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julho 02, 2013

Esgotamento
da Paciência Popular!!!

ESGOTAMENTO DA PACIÊNCIA POPULAR!!!

Este blog se propôs a ser um Fórum Cultural e Político onde a “intelligentzia brasileira” pudesse discutir seus caminhos, suas prioridades e, principalmente, reforçar a sua caminhada cívica na construção de nossa Democracia, criando mecanismo a limitar e a enquadrar o Capitalismo. E é o que estamos fazendo.

O Blog do Cesar Maia traz, hoje, importante reflexão sobre a gravidade das manifestações populares e, praticamente, a inadequação de nosso sistema representativo perante a realidade virtual da participação popular. Fica claro o “ESGOTAMENTO DA PACIÊNCIA POPULAR!” E isso NÃO está sendo devidamente levado a sério. A desatualizada classe política brasileira está tratando as manifestações dos INDIGNADOS BRASILEIROS como uma simples manifestação do século passado e que vai passar com algumas migalhas concedidas pelo Sistema... Lêdo engano! Vamos ao texto citado:


“A PARLAMENTARIZAÇÃO DA CRISE E SEUS RISCOS!

1. As manifestações de rua demonstraram que o poder de mobilização das redes sociais finalmente chegou ao Brasil. A imprensa abriu espaço para pesquisadores e estudiosos do tema escreverem, serem entrevistados..., de forma a que se pudesse entender o que há de novo nesse processo.

2. Por feliz coincidência, o professor catalão Manuel Castels dava palestras em Porto Alegre e S. Paulo no início dessas manifestações e comentou o que já tinha escrito em seus últimos livros sobre o caráter de ruptura na dinâmica das redes sociais. Ele e outros afirmaram e afirmam que a democracia vive uma etapa em que a representação popular terá que mudar de caráter.

3. As redes sociais são horizontais, não hierarquizadas, redes de indivíduos empoderados pela informação multiplicada, etc. E nesse sentido o sistema parlamentar tradicional terá que ser repensado de forma a que essa transição seja previsível. No início das mobilizações a questão da dinâmica das redes sociais ocupou a preocupação política. Mas progressivamente isso mudou.

4. Intelectuais de peso passaram a tratar a questão na lógica do movimento de massas de antes, que teria tido uma erupção espontânea que as redes multiplicaram como se fossem micro-mídias. Seria um esgotamento da paciência popular. Essa visão tomou conta do Congresso. Esse passou a reagir a esse movimento de massas de forma tradicional, legislando, como resposta.

5. As palavras de ordem lançadas foram transformadas em decisões políticas, da redução de tarifas de ônibus, a derrubada da PEC 37 que reduzia o poder de investigação do MP, a lei dando caráter de crime hediondo à corrupção, a lei de aplicação dos royalties, reforma política com ou sem plebiscito... A expectativa era e é, que com isso se abasteça de satisfação o movimento de massas e esse esmoreça.

6. Com isso, o sentido das manifestações foi parlamentarizado. A imprensa foi tabulando: demanda X, resposta Y do Congresso. E todo o debate sobre as características das manifestações, origem, lógica e dinâmica, das redes sociais, foi sendo abandonado. Agora se trata de saber se a reforma política será aprovada em plebiscito ou referendo, quais serão as perguntas..., e por aí vai.

7. Essa parlamentarização, ao não tratar da dialética das redes sociais, ao deixar de lado seu caráter inovador, ou de ruptura, será a fórmula garantida de que as manifestações se tornem menos e menos administráveis. Tratar as manifestações de massa de hoje como um ciclo que volta, das grandes manifestações de massa de décadas anteriores é um equívoco grave, que será sentido de forma cada vez mais intensa. O tempo mostrará.
(Blog do Cesar Maia – 02/07/2013)