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maio 01, 2023
julho 03, 2016
Academia Botucatuense de Letras: um escriba panfletário na ACADEMIA...
Academia Botucatuense de Letras:
um escriba panfletário na ACADEMIA...
No distante ano de 1983,
tive a grande honra de ingressar, por indicação do saudoso Acadêmico Dr.
Sebastião de Almeida Pinto, na ACADEMIA BOTUCATUENSE DE LETRAS – ABL.
“Llmos. Srs. Presidente e demais membros efetivos da Academia
Botucatuense de Letras.
Prezados confrades,
É com a maior satisfação, que tenho a honra de propor aos ilustres
membros desse Sodalício, para preenchimento de vagas existentes na quadro de
membros efetivos da Academia de Letras de Botucatu, o nome do doutor Armando
Moraes Delmanto, advogado residente nesta cidade.
O Dr. Armando Moraes Delmanto, bacharel em Direito, escritor com várias
obras publicadas, jornalista em franca atividade na imprensa paulistana e
local, beletrista apreciado, sentir-se-á muito honrado em pertencer à nossa
Academia, onde pretende preencher a vaga do saudoso Prof. Dr. Ignácio Loyola V.
Novelli, ocupando a cadeira que tem por patrono o inolvidável Paulo Setubal.
Antecipando os meus agradecimentos pela acolhida favorável a esta
indicação, apresento
Cordiais saudações,
SEBASTIÃO DE ALMEIDA PINTO
Botucatu – 5 de Agosto de 1978”.
E na Sessão Solene,
presidida pelo fundador da ABL e seu presidente, Acadêmico Dr. Antonio Gabriel
Marão, tendo sempre a presença competente da secretária e Acadêmica Elda
Moscogliato, apresentei a minha tese, com o traje oficial da ABL à época e
dando destaque para o medalhão acadêmico. Foi uma grande realização, com
certeza!
Já havia publicado os
livros “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO”, em 1970 e “CRÔNICAS DA MINHA
CIDADE”, em 1976.
Mas a minha atuação principal havia sido nas lides
jornalísticas. Ao fundar o moderno e participativo jornal “VANGUARDA DE
BOTUCATU” (http://blogdodelmanto.blogspot.com.br/2016/06/jornalismo-de-vanguarda-em-botucatu_24.html),
procurava fazer um jornalismo moderno e
atuante, participativo no exercício da cidadania. Pois é negativo para as
cidades do interior o jornalismo travestido de independente a traçar os
acontecimentos ao bel prazer dos poderosos do momento...
O jornalismo ou a história, nas comunidades
interioranas, sempre sofreu com a imprensa “chapa
branca”, ou seja, a imprensa que “escreve”
a história como a veem os donos temporários do poder... Isso faz parte da
história mundial: os regimes totalitários SEMPRE
quiseram “escrever” a história
oficial, a história “chapa branca”...
Desde Stalin, Hitler, Fidel Castro e
Getúlio Vargas, só para citar alguns notórios ditadores que usaram e
abusaram dos “escribas de aluguel”...
Mas foi tudo em vão. O tempo sempre recompõe a história e traz a verdade dos
fatos ao conhecimento de todos.
Aqui em Botucatu, nos jornais em que
militamos, conseguimos trazer à tona a verdade sobre o 2º Bispado de Botucatu e a atuação de Dom Duarte Costa ao ser excomungado e ter fundado, ao depois, a Igreja Católica Brasileira. A
importância do Conde de Serra Negra,
a magnitude do Aquífero Guarani
(Aquífero Botucatu), o pioneirismo da Casa
de Saúde “Sul Paulista”, as Imigrações
Americanas, Belgas e Japonesa para Botucatu, etc. E, mais recentemente, a
luta através do Blog do Delmanto contra
a tentativa de levar o nosso curso de
medicina para Bauru, com a atuação omissa de autoridades locais e a atuação
perniciosa de alguns docentes da própria UNESP (http://blogdodelmanto.blogspot.com.br/2013/06/gambiarra-na-faculdade-de-medicina-de.html). Isso, acreditamos, foi jornalismo positivo e independente.
Por isso, busquei na minha atuação
jornalística o título da minha tese acadêmica:
“A bondosa indicação do Dr. Sebastião ou de como um escriba
panfletário chegou à Academia”.
Já em nossa posse na ABL, destacávamos em nosso discurso que:
Já em nossa posse na ABL, destacávamos em nosso discurso que:
"Título: A bondosa indicação do Dr. Sebastião ou de como um escriba panfletário chegou à Academia.
"Se me cortam um verso, escrevo outro;
Se me prendem vivo, escapo morto;
E, de repente, eis eu aí de novo,
Exigindo a paz e exigindo o troco".
As coisas em nossas vidas nunca acontecem por acaso. Fui indicado para a Academia Botucatuense de Letras pelo saudoso médico e professor Dr. Sebastião de Almeida Pinto. Indicado, fui aceito pela gentileza de seus membros para ocupar a cadeira que tem por Patrono o notável escritor Paulo Setúbal.
Mas a vida quis, o que muito me honra e sensibiliza, que houvesse um remanejamento, não muito normal em casos que tais, vindo eu a ocupar a cadeira que tem como Patrono o ilustre historiador e folclorista Alceu Maynard Araújo e, como antecessor, exatamente, aquele que me convidou e indicou para fazer parte deste seleto sodalício: o Dr. Sebastião de Almeida Pinto.
É uma dupla honra: suceder a tão ilustre botucatuense e ter como Patrono esse excelente folclorista.
O Dr. Sebastião foi professor de Alceu na sempre tradicional Escola Normal de Botucatu.
E o Dr. Alceu foi meu professor na Escola de Sociologia & Política de São Paulo.
Aqui, abro um parêntese.
A festa com que Alceu recebeu um “botucudo”, a atenção que me foi dispensada e os ensinamentos que desse Mestre aprendi, marcaram-me para sempre.
Fecho o parêntese.
Alceu e Tião sempre dedicados à história e à pesquisa. Ambos tendo por Botucatu um carinho e uma predileção marcantes. Nosso passado e nossas peculiaridades. Os desbravadores. Os nossos sonhos. As nossas decepções. As vitórias e derrotas da cidade e dos botucatuenses tiveram a atenção e o relato desses cultores da nossa história e do nosso folclore.
A eles, sucedo. Às suas qualidades, não tenho a pretensão.
"Se me cortam um verso, escrevo outro;
Se me prendem vivo, escapo morto;
E, de repente, eis eu aí de novo,
Exigindo a paz e exigindo o troco".
Novamente repito:
A bondosa indicação do Dr. Sebastião ou de como um escriba panfletário chegou à Academia.
Do Dr.
Alceu, em discurso histórico, o Dr.
Sebastião de Almeida Pinto traçou
o perfil. Foi esportista, professor, diretor, sociólogo, escritor, Patrono da cadeira nº 02, da Academia
Botucatuense de Letras e Membro da Academia Paulista de Letras, juntamente
com Hernâni Donato e Francisco
Marins.
Nascido em Piracicaba, Alceu, desde pequeno, foi criado em Botucatu, cidade que considerava como sua. Aqui fez suas amizades e estudos, culminando com sua diplomação pela Escola Normal de Botucatu. Formado Professor, Alceu foi lecionar em Pirambóia. Atento observador foi registrando os usos e costumes, as tradições, as crendices, as esperanças e os antepassados dessa gente boa do interior.
Transferindo-se para São Paulo, Alceu, que sempre foi conhecido como o "peito de ferro", por seu porte atlético, ingressou na Escola Superior de Educação Física da USP. Formado, lecionou em inúmeras escolas municipais. Na busca do saber, licenciou-se em Sociologia. Lecionou na Escola de Sociologia e Política, agregada à USP, onde tive o privilégio de ser seu aluno. Não satisfeito em sua busca do saber, bacharelou-se em Direito pela tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco - USP. Nesse tempo todo dedicava-se ao folclore: pesquisando, escrevendo artigos para jornais e revistas. Enfim, Alceu dedicou-se inteiramente à cultura, escrevendo, lecionando e dirigindo faculdades. Foi Vice-Diretor das Faculdades Metropolitanas Unidas -FMU, quando era Diretor da mesma, outro grande botucatuense, Mestre de todos nós, o Professor Agostinho Minicucci,
Participou da elaboração da Enciclopédia da Cultura e Folclore Nacional, autor de "Medicina Rústica" e"Pentateuco Nordestino", Alceu teve vida produtiva e granjeou o respeito e a admiração de seus pares.
Não tendo nascido em Botucatu, orgulhava-se de ser considerado autêntico “botucudo”.
Sendo o primeiro botucatuense a entrar para a Academia Paulista de Letras, logo foi seguido por Francisco Marins e Hernâni Donato.
O Prof.
Alceu Maynard Araújo, Patrono da cadeira n° 02 de nossa Academia. enriqueceu a cultura
botucatuense e tornou-se modelo exemplar para a nossa juventude.
Na verdade, Alceu
Maynard Araújo representou,
com dignidade e brilho, a cultura nacional. Entre os inúmeros cargos de
destaque que ocupou, ressalte-se o de Grande
Secretário de Cultura do Grande Oriente de São Paulo.
Na segunda metade dos anos setenta, eu residia na Rua
Velho Cardoso, quase esquina com a Cardoso
de Almeida. Aos domingos pela manhã, participava do papo matinal defronte à
casa do professor Prado e um dos
participantes era o saudoso Dr.
Sebastião de Almeida Pinto. Belos papos. Neles, só aprendi. A história de
Botucatu “corria solta” na informalidade da conversa.
Um dia, o Dr. Sebastião pediu que eu fosse à sua casa. Naquela época já
andava doente. O assunto se resumia a um pedido: que eu aceitasse a minha
indicação para a Academia Botucatuense
de Letras. A humildade daquele Mestre
me comoveu e eu lhe disse que não me considerava credenciado a ser seu par
na Academia, embora honrado pelo
convite. O Dr. Sebastião contra argumentou
com sua bondade costumeira. Resultado:
aqui estou por indicação desse ilustre botucatuense.
Gostaria de abordar várias facetas desse
exemplar cidadão botucatuense.
De início, no entanto, quero destacar uma
característica rara do Dr. Sebastião de
Almeida Pinto e, aqui, permitam-me a falta de modéstia, dele e de meu pai, Antônio Delmanto. Ambos farmacêuticos. Ambos médicos-missionários, médicos sacerdotes.
Não fizeram fortuna. Não enriqueceram com a profissão, dignificaram a profissão
médica. Ambos fizeram de suas profissões um meio para minorar os males e proteger
os pequeninos da sorte. Meu pai, por 15
anos, foi Diretor Clínico da
Misericórdia que naquele tempo ainda era chamada de Santa Casa, e o Dr.
Sebastião por muitos anos chefiou a Clínica
Médica da Misericórdia. Em “Estórias
da Santa Casa”, sob o título de “De
Costa Leite ao Dr. Antoninho”, o Dr.
Sebastião relata:
“Em São
Paulo foi Adjunto da Santa Casa
(terceira cirurgia de mulheres). Fez o curso de aperfeiçoamento de clínica
cirúrgica da Faculdade de Medicina de S.
Paulo. Frequentou cursos de cirurgia, ginecologia e obstetrícia da Associação Paulista de Medicina,
convivendo com mestres notáveis. Quando aqui chegou estava apto para praticar
com brilho a ciência e a arte de Hipócrates.
Entrou logo para a Misericórdia,
onde foi cirurgião, chefe de clínica e
Diretor Clínico, mostrando dinamismo, competência, dedicação e espírito
humanitário. Foi pelas suas mãos que reingressei no Corpo Clínico da velha Santa Casa de onde me despedira alguns anos
antes por motivo...(mas isto já é outra estória).”
Com referência à sua experiência na Misericórdia, o Dr. Sebastião retrata bem, em artigo de 1968, o que era a pratica da medicina naquele tempo e como era
difícil praticá-la e quanta dedicação e espírito humanitário eram precisos para
exerce-la:
“Nesses trinta e dois anos de clínica, nas
minhas observações diuturnas na velha Santa
Casa, tenho visto coisas extraordinárias. Doentes de enfermaria,
indigentes, foram curados espetacularmente de moléstias gravíssimas.
Intervenções cirúrgicas, de prognóstico sombrio, terminaram magnificamente.
Recuperações impressionantes fazem lembrar a PROVIDÊNCIA. Lembram a figura de JESUS, o protetor dos humildes e pequeninos, a passear pelas
enfermarias”.
Assim era o Dr. Sebastião de Almeida Pinto: médico-missionário. Não enriqueceu
na profissão mas deixou seu nome gravado em ouro na história de Botucatu.
Humilde, alegre e dedicado. Animava todas as rodas e a todos tinha uma palavra
amiga. Assim era o velho Mestre Tião.
Descendente do Capitão José Paes de Almeida, chefe político de Botucatu, que
juntamente com o general Ataliba Leonel,
de Piraju e Antonio Evangelista (Tonico Lista) de Santa Cruz do Rio Pardo
faziam o tripé do poderoso PRP na região. E é de lembrar que
àquela época esta região era uma das principais senão a principal do Estado.
Seu pai, Sebastião
Pinto Conceição era o administrador da Fazenda
Aratu, de propriedade da Condessa de
Serra Negra, de onde o menino Tião e
o mano Jayme vinham à pé para a
escola.
Depois, seu pai veio a ser o Tabelião do 1º Tabelionato. Era músico
(flautista), tendo ensinado piano à menina Eunice.
Com ele Tião pegou gosto pela
música. Tião tocava flauta e saxofone,
tendo deixado sua marca na época, quer em serenatas quer animando bailes no
então importante “Lampião Vermelho”.
Como esportista, Tião deixou a sua participação como capitão do “Arranca-Toco” que sempre combatia o “Flamengo” onde hoje está situada a Associação Atlética Botucatuense.
Tião não era menino quieto e nem, ao depois,
rapaz acomodado. Era briguento e aprontador de “surpresas”. Maneco Paes de Almeida, mais jovem do
que ele mas seu tio, contou-me as suas
peripécias. Do “Arranca-Toco” ao “Lampião Vermelho”, Tião marcou sua
presença em Botucatu como um jovem bem relacionado, de muito bom humor, grande
contador de piadas e “causos”.
Após a sua formatura na Escola Normal, Tião estudou farmácia
em Pindamonhangaba onde era conhecido por “Mato Grosso” por retratar o tipo caboclo e brincalhão.
Formado, comprou a farmácia São José (localizada na antiga rua Riachuelo, hoje rua
Amando) de seu tio Alfredo Pinto.
Não foi bem. Não cobrava dos humildes e não cobrava bem dos que podiam pagar.
O “Pai
Cidade”, como era conhecido o Capitão
Zé Paes, chefe do PRP, conseguiu a nomeação do Tião como Secretário da
Escola Normal. Posteriormente, Tião
veio a ser Vice-Diretor e Diretor,
além de lecionar várias matérias, quer como titular da cadeira quer como
substituto.
Formou-se médico pela Faculdade Fluminense de Medicina, tendo exercido a
medicina como verdadeiro sacerdote, destaque que demos linhas atrás.
Falamos do esportista, do músico, do
farmacêutico, do professor e do médico. Mas existem outras facetas na vida de Sebastião Pinto. O jornalista e o escritor.
A figura hoje lendária do Capitão Zé Paes, o “pai cidade”, marcou a infância e juventude do menino Tião que era o preferido de seus netos.
Novamente o “Pai Cidade” entra na vida de Tião.
O conhecido botucatuense, líder político de então, Nenê Cardoso, tinha um material gráfico parado. Tião e Maneco Paes queriam montar um
jornal. O “pai cidade” falou com o Nenê Cardoso e este, atendendo ao
pedido do Capitão Zé Paes (que era
sempre irrecusável), entregou a Tião o
maquinário.
Naquela época, Tião, Maneco e Romeu Levy, entre outros, lançaram o jornal “O Momento”. Com Tião na direção ele chegou a bi-semanário.
Ao depois, passou a tri-semanário.
Naquela época Botucatu era uma cidade líder na região.
Nas oficinas de “O Momento”, foi impresso o primeiro livro de Tião, “Impressões de Viagem”,
que retratava as suas observações em viagem feita ao interior do Estado e a
cidades de outros Estados. Posteriormente, em 1957, amigos mandaram imprimir “Botucatuenses
no Setor Sul”, em comemoração ao 25º aniversário da Revolução
Constitucionalista. Tião participou como Tenente-Médico do Batalhão Universitário “Fernão Salles”, que
operava no setor sul. Nesse trabalho, Tião
escreve:
“Integrado na Revolução, também me apresentei como voluntário. Com meus irmãos,
meus parentes, meus companheiros de trabalho, com meus amigos e muitos
desconhecidos, todos irmanados no ideal de paulistanismo e brasilidade,
abandonamos interesses, família, comodidade, atiramo-nos à luta. Do quartelzinho na casa do Silvio Galvão, eu me lembro, partiram José do Amaral Wagner, Luiz Pinho de
Carvalho, Jayme de Almeida Pinto, Américo de Souza e Silva, Brasílio Damato,
Oscarlino Martins, Jorge Barbosa de Barros, Orlando Pinheiro Machado, Lucídio
Paes de Almeida, Germinal Serrador, Maneco Paes, Sinésio de Oliveira, Julião
Pires de Campos Filho, Antonio Piccinin, Antonio Augusto Pedro (Guarantã),
Silvio Galvão, Olavo Ponciano, Edward Paes de Camargo, Salvador Assunção e
inúmeros outros, cujos nomes infelizmente me escapam.
O Exército
Constitucionalista integrado por centenas de milhares de homens, vibrantes
de entusiasmo e patriotismo, não tinha armas e nem munições suficientes. Mas,
tinha patriotismo, civismo e ideal, para dar e sobrar”.
Publicou, ainda, “A Tuberculose nos meios escolares”; “Escolas especializadas para
crianças hospitalizadas” e “No Velho Botucatu”.
Deixa para publicação três livros: “No Cinquentenário da Escola Normal”;
“Estórias da Santa Casa” e “Tempo de Dante, Gente de Hoje”.
Na política, Tião também marcou a sua presença. Tendo o saudoso Dr. Jayme de Almeida Pinto como Deputado Estadual e, depois, Secretário de Estado da Agricultura,
havia a necessidade de a família ser representada a nível municipal. Sairam candidatos a vereador o Tião e o Maneco.
Maneco e o Dr. Jayme obrigaram o Tião
a sair candidato. Tião foi o
vereador mais votado. Foi presidente da
Câmara Municipal, mas nunca gostou de política, ou melhor, nunca gostou de
ser político.
Finalmente, Tião como exemplar pai de família. Ele e sua companheira e esposa
fiel, Dª Lali, educaram
democraticamente a grande prole. A liberdade imperava nas decisões familiares.
Belo exemplo de homem íntegro e de pai de família estimado.
Essa é uma visão rápida da vida de Sebastião de Almeida Pinto.
Do saudoso Dr. Sebastião. Do saudoso Tião.
Hoje, esposa, filhos, filhas, noras, genros,
netos e netas continuam a levar por todos os cantos um pouco do Tião.
Eu o substituo nesta Academia, sem o seu mérito e sem o seu brilho.
Novamente repito na dúvida:
A bondosa indicação do Dr. Sebastião ou de como um escriba
panfletário chegou à Academia.
No entanto, deixo uma certeza a honrar meu
patrono e meu antecessor:
“Se me cortam um verso, escrevo outro;
Se me prendem vivo, escapo morto;
E, de repente, eis eu aí de novo,
Exigindo a paz e exigindo o troco”.
No tradicional jornal “A GAZETA DE BOTUCATU”, de 26 de agosto de 1983,
a acadêmica Elda Moscogliato – a maior cronista de Botucatu! – descrevia o
evento lítero-musical com o seu proverbial estilo:
Crônica
Elda
Mosgogliato
“O Dr. Armando
Moraes Delmanto defendeu em 20 de agosto último, sua tese acadêmica, perante
uma estrita e qualitativamente seleta assistência, aquela que já se tornou
parte integrante da ABL.
***
Presente,
uma representação oficial que sempre nos orgulha: S.Exa. Revma. Acadêmico D.
Vicente Marchetti Zioni, dd. Arcebispo Metropolitano; Vereador Progresso
Garcia, dd. Presidente da Câmara Municipal; Capitão José Darcy Andreuzza, dd.
Delegado da 12ª Delegacia de Serviço Militar; Dr. Francisco Marins, que traz
com sua pessoa amiga, a representação altamente honrosa da Academia Paulista de
Letras; Mário José Romagnoli, Membro da Academia de Letras de Londrina; Dr.
José Antonio Pinheiro Aranha, que retorna a Botucatu depois de enaltece-lo em
muito, na Capital; Dr. Minoru Satake eSr. José Toyaki Tamura, da Sociedade
Brasileira de Cultura Japonesa e Prof. Vereador Antonio Carlos Cesário.
Honrosas
presenças.
***
O novo acadêmico discorreu sobre os dois
vultos que enriqueceram a Cadeira nº 2 de que é o novo e mais jovem ocupante: Alceu Maunard de Araújo e Sebastião de Almeida Pinto, o sempre
querido Tião. O primeiro, seu antigo mestre na Escola de Sociologia e Política
da USP e o grande pioneiro do folclorismo
nacional. O segundo, de cultura polimorfa. O orador foi muito feliz. Pode
condensar nos previstos minutos de um discurso acadêmico, a complexa
personalidade de Tião: enraizado numa família histórica, não se esqueceu do Dr.
Jayme, que ocupou no Governo do Estado, a Pasta da Agricultura, vulto que a
desmemória botucatuense nunca jamais premiou. Mestre de uma geração sem fim de
alunos, jornalista, turista inveterado por estes Brasis a fora; combatente
heroico de 1932; político e homem público em várias vereanças, presidente da
Câmara Municipal; escritor, conferencista.
***
Mas
sobretudo, o vulto humanitário, exemplo admirável de nobreza, de compromisso
leal a Hipócrates, de dedicação extremada à Medicina e à causa da saúde
pública. Organizador de campanhas meritórias, incentivador do mais alto e
dignificante civismo, o Dr. Sebastião foi uma das colunas mestras da
Misericórdia Botucatuense.
***
Antes
de mais nada, o memorialista. Abeberou-se ainda jovem, da memória dos velhos
pais e assim sedimentado, tornou-se uma autoridade na história e na crônica
botucatuense. Amou esta terra como poucos. E sua gente. Que o diga “No Velho Botucatu”; “Gente d’antanho, gente
de sempre”. E outras mais, inéditas, que enriqueceram suas memoráveis
conferências.
O
querido Tião amigo de todos, o De La Cierva humorista, o companheirismo, a
fidalguia, a nobreza feita gente.
Que
saudade!
***
Sessão
lítero-musical. E por isso, a presença do Coral da Sociedade Botucatuense de
Cultura Japonesa, sob a competente direção da maestrina Yoshiko Yanagizawa.
Cerca
de trinta vozes cristalinas, neste mês de agosto – do folclore e das tradições
nacionais, com toda a graciosa tradição do Oriente. “A rãzinha”, música imitativa cheia de colorido; “Sob a laranjeira” evocação romântica e
sentimental; “Esperança” meditação
profunda e bela mensagem e por fim, “O
Ursinho”, história patética de um ursinho galanteador.
Com
a presença amiga da colônia japonesa botucatuense, toda a milenária tradição do
País do Sol Nascente.
***
Mas
toda sessão acadêmica finaliza transformando-se numa agradabilíssima tertúlia.
Progresso Garcia recordou a influência italiana na vida citadina. O Dr.
Francisco Marins que sempre nos obsequia com sua palavra, corroborando o
acadêmico Armando que pediu, dos poderes municipais, a edição das muitas obras
botucatuenses à espera do prelo.
***
Mas,
surpresa maior e agradabilíssima, a palavra do poeta de Londrina, acadêmico Mario
José Romagnoli, recitando-nos, de sua lavra, o poema clássico: “Penso em Deus”.
Foi
a nota máxima, da noite acadêmica.”
Quando eu
ingressei na Academia Botucatuense
de Letras, na Cadeira nº 02, cujo Patrono é exatamente Alceu Maynard Araújo e tendo como Fundador o Dr. Sebastião de Almeida
Pinto, no distante ano de 1983,
recebi de meu sempre Mestre,
o Professor Agostinho
Minicucci, correspondência à respeito de minha posse e de meu Patrono. Por oportuno,
transcrevo seu inteiro teor:
"São Paulo, 12/08/83.
"São Paulo, 12/08/83.
Prezado Armando:
Acabo de receber a faustosa notícia de que você se torna imortal em a nossa Academia.
Quem o conhece desde estudante, quem tem acompanhado os seus sucessos, a sua ânsia de vencer, a sua determinação por acompanhar a via clara e prestigiosa dos Delmantos, o seu acendrado amor pela terra-mãe...pode avaliar inteiramente a sua escolha como acadêmico. Parabéns.
Nós acompanhamos Maynard em São Paulo durante largos anos, quando fomos Diretor da Metropolitanas (FMU) e ele foi nosso Vice e nas Faculdades de Guarulhos, quando ele foi Diretor e nós fomos Professor.
Há muitas facetas de rara riqueza na personalidade desse educador-escritor que só quem conviveu com ele, teve a felicidade de sentir.
Quando tanto se fala em folclore, é necessário reviver a obra de Maynard, divulgá-la nas escolas, nas academias, na imprensa.
Tenho a certeza de que você irá fazer isso.
Estou vibrando por isso tudo. Abraços”.
Prof. Agostinho Minicucci."
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Um Escriba Panfletário na ACADEMIA
abril 12, 2016
Minha Caminhada Peabiruana...
Minha Caminhada Peabiruana...
“...Mas o objetivo ainda estava por vir. O objetivo era Botucatu, a cidade de Botucatu: sua gente, suas coisas, seus problemas, suas perspectivas... Mas só Botucatu, ou antes e melhor, sempre Botucatu...”
O termo “Caminhada Peabiruana” foi criado pelo saudoso professor Agostinho Minicucci, a representar o histórico da cidade de Botucatu vivenciado através dos tempos e registrado na revista cultural PEABIRU.
E no Aniversário de 161 Anos de Botucatu quero relembrar a “Minha Caminhada Peabiruana”. Tenho procurado registrar os principais fatos históricos de Botucatu, com absoluta imparcialidade profissional, destacando, sempre, o lado positivo da cidadania. A HISTÓRIA DE BOTUCATU é assim, cheia de conquistas, de povos que tentaram ficar e que tiveram que partir e de outros que, através de lutas e, por que não, um certo amor pelo lugar, conquistaram o direito de povoar esta cidade. Viva o povo botucatuense! Que é tão rico em seu passado, e soube assim fazer o seu presente. Incomparável.
Em um de nossos posts, no BLOG DO DELMANTO, falamos da importância do prof. Agostinho em nossa vida literária e jornalística (http://blogdodelmanto.blogspot.com.br/2016/03/as-lembrancas-ficam-agostinho-minicucci.html) e essa interação professor/aluno, vem desde 1963, quando lancei o jornal “TRIBUNA DO ESTUDANTE”, órgão oficial do Colégio La Salle. Na apresentação do jornal, o prof. Agostinho escreveu a apresentação e falou da minha vocação. Terminado o 2º científico (eu ia fazer Medicina, mas fiz o teste vocacional com ele), passei para o Curso Clássico e fui fazer Sociologia e Politica e Direito...
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR
Hoje, quero fazer um retrospecto da presença da revista PEABIRU, dos jornais que dirigi e do BLOG DO DELMANTO que há 5 anos se dedica, também, a cultuar e promover Botucatu, defendendo e divulgando os seus objetivos, destacando seus Cidadãos Prestantes e construindo a sua rica história centenária que tanto orgulha os botucatuenses.
Eu sempre escrupulizo com assuntos que me dizem respeito. Mas não poderia deixar de registrar os comentários do prof. Agostinho Minicucci sobre o meu trabalho a favor de Botucatu e da importância da revista cultural PEABIRU no resgate da nossa história. Na verdade, cada manifestação do prof. Agostinho é uma aula de CIDADANIA! É isso. CIDADANIA e CIDADANIA MUNICIPAL, na certeza de que “as cidades, as vilas, as fazendas compõem o país. Quem ama o seu torrão natal é um grande patriota, que idolatra o seu berço para enaltecer a grandiosidade da nação,”
NA ACADEMIA DE LETRAS
Quando eu ingressei na Academia Botucatuense de Letras – ABL, na Cadeira nº 02, cujo Patrono é exatamente Alceu Maynard Araújo e tendo como Fundador o Dr. Sebastião de Almeida Pinto (meu padrinho na ABL), no distante ano de 1983, recebi de meu Mestre, o Professor Agostinho Minicucci, correspondência à respeito de minha posse e de meu Patrono. Por oportuno, transcrevo seu inteiro teor:
“São Paulo, 12/08/1983.
Prezado Armando,
Acabo de receber a faustosa notícia de que você se torna imortal em a nossa Academia. Quem o conhece desde estudante, quem tem acompanhado os seus sucessos, a sua ânsia de vencer, a sua determinação por acompanhar a via clara e prestigiosa dos Delmantos, o seu acendrado amor pela terra-mãe...pode avaliar inteiramente a sua escolha como acadêmico. Parabéns. Nós acompanhamos Maynard em São Paulo durante largos anos, quando fomos Diretor da Metropolitanas (FMU) e ele foi nosso Vice e nas Faculdades de Guarulhos, quando ele foi Diretor e nós fomos Professor. Há muitas facetas de rara riqueza na personalidade desse educador-escritor que só quem conviveu com ele, teve a felicidade de sentir.
Quando tanto se fala em folclore, é necessário reviver a obra de Maynard, divulga-la nas escolas, nas academias, na imprensa.
Tenho a certeza de que você irá fazer isso. Estou vibrando por isso tudo. Abraços.
Prof. Agostinho Minicucci.”
A CAMINHADA PEABIRUANA
Com a revista botucatuense de cultura – PEABIRU, começa a minha “Caminhada Peabiruana”, ou melhor, a nossa caminhada peabiruana, com as aulas de CIVISMO e de CIDADANIA. A PEABIRU foi lançada como revista cultural, bimensal, em janeiro/fevereiro de 1997. E em seu terceiro número, em maio/junho, lá estava a presença do Mestre, a incentivar e a delinear os caminhos:
“Grande Delmanto,
Estive fora de São Paulo e, por isso retardei dar-lhe minha opinião sobre esse original, excelente e rico material da revista Peabiru.
Digo-lhe grande, porque só você, com sua privilegiada criatividade, dinamismo, espírito de luta poderia ou teria coragem de vencer a inércia que, não raro, assola Botucatu e produzir uma obra dessa grandiosidade.
Nós que o conhecemos como aluno e víamos em você um potencial de realização tão amplo e prodigioso, somado a uma cultura que se enriquece dia após dia, dignificando a família Delmanto.
Você foi muito feliz na escolha do material, na ordenação dos textos, nos comentários, o que condiz bem com sua cultura polimorfa.
O seu entranhado amor a Botucatu é algo de um Édipo inteligente e psicanalisado que soube dignificar a mãe-pátria na sua cidade, no sentido de elas, as cidades, as vilas, as fazendas compõem o país. Quem ama o seu torrão natal é um grande patriota, que idolatra o seu berço para enaltecer a grandiosidade da nação.
Espero ainda um grande futuro na sua carreira profissional e, principalmente, na sua vocação literária e artística.
Botucatu lhe deve muito pela sua contribuição na divulgação poética de suas glórias e no desenrolar de sua história.
À história de Botucatu, um codificador de fatos, acontecimentos, glórias e lutas, como você tem sido devem orgulhar uma cidade.
Espero que Botucatu saiba agradece-lo pelo muito que você tem feito em divulga-la e leva-la a emparelhar com outras cidades metrópoles importantes de nosso país.
Há pessoas que se ligam, de tal forma, a eventos, fatos, cidades, tradições e, por que não a Destino, que eu poderia dizer: - Botucatu é o Delmanto.
A nossa cidade tem muitos traços de sua personalidade e a sua personalidade é uma extensão e decorrência de Botucatu.
Agradeço-lhe as palavras elogiosas a meu respeito, a preferência pelos meus livros e a maneira com que abordou os comentários.
Um grande abraço a um grande homem, na grandiosidade de uma pátria-nação, Botucatu.
Agostinho Minicucci.”
SOCIOLOGIA BOTUCUDA
“São Paulo, 03 de novembro de 1997.
Caro Delmanto,
Recebi Peabiru nº 5, não lhe pude escrever sobre o nº 4, em virtude de uma cirurgia que me retirou do trabalho por quase um ano.
Cumprimentá-lo pelo nº 5 é quase uma rotina, já que você inovou na literatura botucatuense, conseguindo, dentre outras coisas, congregar a elite intelectual de nossa Botucatu.
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Na minha parada obrigatória, ocorreu-me que você – não sei bem, ao certo – é um botucatuense, um botucatólogo ou um botucatuísta ou os três ao mesmo tempo.
Botucatuense é uma das riquezas da qual Botucatu se orgulha, pelo que você tem feito pela sua cidade, bem como, pela tradição dos Delmanto.
Por que você é também um botucatólogo e quiça o mais completo deles.
Deixe-me retornar aos “bons tempos” das aulas de Português e escandir o termo:
- Botucatu, nheengatu, e logos, um sufixo grego, que forma um hibridismo, traduzindo: o estudo histórico, geográfico, linguístico, político, social, educacional...de Botucatu.
Ao elenco de seus livros sobre Botucatu, você fez um estudo completo, diversificado, amplo – como não há outros – de nossa cidade e de nosso município. Em linguística, se dá a esse profissional o nome de “botucatólogo”, como tupinólogo, helenólogo, romanólogo e outros tantos.
Estaremos, assim, em paz, com a senhora Etimologia.
Nos Estados Unidos, as Universidades possuem muitos cientistas estudando principalmente a história e, essencialmente a política do Brasil. São os brasilianistas. Conhecem mais sobre o Brasil do que a maioria dos brasileiros.
A mim me ocorreu apanhar o sufixo ismo, ista, indicativos de profissão ou atividade cultural e julgar você o primeiro botucatunista ou botucatuísta do Brasil. Você discorre muito bem sobre assuntos sociais, políticos, religiosos, educacionais, culturais, enfim, de Botucatu.
Para seguir as pegadas de Machado de Assis, digo-lhe que lhe competem as três comendas: uma de origem, outra de cientista botucatuense e uma terceira de sociólogo de Botucatu.
Mais longe iríamos, caro botucatuense, botucólogo e botucatuísta, se o papel não pedisse uma trégua, para poder cumprimenta-lo também.
Um abraço do amigo,
Agostinho Minicucci.”
“São Paulo, 16 de dezembro de 1998.
Caríssimo Delmanto,
Recebi o nº 12 da Revista Peabiru, a mais disputada para leitura, na minha família.
Admira-me a sua pertinácia, o seu entusiasmo, o seu desprendimento, a sua dedicação às coisas de nossa Botucatu.
Agradeço-lhe a referência a meu irmão Domingos, que tinha, no Dr. Antoninho, o seu melhor amigo e conselheiro.
Outrossim, causou-me surpresa e alegria por que não, aquele bilhete que a Lúcia conservou, por tanto tempo, e acabou sendo uma profecia que vingou, já que ela se prepara para o seu primeiro livro.
Você é filho de Botucatu agradecida e revivida na trilogia do tempo, passado, presente e futuro.
Um feliz Natal e um promissor 1999, o ano do 1, a você e família.
Agostinho Minicucci.”
CAMINHADA DO PEABIRU
“São Paulo, 30/03/1999.
Caro Delmanto,
Cada vez mais, admiro o seu homérico trabalho como codificador da história de Botucatu. Você construiu o caminho histórico do Peabiru botucatuense, com esforço, carinho, dedicação e, por que não, ousadia.
Não sei se você lembra de um texto da Antologia Nacional que dizia:
“Um célebre poeta polaco descrevendo, em magníficos versos, a floresta encantada de seu país, imaginou que as aves e os animais ali nascidos, voavam e corriam e vinham todos morrer à sombra do bosque amigo em que tinham nascido.”
Você tem sido o poeta que tem escrito, em magníficas páginas, a epopeia de um recanto privilegiado onde seus filhos buscam a essência perfumada das tradições que enlaçam e aproximam todos aqueles que, nessa serra viveram, ou vivem, de olhos postos no anil do céu e na beleza de sua natureza.
Caro poeta da tradição botucatuense, do Peabiru que você construiu, eu lhe aceno a mão, polegar erguido, num sentimento de vitória.
Do amigo,
Agostinho Minicucci.”
“São Paulo, 13 de agosto de 1999.
Caro Delmanto,
Como professor de português, concordo em gênero, número e grau aumentativo e como linguista em morfologia, sintaxe e semântica, com as palavras sempre sábias de Hernâni Donato.
Não é necessário mais elogiá-lo, o vocabulário é pobre para tão relevante obra.
Poderia dizer que, na história de Botucatu, há um AD (antes de Delmanto) e um DD (durante Delmanto).
Você inovou a metodologia da história, na pesquisa, na divulgação e no conteúdo.
Quando alguém inova e cria uma obra, como a Peabiru, arregimenta uma plêiade se arautos, que vão à frente, anunciando o feliz evento.
Quero considerar-me um dos arautos, multiplicador de sons harmoniosos numa sinfonia heroica, como os ventos de ibitu que beijam a serra com mensagens catu.
Você está construindo pedra a pedra , esse caminho sagrado que marca o roteiro de uma cidade – Peabiru.
Pode-se dizer, como num provérbio: “Quem não leu Peabiru, passou por Botucatu, mas não viveu Botucatu. Olhou mas não enxergou.”
O sentimento patriótico de Botucatu se alicerça no caminho do Peabiru, ponto em que os viandantes dizem:
· Como te amo Botucatu.
· Como te agradeço mensageiro Peabiru.
Sou feliz por ser conterrâneo de DD.
Abraços do sempre amigo,
Agostinho Minicucci.”
MEMÓRIAS DE BOTUCATU III
(ilustração de Vinicio Aloise)
S.Paulo, 25/01/2000.
Caríssimo Delmanto,
Retornei hoje a São Paulo depois de um descanso necessário. Cheguei no aniversário de São Paulo, com muita saudade de Botucatu.
Na correspondência encontrei o presente de uma jóia – “Memórias de Botucatu III”. Corri os olhos, ansioso e pude notar numa vista rápida que o livro deveria chamar-se “A Bíblia de Botucatu”. Ele é um misto de alta literatura, científica, histórica, modelo de pesquisa, calendário de projetos, antologia de vultos históricos, sociologia psicológica de um povo, poema de uma cidade, geografia comunitária, um projeto de História da Educação de Botucatu, enciclopédia de vultos históricos e, sem dúvida, o roteiro político da continuidade do progresso de uma cidade que nasceu com perfil de gigante para não ficar eternamente deitado.
Você teve o dom de reunir séculos com estórias e histórias.
Volto a dizer que Delmanto é Botucatu, ou melhor, “Botucatu é Delmanto”
Preciso ler o Memórias III com mais vagar e sentimentos e essa leitura só pode ser feita na terra do Peabiru, isto é, a pátria do Delmanto.
Agradeço-lhe como sempre, as suas referências ao meu nome.
Um abraço AMIGO do,
Agostinho Minicucci.”
S.P., 20/01/2000.
Caro Armando M. Delmanto,
Começo melhor para o ano 2.000 no campo histórico-cultural-editorial não poderíamos ter em Botucatu. Obrigado pelas “Memórias III”. Modo original de fazer História juntando o documento e a sua análise. Li-o, apenas retirado do envelope.
Parece-me que mudaram o nome do aquífero para Aquífero Mercosul. É isso? Não se adiantou na pesquisa? O Paulo Henrique Cardoso conseguiu algo? Na Inglaterra é que está a solução do enigma.
Há décadas cheguei a esboçar um romance “A Fazenda” que não sendo a do Conde seria aquela. O antigo editor Diaulas Riedel, menino-jovem passou ali férias de verão e com entusiasmo e minúcias, descreve-a. A Condessa, idosa, mantinha quiosque no Boi de Bologne no qual, no inverno, oferecia café brasileiro. De certo, da fazenda. Imagine escravos abrindo picada, do Porto Martins à fazenda e transportando ardósias francesas, veludos italianos, mudas de pinho de Riga, piano alemão para a casa sede. Boa tarefa será um volume – elaborado sem pressa – para tal casa, a mais importante da região.
Abraço, obrigado.
Hernâni Donato”
S.P., 19/01/2000.
Caríssimo Armando,
Mal recebi e já mergulhei na leitura das “Memórias de Botucatu III”. Como sempre, você consegue aliar à pesquisa uma linguagem coloquial, o que torna a visão de nossa história ainda mais agradável e atraente. Fiquei emocionado com os detalhes da construção do nosso primeiro arranha-serra (bela expressão). As memórias do menino botucatuense misturam-se aos dados fornecidos pelo historiador. Como uma personagem do “Amacord”, também eu sempre imaginei a boate do Peabiru como palco de festas suntuosas e de encontros fortuitos. E, em minha cabeça, padres furibundos barravam o meu sonho felliniano.
O “Lawrence” é material para novela! Que história mais fantástica. E fiquei comovido ao ver a foto da casa da Sra. Leandro Dupré. Quero saborear cada página, pois sei que aprenderei muito com essa leitura. Mais uma vez você contribui, de forma incisiva, para que Botucatu não perca sua identidade, e para que nós tenhamos muito orgulho da cuesta.
Obrigado pela dedicatória tão gentil, parabéns pelo belíssimo trabalho, e um abraço a todos de sua família,
Alcides Nogueira.”
Em 2010, a criação de meu site. Também em 2010, o livro digital “HISTÓRIA DE BOTUCATU”. E, em 2011, o lançamento do “Blog do Delmanto”. Em 22 janeiro, o Blog completou 5 anos! Uma grande vitória! Estaremos passando de 1200 posts publicados, preparados com pesquisas, ilustrações e fotos, numa atuação jornalística realizadora. Próximo de alcançar 500 mil acessos, o Blog do Delmanto revolucionou a ampla divulgação de nossa História e dos principais acontecimentos de nossa cidade e região.
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Voltado à renovação política e à construção da cidadania, este Blog tem a missão de provocar o debate, convocando a “intelligentzia” brasileira (emprestemos a expressão russa para definir parte de nossa comunidade intelectual) para a discussão de temas de interesse do país, sempre valorizando o cidadão, despertando valores e delineando novos rumos para a solução dos problemas que estão dormentes há muito tempo...
Será que vale à pena?!?
Acreditamos que sim!
E a “Caminhada Peabiruana”, CONTINUA!
AVANTE!
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