta da localização de cada caso e de cada pessoa, no contexto histórico e cultural, por onde ia passando Nelson Rodrigues, seja no caminho intelectual ou artístico, político ou econômico. Ruy Castro envolve as histórias particulares de Nelson com os fatos da época e nos proporciona a inusitada experiência de aprender o escritor incompreendido e conhecido, apenas, como tarado ou reacionário.

O ponto alto do livro é a família Rodrigues. É possível conhecê-la desde o casamento dos pais de Nelson Rodrigues. Pura e apaixonante novela mexicana.

A leitura de “O Anjo Pornográfico” é prazerosa, derrete na boca, se não pela história, pela fluidez da narrativa de Ruy Castro, fácil, leve e cheia de suspense devido à estratégia que o autor tirou da manga, a cereja do bolo: o ponto final de cada capítulo é colocado num trecho meticulosamente escolhido pra segurar o leitor cheio de curiosidade, e ansioso pelo início da próxima narração.
Entrelaçada, a narrativa vai e volta pelos capítulos que vão sendo substituídos por outros para voltarem logo ali adiante, quebra da ordem cronológica, num recurso dinâmico, rápido, compassado.

Devo ter enchido a paciência de muita gente, pois lia em voz alta, em qualquer lugar, na presença de qualquer um, trechos que tinham acabado de me encantar, repetia frases marcantes ... coisas de tiete.” - Requeri -

Esta é uma homenagem singela a esse grande jornalista, escritor, cronista esportivo e dramaturgo brasileiro. Que se reeditem seus livros e que encenem suas peças teatrais que marcaram definitivamente a História do Teatro Brasileiro. Abaixo, uma relação de suas obras:
Obra literária de Nelson Rodrigues
Peças psicológicas
Peças míticas
Tragédias Cariocas I
Tragédias Cariocas II
Romances
[editar] Contos
[editar] Crônicas
[editar] Telenovelas
Baseadas na obra de Nélson Rodrigues
[editar] Filmes
Baseados na obra de Nélson Rodrigues
(Wikipedia)

fevereiro 07, 2012

O Anjo Pornográfico & O Obvio Ululante!

Centenário de Nelson Rodrigues 1912/2012



"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico(desde menino)." - Nelson Rodrigues -


Neste ano estamos comemorando o Centenário de nascimento de Nelson Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980).
O maior dramaturgo brasileiro, criativo, revolucionário, suas peças teatrais eram romanceadas, fortes, contundentes. Mas Nelson Rodrigues brilhou também como cronista esportivo, sendo que só Armando Nogueira, tempos depois, fez trabalho jornalístico do mesmo nível.

Seu irmão, Mário Filho teve seu nome dado ao Maracanã: Estádio Mário Filho! Apaixonado pelo Fluminense, sabia ser imparcial em seus comentários. Produziu romances, crônicas e, na política, foi um vencedor ao tratar com coragem temas difíceis e ao dar o perfil – sem maquiagem! - de políticos e religiosos famosos. Vamos ver um pequeno trecho de Nelson Rodrigues:

“A partir do momento em que uma imagem aparece e desaparece, ela perde para a linguagem escrita que perdura. Esse é um aspecto fundamental do problema, que deveria colaborar para tornar os dois gêneros coexistentes. Fazendo um jogo de palavras, diria que a leitura é sobretudo a releitura. Reli muitas vezes “Crime e Castigo”, “Os irmãos Karamazov”, “Ana Karerina”, Machado de Assis, porque apenas a leitura não basta. É preciso a releitura, para que haja uma relação mais profunda entre o leitor e o que ele lê. Com a televisão, com a imagem, isso não é possível. A leitura é mais inteligente, porque estabelece não só uma relação mais profunda, como também uma intimidade maior entre o leitor e o livro.
O texto literário continuará existindo daqui a 1200 anos. Ele não morre, porque se ele morrer o mundo começará a morrer junto.”



Criticado por seus textos fortes, chamados de pornográficos, ele reagia dando à sua coluna no jornal o título de “A VIDA COMO ELA É...” Mostrando, assim, a seus críticos que apenas descrevia os fatos com sua própria e cruel realidade. Famoso pela frase “O ÓBVIO ULULANTE”, Nelson repetia e repetia e repetia que era o óbvio ululante a realidade da vida e da ação das pessoas o que muita gente procurava não ver...ou esconder!

Recentemente foi encontrado um vídeo nos Estados Unidos sobre Nelson Rodrigues que merece ser visto. Em uma parte, aparece Nelson fazendo palestra e embevecido, um jovem intelectual fazia perguntas: era o escritor Paulo Coelho, à época, de cabelos pretos, sem barba e de bigode...É Registro Histórico!

Particularmente, para mim, Nelson Rodrigues, sempre foi um norte, em termos de jornalismo dinâmico, objetivo, sempre indo ao cerne dos problemas e, sempre, dando a sua opinião corajosa e contundente. Em 1970, ao lançar o meu primeiro livro dedicado à participação do jovem na política e no exercício da cidadania, “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO”, fazia de um trecho de artigo de Nelson Rodrigues, a página de abertura. Olhem que texto inteligente e, já àquela época, corajoso e contundente:


O escritor e biógrafo Ruy Castro é o autor do livro “O ANJO PORNOGRÁFICO”, que mostra toda a trajetória de Nelson Rodrigues, sua família, seus sonhos e suas frustrações:


“Em “O Anjo Pornográfico”, Ruy Castro deixa claro que não quer analisar a obra do escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues. Ele irá, sim, contar histórias.
Banido qualquer julgamento ou descrição de lugares ou personagens, ele se prestou a destrinchar, detalhar, esquadrinhar, relatar fatos com precisão e riqueza de detalhes.


O maior tesão do livro fica por conta da localização de cada caso e de cada pessoa, no contexto histórico e cultural, por onde ia passando Nelson Rodrigues, seja no caminho intelectual ou artístico, político ou econômico. Ruy Castro envolve as histórias particulares de Nelson com os fatos da época e nos proporciona a inusitada experiência de aprender o escritor incompreendido e conhecido, apenas, como tarado ou reacionário.

O ponto alto do livro é a família Rodrigues. É possível conhecê-la desde o casamento dos pais de Nelson Rodrigues. Pura e apaixonante novela mexicana.

A leitura de “O Anjo Pornográfico” é prazerosa, derrete na boca, se não pela história, pela fluidez da narrativa de Ruy Castro, fácil, leve e cheia de suspense devido à estratégia que o autor tirou da manga, a cereja do bolo: o ponto final de cada capítulo é colocado num trecho meticulosamente escolhido pra segurar o leitor cheio de curiosidade, e ansioso pelo início da próxima narração.
Entrelaçada, a narrativa vai e volta pelos capítulos que vão sendo substituídos por outros para voltarem logo ali adiante, quebra da ordem cronológica, num recurso dinâmico, rápido, compassado.

Devo ter enchido a paciência de muita gente, pois lia em voz alta, em qualquer lugar, na presença de qualquer um, trechos que tinham acabado de me encantar, repetia frases marcantes ... coisas de tiete.” - Requeri -

Esta é uma homenagem singela a esse grande jornalista, escritor, cronista esportivo e dramaturgo brasileiro. Que se reeditem seus livros e que encenem suas peças teatrais que marcaram definitivamente a História do Teatro Brasileiro. Abaixo, uma relação de suas obras:
Obra literária de Nelson Rodrigues
Peças psicológicas
Peças míticas
Tragédias Cariocas I
Tragédias Cariocas II
Romances
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Baseadas na obra de Nélson Rodrigues
[editar] Filmes
Baseados na obra de Nélson Rodrigues
(Wikipedia)