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março 21, 2016

O Senador Moraes Barros e Botucatu no Túnel do Tempo.../ Registro Histórico.

O Senador Moraes Barros e Botucatu no Túnel do Tempo...


“Alguém deve rever, escrever e assinar os autos do passado antes que o tempo passe tudo a raso.”
                                                          Cora Coralina

É com muito orgulho que tenho procurado resgatar e registrar a ligação do Senador Manoel de Moraes Barros com a história de Botucatu. A rua MORAES BARROS, no centro da cidade, mostra a deferência que Botucatu teve com esse respeitável político de Piracicaba. 

Aliás, os nomes de ilustres piracicabanos fazem parte da construção da cidadania em Botucatu, entre tantos, cabe o registro de Dona Isabel de Arruda (benemérita da Misericórdia Botucatuense), do Conde de Serra Negra (o maior produtor de café do Brasil na Monarquia e no Império, tinha fazendas em Botucatu, além da Fazenda Lageado, de seu irmão, Dr. João Batista da Rocha Conceição) e mais recentemente, Alceu Maynard de Araújo, que se orgulhava de se considerar um “botucudo” mesmo tendo nascido em Piracicaba. Veio ainda criança para Botucatu e aqui estruturou sua vida formando-se na Escola Normal e depois ganhando o mundo como intelectual de destaque que abriu as portas da APL – Academia Paulista de Letras aos botucatuenses.

SENADOR MORAES BARROS

"Nascido em Itu (SP), em 1º de maio de 1836, e falecido no Rio de Janeiro, em 20 de dezembro de 1902, Manoel de Moraes Barros, irmão de Prudente de Moraes, foi advogado e político.

Bacharelado em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1857, foi logo nomeado promotor público da Constituição (que era o nome, na época, de Piracicaba; a cidadevoltaria a ser Piracicaba em 1877, por iniciativa de Prudente), onde fixou residência. Foi, também, nessa cidade, juiz municipal e de órfãos, de 1862 a 1864, quando, com a ascenção do Gabinete de Zacharias de Goes, foi demitido.

Iniciou sua carreira política em 1870, no Partido Liberal, sendo um dos primeiros a aplaudir o manifesto republicano de 3 de dezembro de 1870, enviando ao jornal A República, junto com Bento Barreto do Amaral Gurgel, Benício Dutra, Jaime Pinto de Almeida e outros, uma amnifestação de aplauso, que era uma verdadeira profissão de fé republicana. Em 1873, participou da Conveção de Itu (realizada a 18 de abril, na residência de Carlos Vasconcelos de Almeida Prado), já que, ao lado de Bento Barreto do Amaral Gurgel, ele era um dos líderes republicanos de Piracicaba; além disso, fez parte dos vários congressos republicanos, sempre como delegado, ou representante dos clubes republicanos locais, como acontecera a reunião de Itu.

Nessa ocasião já era maçom e pertencia ao quadro da Loja "Beneficência Iutana", de Itu (SP), fundada em 29 de abril de 1873; também foi fundador da Loja "Piracicaba", em 1875, juntamente com seu irmão Prudente de Moraes e outros trinta e três maçons; esta loja foi uma das onze da Província de São Paulo a fazer parte do Grande Oriente Unido, de Saldanha Marinho.

Em 1884, Manoel foi eleito deputado provincial para o biênio 84/85; depois, foi vereador à Câmara Municipal de Piracicaba, sendo, no seu primeiro ano de mandato (1888), presidente da casa.
Ao ser proclamada a República, foi, no dia 16 de novembro, nomeado delegado de polícia da cidade. Foi deputado à Constituinte nacional e relator do orçamento da Justiça, na Câmara dos Deputados, em 1891 e 1892; de 1892 a 1893 foi membro da comissão de orçamento e seu presidente.

Reeleito, em 1893, deputado federal, foi presidente da primeira câmara legislativa da União, após a Constituinte. Senador, em 1895, na vaga deixada por seu irmão Prudente de Moraes, ao assumir a 
presidência da República, ele ocupou o cargo até falecer, em 1902.

(Extraído do livro "A Maçonaria e o movimento republicano brasileiro", de José Castellani - Editora"

COMBATENDO O CAPITÃO TITO

“O Senador Manoel de Moraes Barros está ligado à história de Botucatu, mesmo tendo sido, junto com seu irmão, chefe político em Piracicaba. Hernâni Donato ao focalizar em seu “Achegas”, com a costumeira precisão, o período de nossa cidade dominado pelo Capitão Tito Correia de Melo, genro do benfeitor José Gomes Pinheiro, nos relata: ”Começa a era Tito Correia de Melo. Por volta de 1847 fixou-se na vila um jovem mineiro que residira em São Paulo, Rio Claro, Itu e Itapetininga onde tomou por esposa uma filha de José Gomes Pinheiro, razão da sua vinda para as terras que o sogro possuía. Todo o resto do século e os primeiros anos da centúria seguinte ressoarão com os ecos da atividade do Capitão Tito. A esse dilatado período chamou-se “era Capitão Tito”.




Pois bem, o Capitão Tito Correia de Melo e o Advogado Manoel de Moraes Barros representavam, respectivamente, Botucatu e Piracicaba, como Deputados, na Assembléia Provincial do Império. Ainda no “Achegas” do Hernâni Donato, encontramos um perfil da “era Capitão Tito”:
“Liderou com mão de ferro a política do 5º distrito, elegendo-se deputado algumas vezes, impondo vontade absoluta por todos os meios em uso na política...”

Na época, Botucatu ficara famosa pelos “métodos” do Capitão Tito. Continua o relato de Hernâni: “No “A Província de São Paulo” (“O Estado de S. Paulo”) nomes fulgurantes da política e do jornalismo como Rangel Pestana, Ezequiel Freire fulminavam o procedimento do deputado por Botucatu, apontado megalomaníaco qual Napoleão e outros “tiranos”, além de Luiz XIV que seria o exemplo mirado pelo denunciado. Ezequiel Freire assinou, no dia 18 de fevereiro, longo artigo intitulado ”De Omnibus Rebus – Piadas Parlamentares”. A certa altura, resumindo o discurso de Moraes Barros, elenca: “Lamentou s.ex. a impunidade em que até hoje tem vivido os autores dos atentados praticados pela horda contra o juiz de direito Ernesto Xavier, contra o juiz municipal Marcelino de Carvalho, contra o Dr. Barros Barreto, contra o Dr. Rocha, assassinado; contra muitos outros.

Declarou que Botucatu, por causa desses mandões, nem tem garantida a justiça, nem tem crédito rural, nem cousa nenhuma;
- que não há caixeiros que vão lá proceder cobranças, porque seriam logo colocados na alternativa de fugir ou morrer;
- que o Banco de Crédito Rural não empresta dinheiro a fazendeiros de Botucatu porque lá não existe justiça, mas arbítrio e garrucha;
- que não há advogados que aceitem o patrocínio de causas naquele fôro, de medo de serem expulsos ou assassinados, etc. etc.
Terminou o Sr, Moraes Barros denunciando a tentativa de assassinato de que foi vítima no dia 27 do corrente o atual promotor dr. Christiano Ritt, e requereu informações ao Governo.”

Após 1884, aumentou o cerco às “atividades” do Capitão Tito. O assassinato de Quinzote, em dia de eleição, foi o fato que celou o futuro do Capitão Tito. O historiador botucatuense, dr. Sebastião de Almeida Pinto, em seu livro “No Velho Botucatu” (editado no Centenário de Botucatu, em 1955), nos relata: “O velho deputado provincial, tão combatido e discutido, merece um estudo especial, que até hoje não foi feito. As opiniões a seu respeito, são as mais diversas e controvertidas (...) Para uns, Tito era um bom homem, um grande chefe. Para outros, era truculento, vingativo e perigoso...” E sobre o assassinato do Quinzote, Tião de Almeida Pinto, descrevia: “...mandou uns cabras de confiança, chefiando capangas, dar um susto nos eleitores. Espantando-os. Coisinhas de nada. Umas porretadas, umas cachuletas e, no máximo, uns tiros para o ar. Entretando, as coisas não correram tão simples assim.

O Quinzote que não era de matar com a unha, reagiu na altura. E não se intimidou com a turma. Deram uns tiros para o ar. E Quinzote continuou a avançar, seguido pelos eleitores. Nessa hora, Firmino Toreador, capanga do Capitão Tito, enraivecido, exorbitou. E fez a barbaridade. Meteu um balaço no Joaquim de Freitas. Matou o Quinzote, que era primo de Carlino de Oliveira e do Chico Padeiro. Ao que parece, Firmino e Quinzote eram velhos desafetos.

Houve pânico. Os eleitores debandaram. Tito ganhou a eleição. Mas não adiantou. Parece que o sangue de Quinzote trouxe azar tremendo. O velho chefe, desde a morte do rapaz, entrou numa decadência sem fim. E acabou, como dizem, obscuramente. Num ostracismo completo. Velho. Cego. Desprestigiado. Derrocado em toda a linha. E tinha sido um grande lutador. Coisas do Mundo.”

O então prestigiado jornal “O CORREIO PAULISTANO”, de 20/12/1952, em matéria comemorativa do cinquentenário de falecimento do Senador Manoel de Moraes Barros, destacava:
“Dois episódios servem para definir a personalidade do senador Moraes Barros: como republicano à Assembléia da Província, moveu da tribuna uma campanha sem tréguas contra o mandonismo do seu colega Tito Correa de Melo, chefe político de Botucatu, obrigando o mandachuva a renunciar o mandato...” 



(do livro "Memórias de Botucatu", de 1990, de Armando Moraes Delmanto).

É Registro Histórico!


NO TÚNEL DO TEMPO FAMILIAR



Sou descendente, pelo lado materno, de tradicionais troncos paulistas da família Moraes Barros. Sendo meu ascendente o Senador Manoel de Moraes Barros, irmão de Prudente José de Moraes Barros – 1º presidente civil do Brasil, ambos maçons e republicanos, sendo o Senador Manoel de Moraes Barros avô de meu avô materno, Manoel de Camargo Moraes.

Na minha infância ia todo ano de férias para São Pedro e Piracicaba. Quando ia com meu avô “Caturra” (Manoel  de Camargo Moraes), apelidado por meu pai porque era muito teimoso... Piracicaba era então uma grande cidade e muito calma ainda... Tinha o bonde, a Esalq, e o maravilhoso Mirante, com seu restaurante servindo o “pintado no espeto”, pescado ali no rio...

A penúltima vez que estive em Piracicaba, junto com os professores Francisco Carlos Sodero e Jair de Moraes Neves, de origem piracicabana, em 1968, almoçamos no Restaurante Mirante. Inesquecível.

Em 2006, portanto mais de 35 anos após a última visita, lá estava eu de novo... Com a Beth e o Marcelo fomos em busca de registros familiares. Almoçamos no Mirante e comemos o “pintado na brasa”, só que os peixes, nessa época, vinham do Mato Grosso, a poluição do Rio Piracicaba já era uma realidade. E tivemos sorte. Pouco tempo depois foi fechado o famoso restaurante do Mirante. Depois de um tempo, consta que foi reaberto.

Pois bem, além do almoço, fizemos a nossa peregrinação: fomos ao “MUSEU HISTÓRICO E PEDAGÓGICO PRUDENTE DE MORAES”, localizado na antiga residência do Primeiro Presidente Civil do Brasil, com rico acervo museugráfico e museológico contemplando a vida pública do ilustre homenageado, além da História de Piracicaba. Na ocasião, obtive da coordenadora, a informação preciosa de que familiares dos Moraes Barros vieram, no início da colonização, da cidade de Braga/Portugal.

Após visita ao Museu, em 2006, fomos ao Cemitério visitar o túmulo de meus avós (Manoel de Camargo Moraes e Isaura Telles de Moraes) e conhecer os túmulos de Prudente e Manoel de Moraes Barros. É imponente, verdadeiro mausoléu a perpetuar a história desses ilustres brasileiros!


Restaurante Mirante - Piracicaba/2006
Marcelo, Beth e Armando.

Mirante rio Piracicaba

Museu Histórico e Pedagógico PRUDENTE DE MORAES.
Repara na minha testa e na do busto...

Mausoléu de Manoel de Moraes Barros

Mausoléu de Manoel de Moraes Barros /Marcelo

Mausoléu de Manoel de Moraes Barros/Armando.


Mausoléu de Prudente de Moraes/Marcelo




agosto 10, 2015

REGENTE FEIJO´: MODELO DE HOMEM PÚBLICO !


“O coração nunca envelhece. Basta um sorriso, um nada, um abraço e tudo nele se ilumina e aquece.” 
               Diogo Antonio Feijó

É um dos personagens mais ricos de nossa história. Filho bastardo (17.08.1784 / 10.11.1843) de um padre (padre Manuel da Cruz Lima com Maria Joaquina Soares de Camargo), demonstrou por toda a vida a sua inconformidade com o celibato sacerdotal. Entendia Feijó que o celibato imposto pelo Vaticano aos padres não passava de uma máscara, uma hipocrisia.

Foi um dos mais importantes personagens da vida religiosa brasileira, juntamente com o Pe. Antonio Vieira.



Diogo Antonio Feijó foi padre, construiu seus ideais libertários nos mistérios da Maçonaria, foi vereador, deputado, senador, Ministro da Justiça e Regente do Império. Ainda como professor na cidade paulista de Itu, publicou dois trabalhos importantes: “Noções Gerais de Filosofia” e “Demonstração do Celibato Sacerdotal”. Ficou muito clara a sua revolta contra todos os tipos de escravaturas, particularmente a social e a ideológica. O Padre Feijó foi um revolucionário até na hora da morte.

Padre Católico e Líder Maçon
Já faz parte da nossa história a importância da Maçonaria na constituição e consolidação da Nação Brasileira. O Brasil era, na verdade, a Maçonaria. A Independência do Brasil, a Maioridade de Dom Pedro II, a Libertação dos Escravos, a queda da Monarquia e a Proclamação da República e, ao depois, a Revolução de 1930, as Constituintes de 1933 e 1934, em tudo –com sabedoria e precisão ! – temos a orientação da Maçonaria.


Assim, o forte da presença de Feijó no cenário público brasileiro, estava no fato de ele ser um dos grandes nomes da Maçonaria, muito mais do que por seu desempenho político. Em pleno século XIX, repetimos, o Poder Maçon e o Brasil se confundiam. Na Regência e no Movimento Pela Maioridade, a posição e a presença definidora de Feijó – pela Maçonaria! – foi básica e conclusiva. Com sólida formação, era um discípulo de Kant e conhecia bem as Atitudes: crítica, céptica e dogmática; sendo um insatisfeito em relação ao Empirismo.

É considerado um dos introdutores do Liberalismo no Brasil. Na política e na Maçonaria foi adversário político do famoso José Bonifácio de Andrada e Silva – o Patriarca da Independência!  Esse padre, maçon e político, foi o grande arauto, nas Cortes Portuguesas, da Independência das feitorias do Brasil.


Estátua de Diogo Antonio Feijó, parte integrante do Monumento à Independência, Ipiranga/São Paulo.

“Regência Una de Feijó“

Senador Feijó foi eleito pela Assembléia Geral, Regente do Império em 1835, após a proclamação do Ato Adicional, que transformava a Regência Trina em Una. Era o tempo da infância do imperador D. Pedro II. Alguém deveria fazer as vezes dele nas responsabilidades públicas. Num dado momento, o consenso se voltou para um padre, simples, autêntico, abnegado, eficiente. Era o Padre Feijó, que acabou ficando na história como o"Regente Feijó". Regente Feijó se mostrou democrático e de certa forma, federalista, pois criouAssembléias Legislativas Provinciais, para dar maior autonomia às províncias brasileiras, era a descentralização democrática. Governou pouco, de 1835 a 1837. A sua ação é simplesmente admirável. E se desdobra na construção de estradas, no fomento à imigração, no estímulo à organização bancária, e como esteta e amante do belo, para a urbanização da cidade do Rio de Janeiro, então capital do país. Feijó propôs, ainda, a abolição do celibato aos padres, o fim da escravidão, a repressão ao tráfico de escravos, a democracia nas instituições do Estado e a reforma do habeas-corpus



Já adoentado e hemiplégico, Feijó ainda participou daRevolução Liberal de 1842, comandada por Rafael Tobias de Aguiar. Derrotados o Liberais, Feijó, na cadeira de rodas, permaneceu em Sorocaba, tendo tido uma atenção especial de Duque de Caxias – irmão na Maçonaria! -, que foi o grande vitorioso e acabou com aquele movimento. Feijó faleceu em 1843.


DIOGO ANTONIO FEIJÓ (deitado) - Cripta da Catedral da Sé/São Paulo

REGENTE FEIJÓ: MUNICÍPIO PAULISTA !

Após a Revolução Constitucionalista de 1932, São Paulo retomou o comando de seu destino com a Assembléia Constituinte Paulista de 1934 e com a eleição, em 1935, do EngºArmando de Salles Oliveirapara o Governo de São Paulo
Nesse período democrático e de grande desenvolvimento para o Estado de São Paulo, a conquista do oeste, com a expansão da Estrada de Ferro Sorocabana - EFS, foi uma realidade e muitos novos municípios foram criados. Especial trabalho foi desenvolvido pelos deputados Dante Delmanto, Antonio Carlos de Abreu Sodré, além de Luiz Piza Sobrinho na condição de Secretário da Agricultura, na emancipação administrativa e instalação do município de Regente Feijó, no ano de 1935. Os partidários do Partido Constitucionalista, na região de Presidente Prudente, desde a Revolução Constitucionalista de 1932, mantinham contínuos encontros partidários com esses três parlamentares. A idéia de se prestigiar o grande brasileiro e líder maçon, Padre Diogo Antonio Feijó, foi se consolidando. Feijó havia sido Vereador, Deputado, Senador e Regente do Império, além de grande líder e dirigente da Maçonaria.



Pertencente ao município de Presidente Prudente, os partidários do Partido Constitucionalista tinham muita influência no Distrito da Memória. E foi feita a transformação desse próspero distrito em município, com alteração de sua denominação para REGENTE FEIJÓ!

governador Armando de Salles Oliveira, através doDecreto nº 7.262, de 28/06/1935, cria, na Comarca de Presidente Prudente, o Município de Regente Feijó.

Discurso do Prefeito de Regente Feijó, Sr. Augusto César Pires:
“estaes todos certos de que, há um anno, estamos sustentando a batalha, todos nós, desde quando por inspiração do nosso grande amigo, Dr. Tito Lyvio Brasil, tomamos e formamos a Frente Única de Regente Feijó, para conseguirmos o nosso município.
Depois a Frente Única se transformou no Partido Constitucionalista e que continuou firme pelo mesmo ideal. Nessa lucta contamos com o apoio decidido dos Drs. Deputados Abreu Sodré, Luiz Piza Sobrinho e Dante Delmanto, por fim o grande estadista Dr. Armando de Salles Oliveira que reconheceu a justiça de nossa causa e assignou o Decreto número 7,262, que emancipou Regente Feijó, Indiana e José Theodoro dos nossos irmãos de Presidente Prudente, dando-nos plena autonomia...”
(jornal “Folha da Sorocabana”, de 07/07/1935)


novembro 09, 2011

Regente Feijó: Padre Católico, Maçon e Estadista!


“O coração nunca envelhece. Basta um sorriso, um nada, um abraço e tudo nele se ilumina e aquece.” Diogo Antonio Feijó

É um dos personagens mais ricos de nossa história. Filho bastardo (17.08.1784 / 10.11.1843) de um padre (padre Manuel da Cruz Lima com Maria Joaquina Soares de Camargo), demonstrou por toda a vida a sua inconformidade com o celibato sacerdotal. Entendia Feijó que o celibato imposto pelo Vaticano aos padres não passava de uma máscara, uma hipocrisia.

Foi um dos mais importantes personagens da vida religiosa brasileira, juntamente com o Pe. Antonio Vieira.



Diogo Antonio Feijó foi padre, construiu seus ideais libertários nos mistérios da Maçonaria, foi vereador, deputado, senador, Ministro da Justiça e Regente do Império. Ainda como professor na cidade paulista de Itu, publicou dois trabalhos importantes: “Noções Gerais de Filosofia” e “Demonstração do Celibato Sacerdotal”. Ficou muito clara a sua revolta contra todos os tipos de escravaturas, particularmente a social e a ideológica. O Padre Feijó foi um revolucionário até na hora da morte.

Padre Católico e Líder Maçon

Já faz parte da nossa história a importância da Maçonaria na constituição e consolidação da Nação Brasileira. O Brasil era, na verdade, a Maçonaria. A Independência do Brasil, a Maioridade de Dom Pedro II, a Libertação dos Escravos, a queda da Monarquia e a Proclamação da República e, ao depois, a Revolução de 1930, as Constituintes de 1933 e 1934, em tudo – com sabedoria e precisão ! – temos a orientação da Maçonaria.


Assim, o forte da presença de Feijó no cenário público brasileiro, estava no fato de ele ser um dos grandes nomes da Maçonaria, muito mais do que por seu desempenho político. Em pleno século XIX, repetimos, o Poder Maçon e o Brasil se confundiam. Na Regência e no Movimento Pela Maioridade, a posição e a presença definidora de Feijó – pela Maçonaria! – foi básica e conclusiva. Com sólida formação, era um discípulo de Kant e conhecia bem as Atitudes: crítica, céptica e dogmática; sendo um insatisfeito em relação ao Empirismo.

É considerado um dos introdutores do Liberalismo no Brasil. Na política e na Maçonaria foi adversário político do famoso José Bonifácio de Andrada e Silva – o Patriarca da Independência! Esse padre, maçon e político, foi o grande arauto, nas Cortes Portuguesas, da Independência das feitorias do Brasil.


Estátua de Diogo Antonio Feijó, parte integrante do Monumento à Independência, Ipiranga/São Paulo.

“Regência Una de Feijó“

O Senador Feijó foi eleito pela Assembléia Geral, Regente do Império em 1835, após a proclamação do Ato Adicional, que transformava a Regência Trina em Una. Era o tempo da infância do imperador D. Pedro II. Alguém deveria fazer as vezes dele nas responsabilidades públicas. Num dado momento, o consenso se voltou para um padre, simples, autêntico, abnegado, eficiente. Era o Padre Feijó, que acabou ficando na história como o "Regente Feijó". O Regente Feijó se mostrou democrático e de certa forma, federalista, pois criou Assembléias Legislativas Provinciais, para dar maior autonomia às províncias brasileiras, era a descentralização democrática. Governou pouco, de 1935 a 1937. A sua ação é simplesmente admirável. E se desdobra na construção de estradas, no fomento à imigração, no estímulo à organização bancária, e como esteta e amante do belo, para a urbanização da cidade do Rio de Janeiro, então capital do país. Feijó propôs, ainda, a abolição do celibato aos padres, o fim da escravidão, a repressão ao tráfico de escravos, a democracia nas instituições do Estado e a reforma do habeas-corpus



adoentado e hemiplégico, Feijó ainda participou da Revolução Liberal de 1842, comandada por Rafael Tobias de Aguiar. Derrotados o Liberais, Feijó, na cadeira de rodas, permaneceu em Sorocaba, tendo tido uma atenção especial de Duque de Caxias – irmão na Maçonaria! -, que foi o grande vitorioso e acabou com aquele movimento. Feijó faleceu em 1843.


DIOGO ANTONIO FEIJÓ (deitado) - Cripta da Catedral da Sé/São Paulo

REGENTE FEIJÓ: MUNICÍPIO PAULISTA !

Após a Revolução Constitucionalista de 1932, São Paulo retomou o comando de seu destino com a Assembléia Constituinte Paulista de 1934 e com a eleição, em 1935, do EngºArmando de Salles Oliveira para o Governo de São Paulo. Nesse período democrático e de grande desenvolvimento para o Estado de São Paulo, a conquista do oeste, com a expansão da Estrada de Ferro Sorocabana, foi uma realidade e muitos novos municípios foram criados. Especial trabalho foi desenvolvido pelos deputados Dante Delmanto, Antonio Carlos de Abreu Sodré, além de Luiz Piza Sobrinho na condição de Secretário da Agricultura, na emancipação administrativa e instalação do município de Regente Feijó, no ano de 1935. Os partidários do Partido Constitucionalista, na região de Presidente Prudente, desde a Revolução Constitucionalista de 1932, mantinham contínuos encontros partidários com esses três parlamentares. A idéia de se prestigiar o grande brasileiro e líder maçon, Padre Diogo Antonio Feijó, foi se consolidando. Feijó havia sido Vereador, Deputado, Senador e Regente do Império, além de grande líder e dirigente da Maçonaria.



Pertencente ao município de Presidente Prudente, os partidários do Partido Constitucionalista tinham muita influência no Distrito da Memória. E foi feita a transformação desse próspero distrito em município, com alteração de sua denominação para Regente Feijó.

O governador Armando de Salles Oliveira, através do Decreto nº 7.262, de 28/06/1935, cria, na Comarca de Presidente Prudente, o Município de Regente Feijó.

Discurso do Prefeito de Regente Feijó, Sr. Augusto César Pires:
“estaes todos certos de que, há um anno, estamos sustentando a batalha, todos nós, desde quando por inspiração do nosso grande amigo, Dr. Tito Lyvio Brasil, tomamos e formamos a Frente Única de Regente Feijó, para conseguirmos o nosso município.
Depois a Frente Única se transformou no Partido Constitucionalista e que continuou firme pelo mesmo ideal. Nessa lucta contamos com o apoio decidido dos Drs. Deputados Abreu Sodré, Luiz Piza Sobrinho e Dante Delmanto, por fim o grande estadista Dr. Armando de Salles Oliveira que reconheceu a justiça de nossa causa e assignou o Decreto número 7,262, que emancipou Regente Feijó, Indiana e José Theodoro dos nossos irmãos de Presidente Prudente, dando-nos plena autonomia...”
(jornal “Folha da Sorocabana”, de 07/07/1935)