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novembro 29, 2018

KIM MARQUES - HOMENAGEM DE BOTUCATU !




Botucatu tem gravado esse nome: Quim Marques!
Professor, Artista Plástico, Diretor da “Cia de Teatro Chafariz” e do Grupo de Teatro Municipal, Quim Marques aceitou participar, como colaborador, da Revista Botucatuense de Cultura – PEABIRU, em seu primeiro número, em janeiro/fevereiro de 1997, com o artigo acima referido. Nele está o histórico do teatro em Botucatu. Em 1997, o Quim Marques estava já no segundo ano como diretor da “Cia de Teatro Chafariz”, além de dirigir o Grupo de Teatro Municipal.

O Quim Marques além de ser formado em Teatro pela USP, ser professor e ator ele é, também, ARTISTA PLÁSTICO! 

Em 1966, procurei por ele em São Paulo para pintar um quadro de minha mãe. Era uma foto de seu casamento e o Quim fez um belo quadro a óleo que ilustra o post que fiz a ela: “Minha Mãe: Saudades!”



Assim deixo o testemunho da genialidade desse botucatuense criativo e competente, enfim, um artista. No link



http://blogdodelmanto.blogspot.com/2015/06/teatro-chafariz-quim-marques-e-o.html


 um pouco do rico perfil cidadão de Quim Marques que acaba de nos deixar. Que o Senhor o receba para seu merecido descanso.


junho 10, 2015


TEATRO CHAFARIZ, QUIM MARQUES E O CAMINHO DO TEATRO: ÚNICO E MÁGICO!

TEATRO CHAFARIZ, QUIM MARQUES  E O CAMINHO DO TEATRO: ÚNICO E MÁGICO!




A Cia de Teatro Chafariz está comemorando 20 Anos de existência. Estará apresentando  sua programação no Teatro Nelli, de 10 a 13 de Junho. Assim, nada mais oportuno que trazermos o artigo “O CAMINHO DO TEATRO: ÚNICO E MÁGICO”, do botucatuense Quim Marques. É a homenagem do Blog do Delmanto aos 20 anos de existência da Cia de Teatro Chafariz e ao Diretor de Teatro Quim Marques.



Botucatu tem gravado esse nome: Quim Marques!
Professor, Artista Plástico, Diretor da “Cia de Teatro Chafariz” e do Grupo de Teatro Municipal, Quim Marques aceitou participar, como colaborador, da Revista Botucatuense de Cultura – PEABIRU, em seu primeiro número, em janeiro/fevereiro de 1997, com o artigo acima referido. Nele está o histórico do teatro em Botucatu. Em 1997, o Quim Marques estava já no segundo ano como diretor da “Cia de Teatro Chafariz”, além de dirigir o Grupo de Teatro Municipal.



Outro artigo de Quim Marques, “Lavapés: O Meu Rio Primeiro”, também publicado na revista PEABIRU, foi destaque neste blog:http://blogdodelmanto.blogspot.com.br/2014/04/lavapes-meu-rio-primeiro-quim-marques.html


O CAMINHO DO
TEATRO: ÚNICO E
MÁGICO.



Outro dia. sentei-me no banco da Praça Paratodos, para contemplar a vida. como se fazia há muito tempo atrás , quando a televisão ainda não roubara as pessoas de suas cadeiras instaladas nas calçadas de suas cidades, para entender o movimento vivo do mundo.
Como não podia deixar de ser, o pensamento foi puxando pela memória e esta, como um fio, veio trazendo as lembranças. Fixei o olhar antigo em nosso Teatro Municipal recém-inaugurado e recordei os primeiros chamados que me conduziram a um caminho único e mágico, de onde jamais se pode voltar. O caminho do teatro.
E me vi menino, ansioso, cruzando o limiar das portas iluminadas dos circos que se instalavam na Rua Rangel Pestana, onde hoje funciona o Mercado Municipal. As tabuletas anunciavam grandes dramas e ingênuas comédias : "O céu uniu dois corações", "O Conde de Monte Cristo", ''Os Irmãos Corsos", "Maria Caxuxa", "Cala a boca, Etelvina". etc...
Após a primeira parte das apresentações que eram as variedades, o mestre-de-cerimônias anunciava o espetáculo da noite, e nós, espectadores, ávidos do encantamento que se prenunciava, nos atropelávamos com nossas cadeiras par, rapidamente, nos instalarmos dentro do picadeiro, buscando o melhor lugar junto ao palco, para assistirmos às encenações. Após as três célebres marteladas sobre a madeira do palco, ficávamos no mais puro silêncio para poder fluir toda a beleza ingênua, popular e brasileira que se apresentava ali. Como sempre, um telão pintado ao fundo, e, completando o cenário, alguns objetos assinalados pelas múltiplas viagens e abençoados pelo pó de todas os caminhos.
Luzes na ribalta e a casinha do ponto, onde uma pessoa soprava aos atores suas falas, para que não perdessem o fio de seus enredos. Tudo tão ingênuo e tão mágico! Corações de papelão enfeitados de flores de papel crepom desciam do alto para enlaçar os casais enamorados, pais cruéis, donzelas traídas, lágrimas, heróis, vilões redimidos, sofrimentos superados pela nobreza da alma iam formando o caráter das pessoas e um estilo que marcou época.
Hoje, muitos diretores teatrais fazem uma releitura desse gênero, como por exemplo, Gabriel Vilela e seu grupo "Galpão". O meu aprendizado foi o de entender a alma viajante desses artistas, sua ternura e generosidade, na entrega ao seu oficio. Mambembes e pobres, buscavam transcender-se pelo brilho da alma. Foi sua poesia e sua garra, seu sonho e sua liberdade que os faziam caminhar sempre. Lição maior de minha vida.
Muitas companhias teatrais, com essa essência passaram por nossa cidade, nas décadas de quarenta e cinqüenta. Lembro-me do Teatro de Alumínio, instalado na Praça do Bosque, onde funcionou o Teatro Espéria, antes do seu incêndio. O Teatro de Alumínio era dirigido e coordenado por Nino Mello, conhecido ator e diretor da época. Suas peças tinham, também, a mesma ótica das representadas nos circos. Quando terminavam os espetáculos, os atores circulavam pela platéia vendendo suas fotos aos espectadores, que as compravam como lembrança e gratidão pelo momento de arte que lhes fora oferecido. Linda cumplicidade!
Mais tarde, quando mais moço, cursando o ginásio, comecei a frequentar a casa do Sr.Nelli e de sua esposa, dona Alice, que haviam formado um grupo de teatro amador. Eles traziam o sonho de construir um teatro. E realmente o conseguiram, mais tarde.
O grupo TAENCA, como era chamado, foi formado inicialmente por alunos da Escola Normal.
Lembro-me de como ficava fascinado, quando passava pela Rua Amando de Barros e via os painéis de anúncio do repertório que apresentavam. Lá estavam expostas as fotos dos atores "botucatuenses mesmo", em pose, à moda dos grandes astros da época.
Já sonhava estar no palco. Via-me ocupando um espaço daquele painel, me apresentado como um personagem ''importante'' de alguma montagem. Mas, na verdade, era muito mais do que isso. Era entrar para além da porta limiar do circo.
Deixar de ser espectador e fazer parte de um elenco, o que dá a permissão de colocar o pé neste caminho.
Conheci e convivi com o Sr.Nelli, esse batalhador das artes de Botucatu, e com ele aprendi que é importante acreditar nas propostas que se pretende realizar. Sua vontade e determinação me impressionaram muito. Seus ensaios eram feitos de forma acadêmica, sem as oficinas, laboratórios e aquecimento que se fazem nas montagens atuais. Decorava-se os papéis e íamos direto para as marcações. Mas havia bastante rigor e disciplina, seriedade no trabalho, elementos importantes para o fazer artístico.
Mais tarde, no começo da década de sessenta, mudou-se para Botucatu o Dr. Otávio Moralles Moreno, com uma certa experiência no profissionalismo teatral de São Paulo. Formou um outro grupo, do qual fiz parte, e nos ensinou novas formas de representar, indicando-nos novas linguagens, novas soluções.
A Secretaria de Cultura Estadual começou, nessa época, a promover concursos de teatro amador, e no primeiro certame. Luzia Carmello Ferraz, que depois tornou-se atriz profissional, ganhou o prêmio de melhor atriz em 1963.
Pela cidade, começaram a surgir outros grupos, fomentando ainda mais a atividade cultural de teatro em Botucatu. Surgiu um grupo da Faculdade de Filosofia. Ciências e Letras, dirigido pelo professor Cury, do qual participavam a professora Maria Lúcia Dal Farra e sua irmã Maria Silvia, o Dr. Marcos Garita, as irmãs Caminhoto, Marlene e Cida. Formou-se ainda nesta década o grupo do hoje famoso dramaturgo Alcides Nogueira, do qual fez parte também a profa.Marly Bonomi, hoje diretora teatral e mestra em Teatro pela USP.
Em 1964, ano da revolução, decidi-me. Fui para São Paulo. Queria ser ator. Queria entender esta arte e sobretudo fazê-la. Por lá fiquei 27 anos. Fiz escola, atuei. Tomei-me profissional. Senti todas as alegrias e dificuldades que o palco traz. Em 1975, casei-me e tive filhos. Afastei-me do teatro profissional e passei a dedicar-me ao teatro-educação. Tornei-me professor. Descobri então outras maravilhas. Através de meus alunos, retomei meu lugar de espectador. Mas, com outro olhar. Com eles, foi-me dado observar e perceber como o teatro nasce dentro do homem, e como num determinado momento se toma tão necessário a ponto de ser eleito como profissão de fé em uma vida. Entender a sua gênese ampliou-me mais ainda a visão de seu misterioso universo. Foi-me dado, nesse exercício, o presenciar de momentos milagrosos: como um ator fazendo seu primeiro vôo, abrindo sua primeira porta, descobrindo sua maneira de derramar-se em gestos dadivosos para revelar as verdades humanas no ritual pungente que sempre é uma encenação. Foi-me dado a possibilidade de encontrar os meios e as chaves que auxiliam esses seres-atores a se encontrarem. Foi-me dado ver esse começo para entender o fim, que é a busca tão intensa e intrigante desta arte, que é a de representar.
Até que um dia voltei. Feliz, constatei que em minha terra havia uma efervescência das artes cênicas. Isto em 1991. Soube que os universitários que aqui chegavam, participavam bastante dessas iniciativas, que muitos outros grupos também vinham se exercitando, nestes vinte e sete anos que estive fora e que, ainda neste período, por aqui passaram companhias famosas, vivificando ainda mais a vida cultural da cidade.
Soube ainda que muitos lutaram por espaços, não só os físicos, mas o de serem aceitos e vistos na dignidade de seu trabalho.
Nestes últimos quatro anos, não sei se por força das marés ou sei lá o quê, os grupos foram se dissipando. Foi um momento triste, mas que acontece sempre, nos movimentos da vida.
E agora, sentado aqui, em frente ao Teatro Municipal, revejo o dia da sua inauguração e ele, festivo, recebendo um mar de gente, gente da Praça Paratodos e todas as praças, artistas desta praça e de todas as praças, num espaço que deve pulsar para todos. E, sejam quais forem as marés, que sejam sempre as do sentimento da comunhão, que acompanha a Arte. Sempre.

REGISTRO HISTÓRICO :

"TAENCA - A 10 de março de 1951, no salão nobre do Instituto de Educação Cardoso de Almeida, foi constituído o Teatro Amador daquela escola. O diretor Adolfo Pinheiro Machado deu apoio total ao teatrólogo (bancário de profissão) Armando Joel Nelli na organização e elaboração do programa de trabalhos. Juntaram-se a eles , na primeira diretoria, Sebastião Almeida Pinto, Agostinho Minicucci, Enedina Faro Pinheiro Machado, Euclides Vulcano, Jair Conti, Romeu Amaral. Na parte artístico-técnica, Armando Joel Nelli e sua esposa Alice Morais Nelli.
A peça "Saudade'', de Paulo Magalhães, levado ao palco do Teatro Casino a 14.5.1951, marcou o início das atividades do TAENCA . Participaram : Terezinha Alvira Joel Nelli, Catarina Fogar, Dolores Surano Dearo, Joana Celina Morais Nelli, Tasso Nunes da Silva, Carlos Bauer e Rui Soares. Pela primeira vez. na história da cidade, a bilheteria de um teatro fechou antes do início da representação, vendidas que foram as 1.200 poltronas..."
"Teatro Nelli. O entusiasmo do casal Nelli e companheiros de diretoria, a boa fase que proporcionava intimidade entre público e a atividade coroou de sucesso a campanha do Nelli para a construção daquele que viria a ser o grande teatro faltante em Botucatu : o municipal. O povo contribuiu adquirindo "cadeiras cativas'', apoiando representações. O governo ajudou de modo que no lançamento da pedra fundamental, 1° de setembro de 1962, esteve presente o presidente da Caixa Econômica do Estado e representante do governador, Teófilo Ribeiro de Andrade. A Prefeitura cedeu - sob críticas de meios conservadores - parte da praça X V de novembro que assim desapareceu dividida entre prédios dos Correios, do Centro Cultural, do Teatro.
O afastamento do animador que foi Armando Joel Nelli, transferido para outra cidade, não foi benéfico à atividade. Mesmo o Teatro que recebeu o seu nome, a 29 de janeiro de 1964 foi transformado em cinema, incorporado à rede da Empresa Teatral Pedutti. O prédio, que merecera elogios de profissionais do teatro, ainda sediou, em outubro desse ano, o II Festival Amador do Estado, que reuniu representações de 28 cidades. Um marco para o teatro botucatuense cujo esboço de história vimos seguindo..."
( Hernâni Donato, in 'ACHEGAS PARA A HISTÓRIA DE BOTUCATU', págs. 223/224. 3a. edição, 1985)

NOTA DO BLOG: hoje, o Cine Nelli, voltou à posse do Poder Público Municipal. Por decisão judicial, a Prefeitura de Botucatu assumiu a posse do teatro e deverá destiná-lo às atividades culturais, notadamente, à atividade teatral. A prefeitura havia doado a área para o TAENCA construir o teatro. Com a dissolução do TAENCA, a prefeitura recebeu o imóvel incorporando-o ao seu patrimônio.

Teatro Municipal "Camillo Fernandez Dinucci" -
"Há quase sessenta anos era inaugurado o primeiro prédio construído no interior do Estado de São Paulo - Cine Paratodos, especificamente destinado a projeção cinematográfica, com 1200 lugares.
As obras foram iniciadas em 1934, tendo sido inaugurado no dia 02 de julho de 1937, com o filme "A carga da Brigada Ligeira". O Cine Paratodos, foi idealizado pelo arquiteto Adolfo Dinucci e projetado pelo seu filho também arquiteto Camillo Fernandez Dinucci, com a fachada e detalhes retilíneos, buscando soluções funcionais proposta pela escola de Bauhaus. Hoje, 04 de Julho de 1996, o Paratodos reabre as suas portas. Tratado com carinho e dignidade pelo Governo Federal, através do Ministério das Comunicações (TELESP) e Poder Público Municipal, resgata a história de Botucatu e devolve à população um lugar que foi ponto de encontro durante décadas.
Conservada a fachada original, internamente foi totalmente reformado e restaurado para teatro com projetos de acústica, iluminação e vestimenta de palco. O antigo Cine Paratodos é apresentado hoje como o Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci, colocando Botucatu no circuito de cultura nacional."
(Folheto promocional editado pela Prefeitura Municipal de Botucatu, através de sua Divisão de Cultura - julho/ 96).


Duas fotos com Quim Marques, durante a Noite de Autógrafos no lançamento do livro "MEMÓRIAS DE BOTUCATU 2", em 1993. 


Maitan, Quim e Armando.

junho 10, 2015

TEATRO CHAFARIZ, QUIM MARQUES E O CAMINHO DO TEATRO: ÚNICO E MÁGICO!

TEATRO CHAFARIZ, QUIM MARQUES  E O CAMINHO DO TEATRO: ÚNICO E MÁGICO!




A Cia de Teatro Chafariz está comemorando 20 Anos de existência. Estará apresentando  sua programação no Teatro Nelli, de 10 a 13 de Junho. Assim, nada mais oportuno que trazermos o artigo “O CAMINHO DO TEATRO: ÚNICO E MÁGICO”, do botucatuense Quim Marques. É a homenagem do Blog do Delmanto aos 20 anos de existência da Cia de Teatro Chafariz e ao Diretor de Teatro Quim Marques.



Botucatu tem gravado esse nome: Quim Marques!
Professor, Artista Plástico, Diretor da “Cia de Teatro Chafariz” e do Grupo de Teatro Municipal, Quim Marques aceitou participar, como colaborador, da Revista Botucatuense de Cultura – PEABIRU, em seu primeiro número, em janeiro/fevereiro de 1997, com o artigo acima referido. Nele está o histórico do teatro em Botucatu. Em 1997, o Quim Marques estava já no segundo ano como diretor da “Cia de Teatro Chafariz”, além de dirigir o Grupo de Teatro Municipal.



Outro artigo de Quim Marques, “Lavapés: O Meu Rio Primeiro”, também publicado na revista PEABIRU, foi destaque neste blog: http://blogdodelmanto.blogspot.com.br/2014/04/lavapes-meu-rio-primeiro-quim-marques.html


O CAMINHO DO
TEATRO: ÚNICO E
MÁGICO.



Outro dia. sentei-me no banco da Praça Paratodos, para contemplar a vida. como se fazia há muito tempo atrás , quando a televisão ainda não roubara as pessoas de suas cadeiras instaladas nas calçadas de suas cidades, para entender o movimento vivo do mundo.
Como não podia deixar de ser, o pensamento foi puxando pela memória e esta, como um fio, veio trazendo as lembranças. Fixei o olhar antigo em nosso Teatro Municipal recém-inaugurado e recordei os primeiros chamados que me conduziram a um caminho único e mágico, de onde jamais se pode voltar. O caminho do teatro.
E me vi menino, ansioso, cruzando o limiar das portas iluminadas dos circos que se instalavam na Rua Rangel Pestana, onde hoje funciona o Mercado Municipal. As tabuletas anunciavam grandes dramas e ingênuas comédias : "O céu uniu dois corações", "O Conde de Monte Cristo", ''Os Irmãos Corsos", "Maria Caxuxa", "Cala a boca, Etelvina". etc...
Após a primeira parte das apresentações que eram as variedades, o mestre-de-cerimônias anunciava o espetáculo da noite, e nós, espectadores, ávidos do encantamento que se prenunciava, nos atropelávamos com nossas cadeiras par, rapidamente, nos instalarmos dentro do picadeiro, buscando o melhor lugar junto ao palco, para assistirmos às encenações. Após as três célebres marteladas sobre a madeira do palco, ficávamos no mais puro silêncio para poder fluir toda a beleza ingênua, popular e brasileira que se apresentava ali. Como sempre, um telão pintado ao fundo, e, completando o cenário, alguns objetos assinalados pelas múltiplas viagens e abençoados pelo pó de todas os caminhos.
Luzes na ribalta e a casinha do ponto, onde uma pessoa soprava aos atores suas falas, para que não perdessem o fio de seus enredos. Tudo tão ingênuo e tão mágico! Corações de papelão enfeitados de flores de papel crepom desciam do alto para enlaçar os casais enamorados, pais cruéis, donzelas traídas, lágrimas, heróis, vilões redimidos, sofrimentos superados pela nobreza da alma iam formando o caráter das pessoas e um estilo que marcou época.
Hoje, muitos diretores teatrais fazem uma releitura desse gênero, como por exemplo, Gabriel Vilela e seu grupo "Galpão". O meu aprendizado foi o de entender a alma viajante desses artistas, sua ternura e generosidade, na entrega ao seu oficio. Mambembes e pobres, buscavam transcender-se pelo brilho da alma. Foi sua poesia e sua garra, seu sonho e sua liberdade que os faziam caminhar sempre. Lição maior de minha vida.
Muitas companhias teatrais, com essa essência passaram por nossa cidade, nas décadas de quarenta e cinqüenta. Lembro-me do Teatro de Alumínio, instalado na Praça do Bosque, onde funcionou o Teatro Espéria, antes do seu incêndio. O Teatro de Alumínio era dirigido e coordenado por Nino Mello, conhecido ator e diretor da época. Suas peças tinham, também, a mesma ótica das representadas nos circos. Quando terminavam os espetáculos, os atores circulavam pela platéia vendendo suas fotos aos espectadores, que as compravam como lembrança e gratidão pelo momento de arte que lhes fora oferecido. Linda cumplicidade!
Mais tarde, quando mais moço, cursando o ginásio, comecei a frequentar a casa do Sr.Nelli e de sua esposa, dona Alice, que haviam formado um grupo de teatro amador. Eles traziam o sonho de construir um teatro. E realmente o conseguiram, mais tarde.
O grupo TAENCA, como era chamado, foi formado inicialmente por alunos da Escola Normal.
Lembro-me de como ficava fascinado, quando passava pela Rua Amando de Barros e via os painéis de anúncio do repertório que apresentavam. Lá estavam expostas as fotos dos atores "botucatuenses mesmo", em pose, à moda dos grandes astros da época.
Já sonhava estar no palco. Via-me ocupando um espaço daquele painel, me apresentado como um personagem ''importante'' de alguma montagem. Mas, na verdade, era muito mais do que isso. Era entrar para além da porta limiar do circo.
Deixar de ser espectador e fazer parte de um elenco, o que dá a permissão de colocar o pé neste caminho.
Conheci e convivi com o Sr.Nelli, esse batalhador das artes de Botucatu, e com ele aprendi que é importante acreditar nas propostas que se pretende realizar. Sua vontade e determinação me impressionaram muito. Seus ensaios eram feitos de forma acadêmica, sem as oficinas, laboratórios e aquecimento que se fazem nas montagens atuais. Decorava-se os papéis e íamos direto para as marcações. Mas havia bastante rigor e disciplina, seriedade no trabalho, elementos importantes para o fazer artístico.
Mais tarde, no começo da década de sessenta, mudou-se para Botucatu o Dr. Otávio Moralles Moreno, com uma certa experiência no profissionalismo teatral de São Paulo. Formou um outro grupo, do qual fiz parte, e nos ensinou novas formas de representar, indicando-nos novas linguagens, novas soluções.
A Secretaria de Cultura Estadual começou, nessa época, a promover concursos de teatro amador, e no primeiro certame. Luzia Carmello Ferraz, que depois tornou-se atriz profissional, ganhou o prêmio de melhor atriz em 1963.
Pela cidade, começaram a surgir outros grupos, fomentando ainda mais a atividade cultural de teatro em Botucatu. Surgiu um grupo da Faculdade de Filosofia. Ciências e Letras, dirigido pelo professor Cury, do qual participavam a professora Maria Lúcia Dal Farra e sua irmã Maria Silvia, o Dr. Marcos Garita, as irmãs Caminhoto, Marlene e Cida. Formou-se ainda nesta década o grupo do hoje famoso dramaturgo Alcides Nogueira, do qual fez parte também a profa.Marly Bonomi, hoje diretora teatral e mestra em Teatro pela USP.
Em 1964, ano da revolução, decidi-me. Fui para São Paulo. Queria ser ator. Queria entender esta arte e sobretudo fazê-la. Por lá fiquei 27 anos. Fiz escola, atuei. Tomei-me profissional. Senti todas as alegrias e dificuldades que o palco traz. Em 1975, casei-me e tive filhos. Afastei-me do teatro profissional e passei a dedicar-me ao teatro-educação. Tornei-me professor. Descobri então outras maravilhas. Através de meus alunos, retomei meu lugar de espectador. Mas, com outro olhar. Com eles, foi-me dado observar e perceber como o teatro nasce dentro do homem, e como num determinado momento se toma tão necessário a ponto de ser eleito como profissão de fé em uma vida. Entender a sua gênese ampliou-me mais ainda a visão de seu misterioso universo. Foi-me dado, nesse exercício, o presenciar de momentos milagrosos: como um ator fazendo seu primeiro vôo, abrindo sua primeira porta, descobrindo sua maneira de derramar-se em gestos dadivosos para revelar as verdades humanas no ritual pungente que sempre é uma encenação. Foi-me dado a possibilidade de encontrar os meios e as chaves que auxiliam esses seres-atores a se encontrarem. Foi-me dado ver esse começo para entender o fim, que é a busca tão intensa e intrigante desta arte, que é a de representar.
Até que um dia voltei. Feliz, constatei que em minha terra havia uma efervescência das artes cênicas. Isto em 1991. Soube que os universitários que aqui chegavam, participavam bastante dessas iniciativas, que muitos outros grupos também vinham se exercitando, nestes vinte e sete anos que estive fora e que, ainda neste período, por aqui passaram companhias famosas, vivificando ainda mais a vida cultural da cidade.
Soube ainda que muitos lutaram por espaços, não só os físicos, mas o de serem aceitos e vistos na dignidade de seu trabalho.
Nestes últimos quatro anos, não sei se por força das marés ou sei lá o quê, os grupos foram se dissipando. Foi um momento triste, mas que acontece sempre, nos movimentos da vida.
E agora, sentado aqui, em frente ao Teatro Municipal, revejo o dia da sua inauguração e ele, festivo, recebendo um mar de gente, gente da Praça Paratodos e todas as praças, artistas desta praça e de todas as praças, num espaço que deve pulsar para todos. E, sejam quais forem as marés, que sejam sempre as do sentimento da comunhão, que acompanha a Arte. Sempre.

REGISTRO HISTÓRICO :

"TAENCA - A 10 de março de 1951, no salão nobre do Instituto de Educação Cardoso de Almeida, foi constituído o Teatro Amador daquela escola. O diretor Adolfo Pinheiro Machado deu apoio total ao teatrólogo (bancário de profissão) Armando Joel Nelli na organização e elaboração do programa de trabalhos. Juntaram-se a eles , na primeira diretoria, Sebastião Almeida Pinto, Agostinho Minicucci, Enedina Faro Pinheiro Machado, Euclides Vulcano, Jair Conti, Romeu Amaral. Na parte artístico-técnica, Armando Joel Nelli e sua esposa Alice Morais Nelli.
A peça "Saudade'', de Paulo Magalhães, levado ao palco do Teatro Casino a 14.5.1951, marcou o início das atividades do TAENCA . Participaram : Terezinha Alvira Joel Nelli, Catarina Fogar, Dolores Surano Dearo, Joana Celina Morais Nelli, Tasso Nunes da Silva, Carlos Bauer e Rui Soares. Pela primeira vez. na história da cidade, a bilheteria de um teatro fechou antes do início da representação, vendidas que foram as 1.200 poltronas..."
"Teatro Nelli. O entusiasmo do casal Nelli e companheiros de diretoria, a boa fase que proporcionava intimidade entre público e a atividade coroou de sucesso a campanha do Nelli para a construção daquele que viria a ser o grande teatro faltante em Botucatu : o municipal. O povo contribuiu adquirindo "cadeiras cativas'', apoiando representações. O governo ajudou de modo que no lançamento da pedra fundamental, 1° de setembro de 1962, esteve presente o presidente da Caixa Econômica do Estado e representante do governador, Teófilo Ribeiro de Andrade. A Prefeitura cedeu - sob críticas de meios conservadores - parte da praça X V de novembro que assim desapareceu dividida entre prédios dos Correios, do Centro Cultural, do Teatro.
O afastamento do animador que foi Armando Joel Nelli, transferido para outra cidade, não foi benéfico à atividade. Mesmo o Teatro que recebeu o seu nome, a 29 de janeiro de 1964 foi transformado em cinema, incorporado à rede da Empresa Teatral Pedutti. O prédio, que merecera elogios de profissionais do teatro, ainda sediou, em outubro desse ano, o II Festival Amador do Estado, que reuniu representações de 28 cidades. Um marco para o teatro botucatuense cujo esboço de história vimos seguindo..."
( Hernâni Donato, in 'ACHEGAS PARA A HISTÓRIA DE BOTUCATU', págs. 223/224. 3a. edição, 1985)

NOTA DO BLOG: hoje, o Cine Nelli, voltou à posse do Poder Público Municipal. Por decisão judicial, a Prefeitura de Botucatu assumiu a posse do teatro e deverá destiná-lo às atividades culturais, notadamente, à atividade teatral. A prefeitura havia doado a área para o TAENCA construir o teatro. Com a dissolução do TAENCA, a prefeitura recebeu o imóvel incorporando-o ao seu patrimônio.

Teatro Municipal "Camillo Fernandez Dinucci" -
"Há quase sessenta anos era inaugurado o primeiro prédio construído no interior do Estado de São Paulo - Cine Paratodos, especificamente destinado a projeção cinematográfica, com 1200 lugares.
As obras foram iniciadas em 1934, tendo sido inaugurado no dia 02 de julho de 1937, com o filme "A carga da Brigada Ligeira". O Cine Paratodos, foi idealizado pelo arquiteto Adolfo Dinucci e projetado pelo seu filho também arquiteto Camillo Fernandez Dinucci, com a fachada e detalhes retilíneos, buscando soluções funcionais proposta pela escola de Bauhaus. Hoje, 04 de Julho de 1996, o Paratodos reabre as suas portas. Tratado com carinho e dignidade pelo Governo Federal, através do Ministério das Comunicações (TELESP) e Poder Público Municipal, resgata a história de Botucatu e devolve à população um lugar que foi ponto de encontro durante décadas.
Conservada a fachada original, internamente foi totalmente reformado e restaurado para teatro com projetos de acústica, iluminação e vestimenta de palco. O antigo Cine Paratodos é apresentado hoje como o Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci, colocando Botucatu no circuito de cultura nacional."
(Folheto promocional editado pela Prefeitura Municipal de Botucatu, através de sua Divisão de Cultura - julho/ 96).


Duas fotos com Quim Marques, durante a Noite de Autógrafos no lançamento do livro "MEMÓRIAS DE BOTUCATU 2", em 1993. 


Maitan, Quim e Armando.





abril 05, 2014

Lavapés - Meu Rio Primeiro, Quim Marques

Lavapés: Meu 
Rio Primeiro...

(ilustração de Marco Antonio Spernega)

Botucatu tem gravado esse nome: Quim Marques!
Foi Professor, Artista Plástico, Diretor da “Cia de Teatro Chafariz” e do Grupo de Teatro Municipal, colaborou com jornais e revistas da cidade. A crônica abaixo foi publicada na PEABIRU, revista botucatuense de cultura, nº 15, de maio/junho de 1999. É uma preciosidade. Vale a leitura!

Lavapés - Meu Rio Primeiro

Quim Marques

                A chuva cai forte, pesada, densificando o ar com um som aconchegante, desses que nos fazem enrodilhar-nos no sofá, dentro de casa, bebendo chá ou outra bebida quente, acarinhando a alma.
         Lá fora, no fundo do quintal, além da cerca, um barulho-turbilhão.  O rio Lavapés passa, cheio e rápido, lavando seu leito, fuçando suas margens, suas mágoas, e carregando todo o lixo que lhe foi jogado na estação das secas.
         Do lado de cá, através da janela, contemplo-o, e sua sarabanda vai revolvendo também o meu rio de memórias.  E rápido, em movimento contrário, meus pensamentos-peixes, feito piracema, fuçam meu passado, para a desova de meus sentimentos.  Lá, onde as manhãs eram sempre luminosas e o lixo não corria ainda nas veias do homem.
         Então, me vejo outra vez menino, brincando em suas águas com outros meninos, quando ainda éramos nus e sabíamos andar pelo rio descalços e sem medo, empenhando-nos em descobrir os segredos do seu leito.
         Nós, crianças, o amávamos e o entendíamos, sempre atentos ao seu sonho de lonjuras e amplidões.
         Foi quando ganhei essa alma viajante, que busca sempre alcançar, num corredor contínuo e intenso, os mistérios e segredos do mar onde desemboca esse rio primeiro.
         Ah, meu rio de infância Lavapés!  Disseram-me que lhe deram esse nome pela mania que tinha de acolher os peregrinos das estradas, lavando-lhes os pés da poeira e do cansaço, num arremate de conforto para esses viajantes.
         Hoje, você está doente, cansado, sujo, enfurecido, e ruge, nas cheias, buscando arrancar de seu caminho a ingratidão que lhe jogam pelas margens!
         A vida é outra.  São outros os peregrinos que agora atravessam suas pontes, sentados em seus veículos, vaidosos de suas máquinas e surdos para a música-marulho de sua voz.
         Naqueles tempos, suas águas eram claras e límpidas.  Em seu curso viam-se animais e pássaros saciando a sede.
         Pelas manhãs, as lavadeiras, descendo tagarelas pelas ruas da cidade, vinham alvejar o tempo.  O rio, escutando o rumorejar das conversas, ficava sabendo da vida entretecida em nossa cidade.
         Às tardes, vinham os tropeiros encher os corotes de água, para seguir com seus animais o transporte de todos os rebanhos.
         E você cantava, alegremente, junto com os bem-te-vis, os fogo apagou, as saracuras e os quero-queros.  Pelas suas margens nasciam as glórias-da-manhã e os lírios-do-brejo, os hamerocális.  Os lambaris e os cascudos  dançavam, nos recantos ribeirinhos entre os juncos e as taboas.
         Época de muito respeito e gratidão.  O rio emprestava a todos da cidade a sua força, para mover os moinhos na feitura da farinha para o sagrado pão.  Lembro-me do moinho do salgueiro, o do Chicuta, e do som ritmado das correias da roda cantante movida pelas suas águas.  Da fumaça da farinha enevoando o moleiro, deixando-o empoado como um ator de comédia popular...
         Às suas margens aprendi não só a lição de sua generosidade, mas também a de liberdade e determinação.
         Em seu leito, exercitei-me para a arte, e construi asas para todas as naturezas de vôo.
         Uma pedra grande, como uma ilha plantada em suas águas, era minha casa, meu castelo, minha fortaleza, meu porto e meu barco, de onde me aventurava por rotas e continentes, particulares à minha mágica geografia, transcendendo-me além de todas as fronteiras.
         E o rio corria...
         Todos os quintais o visitavam em seu caminho.  E caminhando em seu leito, eu visitava todos os quintais, no delicioso risco de apanhar frutos proibidos, coniventes e dadivosos, que se deixavam apanhar pela infância irreverente.
         O rio era a própria vida cantante, embalando a vida de nossa cidade.
         Quando os dias estavam quentes, minha família e outras tantas da vizinhança aproveitávamos o frescor das tardes e sentávamos nos bancos sob as paineiras do antigo Chafariz da Boa Vista.  O perfume das flores, misturados aos lilases, rosas e azuis derramados do céu, naquele momento tão solene, de crepúsculo, nos faziam sentir plenos e em paz com o mundo.
         O rio fazia sonoplastia perfeita para esta cena.
         Nós, crianças, corríamos pelo gramado brincando de pega-pega.
         Os adultos faziam a prosa do cotidiano.
         Depois, cansados de tanto brincar, sentávamos nós, também, e fazíamos colares de flor-de-maravilha  para presentear nossas mães.

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         O rio nos permitia um jogo eterno de brincadeiras e atiçava nossa imaginação, permitindo o realizar todos os nossos sonhos.
         Através dele nos tornávamos aventureiros, piratas, bandeirantes, bandidos e mocinhos de cinema, engenheiros, peixes e animais, reis e povos de países imaginários.
         Às vezes o percorríamos todo, desde a sua nascente até as proximidades do Lageado.  Íamos demarcando pontos geográficos, com a terminologia própria de nossas observações: A Curva do Alemão, o Barranco da Figueira Grande, a Cachoeira da Chácara, A Represa do Moinho, o Barranco do Deslize, o Tanque do Salgueiro.  Lugares únicos e mágicos que ficaram para sempre nos caminhos da alma.  Com esses pontos inventávamos mapas e tesouros; simulando lutas e guerras para encontrá-los.  Forjávamos aventuras e nos sentíamos heróis.
         Os tesouros eram latas vazias de bolacha, repletas das sobras de colares e brincos de nossas tias; restos de vidros coloridos quebrados e cristais encontrados no fundo das águas do rio.
         O tempo passou... A cidade foi crescendo.  E o rio Lavapés foi ficando cada vez mais distante da infância.
         Poucas crianças chegavam às suas margens, proibidas pelos pais, que temiam a contaminação de seus filhos.  Ele se tornara depositário de todos os esgotos, de todos as sobras, lixo e entulho...
         Está doente e pobre.  Mal cheiroso.  Ameaçado.
         Falam em enterrá-lo.  Querem colocá-lo numa caixa, espremido entre duas vias marginais.
         É a vontade do progresso, de um progresso distanciado de valores humanos.
         Por que não construir novos logradouros, construindo a memória, onde as pessoas possam se encontrar nos fins de tarde, deixando um pouco o isolamento em que a televisão as coloca?
         Então, sentar novamente sob as árvores e ouvir o correr de suas águas despoluídas, a sua música quando passa.
         Ah, meu rio Lavapés!  Meu rio primeiro, meu rio de infância!  Quisera tanto vê-lo novamente alegre, forte e saudável!
         Não morra, rio!  Saiba que o amamos.
         Possa você, Lavapés, lavar ainda os pés, a alma e a memória de todos os que compartilham seu canto, seu rumo, sua beleza.
         Dá-nos olhos lavados de ver, de novo, sua vida resguardada e plena, a correr livre, agora, pelos caminhos do futuro.