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abril 01, 2014

LUNARDI: Imigrante Pioneiro

LUNARDI: Imigrante Pioneiro

Nascido em 1870, em S. Pellegrino, na Província de Modena, Itália, Virgínio Lunardi tinha, como os modeneses, o espírito prático aliado a idéias modernas e uma têmpera para o trabalho que propiciaram a que tenha sabido levar e construir a sua vida com uma nota otimista e repleta de bons sentimentos, cortesia e espírito empreendedor.



Virgínio Lunardi

Ainda no século passado aportou em Botucatu, em 1897, onde já estava instalada expressiva colônia agrícola dos italianos. De início, dedicou-se ao comércio onde, pouco a pouco, foi formando clientela e assegurando conceituado renome em Botucatu e região pela presteza, dinamismo e competência com que tocava seus interesses. No ano de 1911, trouxe da Itália seu irmão Mansueto Lunardi e, ambos, imprimiram à empresa solidamente plantada um desenvolvimento grandioso. 


Estudaram as condições mercadológicas da época e optaram por uma atuação diversificada, não só quanto à gama de produtos industrializados, como também ampliando as suas atividades nos campos do comércio e agrícola. Não apenas foi um pioneiro de nossas indústrias, mas soube atuar no comércio e no setor agrícola. O comércio de produtos comestíveis, de cereais no atacado e no varejo e o pioneirismo na revenda de automóveis e na comercialização de seus produtos; moderna fabrica de bolachas e conceituado pastifício deram à VIRGÍNIO LUNARDI & IRMÃO destaque e prestígio em todo o interior do Estado de São Paulo.
Constituíam a empresa LUNARDI as seguintes unidades: Grande e moderno Pastifício, Fábrica de Bolachas, Máquinas para o benefício de café, arroz e algodão, comercialização de cereais, Representante da Standard Oil (Posto de serviços para automóveis e carga de acumuladores), Agência CHEVROLET (caminhões e automóveis, peças, acessórios, acumuladores e oficina mecânica), Seção Agrícola (Fazendas Boa Vista, Indianápolis, Santa Luzia e São Bento), Imobiliária, Acionistas da S/A Industrial Botucatuense - SAIB (madeiras) e Sócios das firmas Lunardi e Cia, Lunardi & Pescatori e Cortume Vitória.
Virgínio Lunardi foi um líder de sua geração. Presidiu por dezenas de anos a SOCIETÁ ITALIANA Dl BENEFICENZA. Era benquisto e respeitado por todos. Sabia comandar e era orador brilhante. Deixou a sua marca positiva.
Prematuramente falecido, Virgínio Lunardi deixou seu nome gravado indelevelmente nas páginas da história botucatuense, legando a seus sucessores o seu exemplo de tenacidade invulgar.


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Com sua ausência, assumiu o comando de todo o complexo LUNARDI, seu irmão Mansueto Lunardi, outra expressão de destaque em nosso 1º Ciclo Industrial, que soube ampliar e consolidar os negócios da empresa. Ao seu lado, os filhos de Virgínio Lunardi: Osvaldo, Luciano e Aristides. Todos souberam levar a bom termo os ideais desse valoroso imigrante italiano.
A cidade de Botucatu prestou sua homenagem àquele que trouxe progresso e desenvolvimento para a cidade e, especificamente, à Vila dos Lavradores (Bairro da Estação). Podendo optar pela localização de seu comércio e de suas industrias, Virgínio Lunardi sempre optou, claramente, por prestigiar o "Bairro da Estação", transformando-o na "Cidade Alta". A homenagem do Poder Público, em sua primeira etapa, constituiu-se na denominação da principal Praça da Vila dos Lavradores, de Praça CAVALHEIRO VIRGÍNIO LUNARDI, feliz iniciativa do então Vereador Antônio Delmanto, que encontrou apoio unânime dos Senhores Vereadores e Prefeito Municipal.
Juntamente com PETRARCA BACCHI, VIRGÍNIO LUNARDI representa o destaque maior de nosso 1º CICLO INDUSTRIAL (1890 a 1929/30). Onde o pioneirismo dos imigrantes forjou uma fase de desenvolvimento invulgar para Botucatu, projetando-a como pólo irradiador de cultura e educação e centro industrial de reconhecida liderança em todo o Estado de São Paulo.


1910 - Final da Construção do prédio das Industrias Lunardi. A Rua Major Matheus ainda sem calçamento.

1913 - Prédio das Industrias Lunardi em funcionamento, vendo-se o portão de entrada encimado pelo nome INDUSTRIAS LUNARDI. (fotos do Acervo de Olavo Pinheiro Godoy). Hoje, no local, funciona o Banco Santander.

A FOLHA DE BOTUCATU presta justa homenagem àquele que soube ter compromisso com o seu tempo e soube fazer desse compromisso um fato positivo e exemplar.

CAVALHEIRO VIRGÍNIO LUNARDI

Discurso proferido pelo prof. José Pedretti Neto, na ocasião do descobrimento do busto do saudoso Cav. Virgínio Lunardi, colocado na praça da Vila dos Lavradores que ostenta seu nome, como uma homenagem que se prestou à sua memória no encerramento das comemorações do 1º Centenário de Botucatu.
"Virgínio Lunardi, cidadão de S. Pelegrino, Itália, é cidadão de Botucatu, Brasil. Foi coragem e força, abnegação e filantropia, capacidade de inteligência e apologista do trabalho. O bronze que hoje lhe perpetua o nome serve, apenas, como motivo de fixação porque, mais do que o metal, a sua memória se espelha na sua própria vida. E sua vida foi um Exemplo e sua existência foi uma diretriz de retidão.
Planta transplantada da velha Itália trouxe, para a terra ubertosa de Botucatu, a seiva de séculos de civilização. E como os carvalhos que foram testemunhas da história, Virgínio Lunardi, filho ilustre de duas pátrias, uma de nascimento e de coração, outra adotiva e de sua alma, mergulhou raízes na ancestralidade e esplendeu a folhagem para o céu, para o alto, para o sol, para a alegria da vida nova, num hosana festivo, numa epopéia de pujança e sentimento.
A sombra de sua amizade verificou-se o humanismo do gênio de sua raça. Nunca negou o pão a quem lhe o pediu, nunca faltou com o conselho a quem se sentia deprimido, nunca negou o estímulo a quem precisava de um pequeno apoio para progredir. Foi o homem humano porque viveu sempre em função de seus semelhantes; foi o homem total porque criou um império de trabalho, esse trabalho que é dignidade e que é sua herança mais preciosa; foi o homem-abnegação porque compartilhou sempre do sofrimento alheio.
Quando todos descreram, ele acreditou. E a sua fé levantou uma indústria como atestado de confiança no futuro de Botucatu. Do alto desta colina ele descortinou, no porvir, os horizontes do progresso da terra de seus filhos.
Virgínio Lunardi foi o herói, não o herói da bravata e da inconsistência, mas foi o herói da compreensão e da justiça, da integridade e do caráter. Impondo a si mesmo uma norma de conduta rígida e sempre soube compreender a falta alheia e a dor do próximo porque nele o coração sempre conseguiu, para os outros, a concessão da consciência
Amou a Itália com amor de filho e amou o Brasil com amor de pai. Se a Itália lhe deu o nascimento, o Brasil lhe deu o berço da descendência E sempre foi o filho amoroso e o pai emotivo, filho que se ajoelha e o pai que abençoa.
Virgínio Lunardi, neste primeiro ano do Centenário da tua e da nossa terra, esta Botucatu que amaste e que amamos, recebe a homenagem da tua gente. Que este bronze seja a lembrança de um povo que reconheceu o teu mérito e que amanhã, nesse dia longínquo do futuro, as gerações aqui parem e meditem, que sintam teu exemplo e a dignidade de tua vida e que, concentradas na análise do que foste, possam proclamar: "Este, de fato, foi um homem; este, de fato, é um símbolo"
(Folha de Botucatu, 21/04/1955)