PEDUTÃO
Comendador Emílio Peduti:
Empresário empreendedor, Homem Público, Cidadão Benemérito e Comunicador Pioneiro!
Emílio Peduti nasceu em Botucatu (27 de maio de 1904), filho de José Peduti e Ernesta Boreli Peduti. Foi casado com Maria do Carmo Tôrres Peduti, com quem teve os filhos Lourdes, Maria Rosa e Emílio Peduti Filho, casados, respectivamente, com Antonio Soares Batista, Braz de Assis Nogueira e Lúcia Martins Barros Peduti.
Formou-se em Contabilidade pela Escola de Comércio Álvares Penteado, em São Paulo, passando a exercer suas atividades profissionais em Botucatu. “Descoberto” profissionalmente pelo banqueiro Francisco Botti, logo assumiu a gerência do Banco Francês e Italiano. Entrou para o ramo de diversões, culminando com o empreendimento pioneiro no Estado de São Paulo: a EMPRESA TEATRAL PEDUTI, com rede de cinemas por todo o interior do estado.
Era incalculável o seu poderio. Era, sem dúvida, um dos mais poderosos capitalistas do estado. Até sua morte prematura, em 1963, a ETP ainda dominava o interior do estado e a TV ainda estava engatinhando... Já nos anos 70, a TV dominava o entretenimento da população e os cinemas foram ficando vazios...A ETP entrou em concordata...
É muito difícil conseguir dar o perfil de um homem tão facetado em suas capacidades. Cidadão probo, entrou na política como um abnegado, comunicador nato fundou as duas primeiras rádios de Botucatu, foi empresário cinematográfico poderoso, benemérito social, enfim, foi um botucatuense que honrou a história da Cidade dos Bons Ares e das Boas Escolas.
Acervo Diagrama/Edil Gomes
Foi muito homenageado após sua morte. A Praça João Pessoa (praça do bosque) recebeu o nome de Praça Comendador Emílio Peduti. Uma estátua de Emílio Peduti foi colocada na praça que leva seu nome. Um busto de Peduti foi colocado na Misericórdia Botucatuense, onde foi Presidente ou Provedor de 1937 a 1963, quando faleceu. E um outro busto foi colocado no jazigo da família.
Em 27 de maio de 1988, quando era diretor da FOLHA DE BOTUCATU, fiz um editorial em sua homenagem:
emílio peduti
Hoje, a praça do bosque leva o seu nome, mas durante muito tempo ele percorreu cada uma das ruas que formam esse tradicional recanto de lazer dos botucatuenses, como a deixar a sua marca, a sua lembrança e o seu exemplo de cidadania. Quer como morador, em seu solar então localizado na rua amando de barros, defronte à praça. Quer como bem sucedido empresário que comandava os seus negócios de seu escritório localizado na descida da praça, à rua Marechal deodoro. Quer como cidadão solidário que com seriedade acompanhava e respeitava os trabalhos da Loja maçônica situada na subida da praça, à rua Major Leônidas Cardoso. Quer como competente Prefeito Municipal que cuidava dos interesses de Botucatu, de sua cidade natal, diretamente do paço municipal então localizado na rua joão passos, na parte alta da praça.
Hoje, a praça do bosque merecidamente leva o seu nome: há 25 anos falecia no comando do destino de Botucatu.
Hoje, a praça do bosque leva o seu nome. Lá está a sua estátua, oferta anônima de toda a população que participou com a aquisição de bônus para a sua construção, como pleito de gratidão àquele que acreditava em sua terra e em sua gente.
Homenagem merecida.
Homenagem conquistada dia-a-dia, a pouco e pouco.
Duas vezes prefeito municipal. Com sucesso.
Comendador Emílio Peduti.
Prefeito Pedutão.
Saudades.
Armando Delmanto – diretor
Hoje é impossível imaginar o poderio da EMPRESA TEATRAL PEDUTI. E no auge de sua carreira de empresário, Emílio Peduti tinha a maioria das propriedades de seus cinemas pelo interior do estado, além de fazendas e outros empreendimentos. Vamos tentar traçar seu perfil abordando aspectos importantes de sua vida.
COMUNICADOR PIONEIRO
Homem de visão e voltado ao entretenimento, Emílio Peduti queria para Botucatu uma rádio como estava ocorrendo na capital da república (Rio de Janeiro) e em São Paulo. Em parceira com os Irmãos Bacchi, Emílio Peduti idealizou a criação, mediante ações participativas da população, de uma emissora de rádio. O controle acionário era dele e dos Bacchi. E a 30 de outubro de 1939, surgia a Rádio Emissora de Botucatu – PRF-8. Tudo era novidade para Botucatu que se orgulhava dessa importante conquista. Com programas musicais, rádionovelas e programas de auditório, a PRF-8 ia fazendo sucesso. Um de seus diretores foi Angelino de Oliveira, consagrado compositor brasileiro.
RÁDIO EMISSORA DE BOTUCATU - PRF-8
Com a política muito forte na região, eis que era de São Manuel o governador Adhemar de Barros, a rádio que surgira de uma subscrição popular, mas com o controle dos capitalistas Bacchi e Peduti, foi vendida para o “esquema político” do governador, em nome de seu irmão Geraldo de Barros, sendo posteriormente passado o controle acionário para a família Paganini. O jornal “DEMOCRACIA”, de 08/01/1950, trazia a notícia:
“A venda da Rádio Emissora repercutiu mal nos meios pessedistas locais. Como noticiamos em nosso número anterior, a Rádio Emissora de Botucatu, sociedade anônima cujas ações estavam em sua quase totalidade em mãos de dois capitalistas botucatuenses, próceres do PSD, foi vendida pela vultuosa e absurda quantia de 1.400.000,00 cruzeiros, quando seu valor real não passa de 400.000, quando muito...” E arrematava: “O pasmo dos pessedistas locais tem sua razão de ser, ainda mais, pelo fato da venda ter-se realizado na ocasião mesma em que se anunciava com grande estardalhaço a coligação de diretórios com o fito de obter grande vitória eleitoral para o partido, resultante da união de forças e de interesses, para o qual é essencial um bom veículo de propaganda, qual seja a nossa PRF-8”
De fato, acordou-se a eleição para a presidência da Câmara Municipal de Botucatu, em 1949, lançamento de candidato único a Deputado Estadual na região (quando foi eleito o vereador Jayme de Almeida Pinto) e a eleição para Prefeito Municipal, em 1951, tudo com o APOIO DO ESQUEMA ADEMARISTA.
E Emílio Peduti se elegeu Prefeito Municipal em 1951 e viu a importância que teve a rádio em sua campanha. Quando estava à frente da Prefeitura, pela segunda vez, em 1962, Emílio Peduti (eleito em 1959), Pedutão sentia que as coisas não andavam bem... Já adoentado, Pedutão enfrentava feroz oposição. Alguns vereadores situacionistas já começavam a formar o Bloco Independente. PEDUTI COMEÇAVA A FICAR SÓ...Era pouco apoiamento político que dispunha. Um desses apoios e que permaneceu até sua morte, quando faleceu no exercício do cargo, foi de meu pai, Antônio Delmanto.
RÁDIO MUNICIPALISTA DE BOTUCATU
Foi antes do agravamento de seu estado de saúde, que Emílio Peduti realizou, em 1962, mais um grande empreendimento: a fundação da RÁDIO MUNICIPALISTA DE BOTUCATU. Era importante a atuação de uma emissora junto à população. Em sua primeira eleição, Peduti já sentira isso. Agora, em uma fase difícil na política, chegara à conclusão que precisava contrabalançar as forças da comunicação radiofônica. E pela segunda vez, fundou uma rádio em Botucatu. Até hoje a Rádio Municipalista pertence à família Peduti.
É REGISTRO HISTÓRICO!
A atuação de
Emílio Peduti à frente da
MISERICÓRDIA BOTUCATUENSE é digna de registro. Mas aqui é preciso dar destaque a atuação, em
dobradinha cívica, de Peduti e de meu pai, Antônio Delmanto. Tanto
Peduti como
Delmanto participaram e tiveram papel de destaque nessa
2ª fase da Misericórdia Botucatuense. Convocado,
Antônio Delmanto assumia, em
1937, a
Direção Clínica do Hospital. A situação era grave. Os médicos haviam se afastado do Hospital. Urgia uma solução. Delmanto, retornando a Botucatu após seu curso de Medicina no Rio de Janeiro e estágio de 2 anos na Santa Casa de São Paulo, aceitou o desafio. Montou um excelente Corpo Clínico e remodelou e modernizou a infraestrutura hospitalar.
Da mesma forma, em 1937,
Emílio Peduti, empresário bem sucedido, é convocado para gerir a
Diretoria Administrativa da Misericórdia. A grave situação econômico-financeira precisava de uma estabilidade urgente. A escolha para essa empreitada não poderia ter sido melhor.
Pedutão sabia administrar e sabia manter o comando. Antônio Delmanto permaneceu como Diretor Clínico de 1937 a 1951. Emílio Peduti permaneceu como Presidente de 1937 a 1963.
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Pois bem, Emílio Peduti já tivera, em
1936, uma experiência política quando fora candidato a vereador e conseguira obter suplência (
Jayme de Almeida Pinto, vereador, tirava licenças para propiciar a que
Peduti assumisse a vereança por breves períodos). No ano de
1947, ano da redemocratização do país após a Ditadura de Getúlio Vargas,
Peduti tenta novamente a vereança e se elege com
276 votos pelo PSD. Antônio Delmanto, após seu regresso a Botucatu, tenta pela primeira vez a vereança
e se elege vereador com a maior votação, 945 votos, pela UDN. A votação recebida representou um recorde individual de votos até hoje não suplantado (proporcionalmente ao número de eleitores, quando obteve
11,54% dos votos válidos).
Sendo o mais votado,
Delmanto assumiu a presidência da Câmara Municipal e começou a trabalhar, com sucesso, pela eleição de
Emílio Peduti como vice-presidente. A
dobradinha estava dando certo e precisava continuar...
Emílio Peduti, em declaração ao jornal
“Correio de Botucatu”, de 05/05/1949, fazia o seu posicionamento:
“O Antoninho será o Prefeito de Botucatu, com o apoio do PSD.” “...Dias atrás, em ligeira palestra que manteve com a nossa reportagem, o Sr. Emílio Peduti, do PSD, referiu-se diretamente ao assunto, fazendo questão de frisar ao repórter: “O Antoninho (Delmanto) será o futuro prefeito de Botucatu, com o nosso apoio.”E foi mais além dizendo: “Se na eleição passada, a UDN tivesse lançado a candidatura do Antoninho, nós teríamos retirado a do Lunardi (Oswaldo) e a coisa seria uma “barbada”.”
Resumindo: Antônio Delmanto e Emílio Peduti foram candidatos a
Prefeito Municipal. Emílio Peduti foi o vencedor.
Após a campanha eleitoral de
51 e
antes da divulgação do resultado, Peduti e Delmanto realizaram memorável churrasco de confraternização. Eram outros tempos e outros homens.
Depois da
“quarentena” eleitoral, Peduti e Delmanto reataram o relacionamento. Por decisão de Pedutão, a
Comissão encarregada do 1º Centenário de Botucatu (1955), acatou a sugestão de
Delmanto para que os grandes vultos do passado fossem homenageados, com a colocação de bustos em praça pública (
Virgínio Lunardi, Amando de Barros, Antonio José da Costa Leite, Raphael de Moura Campos).
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Como já destaquei anteriormente, que em seu
segundo mandato, Peduti fora eleito com o apoio da UDN e sofria violenta e cruel oposição e um de seus apoios, até seu falecimento, foi de
Delmanto.
A GRANDE CONQUISTA: FCMBB!
Está destacado no histórico da conquista da
FCMBB – FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS E BIOLÓGICAS DE BOTUCATU o papel do
Arcebispo de Botucatu, Dom Henrique Golland Trindade como
Coordenador da Luta pela conquista de nossa Faculdade de Medicina. Devido às diferenças políticas, tanto
Jânio Quadros como
Carvalho Pinto preferiram que houvesse uma paz política sobre o comando de
Dom Henrique. No entanto, era indiscutível o prestígio de
Emílio Peduti, como
prefeito e como empresário poderoso junto ao esquema de
Jânio/Carvalho Pinto. A foto da
assinatura pública da autorização para a implantação da
FCMBB, quando Delmanto o representou ao lado do Governador Carvalho Pinto, consagra Pedutão como
o grande homem público que soube defender Botucatu e suas conquistas!
50 Anos da Faculdade de Medicina de Botucatu/leia aqui
A maior conquista de Botucatu ! - 1962 - O Governador Carvalho Pinto, em praça pública, aguarda a leitura do ato oficial da criação da FCMBB - Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu. No palanque oficial, à esquerda os radialistas Jaime Contessote (Rádio Municipalista) e Plínio Paganini (também vice-prefeito, pela PRF-8) e, ao centro, entre as auoridades estaduais e municipais, o Dr Antonio Delmanto, oGovernador Carvalho Pinto e a primeira-dama Dona Yolanda.
Esse foi Pedutão sob alguns aspectos de seu rico perfil de
Cidadão Exemplar e
Homem Público Respeitável!
É REGISTRO HISTÓRICO!