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janeiro 15, 2017

Revista PEABIRU – 20 ANOS: o maior acervo histórico/cultural de BOTUCATU!

Revista PEABIRU – 20 ANOS: o maior acervo histórico/cultural de BOTUCATU!

 Na segunda metade dos anos 90, um grupo de intelectuais botucatuenses partiu para a edição de uma revista cultural. Teria uma periodicidade bi-mensal e procuraria colocar em discussão fatos e registros históricos da cidade e região além do trabalho de sua comunidade ligado à cultura de uma forma ampla para que se pudesse construir e registrar a nossa identidade cultural, o nosso perfil como comunidade progressista e de vanguarda.
            Optou-se pelo nome Peabiru, ligado historicamente à origem de nosso município e elevado à posição de emblema oficial pela maestria e criatividade de dois botucatuenses: o escritor Hernâni Donato e o professor de desenho Gastão Dal Farra.

            Peabiru – revista botucatuense de cultura !
ex
           
 Teve a sua primeira fase nos anos 1997/98/99. O “Almanaque Cultural de Botucatu – 2000”, completava com muito destaque essa importante empreitada intelectual botucatuense.
            Já no novo século e atendendo a inúmeros pedidos, voltamos a editá-la a partir de 2008, continuando em 2009 e 2010. É o exercício positivo do jornalismo investigativo e que procura ser um formador de opinião, no bom sentido, isto é, fazendo de seus trabalhos de pesquisa e de busca da verdade histórica, um fórum democrático aberto à participação da comunidade botucatuense.
            Graças à sua seriedade e ao gabarito de seus colaboradores, a revista Peabiru se transformou no mais importante acervo cultural sobre a cidade de Botucatu, na mais completa coleção de estudos sobre a história de Botucatu.
            Em nosso primeiro editorial trazíamos as características da revista que seriam mantidas nas edições posteriores e que lhe deram indiscutível credibilidade junto aos intelectuais botucatuenses:

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Editorial

Não faz mal que amanheça devagar,
as   flores não tem pressa, nem os frutos,
porque sabem que a vagareza das minutos,
adoça mais o outono por chegar.
Portanto, não faz mal que devagar
o dia vença a noite em seus redutos
de leste - o que nos cabe é ter enxutos
os olhos e a intenção de madrugar.
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                O lançamento de um veículo de comunicação é sempre motivo de festa. Quando esse veículo é direcionado à valorização cultural,  maior ainda a comemoração.
                Para nós, o  lançamento   da  Revista Peabiru assume   aspectos   especiais   de comemoracão: é a primeira revista que editamos.
            No passado, tivemos o privilégio de editarmos os jornais “Tribuna do Estudante” (1963), “A Realidade” (1966). “Vanguarda de Botucatu” (1970), “Jornal de Botucatu” (1980) e “Folha de Botucatu”  (1988).    Valeu como experiência. Mas, revista, sempre foi um projeto para  o futuro...
                Pois bem, o futuro chegou.
                A Revista idealizada teria que ser algo diferente, um veículo que marcasse, que trouxesse uma contribuição efetiva ao debate das idéias.
                Essa Revista deveria trazer toda tecnologia gráfica e eletrônica, mas não deveria cair no lugar comum das revistas pasteurizadas, vazias de conteúdo e “esvoaçantes” no inconsequente jogo de fotos e cores.  Era preciso algo diferente... Algo que respeitasse a inteligência do leitor.
                No jornalismo, eu me orgulho do padrinho que tive : Arruda Camargo. Ele era natural de Avaré e, com certeza, tinha em seu tronco familiar ligação antiga com Botucatu... O Arruda Camargo foi quem abriu as primeiras portas para mim, então calouro da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, isso no final dos anos 60. Através de seu prestígio e de seu círculo de amizades, pude participar de eventos culturais e conhecer grandes vultos de São Paulo. Na casa do Poeta de São PauloPaulo Bomfim, o Arruda Camargo me apresentou a “verdadeira instituição cultura” que era Aureliano Leite e a “lenda viva”, o “Tribuno da Revolução Constitucionalista”,  Ibrahim Nobre...
Com o Arruda Camargo , que fora editorialista dos principais jornais paulistas, aprendi que jornalismo é uma missão e que o trato com a notícia e seu comentário podem trazer efeitos irreparáveis à comunidade...
Em artigo memorável, publicado no “City News”, de 30/11/69, Arruda Camargo ensinava :
“Colega jovem que acaba de ingressar num jornal paulistano, e que eu fiquei conhecendo por mera causalidade, foi logo dizendo, em tom agressivo : “Nada de humanismo, nada de poesia, nada de pieguice religiosa, nada de patriotismo. Comigo é a ciência pura, a razão pura, impessoal, sem emoção ” Disse-me tudo isso e ainda se julga jornalista, como se ser jornalista, e hoje mais do que nunca, não fosse um Artigo de Fé em Deus e na Humanidade ! Jornalista porque vem de uma faculdade e trabalha num jornal... Nunca vi ninguém menos jornalista!
Ao tempo em que o sempre lembrado doutor Enéias dirigia o Hospital das Clinicas, falou-me, um dia, em seu gabinete, de certos médicos: eles vem de uma faculdade, trabalham num hospital, tem consultório luxuoso, examinam doentes, receitam, operam. Chegam, muitas vezes, até a curar enfermos. Mas, não são, nunca foram médicos ! Falta-lhes o essencial que é a Caridade, a capacidade de amar, de padecer, de humanizar a ciência com a humildade !
                Não temos aqui mesmo em nossa casa um exemplo alevantado de jornalista: o Delmanto, esse moço inteligente que, apresentando com agudeza os problemas da juventude, o faz com ciência, com arte, sentida e corajosamente, levando em cada um dos seus comentários, aos jovens, da sua geração, a sua mensagem de Fé e de Confiança, de Amor e de Civismo ?
A primeira condição para ser jornalista é ter capacidade de sentir. Jornal não é cemitério de emoções, não é refugio de fracassados, não é lugar para pernósticos e vaidosos. Quem quer se dedicar a este serviço deve chegar com vontade sincera de servir. O mínimo que importa nesta profissão é saber escrever. Os nossos jornais, desde 1947, estão se esvaziando de mensagens. A grande preocupação é pela forma, pela distribuição perfeita da paginação artística. O diagramador se intitula um grande jornalista! Sem mensagens para o povo ledor, o jornalista se preocupa em paginar com arte, com finura. Não se vende mais notícias, informações ou idéias : vende-se o feitio gráfico !
Antes de ser passatempo o jornal deve ser sentimento.
Certos brilhantes “profissionais” estão no lugar errado. Eles seriam ótimos embalsamadores...
Outros julgam que o jornal é uma peixeira para cortar e retalhar na honra alheia. Ao contrário de peixeira, o jornal é bisturi, remove gangrena, extirpa tumores, drena..”
Dentro dessa visão - verdadeira aula de civismo - é que pretendemos editar a Revista PEABIRU.
Utilizando toda a tecnologia disponível, mas editando a revista de forma “espartana”, com critério profissional, dedicação e idealismo, muito idealismo.
            Voltada à cultura, Peabiru terá a missão de provocar o debate, convocar a “intelligentzia” botucatuense (emprestemos a expressão russa para definir parte da nossa comunidade intelectual) e na discussão de temas de interesse de nossa comunidade, sempre valorizando o cidadão, despertar valores e delinear rumos para a solução dos nossos problemas...
Peabiru pretende ser uma bandeira de luta a favor da cultura local, priorizando as nossas coisas, o nosso folclore, a nossa memória, e mais. descortinando o futuro com audácia e criatividade e fazendo do presente uma rica vivência no exercício pleno da cidadania.
Nos anos 50, obtiveram destaque algumas publicações culturais e políticas : desde a conservadora Revista “Problemas Brasileiros”, do Convivium. sob o comando do Padre Crippa até a “Revista Brasiliense”. representante da esquerda de vanguarda, ligada à Livraria Brasiliense e sob o comando de Caio Prado Jr. Mas, nessa mesma época, a publicação que mais marcou presença foi a Revista “ANHEMBI.”  Porta-voz da intelectualidade ligada à USP e ao “Estadão”, criada em 1952 por Paulo Duarte, liderou por muito tempo o mundo cultural paulista.
            A Revista ANHEMBI é o nosso modelo.
Essas revistas dedicadas à cultura são o nosso norte. O nosso modelo.
Com nítida noção de nossa real dimensão, sem querer abranger mais do que a comunidade botucatuense, valorizando a “intelligentzia” local e, principalmente, promovendo o debate sério de temas de interesse de nossa comunidade, destacando o cidadão, despertando valores...
            Muita pretensão ? ! ? Será ? ! ?
            Essa a nossa disposição... Esperemos poder corresponder às expectativas dos leitores botucatuenses.
                                                             O Diretor.

“PEABIRU – Revista Botucatuense de Cultura”
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A tradição da imprensa de Botucatu, mercê da dedicação e do desapego de pessoas comprometidas com a palavra escrita – jornalistas com formação acadêmica ou não -  vem desafiando o tempo, vencendo obstáculos para se firmar, não só no conceito da gente serrana, mas também no alienígena.
            Muitos de nossos jornais e periódicos congêneres surgiram, entretanto, como cometas e. como tais, riscaram estes céus azuis. apagando-se sem deixar rastros. Contudo, outros vicejaram pujantes e, ao interromperem o trajeto, já tinham registrado para a história, fatos marcantes da vida da cidade, desde acontecimentos corriqueiros, como aniversários natalícios, núpcias e falecimentos, até registros político-culturais de nossa gente. Foi o caso do “Jornal de Botucatu” - princípio do século - e da “Folha de Botucatu” do notável jornalista Pedro Chiaradia; também, para nosso gáudio, ainda circula a já vetusta “A Gazeta de Botucatu”.
            Impossível desligar da imprensa local qualquer revista que tenha marcado presença na cidade. Estou lembrado de uma, em forma de almanaque, impressa na década de vinte, que retratou em páginas interessantes e ilustradas a vida estudantil da nossa tradicional Escola Normal, depois EECA.
Surge agora esta nova revista cultural, tão bem dirigida pelo Armando Delmanto - o prezado Armandinho - jornalista de escol cuja formação cultural muito contribui para o relato de fatos relevantes de nossas origens. Haja vista a série de livros de sua autoria - alguns esgotados - hoje indispensáveis para o perfeito conhecimento de nossas tradições histórico-culturais.
“Peabiru - Revista Botucatuense de Cultura”, sem fazer concessões popularescas. propõe-se a suprir um vazio no setor cultural da cidade e, vencidas as dificuldades naturais de sobrevivência como veículo de comunicação, certamente engrandecerá ainda mais nossa cidade nesse círculo restrito da cultura.
Berço de poetas, contistas, romancistas, teatrólogos, músicos, pintores e outros artistas que colocaram a cultura botucatuense no mais alto nível nacional, Botucatu carecia de uma revista de cultura dos moldes desta.
Tenho certeza, meu caro Armandinho, de que “Peabiru - Uma Revista Cultural Botucatuense” não será mais uma revista, porém o início de uma nova era nos meios de comunicação para divulgação da cultura não só em Botucatu, mas em outras plagas. Peabiru -caminho da serra, em tupi - abra suas trilhas e permaneça por muito tempo. “Ad multos annos”.
José Celso Soares Vieira
Presidente da Academia Botucatuense de Letras
(revista Peabiru, nº 01 – Ano I – janeiro/fevereiro/1997)



Em 1997 surgia a Revista Botucatuense de Cultura – PEABIRU, com sua edição nº 01, de janeiro/fevereiro de 1997. Prefaciada pelo professor José Celso Soares Vieira, iniciava sua caminhada peabiruana a favor de Botucatu.

Voltada à cultura, Peabiru terá a missão de provocar o debate, convocar a “intelligentzia” botucatuense (emprestemos a expressão russa para definir parte da nossa comunidade intelectual) e na discussão de temas de interesse de nossa comunidade, sempre valorizando o cidadão, despertar valores e delinear rumos para a solução dos nossos problemas...

Peabiru pretende ser uma bandeira de luta a favor da cultura local, priorizando as nossas coisas, o nosso folclore, a nossa memória, e mais. descortinando o futuro com audácia e criatividade e fazendo do presente uma rica vivência no exercício pleno da cidadania.

Nos anos 50, obtiveram destaque algumas publicações culturais e políticas : desde a conservadora Revista “Problemas Brasileiros”, do Convivium. sob o comando do Padre Crippa até a “Revista Brasiliense”. representante da esquerda de vanguarda, ligada à Livraria Brasiliense e sob o comando de Caio Prado Jr. Mas, nessa mesma época, a publicação que mais marcou presença foi a Revista “ANHEMBI.”  Porta-voz da intelectualidade ligada à USP e ao “Estadão”, criada em 1952 por Paulo Duarte, liderou por muito tempo o mundo cultural paulista.

            A Revista ANHEMBI é o nosso modelo.

Essas revistas dedicadas à cultura são o nosso norte. O nosso modelo.
Com nítida noção de nossa real dimensão, sem querer abranger mais do que a comunidade botucatuense, valorizando a “intelligentzia” local e, principalmente, promovendo o debate sério de temas de interesse de nossa comunidade, destacando o cidadão, despertando valores...

            Muita pretensão ? ! ? Será ? ! ?

            Essa a nossa disposição... Esperemos poder corresponder às expectativas dos leitores botucatuenses.
No link abaixo, todo o histórico da PEABIRU. Vale a leitura:

Comemorando seus 20 Anos de existência positiva e participativa, a PEABIRU registra a carta enviada pelo Acadêmico da ABL – Academia Botucatuense de Letras, lembrando que a coleção da PEABIRU pode ser encontra na Biblioteca Municipal “Emílio Peduti”, no “Centro Cultural de Botucatu” e nas Bibliotecas da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Agronomia.

Amigo e confrade Armando,                                      
Manhã chuvosa, impediu-me de visitar a chácara. Fui remexer os meus guardados. Não é que, no correr das estantes, a "PEABIRU" chamou-me atenção. Nas mãos, o número 01 ano I de janeiro/fevereiro 1997. Além de você e eu, quem terá a coleção completa?
 Vinte anos decorridos de sua primeira edição. Como passa o tempo! Lá estavam Hernâni, Elda, Quim Marques, Fausto Viterbo, José Celso Vieira, Paulo Francis, Armando Delmanto, José Pedretti e eu. Nesse correr dos anos perdemos Elda, Hernâni, Marins... Coisas da vida, no dizer de Roberto Carlos: Muitos choques de opiniões!
 PEABIRU deixou saudades. Contribuiu para a preservação da cultura botucuda e a divulgação da Academia Botucatuense de Letras que vai completar 45 anos de fundação.
 Parabéns, amigo. Levanto a taça à sua iniciativa.

Saudações,

Olavo Pinheiro Godoy - Secretário da ABL - Academia Botucatuense de Letras.


abril 12, 2016

Minha Caminhada Peabiruana...

Minha Caminhada Peabiruana...



“...Mas o objetivo ainda estava por vir. O objetivo era Botucatu, a cidade de Botucatu: sua gente, suas coisas, seus problemas, suas perspectivas... Mas só Botucatu, ou antes e melhor, sempre Botucatu...”
(“Memórias de Botucatu 2”, 1993)



O termo “Caminhada Peabiruana” foi criado pelo saudoso professor Agostinho Minicucci, a representar o histórico da cidade de Botucatu vivenciado através dos tempos e registrado na revista cultural PEABIRU.

E no Aniversário de 161 Anos de Botucatu quero relembrar a “Minha Caminhada Peabiruana”. Tenho procurado registrar os principais fatos históricos de Botucatu, com absoluta imparcialidade profissional, destacando, sempre, o lado positivo da cidadania. A HISTÓRIA DE BOTUCATU é assim, cheia de conquistas, de povos que tentaram ficar e que tiveram que partir e de outros que, através de lutas e, por que não, um certo amor pelo lugar, conquistaram o direito de povoar esta cidade. Viva o povo botucatuense! Que é tão rico em seu passado, e soube assim fazer o seu presente. Incomparável.

(ilustração de Vinicio Aloise)

Em um de nossos posts, no BLOG DO DELMANTO, falamos da importância do prof. Agostinho em nossa vida literária e jornalística (http://blogdodelmanto.blogspot.com.br/2016/03/as-lembrancas-ficam-agostinho-minicucci.html) e essa interação professor/aluno, vem desde 1963, quando lancei o jornal “TRIBUNA DO ESTUDANTE”, órgão oficial do Colégio La Salle. Na apresentação do jornal, o prof. Agostinho escreveu a apresentação e falou da minha vocação. Terminado o 2º científico (eu ia fazer Medicina, mas fiz o teste vocacional com ele), passei para o Curso Clássico e fui fazer Sociologia e Politica e Direito...

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Hoje, quero fazer um retrospecto da presença da revista PEABIRU, dos jornais que dirigi e do BLOG DO DELMANTO que há 5 anos se dedica, também, a cultuar e promover Botucatu, defendendo e divulgando os seus objetivos, destacando seus Cidadãos Prestantes e construindo a sua rica história centenária que tanto orgulha os botucatuenses.

Eu sempre escrupulizo com assuntos que me dizem respeito. Mas não poderia deixar de registrar os comentários do prof. Agostinho Minicucci sobre o meu trabalho a favor de Botucatu e da importância da revista cultural PEABIRU no resgate da nossa história. Na verdade, cada manifestação do prof. Agostinho é uma aula de CIDADANIA! É isso. CIDADANIA e CIDADANIA MUNICIPAL, na certeza de que “as cidades, as vilas, as fazendas compõem o país. Quem ama o seu torrão natal é um grande patriota, que idolatra o seu berço para enaltecer a grandiosidade da nação,”

NA ACADEMIA DE LETRAS

Quando eu ingressei na Academia Botucatuense de Letras – ABL, na Cadeira nº 02, cujo Patrono é exatamente Alceu Maynard Araújo e tendo como Fundador o Dr. Sebastião de Almeida Pinto (meu padrinho na ABL), no distante ano de 1983, recebi de meu Mestre, o Professor Agostinho Minicucci, correspondência à respeito de minha posse e de meu Patrono. Por oportuno, transcrevo seu inteiro teor:




“São Paulo, 12/08/1983.
Prezado Armando,
Acabo de receber a faustosa notícia de que você se torna imortal em a nossa Academia. Quem o conhece desde estudante, quem tem acompanhado os seus sucessos, a sua ânsia de vencer, a sua determinação por acompanhar a via clara e prestigiosa dos Delmantos, o seu acendrado amor pela terra-mãe...pode avaliar inteiramente a sua escolha como acadêmico. Parabéns. Nós acompanhamos Maynard em São Paulo durante largos anos, quando fomos Diretor da Metropolitanas (FMU) e ele foi nosso Vice e nas Faculdades de Guarulhos, quando ele foi Diretor e nós fomos Professor. Há muitas facetas de rara riqueza na personalidade desse educador-escritor que só quem conviveu com ele, teve a felicidade de sentir.
Quando tanto se fala em folclore, é necessário reviver a obra de Maynard, divulga-la nas escolas, nas academias, na imprensa.
Tenho a certeza de que você irá fazer isso. Estou vibrando por isso tudo. Abraços.
Prof. Agostinho Minicucci.”

A CAMINHADA PEABIRUANA


Com a revista botucatuense de cultura – PEABIRU, começa a minha “Caminhada Peabiruana”, ou melhor, a nossa caminhada peabiruana, com as aulas de CIVISMO e de CIDADANIA. A PEABIRU foi lançada como revista cultural, bimensal, em janeiro/fevereiro de 1997. E em seu terceiro número, em maio/junho, lá estava a presença do Mestre, a incentivar e a delinear os caminhos:

“Grande Delmanto,
Estive fora de São Paulo e, por isso retardei dar-lhe minha opinião sobre esse original, excelente e rico material da revista Peabiru.
Digo-lhe grande, porque só você, com sua privilegiada criatividade, dinamismo, espírito de luta poderia ou teria coragem de vencer a inércia que, não raro, assola Botucatu e produzir uma obra dessa grandiosidade.
Nós que o conhecemos como aluno e víamos em você um potencial de realização tão amplo e prodigioso, somado a uma cultura que se enriquece dia após dia, dignificando a família Delmanto.
Você foi muito feliz na escolha do material, na ordenação dos textos, nos comentários, o que condiz bem com sua cultura polimorfa.
O seu entranhado amor a Botucatu é algo de um Édipo inteligente e psicanalisado que soube dignificar a mãe-pátria na sua cidade, no sentido de elas, as cidades, as vilas, as fazendas compõem o país. Quem ama o seu torrão natal é um grande patriota, que idolatra o seu berço para enaltecer a grandiosidade da nação.
Espero ainda um grande futuro na sua carreira profissional e, principalmente, na sua vocação literária e artística.
Botucatu lhe deve muito pela sua contribuição na divulgação poética de suas glórias e no desenrolar de sua história.
À história de Botucatu, um codificador de fatos, acontecimentos, glórias e lutas, como você tem sido devem orgulhar uma cidade.
Espero que Botucatu saiba agradece-lo pelo muito que você tem feito em divulga-la e leva-la a emparelhar com outras cidades metrópoles importantes de nosso país.
Há pessoas que se ligam, de tal forma, a eventos, fatos, cidades, tradições e, por que não a Destino, que eu poderia dizer: - Botucatu é o Delmanto.
A nossa cidade tem muitos traços de sua personalidade e a sua personalidade é uma extensão e decorrência de Botucatu.
Agradeço-lhe as palavras elogiosas a meu respeito, a preferência pelos meus livros e a maneira com que abordou os comentários.
Um grande abraço a um grande homem, na grandiosidade de uma pátria-nação, Botucatu.
Agostinho Minicucci.”

SOCIOLOGIA BOTUCUDA


“São Paulo, 03 de novembro de 1997.
Caro Delmanto,
Recebi Peabiru nº 5, não lhe pude escrever sobre o nº 4, em virtude de uma cirurgia que me retirou do trabalho por quase um ano.
Cumprimentá-lo pelo nº 5 é quase uma rotina, já que você inovou na literatura botucatuense, conseguindo, dentre outras coisas, congregar a elite intelectual de nossa Botucatu.
............................................................................................
Na minha parada obrigatória, ocorreu-me que você – não sei bem, ao certo – é um botucatuense, um botucatólogo ou um botucatuísta ou os três ao mesmo tempo.
Botucatuense é uma das riquezas da qual Botucatu se orgulha, pelo que você tem feito pela sua cidade, bem como, pela tradição dos Delmanto.
Por que você é também um botucatólogo e quiça o mais completo deles.
Deixe-me retornar aos “bons tempos” das aulas de Português e escandir o termo:
- Botucatu, nheengatu, e logos, um sufixo grego, que forma um hibridismo, traduzindo: o estudo histórico, geográfico, linguístico, político, social, educacional...de Botucatu.
Ao elenco de seus livros sobre Botucatu, você fez um estudo completo, diversificado, amplo – como não há outros – de nossa cidade e de nosso município. Em linguística, se dá a esse profissional o nome de “botucatólogo”, como tupinólogo, helenólogo, romanólogo e outros tantos.
Estaremos, assim, em paz, com a senhora Etimologia.
Nos Estados Unidos, as Universidades possuem muitos cientistas estudando principalmente a história e, essencialmente a política do Brasil. São os brasilianistas. Conhecem mais sobre o Brasil do que a maioria dos brasileiros.
A mim me ocorreu apanhar o sufixo ismo, ista, indicativos de profissão ou atividade cultural e julgar você o primeiro botucatunista ou botucatuísta do Brasil. Você discorre muito bem sobre assuntos sociais, políticos, religiosos, educacionais, culturais, enfim, de Botucatu.
Para seguir as pegadas de Machado de Assis, digo-lhe que lhe competem as três comendas: uma de origem, outra de cientista botucatuense e uma terceira de sociólogo de Botucatu.
Mais longe iríamos, caro botucatuense, botucólogo e botucatuísta, se o papel não pedisse uma trégua, para poder cumprimenta-lo também.
Um abraço do amigo,
Agostinho Minicucci.”

“São Paulo, 16 de dezembro de 1998.
Caríssimo Delmanto,
Recebi o nº 12 da Revista Peabiru, a mais disputada para leitura, na minha família.
Admira-me a sua pertinácia, o seu entusiasmo, o seu desprendimento, a sua dedicação às coisas de nossa Botucatu.
Agradeço-lhe a referência a meu irmão Domingos, que tinha, no Dr. Antoninho, o seu melhor amigo e conselheiro.
Outrossim, causou-me surpresa e alegria por que não, aquele bilhete que a Lúcia conservou, por tanto tempo, e acabou sendo uma profecia que vingou, já que ela se prepara para o seu primeiro livro.
Você é filho de Botucatu agradecida e revivida na trilogia do tempo, passado, presente e futuro.
Um feliz Natal e um promissor 1999, o ano do 1, a você e família.
Agostinho Minicucci.”

CAMINHADA DO PEABIRU


“São Paulo, 30/03/1999.
Caro Delmanto,
Cada vez mais, admiro o seu homérico trabalho como codificador da história de Botucatu. Você construiu o caminho histórico do Peabiru botucatuense, com esforço, carinho, dedicação e, por que não, ousadia.
Não sei se você lembra de um texto da Antologia Nacional que dizia:
“Um célebre poeta polaco descrevendo, em magníficos versos, a floresta encantada de seu país, imaginou que as aves e os animais ali nascidos, voavam e corriam e vinham todos morrer à sombra do bosque amigo em que tinham nascido.”
Você tem sido o poeta que tem escrito, em magníficas páginas, a epopeia de um recanto privilegiado onde seus filhos buscam a essência perfumada das tradições que enlaçam e aproximam todos aqueles que, nessa serra viveram, ou vivem, de olhos postos no anil do céu e na beleza de sua natureza.
Caro poeta da tradição botucatuense, do Peabiru que você construiu, eu lhe aceno a mão, polegar erguido, num sentimento de vitória.
Do amigo,
Agostinho Minicucci.”

“São Paulo, 13 de agosto de 1999.
Caro Delmanto,
Como professor de português, concordo em gênero, número e grau aumentativo e como linguista em morfologia, sintaxe e semântica, com as palavras sempre sábias de Hernâni Donato.
Não é necessário mais elogiá-lo, o vocabulário é pobre para tão relevante obra.
Poderia dizer que, na história de Botucatu, há um AD (antes de Delmanto) e um DD (durante Delmanto).
Você inovou a metodologia da história, na pesquisa, na divulgação e no conteúdo.
Quando alguém inova e cria uma obra, como a Peabiru, arregimenta uma plêiade se arautos, que vão à frente, anunciando o feliz evento.
Quero considerar-me um dos arautos, multiplicador de sons harmoniosos numa sinfonia heroica, como os ventos de ibitu que beijam a serra com mensagens catu.
Você está construindo pedra a pedra , esse caminho sagrado que marca o roteiro de uma cidade – Peabiru.
Pode-se dizer, como num provérbio: “Quem não leu Peabiru, passou por Botucatu, mas não viveu Botucatu. Olhou mas não enxergou.”
O sentimento patriótico de Botucatu se alicerça no caminho do Peabiru, ponto em que os viandantes dizem:
·       Como te amo Botucatu.
·       Como te agradeço mensageiro Peabiru.
Sou feliz por ser conterrâneo de DD.
Abraços do sempre amigo,
Agostinho Minicucci.”

MEMÓRIAS DE BOTUCATU III



A seguir, algumas considerações:

S.Paulo, 25/01/2000.
Caríssimo Delmanto,
Retornei hoje a São Paulo depois de um descanso necessário. Cheguei no aniversário de São Paulo, com muita saudade de Botucatu. 
Na correspondência encontrei o presente de uma jóia – “Memórias de Botucatu III”. Corri os olhos, ansioso e pude notar numa vista rápida que o livro deveria chamar-se “A Bíblia de Botucatu”. Ele é um misto de alta literatura, científica, histórica, modelo de pesquisa, calendário de projetos, antologia de vultos históricos, sociologia psicológica de um povo, poema de uma cidade, geografia comunitária, um projeto de História da Educação de Botucatu, enciclopédia de vultos históricos e, sem dúvida, o roteiro político da continuidade do progresso de uma cidade que nasceu com perfil de gigante para não ficar eternamente deitado.
Você teve o dom de reunir séculos com estórias e histórias.
Volto a dizer que Delmanto é Botucatu, ou melhor, “Botucatu é Delmanto”
Preciso ler o Memórias III com mais vagar e sentimentos e essa leitura só pode ser feita na terra do Peabiru, isto é, a pátria do Delmanto.
Agradeço-lhe como sempre, as suas referências ao meu nome.
Um abraço AMIGO do,
Agostinho Minicucci.”

S.P., 20/01/2000.
Caro Armando M. Delmanto,
Começo melhor para o ano 2.000 no campo histórico-cultural-editorial não poderíamos ter em Botucatu. Obrigado pelas “Memórias III”. Modo original de fazer História juntando o documento e a sua análise. Li-o, apenas retirado do envelope.
Continue.

Parece-me que mudaram o nome do aquífero para Aquífero Mercosul. É isso? Não se adiantou na pesquisa? O Paulo Henrique Cardoso conseguiu algo? Na Inglaterra é que está a solução do enigma.
Há décadas cheguei a esboçar um romance “A Fazenda” que não sendo a do Conde seria aquela. O antigo editor Diaulas Riedel, menino-jovem passou ali férias de verão e com entusiasmo e minúcias, descreve-a. A Condessa, idosa, mantinha quiosque no Boi de Bologne no qual, no inverno, oferecia café brasileiro. De certo, da fazenda. Imagine escravos abrindo picada, do Porto Martins à fazenda e transportando ardósias francesas, veludos italianos, mudas de pinho de Riga, piano alemão para a casa sede. Boa tarefa será um volume – elaborado sem pressa – para tal casa, a mais importante da região.
Abraço, obrigado.
Hernâni Donato”

S.P., 19/01/2000.
Caríssimo Armando,
Mal recebi e já mergulhei na leitura das “Memórias de Botucatu III”. Como sempre, você consegue aliar à pesquisa uma linguagem coloquial, o que torna a visão de nossa história ainda mais agradável e atraente. Fiquei emocionado com os detalhes da construção do nosso primeiro arranha-serra (bela expressão). As memórias do menino botucatuense misturam-se aos dados fornecidos pelo historiador. Como uma personagem do “Amacord”, também eu sempre imaginei a boate do Peabiru como palco de festas suntuosas e de encontros fortuitos. E, em minha cabeça, padres furibundos barravam o meu sonho felliniano.



O “Lawrence” é material para novela! Que história mais fantástica. E fiquei comovido ao ver a foto da casa da Sra. Leandro Dupré. Quero saborear cada página, pois sei que aprenderei muito com essa leitura. Mais uma vez você contribui, de forma incisiva, para que Botucatu não perca sua identidade, e para que nós tenhamos muito orgulho da cuesta.
Obrigado pela dedicatória tão gentil, parabéns pelo belíssimo trabalho, e um abraço a todos de sua família,
Alcides Nogueira.”


BLOG DO DELMANTO





Em 2010, a criação de meu site. Também em 2010, o livro digital “HISTÓRIA DE BOTUCATU”. E, em 2011, o lançamento do “Blog do Delmanto”. Em 22 janeiro, o Blog completou 5 anos! Uma grande vitória! Estaremos passando de 1200 posts publicados, preparados com pesquisas, ilustrações e fotos, numa atuação jornalística realizadora. Próximo de alcançar 500 mil acessos, o Blog do Delmanto revolucionou a ampla divulgação de nossa História e dos principais acontecimentos de nossa cidade e região.

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A receptividade encontrada e a participação espontânea de tantos nos anima. É um desafio. Afinal, os temas requerem debates e sugestões: é a construção da cidadania que sempre buscamos. Mas é um bom desafio participar ativamente de um instrumento de informação e formação nesta rede democrática online...
Voltado à renovação política e à construção da cidadania, este Blog tem a missão de provocar o debate, convocando a “intelligentzia” brasileira (emprestemos a expressão russa para definir parte de nossa comunidade intelectual) para a discussão de temas de interesse do país, sempre valorizando o cidadão, despertando valores e delineando novos rumos para a solução dos problemas que estão dormentes há muito tempo...
Será que vale à pena?!?
Acreditamos que sim!
E a “Caminhada Peabiruana”, CONTINUA!
AVANTE!