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janeiro 02, 2013

Arnaldo Jabor sem censura…

FELIZ ANO NOVO DE NOVO…

Arnaldo Jabor é, hoje, o remanescente dos jornalistas acima de qualquer suspeita, ou melhor, daqueles jornalistas que escreviam em “estado de graça” podendo dizer “tudo” o que os demais – simples mortais...- nem ousavam e nem se permitiam...

 

Assim era Paulo Francis, assim foi Nelson Rodrigues. E o leitor ficava pensando: como ele consegue?!? Pô... é isso mesmo...

 

Então vamos ao primeiro artigo do Arnaldo Jabor em 2013. É uma viagem como só ele sabe fazer. É um feliz ano novo que nos envia para uma releitura do que fomos e do que queremos ser... Assim é Arnaldo Jabor!

 

“Feliz ano-novo de novo

O Estado de S.Paulo – 01/01/2013
Arnaldo Jabor
O ano de ver o eclipse do sol contra a neblina pela janela da infância, o ano de ver as primeiras imagens de minha mãe que era uma Greta Garbo com ombros altos e cabelo de coque "bomba atômica", o ano do quarto onde meus pais conceberiam minha irmã, o ano de olhar árvores, bichos e gente como se eu morasse fora do mundo, o ano das pernas das mulheres, colunas altas e distantes, o ano dos fantasmas do fundo do corredor, o ano do cachorro atropelado, o ano dos meninos se comendo de solidão, o ano do medo de virar veado, o ano de ficar olhando o vento no quintal, o ano dos formigueiros, o ano do sarampo e sua lâmpada vermelha, o ano da catapora, o ano da luz azul do quarto da pneumonia, o ano da cabeça quebrada, o ano da cara quebrada, o ano de ver os miseráveis do morro da Mangueira perto de minha casa, o ano de ver o primeiro filme de minha vida, o Ladrão de Bagdá e ficar sonhando com a odalisca no tapete voador, o ano dos balões no céu, o ano do Mercury "grená" de meu pai brilhando na luz da rua, o ano do cuspe, o ano da porrada na esquina, o ano dos palavrões, o ano da "merda" e da "puta que pariu", o ano da inveja, o ano da bicicleta, o ano da primeira namorada que me tratava como nada, o ano de temer a Deus e de contar meus crimes aos padres negros de quem eu beijava a mão, o ano em que um padre me deu um beijo na boca e eu fugi com pânico na alma, o ano do Porcolino e do Pernalonga, das mil e uma noites, o ano da mula sem cabeça e do mendigo que dava mijo para a mãe, o ano da camisa de vênus boiando na beira da praia, o ano do negro comendo a empregada no quarto de passar roupa, o ano da febre, o ano da violência dos colegas de colégio, o ano das velas de ceras na igreja, o ano do coroinha sem fé, o ano do covarde, o ano do soco na cara do mais forte e do sangue no nariz do valentão, o ano da descoberta do orgulho, o ano do Tarzan, o ano do Super-homem, o ano da porra, o ano da punheta por causa da mulher de biquíni na praia, o ano da empregada de peitos grandes e que deixava quase tudo, o ano da dor nos rins, o ano de entrar no porão com a menina, o ano de sentir o gosto de cuspe da menina, o ano de ficar escrevendo o dia inteiro numa febre de descobrir alguma coisa que ainda acho que vou achar, o ano da primeira mulher, uma aeromoça louca da Panair, o ano do meu corpo e do corpo da mulher, o ano das lágrimas quentes, o ano da solidão, o ano das pernas cruzadas dos primeiros puteiros visitados, o ano do Mangue, da indescritível visão do Mangue que só Segall conheceu com as mil mulheres tremendo a língua para fora e seminuas nas calçadas, o ano dos bordeis antigos de luz mortiça, o ano das coxas, dos peitos, o ano cabeludo, o ano oleoso, o ano das peles, o ano de nada entender, o ano da gonorreia, o ano de comer o primeiro amor e de flutuar de paixão sobre as calçadas de Copacabana, o ano da lua dourada, do sol vermelho, o ano de Ipanema, de Leila Diniz, o ano dos gritos da mulher amada no colchão sujo e esfarrapado numa noite de chuva dentro de um aparelho do partido comunista, o ano do amor e da revolução - as duas coisas se confundindo ("serão as bombas ou meu coração batendo?", como em Casablanca), o ano da UNE pegando fogo, o ano dos exilados, o ano de Corisco, o ano de Tom e Vinicius, o ano do Carcará, o ano do Cinema Novo, da noite negra do Ato 5, o ano que não terminou, o ano da boca fechada, o ano da boca no cano de descarga, o ano do nervo do dente exposto na boca do torturado, o ano das unhas arrancadas, o ano dos gritos, o ano dos guerrilheiros suicidas, o ano de cortar a barriga com a faca de bambu, o ano de cortar os pulsos com gilete enferrujada, o ano das cabeças muito loucas, o ano de viver perigosamente o ano da mescalina e do ácido, o ano das pernas e dos braços virando cobras na "bad trip" da beira da praia, o ano das ondas vermelhas e céus tangerina, o ano de Copacabana virando gelatina colorida, o ano de Janis Joplin de porre num puteiro baiano cantando ponto de candomblé, o ano da esperança nova, o ano de Nelson Rodrigues, de Darlene Gloria, o ano das filhas nascendo de dentro de um buraco estrelado, o ano da esperanca de sentido o ano da inocência o ano da ingenuidade o ano do leite o ano do ventre molhado o ano dos quartos escuros o ano da vida o ano do sol o ano do jambo vermelho, o ano das formigas o ano das bonecas o ano do olho furado o ano de ficar louco o ano do corno o ano do babaca o ano de chorar o ano de aprender a viver de novo o ano do cachorro o ano da vaca louca, o ano da cachorra no ar o ano da beira do abismo o ano da volta à democracia o ano do não o ano do sim o ano da hiperinflacao o ano da inflação zero o ano do Real o ano da esperança o ano da vitoria na Copa o ano de outras palavras contra velhas palavras, de novas agendas contra as velhas agendas, o ano dos mamonas assassinadas, o ano dos índios queimados vivos, o ano dos desacontecimentos, o ano dos cabelos brancos, o ano do ultimo voo de minha mãe, o ano de meu pai voando atrás dela, o ano da orfandade, o ano da marcha a ré, o ano do regressismo político, o ano dos eruditos burros, o ano da chegada dos bolchevistas ao poder, o ano da aliança da mão esquerda com a mão direita, o ano dos ladrões revolucionários, o ano da mentira que virou verdade, o ano da desmoralização da honestidade, o ano das alianças sujas, o ano dos peronistas aliados aos senhores feudais, o ano das mãos na cumbuca do país, o ano da decepção com o partido do povo, o ano da cortina rasgada do bordel que Jefferson nos revelou cantando ópera, o ano da descoberta do óbvio, o ano das ilusões perdidas, o ano do nascimento do Supremo Tribunal Federal, o ano do negão, o ano da coragem e da covardia, o ano que vai começar mais uma vez e vai terminar mais uma vez daqui a um ano deixando sempre a sensação de oportunidade perdida e de esperança fracassada até que comece um novo ano trazendo novas expectativas sempre frustradas até começar um novo ano”.

novembro 06, 2012

Marxistas de Galinheiro
e os Cretinos Fundamentais...

ARNALDO JABOR + NELSON RODRIGUES

Na “boca do furacão” está a crise que assola o Brasil. É o MENSALÃO, é aquele LEWANDOWISKI, é o ZÉ DIRCEU, é o PCC agindo em São Paulo enquanto no Rio as UPPs dão AVISO PRÉVIO para a bandidagem sair com calma e “infestar” a baixada fluminense e fazer “estágio criminal” na CAPITAL PAULISTA”...

Enquanto se aguarda o que vai dar o “confronto” entre o governo federal e o governo paulista, temos que ver o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso dar entrevista humilhando e desprezando São Paulo...

Para amenizar a espera por soluções e uma saída da “boca do furacão”, vamos ler o ótimo artigo de Arnaldo Jabor para o “Estadão”, de 30 de outubro:

Nelson Rodrigues e o mensalão

Depois de muito tempo, falei ontem com Nelson Rodrigues no velho telefone preto que ele atende lá no céu, entre nuvens de algodão e estrelas de purpurina. Ele riu ao telefone:
- Você só me liga quando está em crise? A crise é tua ou do País?
- Nelson, eu sou parte dos detritos da nação...
- Não faz frase, rapaz, olha a pose... Este momento do País é maravilhoso: o Brasil está assumindo a própria miséria, a própria lepra... Os brasileiros deviam se agachar no meio-fio e beber dessa sagrada lama que apareceu, com o 'negão' bisneto de escravos abolindo a corrupção... Ali está a salvação. Finalmente, os marxistas de galinheiro estão aparecendo no relatório do STF. É impressionante ver as trapalhadas que fizeram; achavam que ninguém estava vendo. Eles são parte dos cretinos fundamentais que infestam o País e se escondem sob a capa da 'revolução'. Antigamente, o cretino se escondia pelos cantos, envergonhado da própria sombra; hoje, se você subir num caixotinho de querosene "Jacaré" e falar "meu povo", eles formam uma multidão de Fla x Flus. Você pegue o Prestes, por exemplo; ele só fez errar na vida. Tudo que ele quis deu zebra, de 1935 até o fim... No entanto, quem falar mal do Prestes leva um dedo na cara: "Não admito, ouviu?!" Durante 30 anos organizaram um partido e chamaram os intelectuais, que fizeram um carnaval danado, transformando o Lula num "Padim Ciço". Mas, quando chegaram ao poder, debaixo de papel picado, resolveram se suicidar como as virgens do meu tempo: ateando fogo às vestes. Daí, a verdade inapelável: os comunistas odeiam governar; só querem 'tomar' o poder para entrar nas boquinhas, com a mentira de serem 'socialistas'. Eles acham a democracia uma vigarice burguesa para enganar as massas.
- Mas... Nelson... o proletariado sob o capitalismo...
- Para com isso, rapaz; o Homem é capitalista... Existe mercado desde o tempo dos macacos disputando minhocas no buraco... Só os cegos acreditam na "utopia" e só os profetas enxergam o óbvio. O óbvio é um Pão de Açúcar que ninguém vê. E o óbvio é que os petistas queriam fazer a "revolução" com o mensalão, ali na cara do Lula. Mas, foram mexer com a única coisa proibida: com o canalha brasileiro. O canalha é um patrimônio da nacionalidade. Desde Tomé de Souza que roubam sem parar. Pois os canalhas estavam quietos, metendo as mãos nas cumbucas do Estado, quando de repente apareceu o Zé Dirceu, achando que ia passar-lhes a perna. Os canalhas olharam maravilhados aquela burrice dos petistas e sacaram na hora: "Esses comunas acham que a gente é babaca? É tudo mané!..." Dirceu prometia grana, mas não pagava na hora, humilhando a gangue aliada. Eles piscavam cinicamente uns para os outros, contendo o riso e preparando o bote: "Perfeitamente, camarada Dirceu..."
- Você acha o que do Dirceu?
- Ele me fascina. Eu o conheci em 67, por aí... Ele vivia atracado em postes, como vira-latas... Explico: o Dirceu não podia ver um poste que ele trepava em cima e escrachava o capitalismo. Você sabe que os comunas tratam o capitalismo como uma pessoa: "Hoje o capitalismo acordou de mau humor, o capitalismo tem de morrer!!!" Eles falam no tal do "neoliberalismo" como se os grandes empresários de cartola tivessem resolvido: "Vamos fundar este neoliberalismo para acabar com aqueles trouxas!" Acham que a IBM, a Coca-Cola e a GM estão dando gargalhadas de bruxa de peça infantil. A velha esquerda não entendeu até hoje a grande lição de Marx: quem manda são as mercadorias, quem manda é a salsicha. Ninguém controla o Mercado. Aliás, o Marx está ali numa nuvem, exalando cava depressão.
Bem, como eu ia dizendo, o Dirceu vivia trepado em postes, falando da "utopia", que ninguém sabia o que era. Alguns sujeitos rosnavam: "Quem é essa tal de Utopia? É a mulher dele?" Pois um dia o nosso Dirceu encontrou o Lula. Foi uma festa. O Lula era o "robô" perfeito para os petistas intelectuais: operário, foice e martelo, barba e sem dedo - tinha tudo para se tornar um símbolo de santidade, um messias da USP, onde as professoras se estapeavam para pegar um autógrafo do "proletário". Os bolchevistas, desempregados desde 68, se deram bem quando Lula chegou ao poder: "Vamos desapropriar a grana desse Estado burguês para conquistar nossos objetivos populares". Aí, apareceu o Dirceu esfregando as mãos: "Oba!... Deixa comigo, Lula!" E virou 'primeiro-ministro'. O Lula achou ótimo porque estava em fremente lua de mel consigo mesmo, segredando para dona Marisa: "Ei, mãezinha, quem diria nós aqui, hein...?" E nem ligava: "Deixa que o Dirceu resolve!" E ia beijar rainhas e reis, lambido pelos grã-finos internacionais.
Foi aí que surgiu o Jefferson, denunciando o comandante da "revolução corrupta". Jefferson saiu da mentira para a verdade e o Dirceu da "verdade" para a mentira. Um é o espelho invertido do outro. O Jefferson e Dirceu são a essência do Teatro: protagonista e antagonista. A maior peça do teatro brasileiro foi o duelo dos dois na Câmara. O País parou como no Brasil x Uruguai.
Os dois juntos levantaram a cortina do erro brasileiro. O Jefferson, que tinha passado a vida escondido na própria gordura, se esgueirando por estatais e fundos de pensão, descobriu a deliciosa alegria do sucesso. Ninguém foi mais feliz que o Jefferson naqueles dias, espojando-se na verdade, regozijando-se no papel de herói ao avesso, abrindo o alçapão de ratos...
E Dirceu se deu bem também, apesar da condenação no STF. Ele ficou livre de sua 'revolução' fracassada, finalmente no ansiado martírio, o único sossego dos paranoicos.
Jefferson fez o maior tratado de sociologia política da vida nacional e Dirceu fez uma revolução inesperada - queria um socialismo stalinista e acabou fortalecendo a democracia.
- Mas, Nelson, qual será o futuro disso tudo?
- Não há mais futuro, rapaz... Mas, garanto que um dia Jeff e Zé terão uma estátua em bronze - os dois sob os braços de uma grande deusa nua: a República celebrando seus heróis. Rapaz, isso é o óbvio: Dirceu e Jefferson salvaram o Brasil!
E desligou.”

agosto 23, 2012

Centenário de Nelson Rodrigues
1912/2012

Centenário de Nelson Rodrigues 1912/2012



"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico(desde menino)." - Nelson Rodrigues -


Neste ano estamos comemorando o Centenário de nascimento de Nelson Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980).
O maior dramaturgo brasileiro, criativo, revolucionário, suas peças teatrais eram romanceadas, fortes, contundentes. Mas Nelson Rodrigues brilhou também como cronista esportivo, sendo que só Armando Nogueira, tempos depois, fez trabalho jornalístico do mesmo nível.

Seu irmão, Mário Filho teve seu nome dado ao Maracanã: Estádio Mário Filho! Apaixonado pelo Fluminense, sabia ser imparcial em seus comentários. Produziu romances, crônicas e, na política, foi um vencedor ao tratar com coragem temas difíceis e ao dar o perfil – sem maquiagem! - de políticos e religiosos famosos. Vamos ver um pequeno trecho de Nelson Rodrigues:

“A partir do momento em que uma imagem aparece e desaparece, ela perde para a linguagem escrita que perdura. Esse é um aspecto fundamental do problema, que deveria colaborar para tornar os dois gêneros coexistentes. Fazendo um jogo de palavras, diria que a leitura é sobretudo a releitura. Reli muitas vezes “Crime e Castigo”, “Os irmãos Karamazov”, “Ana Karerina”, Machado de Assis, porque apenas a leitura não basta. É preciso a releitura, para que haja uma relação mais profunda entre o leitor e o que ele lê. Com a televisão, com a imagem, isso não é possível. A leitura é mais inteligente, porque estabelece não só uma relação mais profunda, como também uma intimidade maior entre o leitor e o livro.
O texto literário continuará existindo daqui a 1200 anos. Ele não morre, porque se ele morrer o mundo começará a morrer junto.”



Criticado por seus textos fortes, chamados de pornográficos, ele reagia dando à sua coluna no jornal o título de “A VIDA COMO ELA É...” Mostrando, assim, a seus críticos que apenas descrevia os fatos com sua própria e cruel realidade. Famoso pela frase “O ÓBVIO ULULANTE”, Nelson repetia e repetia e repetia que era o óbvio ululante a realidade da vida e da ação das pessoas o que muita gente procurava não ver...ou esconder!


Recentemente foi encontrado um vídeo nos Estados Unidos sobre Nelson Rodrigues que merece ser visto. Em uma parte, aparece Nelson fazendo palestra e embevecido, um jovem intelectual fazia perguntas: era o escritor Paulo Coelho, à época, de cabelos pretos, sem barba e de bigode...É Registro Histórico!

Particularmente, para mim, Nelson Rodrigues, sempre foi um norte, em termos de jornalismo dinâmico, objetivo, sempre indo ao cerne dos problemas e, sempre, dando a sua opinião corajosa e contundente. Em 1970, ao lançar o meu primeiro livro dedicado à participação do jovem na política e no exercício da cidadania, “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO”, fazia de um trecho de artigo de Nelson Rodrigues, a página de abertura. Olhem que texto inteligente e, já àquela época, corajoso e contundente:



O escritor e biógrafo Ruy Castro é o autor do livro “O ANJO PORNOGRÁFICO”, que mostra toda a trajetória de Nelson Rodrigues, sua família, seus sonhos e suas frustrações:



“Em “O Anjo Pornográfico”, Ruy Castro deixa claro que não quer analisar a obra do escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues. Ele irá, sim, contar histórias.
Banido qualquer julgamento ou descrição de lugares ou personagens, ele se prestou a destrinchar, detalhar, esquadrinhar, relatar fatos com precisão e riqueza de detalhes.


O maior tesão do livro fica por conta da localização de cada caso e de cada pessoa, no contexto histórico e cultural, por onde ia passando Nelson Rodrigues, seja no caminho intelectual ou artístico, político ou econômico. Ruy Castro envolve as histórias particulares de Nelson com os fatos da época e nos proporciona a inusitada experiência de aprender o escritor incompreendido e conhecido, apenas, como tarado ou reacionário.

O ponto alto do livro é a família Rodrigues. É possível conhecê-la desde o casamento dos pais de Nelson Rodrigues. Pura e apaixonante novela mexicana.

A leitura de “O Anjo Pornográfico” é prazerosa, derrete na boca, se não pela história, pela fluidez da narrativa de Ruy Castro, fácil, leve e cheia de suspense devido à estratégia que o autor tirou da manga, a cereja do bolo: o ponto final de cada capítulo é colocado num trecho meticulosamente escolhido pra segurar o leitor cheio de curiosidade, e ansioso pelo início da próxima narração.
Entrelaçada, a narrativa vai e volta pelos capítulos que vão sendo substituídos por outros para voltarem logo ali adiante, quebra da ordem cronológica, num recurso dinâmico, rápido, compassado.

Devo ter enchido a paciência de muita gente, pois lia em voz alta, em qualquer lugar, na presença de qualquer um, trechos que tinham acabado de me encantar, repetia frases marcantes ... coisas de tiete.” - Requeri -

Esta é uma homenagem singela a esse grande jornalista, escritor, cronista esportivo e dramaturgo brasileiro. Que se reeditem seus livros e que encenem suas peças teatrais que marcaram definitivamente a História do Teatro Brasileiro. Abaixo, uma relação de suas obras:
Obra literária de Nelson Rodrigues
Peças psicológicas
Peças míticas
Tragédias Cariocas I
Tragédias Cariocas II
Romances
[editar] Contos
[editar] Crônicas
[editar] Telenovelas
Baseadas na obra de Nélson Rodrigues
[editar] Filmes
Baseados na obra de Nélson Rodrigues
(Wikipedia)

fevereiro 07, 2012

O Anjo Pornográfico & O Obvio Ululante!

Centenário de Nelson Rodrigues 1912/2012



"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico(desde menino)." - Nelson Rodrigues -


Neste ano estamos comemorando o Centenário de nascimento de Nelson Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980).
O maior dramaturgo brasileiro, criativo, revolucionário, suas peças teatrais eram romanceadas, fortes, contundentes. Mas Nelson Rodrigues brilhou também como cronista esportivo, sendo que só Armando Nogueira, tempos depois, fez trabalho jornalístico do mesmo nível.

Seu irmão, Mário Filho teve seu nome dado ao Maracanã: Estádio Mário Filho! Apaixonado pelo Fluminense, sabia ser imparcial em seus comentários. Produziu romances, crônicas e, na política, foi um vencedor ao tratar com coragem temas difíceis e ao dar o perfil – sem maquiagem! - de políticos e religiosos famosos. Vamos ver um pequeno trecho de Nelson Rodrigues:

“A partir do momento em que uma imagem aparece e desaparece, ela perde para a linguagem escrita que perdura. Esse é um aspecto fundamental do problema, que deveria colaborar para tornar os dois gêneros coexistentes. Fazendo um jogo de palavras, diria que a leitura é sobretudo a releitura. Reli muitas vezes “Crime e Castigo”, “Os irmãos Karamazov”, “Ana Karerina”, Machado de Assis, porque apenas a leitura não basta. É preciso a releitura, para que haja uma relação mais profunda entre o leitor e o que ele lê. Com a televisão, com a imagem, isso não é possível. A leitura é mais inteligente, porque estabelece não só uma relação mais profunda, como também uma intimidade maior entre o leitor e o livro.
O texto literário continuará existindo daqui a 1200 anos. Ele não morre, porque se ele morrer o mundo começará a morrer junto.”



Criticado por seus textos fortes, chamados de pornográficos, ele reagia dando à sua coluna no jornal o título de “A VIDA COMO ELA É...” Mostrando, assim, a seus críticos que apenas descrevia os fatos com sua própria e cruel realidade. Famoso pela frase “O ÓBVIO ULULANTE”, Nelson repetia e repetia e repetia que era o óbvio ululante a realidade da vida e da ação das pessoas o que muita gente procurava não ver...ou esconder!

Recentemente foi encontrado um vídeo nos Estados Unidos sobre Nelson Rodrigues que merece ser visto. Em uma parte, aparece Nelson fazendo palestra e embevecido, um jovem intelectual fazia perguntas: era o escritor Paulo Coelho, à época, de cabelos pretos, sem barba e de bigode...É Registro Histórico!

Particularmente, para mim, Nelson Rodrigues, sempre foi um norte, em termos de jornalismo dinâmico, objetivo, sempre indo ao cerne dos problemas e, sempre, dando a sua opinião corajosa e contundente. Em 1970, ao lançar o meu primeiro livro dedicado à participação do jovem na política e no exercício da cidadania, “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO”, fazia de um trecho de artigo de Nelson Rodrigues, a página de abertura. Olhem que texto inteligente e, já àquela época, corajoso e contundente:


O escritor e biógrafo Ruy Castro é o autor do livro “O ANJO PORNOGRÁFICO”, que mostra toda a trajetória de Nelson Rodrigues, sua família, seus sonhos e suas frustrações:


“Em “O Anjo Pornográfico”, Ruy Castro deixa claro que não quer analisar a obra do escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues. Ele irá, sim, contar histórias.
Banido qualquer julgamento ou descrição de lugares ou personagens, ele se prestou a destrinchar, detalhar, esquadrinhar, relatar fatos com precisão e riqueza de detalhes.


O maior tesão do livro fica por conta da localização de cada caso e de cada pessoa, no contexto histórico e cultural, por onde ia passando Nelson Rodrigues, seja no caminho intelectual ou artístico, político ou econômico. Ruy Castro envolve as histórias particulares de Nelson com os fatos da época e nos proporciona a inusitada experiência de aprender o escritor incompreendido e conhecido, apenas, como tarado ou reacionário.

O ponto alto do livro é a família Rodrigues. É possível conhecê-la desde o casamento dos pais de Nelson Rodrigues. Pura e apaixonante novela mexicana.

A leitura de “O Anjo Pornográfico” é prazerosa, derrete na boca, se não pela história, pela fluidez da narrativa de Ruy Castro, fácil, leve e cheia de suspense devido à estratégia que o autor tirou da manga, a cereja do bolo: o ponto final de cada capítulo é colocado num trecho meticulosamente escolhido pra segurar o leitor cheio de curiosidade, e ansioso pelo início da próxima narração.
Entrelaçada, a narrativa vai e volta pelos capítulos que vão sendo substituídos por outros para voltarem logo ali adiante, quebra da ordem cronológica, num recurso dinâmico, rápido, compassado.

Devo ter enchido a paciência de muita gente, pois lia em voz alta, em qualquer lugar, na presença de qualquer um, trechos que tinham acabado de me encantar, repetia frases marcantes ... coisas de tiete.” - Requeri -

Esta é uma homenagem singela a esse grande jornalista, escritor, cronista esportivo e dramaturgo brasileiro. Que se reeditem seus livros e que encenem suas peças teatrais que marcaram definitivamente a História do Teatro Brasileiro. Abaixo, uma relação de suas obras:
Obra literária de Nelson Rodrigues
Peças psicológicas
Peças míticas
Tragédias Cariocas I
Tragédias Cariocas II
Romances
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Baseadas na obra de Nélson Rodrigues
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Baseados na obra de Nélson Rodrigues
(Wikipedia)