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março 23, 2019

Os Tropeiros, o Turismo Raiz e as Novas Comitivas...

Os Tropeiros, o Turismo Raiz

e as Novas Comitivas...










Antes das estradas de ferro, e muito antes dos caminhões, o comércio de mercadorias e animais era feito por tropeiros, nas regiões onde não existiam alternativas de navegação marítima ou fluvial para sua distribuição. As regiões interioranas, distantes do litoral, dependeram durante muito tempo desse meio de transporte por mulas. Eram as COMITIVAS dos TROPEIROS...

É muito importante o trabalho que está sendo feito de regaste de nossas tradições rurais através das NOVAS COMITIVAS...

Muito bom. Os bons empresários e as prefeituras espertas estão partindo para a valorização do nosso interior. Em Piracicaba tem um escritor, Cecílio Elias Netto, que publicou o “Dicionário do Dialeto Caipiracicabano” (Arco, Tarco, Verva). No dicionário, TARCO ”é o mesmo que talco. Piracicabano, como se sabe, sempre fica em dúvida, no barbeiro, entre tarco (talco), arco (álcool) e Acqua Verva (Velva). Mas, com muié, prefere tarco. Muié diz: “Depois do banho meu marido sempre qué qui eu use tarco!.

É isso mesmo! As prefeituras estão incentivando (sempre em parceria com a iniciativa privada) a formação de monitores para a implantação do Turismo Rural. São dadas aulas de “caipirês”, com toda a terminologia da língua caipira. São contratados violeiros que conheçam as mais clássicas musicas caipiras. Cursos de culinária regional, com as receitas dos pratos típicos das comitivas. Enfim, proporcionar o resgate da cultura rural do século retrasado e implementar o poderoso e rentável ramo turístico.
E nada melhor do que sair , num final de semana da capital, com seu trânsito louco e a correria de sempre, chegando num bucólico interior, com cachoeiras, cabras, vacas e cavalos, bebendo leite “direto da fonte”, pisar na terra e tomar um belo banho no riozinho de águas limpas...





http://img1.blogblog.com/img/blank.gifQuem é nascida ou nascido no interior sabe dar valor às boas coisas e causos da gente simples da zona rural. A mais famosa música caipira é a “Tristeza do Jeca”, do Angelino de Oliveira, de Botucatu. Essa música é conhecida no mundo todo. Na 2ª. Grande Guerra Mundial foi tocada nas tropas aliadas, era um código. Ela retrata muito bem como era o homem simples e de como ele via e vivia a vida. Já foi gravada pelos melhores cantores do Brasil. Vejam que linda letra: 

“Nestes versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Pra você quero contar
O meu sofrer a minha dor
Sou igual o sabiá
Quando canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está
Nesta viola eu canto
E gemo de verdade
Cada toada representa
Uma saudade
Eu nasci naquela serra
Num ranchinho a beira-chão
Todo cheio de buraco
Onde a lua faz clarão
Quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada
Principia o barulhão
Nesta viola eu canto
E gemo de verdade
Cada toada representa
Uma saudade

Lá no mato tudo é triste
Desde o jeito de falar
Pois o jeca quando canta
Dá vontade de chorar
E o choro que vai caindo
Devagar, vai se sumindo
Como as águas vão pro mar
E o choro que vai caindo
Devagar, vai se sumindo
Como as águas vão pro mar”

É a riqueza do interior deste Brasilzão! É o valor da raça brasileira!

É muito importante lembrar a mais famosa parceria da música raiz nacional: Raul Tôrres e João Pacífico. Raul Tôrres, botucatuense que trabalhou na então Estrada de Ferro Sorocabana, era um poeta nato e um músico de mão cheia. “Moda da Mula Preta”, “Cabocla Tereza”, “Pingo D’Água”, “Chico Mineiro” são algumas das suas músicas que alcançaram sucesso nacional, com destaque especial para “Saudades de Matão”, cuja letra é comprovadamente de Raul Tôrres e a melodia atribuída a Jorge Galati e Antenógenes Silva.

A televisão precisa fazer uma matéria completa sobre esse importante período da música raiz, e lembrar das duplas Raul Tôrres e Florêncio e, depois, com o surgimento da dupla que ficou a mais famosa do país na música caipira: Tonico & Tinoco! 

O BLOG DO DELMANTO realizou ampla pesquisa sobre esse tema empolgante. No link http://blogdodelmanto.blogspot.com/2016/01/o-tropeirismo-e-as-novas-comitivas.html, temos todo o histórico do TROPEIRISMO, DA MÚSICA RAIZ E DAS NOVAS COMITIVAS. Vale a leitura !




julho 15, 2016

A Magia e o Sucesso do Turismo Raiz em Botucatu !

A Magia e o Sucesso do Turismo Raiz em Botucatu !



É  muito importante o apoio e a divulgação do TURISMO RAIZ DE BOTUCATU!

A publicação oficial da prefeitura e da iniciativa privada  de "SABORES DA CUESTA", trazendo os principais locais onde o botucatuense e o visitante possam encontrar a autêntica comida caipira servida com a generosidade também típica da nossa região, já é um positivo sucesso. 

O "GRUPO DE CAMINHADAS PAPA-TRILHAS", sob o comando competente do TONIHO SANCHES, há muito tempo vem alicerçando a divulgação e a construção do turismo em nossa região, a região da CUESTA DE BOTUCATU.

Essa publicação, em parceria com a prefeitura municipal, é muito positiva. E, por oportuno, transcrevo, abaixo, matéria deste Blog referente ao turismo. Vale a leitura:



Os Tropeiros, o Turismo Raiz

e as Novas Comitivas...


(de Benedicto Calixto – Rancho Grande (dos Tropeiros)

Antes das estradas de ferro, e muito antes dos caminhões, o comércio de mercadorias era feito portropeiros, nas regiões onde não havia alternativas de navegação marítima ou fluvial para sua distribuição. As regiões interioranas, distantes do litoral, dependeram durante muito tempo desse meio de transporte por mulas. Desde fins do século XVII, as lavras mineiras, por exemplo, exigiram a formação de grupos de mercadores no comércio interiorano. Inicialmente chamados de homens do caminho, tratantes ou viandantes, os tropeiros passaram a ser fundamentais no comércio de escravos, alimentos e ferramentas dos mineiros. Longe de serem comerciantes especializados, os tropeiros compravam e vendiam de tudo um pouco: escravos, ferramentas, vestimentas etc. A existência do tropeirismo estava intimamente relacionada ao ir-e-vir pelos caminhos e estradas, com destaque para aEstrada real -- via pela qual o ouro mineiro chegou ao porto do Rio de Janeiro e seguiu para Portugal. O constante movimento, o ir-e-vir das tropas, não só viabilizou o comércio como também se tornou elemento chave na reprodução econômica do tropeirismo.

TROPEIRO

Tropeiro é a designação dada aos condutores de tropas,assim designadas as comitivas de muares, e cavalosentre as regiões de produção e os centros consumidores, a partir do século XVII no Brasil pelos Bandeirantes. Mais ao sul do Brasil, também são conhecidos como carreteiros, pelas carretas com as quais trabalhavam.
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Revista Hippus (Edição nº 42, de março/83, páginas 40 e 41, com o título de"Tropeirismo em Botucatu")


Num sentido mais amplo também designa o comerciante que comprava tropas de animais para revendê-las, e mesmo o"tropeiro de bestas" que usava os animais, para além de vendê-los, transportar outros gêneros para o comércio nas várias vilas e cidades pelas quais passava.

Além de seu importante papel na economia, o tropeiro teve importância cultural relevante como veiculador de ideias e notícias entre as aldeias e comunidades distantes entre sí, numa época em que não existiam estradas no Brasil.

Um dos marcos iniciais do tropeirismo foi quando aCoroa Portuguesa instalou em 1695 na Vila de Taubaté, a Casa de Fundição de Taubaté, também chamada de Oficina Real dos Quintos. A partir de então, todo o ouro extraído das Minas Gerais deveria ser levado a esta Vila e de lá seguia para o porto de Parati, de onde era encaminhado para o reino, via cidade do Rio de Janeiro.

Ao longo das rotas pelas quais se deslocavam, ajudaram a fazer brotar várias das atuais cidades do Brasil. As cidades deTaubaté, Sorocaba, Viamão, Santana de Parnaíba, Castro, Cruz Alta e São Vicente são algumas das pioneiras que se destacaram pela atividade de seus tropeiros.(Wikipédia, a enciclopédia livre)


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TURISMO RURAL/TURISMO RAIZ/REGISTRO HISTÓRICO/PARTE I/leia aqui

TURISMO RURAL/TURISMO RAIZ/REGISTRO HISTÓRICO/PARTE II/leia aqui

As Novas Comitivas

A exploração das áreas de antigas fazendas, sítios e Vilas Rurais para atividades turísticas está sendo tratada com a seriedade própria de empresários que sabem que aí está um filão muito pouco explorado e que pode render muito para regiões que entraram em decadência após o ciclo produtivo de seu meio rural. Muitas Prefeituras, com a ajuda e orientação do Sebrae, promovem seminários e fornecem orientação e assessoria aos interessados em ingressar nesse novo ramo empresarial.

Assim, procurando definir o perfil rural de uma típica cidade que vivenciou o Tropeirismo, é que fomos buscar na história de Botucatu, os elementos para que possa ser"adotado" o novo conceito das NOVAS COMITIVAS. E para que possamos planejar o nosso turismo ruralexplorado empresarialmente é preciso que o Poder Públicoestabeleça as regras para o trabalho em parceria com a iniciativa privada.

Além de visitação a tudo o que tenha em termos da cultura de café, como o Museu do Café e as antigas Fazendas , é preciso que se tenha um projeto inicial para a exploração empresarial do turismo rural, do turismo-raiz na cidade de Botucatu/SP.

A idéia das Novas Comitivas surgiu exatamente para incorporar a tradição rural de Botucatu que é tipicamente RAIZ na atuação dos tropeiros e das comitivas do passado.

Assim, somando à atuação das comitivas temos a música sertaneja-raiz, a chamada música caipira, mais uma vez Botucatu é privilegiada: os maiores expoentes da implantação e divulgação da música caipira são de Botucatu. Os nomes de Angelino de Oliveira, Raul Torres e Serrinha, estão gravados definitivamente na história da musica caipira, da música sertaneja-raiz.


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Nas matérias TURISMO RURAL/TURISMO RAIZ – PARTES I e II, nos links citados, temos todo o histórico do Tropeirismo, das Comitivas e da verdadeira Música Raiz.

janeiro 20, 2016

O TROPEIRISMO E AS NOVAS COMITIVAS !

Os Tropeiros, o Turismo Raiz

e as Novas Comitivas...


(de Benedicto Calixto – Rancho Grande (dos Tropeiros)

Antes das estradas de ferro, e muito antes dos caminhões, o comércio de mercadorias era feito por tropeiros, nas regiões onde não havia alternativas de navegação marítima ou fluvial para sua distribuição. As regiões interioranas, distantes do litoral, dependeram durante muito tempo desse meio de transporte por mulas. Desde fins do século XVII, as lavras mineiras, por exemplo, exigiram a formação de grupos de mercadores no comércio interiorano. Inicialmente chamados de homens do caminho, tratantes ou viandantes, os tropeiros passaram a ser fundamentais no comércio de escravos, alimentos e ferramentas dos mineiros. Longe de serem comerciantes especializados, os tropeiros compravam e vendiam de tudo um pouco: escravos, ferramentas, vestimentas etc. A existência do tropeirismo estava intimamente relacionada ao ir-e-vir pelos caminhos e estradas, com destaque para a Estrada real -- via pela qual o ouro mineiro chegou ao porto do Rio de Janeiro e seguiu para Portugal. O constante movimento, o ir-e-vir das tropas, não só viabilizou o comércio como também se tornou elemento chave na reprodução econômica do tropeirismo.

TROPEIRO

Tropeiro é a designação dada aos condutores de tropas,assim designadas as comitivas de muares, e cavalos entre as regiões de produção e os centros consumidores, a partir do século XVII no Brasil pelos Bandeirantes. Mais ao sul do Brasil, também são conhecidos como carreteiros, pelas carretas com as quais trabalhavam.

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Revista Hippus (Edição nº 42, de março/83, páginas 40 e 41, com o título de"Tropeirismo em Botucatu")


Num sentido mais amplo também designa o comerciante que comprava tropas de animais para revendê-las, e mesmo o "tropeiro de bestas" que usava os animais, para além de vendê-los, transportar outros gêneros para o comércio nas várias vilas e cidades pelas quais passava.

Além de seu importante papel na economia, o tropeiro teve importância cultural relevante como veiculador de ideias e notícias entre as aldeias e comunidades distantes entre sí, numa época em que não existiam estradas no Brasil.

Um dos marcos iniciais do tropeirismo foi quando a Coroa Portuguesa instalou em 1695 na Vila de Taubaté, a Casa de Fundição de Taubaté, também chamada de Oficina Real dos Quintos. A partir de então, todo o ouro extraído das Minas Gerais deveria ser levado a esta Vila e de lá seguia para o porto de Parati, de onde era encaminhado para o reino, via cidade do Rio de Janeiro.

Ao longo das rotas pelas quais se deslocavam, ajudaram a fazer brotar várias das atuais cidades do Brasil. As cidades de Taubaté, Sorocaba, Viamão, Santana de Parnaíba, Castro, Cruz Alta e São Vicente são algumas das pioneiras que se destacaram pela atividade de seus tropeiros.(Wikipédia, a enciclopédia livre)


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TURISMO RURAL/TURISMO RAIZ/REGISTRO HISTÓRICO/PARTE I/leia aqui

TURISMO RURAL/TURISMO RAIZ/REGISTRO HISTÓRICO/PARTE II/leia aqui

As Novas Comitivas

A exploração das áreas de antigas fazendas, sítios e Vilas Rurais para atividades turísticas está sendo tratada com a seriedade própria de empresários que sabem que aí está um filão muito pouco explorado e que pode render muito para regiões que entraram em decadência após o ciclo produtivo de seu meio rural. Muitas Prefeituras, com a ajuda e orientação do Sebrae, promovem seminários e fornecem orientação e assessoria aos interessados em ingressar nesse novo ramo empresarial.

Assim, procurando definir o perfil rural de uma típica cidade que vivenciou o Tropeirismo, é que fomos buscar na história de Botucatu, os elementos para que possa ser"adotado" o novo conceito das NOVAS COMITIVAS. E para que possamos planejar o nosso turismo rural explorado empresarialmente é preciso que o Poder Público estabeleça as regras para o trabalho em parceria com a iniciativa privada.

Além de visitação a tudo o que tenha em termos da cultura de café, como o Museu do Café e as antigas Fazendas , é preciso que se tenha um projeto inicial para a exploração empresarial do turismo rural, do turismo-raiz na cidade de Botucatu/SP.

A idéia das Novas Comitivas surgiu exatamente para incorporar a tradição rural de Botucatu que é tipicamente RAIZ na atuação dos tropeiros e das comitivas do passado.

Assim, somando à atuação das comitivas temos a música sertaneja-raiz, a chamada música caipira, mais uma vez Botucatu é privilegiada: os maiores expoentes da implantação e divulgação da música caipira são de Botucatu. Os nomes de Angelino de Oliveira, Raul Torres e Serrinha, estão gravados definitivamente na história da musica caipira, da música sertaneja-raiz.


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Nas matérias TURISMO RURAL/TURISMO RAIZ – PARTES I e II, nos links citados, temos todo o histórico do Tropeirismo, das Comitivas e da verdadeira Música Raiz.

abril 27, 2014

RAMIRO VIOLA & PARDINI: SUCESSO NA TV GLOBO!

RAMIRO VIOLA & PARDINI:
Sucesso na TV Globo!


Ramiro Viola e Pardini na TV Globo/ Música Raiz/ ouça aqui

Apesar de terem ficado “de fora” dos festejos do aniversário de Botucatu, quando artistas importantes foram contratados, RAMIRO & PARDINI tem feito sucesso no nosso estado e pelo país todo. Sempre se apresentando com grande audiência, a dupla carrega o que há de melhor em nossa música raiz.




Com o programa “AROMA SERTANEJO”, Ramiro e Pardini tem feito uma verdadeira “garimpagem” sobre a nossa música raiz. Tanto na TV Serrana como em seus programas na PRF-8, fazem sucesso contínuo. Pode-se afirmar que possuem o maior acervo de nossa música raiz.



Na noite de ontem, na TVTEM/GLOBO, no horário nobre, participaram da matéria “Centro-Oeste Paulista se destaca como berço dos nomes famosos da música caipira de raiz”, como parte do jornal regional da emissora.

E deram verdadeira aula de nossa música raiz: desde Raul Torres, o grande Angelino de Oliveira, Serrinha, Carreirinho, Pardinho, Tião Carreiro, Zé da Estrada e Pedro Bento até a dupla famosa de Tonico & Tinoco. Todos tendo Botucatu e região como ponto de partida ou de retorno para revigorar a criatividade musical.

TONICO & TINOCO


E AINDA RESTOU A GRANDE POLÊMICA DE QUAL SERIA O LOCAL DE NASCIMENTO DA DUPLA MAIS FAMOSA DO BRASIL DE TODOSOS TEMPOS: TONICO & TINOCO ?!?

RESPOSTA CERTA: BOTUCATU!!!

Simplesmente, porque do município de Botucatu é que se originaram os municípios de São Manuel e Pratânia. Primeiro a se emancipar foi o de São Manuel. Depois, foi o de Pratânia, que se emancipou de São Manuel. MAS quando nasceram os violeiros da “dupla famosa”, TUDO era BOTUCATU!!!

Portanto, nasceram no Distrito de Pratânia que, à época, pertencia a Botucatu, da mesma forma que o Distrito de São Manuel pertencia a Botucatu.

Reproduzimos, abaixo, parte da matéria “A RAIZ DE BOTUCATU”, que está linkada no final do post juntamente com outros posts ligados a esta matéria:

“3. BOTUCATU
( 3ª raiz)
Dos sete Distritos desmembrados de Itapetininga, o que mais se desenvolveu foi Botucatu. Dotada de clima muito bom, nasceu a "Freguesia do Cimo da Serra", a 19 de fevereiro de 1846. Para ali afluíram políticos influentes, bons educadores, alguns jesuítas, criando-se bons Colégios, Seminário, Bispado e o primeiro Serviço do Correio para toda a região. A Lei nº 17, de 14 de abril de 1855, de José Antonio Saraiva, elevou a "Freguesia do Alto da Serra" à categoria de Vila, com o nome de Botucatu. Em 16 de março de 1876, foi elevada à categoria de cidade pela Lei nº 18. Como centro importante, Botucatucontava com 16 a 18 distritos e vilas, quando os mais progressistas deram início às emancipações e que foram os cinco primeiros:
a. LENÇÓIS, em 1865;
b. AVARÉ, EM 1875;
c. BOFETE, em 1885;
d. SÃO MANOEL, em 1885;
e. PIRAMBÓIA, em 1890.”

Parabéns ao trabalho sério e artístico da dupla RAMIRO VIOLA & PARDINI !

Parabéns MÚSICA RAIZ!


março 27, 2014

Angelino de Oliveira: Eu Nasci Naquela Serra...

Angelino de Oliveira: 
Eu Nasci Naquela Serra...

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Botucatu precisa homenagear ANGELINO DE OLIVEIRA. Autor da famosa música “TRISTEZA DO JECA”, toada considerada uma das maiores expressões da música sertaneja, gravada pelos mais destacados cantores de nossa música raiz. Além é claro, da música “SAUDADES DE BOTUCATU”, elevada a música oficial do município.

Temos Escola e rua com o nome de Angelino de Oliveira, temos até a SEMANA ANGELINO OLIVEIRA, oficializada pela Prefeitura Municipal, MAS é preciso que se renove, SEMPRE, os eventos àquele que mais divulgou Botucatu através de sua arte musical.

Na matéria abaixo, trazemos um olhar novo sobre ANGELINO DE OLIVEIRA, inclusive com o relato do violonista e escritor, PAULO FREIRE, autor do livro Eu nasci naquela Serra...”

Um aristocrata da música popular


Aleixo Delmanto

"- Sabiá que canta triste
Lá na mata do sertão,
   Ele canta pra esquecer
  a mágoa do seu coração"

Cerrou-se o canto sertanejo do conhecido e "aristocrata" cantor da nossa gente e de nossa terra.
Apresenta o Brasil dois típicos, genuínos e inigualáveis "músico-poetas" populares: Catulo, no Norte eAngelino, no Sul.  O nosso, o sabemos, com rudimentares conhecimentos de técnica musical, autodidata, incapaz de compor sobre uma folha o que lhe ardia, gravado profundamente, no âmago do coração e da alma.
Quantas composições de extraordinário valor artístico, de "cór e de cabeça", depositadas no cofre aberto de uma memória incomum e, porisso, às dezenas, inéditas e desconhecidas pelo público em geral!
Típicas, "só dele", genuínas, próprias, originalíssimas.  Como as de Chopim, no campo oposto, o clássico, jamais superadas ou imitadas.
Comprova-se que, mesmo na música popular e folclórica, há diferença de estilo, de inspiração, de arte, de insuflação divina.
Raríssimos, outrossim, são os que, como Angelino de Oliveira e Catulo da Paixão Cearense, nasceram com a bossa de poeta e de músico, ao mesmo tempo e graças a Deus...
Música popular que poderemos dividir em duas categorias principais: a caipira e a sertaneja.
A primeira, mais simples, modesta na melodia e no conteúdo poético; a segunda, mais nobre, elegante, enlevada, aristocrata.
O contraste é evidente e num exemplo elucidativo, embora indireto, tem-se a impressão, caipira, de um modesto cantor de microfone, interpretando uma trova comum, repleta de monótono estribilho.
Na segunda, a sertaneja, de uma "Casa Pequenina" ou da "Tristeza do Jeca", através das vozes melodiosas, de uma Bidu Sayão ou de uma Inezita Barroso.
Poeta, pois, e músico popular e "aristocrata", Angelino soube interpretar fielmente e com suma arte e inspiração musical, a vida do nosso humilde homem do campo, de suas dores, de suas queixas, amores, ciúmes e tristezas.

Angelino de Oliveira


Pintor eficaz e feliz do rancho de sapé ao pé da serra, dos luares sulinos e prateados, rebrilhando sobre a colina verdejante e o riacho tranqüilo e cristalino.
Cantor mavioso das encruzilhadas da mata, ponto de encontro furtivo dos pares amorosos.  Daquela conhecida "Encruzilhada", mergulhada no silêncio noturno da mata tropical e despertada, ao alvorecer, pelo canto ciumento do malvado bem-te-vi, pássaro cúmplice e maldoso:


"-Hoje eu passo a encru-
[zilhada
Me lembrando só de ti,
E o malvado passarinho
      Ainda grita: - Bem-te-vi!"

 Boêmio incorrígivel e impenitente, coerente, consigo próprio, continuava a declamar, idoso, com o mesmo entusiasmo juvenil, os versos de A  Storni, a poetisa argentina:

"...enche de vinho este
[cristal sonoro
 nós beberemos esse 
[ licor de ouro 
ao celebrar a noite e a 
[ sua doçura..."

E naqueles instantes, como por um milagre, o repentista exímio improvisava, em se transfigurando.  As notas e melodias, como manancial inesgotável, se transformavam em música enlevada, em valsas primorosas de evocação chopiniana.
Dedilhava, então, sobre as cordas amareladas do velho instrumento com atavio, elegância e a experiência de um artista do teclado, mormente quando acompanhado ao violão pelo já falecido e outro ilustre autodidata, o saudoso Zé Maria Peres, seu velho companheiro de mocidade e de arte.
Que rendilhado sonoro! Que noitadas de inspiração artística!  Quantas belas composições, olvidadas pelo próprio Autor, eram então relembradas pelo fiel Zé Maria, que as conhecia de cór, música e letra!
Respirava-se novamente um fresco perfume de juventude cabocla,  o fresco aroma do cravo rubro, enfeitando cabelos ou roupagens; a fragrância renovada do primeiro sol; o verde perfume do musgo dos troncos, da resina brilhante, das gotas de orvalho resplandescentes na alegria festiva da primeira manhã...
E a fisionomia do Zé Maria a comover-se, a emocionar-se! E lágrimas furtivas, escorregadias, a se deslizarem brilhando através dos sulcos das rugas, aglomerando-se e tombando, enfim, sobre o violão ressequido...
Como gotas de chuva, tamborilando sobre o teclado verde das folhas da bananeira silente...
Alcançava-se o áuge, o diapasão do astro poético, dos acordes musicais, quando o "duo"endiabrado parecia querer cantar, em alemão, os versos de Mombert:

"Hier ist die Gipfel, suche Keine andern...".
                "Aqui está o cimo, não procure alhures..."

Porque após da costumeira visita ao rancho do Jeca ao pé do monte, subindo pela encosta íngreme, já no cume da serra, descortinavam os cantores o panorama magnífico da Princesa da Serra, meta do trovador, com seu casario amplo e luminoso e suas torres, no triunfo das luzes rubras do ocaso.
Era também o triunfo do aedo!
Reminiscência da juventude nas notas musicais das peraltices do garoto, do reencontro saudoso com os amigos do peito, na centenária cidade do poeta e velho amigo Trajano...
Mudara-se Há tempos para São Paulo, o botucudo violonista, mas, amiúde, aqui aportava para abraçar os amigos, relembrar as velhas canções e tornar conhecida a sua última composição...
Alquebrado, arquejando, retornou pela última vez.  Foram os seus últimos dias!

"Hoje eu choro a des-
                                  [ventura
             Que o destino veio dá,
             Separando os coração
        Como as viola da canção
              E as estrelas do luá".

  


Não abraçou, como de costume, o seu instrumento! Dedilhou, no ar livre, uma harpa invisível, ou o dedo em riste, como se empunhasse uma batuta de orquestra.  Ou declamado, inaudível, uma frase do teuto Lutero:- "A música é o melhor refrigério de um desconsolado.  Por sua causa o coração se acalma, se revigora, se renova".
Mas a música cessara e o coração, amargurado, não sobreviveu àquela que foi a fiel companheira espiritual de toda a sua vida.
Não conseguiu, sequer, assobiar, entre os lábios trêmulos, a saudosa música de outrora:


         - "Lá na mata do sertão
                quando o sol vai des-
                                   [cambá,
           a saudade vai chorando
                do peito do sabiá..."

De nossos corações "sai chorando" também a tua imensa  saudade, ó seresterio poeta!
E as vozes, botucatuenses e orfeônicas do nosso grande "Coral", levarão sempre, por toda a parte, em suas triunfais peregrinações, o espírito de tua arte inconfundível.
Para Vitor Hugo,  sumo escritor e poeta, "...la musique est la vapeur de l´art.
   Elle est à la poésie ce que la rêverie est à la pensée, ce que le fluide est au liquide, ce que l´ocean desnuées est à l´ocean des ondes.  Elle est l´indefini de cet  infini".
Para Angelino de Oliveira, autodidata e boêmio, a música foi tudo.  Três novos Reis Magos o previram em sonho.
Nasceu ela, por insuflação divina, sem sêmem, no fundo do seu coração.
("Folha de Botucatu", 02/05/1964).


Registro Histórico

Para que se tenha o cenário real da amizade que ligava Angelino de Oliveira a Gastão Dal Farra, Aleixo Delmanto, Trajano Pupo e outros, por oportuno, vamos transcrever trecho do livro de Paulo de Oliveira Freire, "Eu Nasci Naquela Serra", Editora Paulicéia, 145 págs., 1996,  na qual o autor retrata as vidas de Angelino de Oliveira, Raul Torres e Serrinha:
"...Os encontros na casa de Gastão Dal Farra, desenhista e professor secundário, eram cada vez mais freqüentes.  Gastão também tocava violão, sanfona italiana e cantava.  Angelino gostava muito de ir lá, pois o ambiente era perfeito: o silêncio, a noite inteira tocando, cantando e declamando, os melhores amigos ao lado, e as filhas de Gastão que Angelino adorava.

Assim que entrava na casa do Gastão, as meninas traziam para Angelino o violão do pai, que era muito bom, e elas sabiam do gosto com que ele o recebia de suas mãos. O violão de Gastão traz até hoje as marcas das unhas de Angelino que, com seu modo arrebatado de tocar, raspava as unhas da mão direita na madeira do violão.
O Aleixo, que era médico, vinha se preocupando cada vez mais com a saúde de Angelino.  Com seu sangue italiano, não tinha muita paciência com os excessos do amigo, era muito sincero e se enervava freqüentemente, pois Angelino não comia e nem dormia direito.
Para se ter uma idéia do temperamento do médico, um dia Aleixo fora chamado para atender um paciente e Gastão resolveu ir com ele até a clínica. Chegando lá, o Dr. Aleixo cumprimenta o enfermo, pede para que tire a camisa, pega seu estetoscópio e começa a examiná-lo.  Ouve primeiro as costas, não gosta do que percebe e diz "tsc tsc tsc", balançando a cabeça negativamente.  Em seguida encosta o estetoscópio no peito do paciente.  Continua balançando a cabeça e soltando o "tsc tsc tsc".  O paciente foi ficando roxo, pois se o médico estava fazendo isso, imagina como ia a sua saúde...
Depois, quando Gastão fica sozinho com Aleixo, lhe diz:
- Desculpe me intrometer na sua ética, Aleixo, mas você não pode fazer isso com o paciente.  Assim você mata ele antes do final da consulta!
Mas Aleixo não conseguia esconder nada de ninguém.  O que tinha para dizer era ali, na hora.  E foi por isso que aconteceu uma briga memorável com Angelino.
Ele percebeu que se Angelino continuasse com a vida que estava levando não ia durar muito tempo mais.  Resolveu proibi-lo de beber, mas Angelino se negou a obedecê-lo, dizendo que deste prazer ele não ia se privar.  Começaram uma de suas discussões intermináveis, até que Gastão e Jurandir tiveram uma idéia: já que não podia beber e Angelino não ia parar, que fixassem um limite.
Pegaram uma garrafa de guaraná, fizeram uma marca e combinaram que até ali Angelino podia beber.  Mas passar da marca era terminantemente proibido.  O compositor achou razoável e o Dr. Aleixo cedeu aos argumentos de todos.  Assim, punham a cachacinha até a marca na garrafa, e Angelino, carregando o seu guaraná, ia administrando até o final da noite.
Poucos dias depois, Angelino sente-se angustiado e, remoendo seus problemas, senta-se no Colosso.  Acaba o que tinha na garrafinha e pede outra dose.  Quando estava pedindo a segunda dose extra, bem neste instante, chega Aleixo.  Angelino não esconde o que está fazendo e o médico fica furioso.  Faz um discurso ali mesmo no Colosso, diz que não quer mais encontrar Angelino, que ele está se matando, que isso é um absurdo, etc.  Angelino fica chocado e vê o Aleixo sumir do bar.
Tenta explicar a briga para quem está perto, mas se emociona e vai embora.  Os amigos acabam sabendo do acontecido e correm para procurar os dois.  Não encontram Angelino em lugar algum, até que Gastão vai até a estação de trem e vê o compositor pronto para embarcar para São Paulo.
- Angelino, pelo amor de Deus, não faça isso, o Aleixo só falou aquilo para o seu bem...
E deu o que fazer para que Angelino resolvesse ficar em Botucatu.  Gastão leva Angelino para sua casa, e outros saem a procura do Aleixo.  Começam o trabalho de convencer os dois que deviam um pedir desculpas ao outro.  Para completar a cena, vão buscar Zé Maria também.
A reconciliação durou a noite inteira.  E foi a maior choradeira.  Tocaram, cantaram, criaram.  Nessa noite, Trajano escreveu um poema para Maria Lúcia, filha do Gastão, que Angelino musicou.

Quando a saudade for morar contigo
para povoar a tua solidão
oh, Maria Lúcia,
compreenderás então
porque razão
há um gemido ritmando cada arpejo
e uma lágrima caindo em cada verso
no soluçar desta canção.
Maria Lúcia era menina, assistia os encontros em sua casa, encantada com o que estava presenciando e com a homenagem que lhe faziam.  Muitas vezes ela também era convocada para cantar junto a eles.
Nestes últimos anos de vida, dividindo seu tempo entre breves idas a São Paulo, a mesa do bar e a casa dos amigos, Angelino viveria uma nova fase como criador.Passou a fazer poucas letras, deixava que os outros as fizessem.  Agora ele era pura música e buscava no violão o meio de expressar seus sentimentos.
Gostava cada vez mais de tocar com sua alma gêmea Zé Maria.  Quantas músicas eram feitas ali, na hora.  Se Angelino descobria alguma nova melodia, Zé Maria já ia atrás e complementava com seu violão..."




("Almanaque Cultural de Botucatu", PEABIRU, 2000, págs. 79 a 82/ Ilustrações de Vinicio Aloise)