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março 21, 2016

O Senador Moraes Barros e Botucatu no Túnel do Tempo.../ Registro Histórico.

O Senador Moraes Barros e Botucatu no Túnel do Tempo...


“Alguém deve rever, escrever e assinar os autos do passado antes que o tempo passe tudo a raso.”
                                                          Cora Coralina

É com muito orgulho que tenho procurado resgatar e registrar a ligação do Senador Manoel de Moraes Barros com a história de Botucatu. A rua MORAES BARROS, no centro da cidade, mostra a deferência que Botucatu teve com esse respeitável político de Piracicaba. 

Aliás, os nomes de ilustres piracicabanos fazem parte da construção da cidadania em Botucatu, entre tantos, cabe o registro de Dona Isabel de Arruda (benemérita da Misericórdia Botucatuense), do Conde de Serra Negra (o maior produtor de café do Brasil na Monarquia e no Império, tinha fazendas em Botucatu, além da Fazenda Lageado, de seu irmão, Dr. João Batista da Rocha Conceição) e mais recentemente, Alceu Maynard de Araújo, que se orgulhava de se considerar um “botucudo” mesmo tendo nascido em Piracicaba. Veio ainda criança para Botucatu e aqui estruturou sua vida formando-se na Escola Normal e depois ganhando o mundo como intelectual de destaque que abriu as portas da APL – Academia Paulista de Letras aos botucatuenses.

SENADOR MORAES BARROS

"Nascido em Itu (SP), em 1º de maio de 1836, e falecido no Rio de Janeiro, em 20 de dezembro de 1902, Manoel de Moraes Barros, irmão de Prudente de Moraes, foi advogado e político.

Bacharelado em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1857, foi logo nomeado promotor público da Constituição (que era o nome, na época, de Piracicaba; a cidadevoltaria a ser Piracicaba em 1877, por iniciativa de Prudente), onde fixou residência. Foi, também, nessa cidade, juiz municipal e de órfãos, de 1862 a 1864, quando, com a ascenção do Gabinete de Zacharias de Goes, foi demitido.

Iniciou sua carreira política em 1870, no Partido Liberal, sendo um dos primeiros a aplaudir o manifesto republicano de 3 de dezembro de 1870, enviando ao jornal A República, junto com Bento Barreto do Amaral Gurgel, Benício Dutra, Jaime Pinto de Almeida e outros, uma amnifestação de aplauso, que era uma verdadeira profissão de fé republicana. Em 1873, participou da Conveção de Itu (realizada a 18 de abril, na residência de Carlos Vasconcelos de Almeida Prado), já que, ao lado de Bento Barreto do Amaral Gurgel, ele era um dos líderes republicanos de Piracicaba; além disso, fez parte dos vários congressos republicanos, sempre como delegado, ou representante dos clubes republicanos locais, como acontecera a reunião de Itu.

Nessa ocasião já era maçom e pertencia ao quadro da Loja "Beneficência Iutana", de Itu (SP), fundada em 29 de abril de 1873; também foi fundador da Loja "Piracicaba", em 1875, juntamente com seu irmão Prudente de Moraes e outros trinta e três maçons; esta loja foi uma das onze da Província de São Paulo a fazer parte do Grande Oriente Unido, de Saldanha Marinho.

Em 1884, Manoel foi eleito deputado provincial para o biênio 84/85; depois, foi vereador à Câmara Municipal de Piracicaba, sendo, no seu primeiro ano de mandato (1888), presidente da casa.
Ao ser proclamada a República, foi, no dia 16 de novembro, nomeado delegado de polícia da cidade. Foi deputado à Constituinte nacional e relator do orçamento da Justiça, na Câmara dos Deputados, em 1891 e 1892; de 1892 a 1893 foi membro da comissão de orçamento e seu presidente.

Reeleito, em 1893, deputado federal, foi presidente da primeira câmara legislativa da União, após a Constituinte. Senador, em 1895, na vaga deixada por seu irmão Prudente de Moraes, ao assumir a 
presidência da República, ele ocupou o cargo até falecer, em 1902.

(Extraído do livro "A Maçonaria e o movimento republicano brasileiro", de José Castellani - Editora"

COMBATENDO O CAPITÃO TITO

“O Senador Manoel de Moraes Barros está ligado à história de Botucatu, mesmo tendo sido, junto com seu irmão, chefe político em Piracicaba. Hernâni Donato ao focalizar em seu “Achegas”, com a costumeira precisão, o período de nossa cidade dominado pelo Capitão Tito Correia de Melo, genro do benfeitor José Gomes Pinheiro, nos relata: ”Começa a era Tito Correia de Melo. Por volta de 1847 fixou-se na vila um jovem mineiro que residira em São Paulo, Rio Claro, Itu e Itapetininga onde tomou por esposa uma filha de José Gomes Pinheiro, razão da sua vinda para as terras que o sogro possuía. Todo o resto do século e os primeiros anos da centúria seguinte ressoarão com os ecos da atividade do Capitão Tito. A esse dilatado período chamou-se “era Capitão Tito”.




Pois bem, o Capitão Tito Correia de Melo e o Advogado Manoel de Moraes Barros representavam, respectivamente, Botucatu e Piracicaba, como Deputados, na Assembléia Provincial do Império. Ainda no “Achegas” do Hernâni Donato, encontramos um perfil da “era Capitão Tito”:
“Liderou com mão de ferro a política do 5º distrito, elegendo-se deputado algumas vezes, impondo vontade absoluta por todos os meios em uso na política...”

Na época, Botucatu ficara famosa pelos “métodos” do Capitão Tito. Continua o relato de Hernâni: “No “A Província de São Paulo” (“O Estado de S. Paulo”) nomes fulgurantes da política e do jornalismo como Rangel Pestana, Ezequiel Freire fulminavam o procedimento do deputado por Botucatu, apontado megalomaníaco qual Napoleão e outros “tiranos”, além de Luiz XIV que seria o exemplo mirado pelo denunciado. Ezequiel Freire assinou, no dia 18 de fevereiro, longo artigo intitulado ”De Omnibus Rebus – Piadas Parlamentares”. A certa altura, resumindo o discurso de Moraes Barros, elenca: “Lamentou s.ex. a impunidade em que até hoje tem vivido os autores dos atentados praticados pela horda contra o juiz de direito Ernesto Xavier, contra o juiz municipal Marcelino de Carvalho, contra o Dr. Barros Barreto, contra o Dr. Rocha, assassinado; contra muitos outros.

Declarou que Botucatu, por causa desses mandões, nem tem garantida a justiça, nem tem crédito rural, nem cousa nenhuma;
- que não há caixeiros que vão lá proceder cobranças, porque seriam logo colocados na alternativa de fugir ou morrer;
- que o Banco de Crédito Rural não empresta dinheiro a fazendeiros de Botucatu porque lá não existe justiça, mas arbítrio e garrucha;
- que não há advogados que aceitem o patrocínio de causas naquele fôro, de medo de serem expulsos ou assassinados, etc. etc.
Terminou o Sr, Moraes Barros denunciando a tentativa de assassinato de que foi vítima no dia 27 do corrente o atual promotor dr. Christiano Ritt, e requereu informações ao Governo.”

Após 1884, aumentou o cerco às “atividades” do Capitão Tito. O assassinato de Quinzote, em dia de eleição, foi o fato que celou o futuro do Capitão Tito. O historiador botucatuense, dr. Sebastião de Almeida Pinto, em seu livro “No Velho Botucatu” (editado no Centenário de Botucatu, em 1955), nos relata: “O velho deputado provincial, tão combatido e discutido, merece um estudo especial, que até hoje não foi feito. As opiniões a seu respeito, são as mais diversas e controvertidas (...) Para uns, Tito era um bom homem, um grande chefe. Para outros, era truculento, vingativo e perigoso...” E sobre o assassinato do Quinzote, Tião de Almeida Pinto, descrevia: “...mandou uns cabras de confiança, chefiando capangas, dar um susto nos eleitores. Espantando-os. Coisinhas de nada. Umas porretadas, umas cachuletas e, no máximo, uns tiros para o ar. Entretando, as coisas não correram tão simples assim.

O Quinzote que não era de matar com a unha, reagiu na altura. E não se intimidou com a turma. Deram uns tiros para o ar. E Quinzote continuou a avançar, seguido pelos eleitores. Nessa hora, Firmino Toreador, capanga do Capitão Tito, enraivecido, exorbitou. E fez a barbaridade. Meteu um balaço no Joaquim de Freitas. Matou o Quinzote, que era primo de Carlino de Oliveira e do Chico Padeiro. Ao que parece, Firmino e Quinzote eram velhos desafetos.

Houve pânico. Os eleitores debandaram. Tito ganhou a eleição. Mas não adiantou. Parece que o sangue de Quinzote trouxe azar tremendo. O velho chefe, desde a morte do rapaz, entrou numa decadência sem fim. E acabou, como dizem, obscuramente. Num ostracismo completo. Velho. Cego. Desprestigiado. Derrocado em toda a linha. E tinha sido um grande lutador. Coisas do Mundo.”

O então prestigiado jornal “O CORREIO PAULISTANO”, de 20/12/1952, em matéria comemorativa do cinquentenário de falecimento do Senador Manoel de Moraes Barros, destacava:
“Dois episódios servem para definir a personalidade do senador Moraes Barros: como republicano à Assembléia da Província, moveu da tribuna uma campanha sem tréguas contra o mandonismo do seu colega Tito Correa de Melo, chefe político de Botucatu, obrigando o mandachuva a renunciar o mandato...” 



(do livro "Memórias de Botucatu", de 1990, de Armando Moraes Delmanto).

É Registro Histórico!


NO TÚNEL DO TEMPO FAMILIAR



Sou descendente, pelo lado materno, de tradicionais troncos paulistas da família Moraes Barros. Sendo meu ascendente o Senador Manoel de Moraes Barros, irmão de Prudente José de Moraes Barros – 1º presidente civil do Brasil, ambos maçons e republicanos, sendo o Senador Manoel de Moraes Barros avô de meu avô materno, Manoel de Camargo Moraes.

Na minha infância ia todo ano de férias para São Pedro e Piracicaba. Quando ia com meu avô “Caturra” (Manoel  de Camargo Moraes), apelidado por meu pai porque era muito teimoso... Piracicaba era então uma grande cidade e muito calma ainda... Tinha o bonde, a Esalq, e o maravilhoso Mirante, com seu restaurante servindo o “pintado no espeto”, pescado ali no rio...

A penúltima vez que estive em Piracicaba, junto com os professores Francisco Carlos Sodero e Jair de Moraes Neves, de origem piracicabana, em 1968, almoçamos no Restaurante Mirante. Inesquecível.

Em 2006, portanto mais de 35 anos após a última visita, lá estava eu de novo... Com a Beth e o Marcelo fomos em busca de registros familiares. Almoçamos no Mirante e comemos o “pintado na brasa”, só que os peixes, nessa época, vinham do Mato Grosso, a poluição do Rio Piracicaba já era uma realidade. E tivemos sorte. Pouco tempo depois foi fechado o famoso restaurante do Mirante. Depois de um tempo, consta que foi reaberto.

Pois bem, além do almoço, fizemos a nossa peregrinação: fomos ao “MUSEU HISTÓRICO E PEDAGÓGICO PRUDENTE DE MORAES”, localizado na antiga residência do Primeiro Presidente Civil do Brasil, com rico acervo museugráfico e museológico contemplando a vida pública do ilustre homenageado, além da História de Piracicaba. Na ocasião, obtive da coordenadora, a informação preciosa de que familiares dos Moraes Barros vieram, no início da colonização, da cidade de Braga/Portugal.

Após visita ao Museu, em 2006, fomos ao Cemitério visitar o túmulo de meus avós (Manoel de Camargo Moraes e Isaura Telles de Moraes) e conhecer os túmulos de Prudente e Manoel de Moraes Barros. É imponente, verdadeiro mausoléu a perpetuar a história desses ilustres brasileiros!


Restaurante Mirante - Piracicaba/2006
Marcelo, Beth e Armando.

Mirante rio Piracicaba

Museu Histórico e Pedagógico PRUDENTE DE MORAES.
Repara na minha testa e na do busto...

Mausoléu de Manoel de Moraes Barros

Mausoléu de Manoel de Moraes Barros /Marcelo

Mausoléu de Manoel de Moraes Barros/Armando.


Mausoléu de Prudente de Moraes/Marcelo




fevereiro 14, 2016

125 Anos da 1ª Constituição Republicana do Brasil !!!

"Alguém deve rever, escrever e assinar os autos do passado antes que o tempo passe tudo a raso."

                           Cora Coralina.


Não dá para dar errado. Vejam só: 
Proclamada a República (1889), tendo o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca como Presidente Provisório, Rui Barbosa foi convidado para compor o governo como Sub-Chefe do Governo Ministro da Fazenda (respondendo pelo Ministério da Justiça) eEncarregado de elaborar um Projeto de Constituiçãopara ser submetido ao Congresso Nacional Constituinte, que teria como Presidente, o Senador Prudente de Moraes. Para o Congresso Constituinte, Rui elegeu-se Senador pela Bahia.

Estamos comemorando os 125 Anos da Promulgação da 1ª CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL, de 1891 !!!

Constituição de 1891/leia aqui

Para ser mais exato, aos 24 dias do mês de fevereiro de 1891, era promulgada a constituição, era a CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL, elaborada pelo Ministro Rui Barbosa e, discutida e aprovada pelo Congresso, foi promulgada peloPresidente do Congresso Constituinte, o Senador Prudente de Moraes

A obra de Rui preconizava o Governo da Lei. A impessoalidade da Lei acima dos homens. Essa foi a linha mestra da construção de Rui: o seu projeto é o de uma República organizada pela Lei e da Lei interpretada pelos Tribunais.


Inspirada na constituição liberal dos Estados Unidos e filosoficamente baseada no Positivismo, a Constituição de 1891 efetivou a descentralização dos poderes como sua característica maior: Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Deu grande autonomia aos municípios e aos estados (antigas províncias).

O modelo FEDERALISTA dos americanos adotado pela constituição brasileira permitiu que os Estados Federadosse organizassem de acordo com suas tradições e interesses regionais, desde que não fossem contra o espírito da nova constituição. O Estado do Rio Grande do Sul é exemplo dessa liberalidade constitucional: a sua Constituição Estadual permitia a reeleição do Presidente do Estado(denominação que, hoje, é de Governador do Estado).

A Constituição Norte-Americana é de 1787 e permanece, com as emendas que teve, até hoje. A primeira constituição republicana do Brasil, de 1891, permaneceu até a Revolução de 1930. Com Getúlio Vargas, a Constituição de 1891 foi revogada. Era o desmonte da construção da Democracia: acabava com o Federalismo e a favor do centralismo autoritário, fascista e anti-nacional. A falta de visão dos políticos da Ditadura chegou ao extremo de queimar, em praça pública, as Bandeiras dos Estados Federados.

Foi um retrocesso na construção da Democracia. Fora o período de 1934/1937 – resultado da Revolução Constitucionalista de 1932 - , quando a democracia foi plena, já no final de 1937 era dado o Golpe de Estado e implantada a Ditadura do Estado Novo (novo?!?). A partir de 1937, vigorou um regime de exceção que sufocou a Nação Brasileira até 1945.

De 1946 até os nossos dias, sempre vigorou o Regime Presidencialista (em 1964, implantou-se artificialmente o Parlamentarismo que, boicotado pelo próprio Governo, caiu através de um Plebiscito) deixando super poderes ao ocupante do cargo de Presidente da República. Quando elaborou o projeto da Constituição Liberal de 1891, a maior preocupação de Rui Barbosa era esse excesso de poderes nas mãos nem sempre preparadas para gerir o país. Destacava Rui:

“...o grande mal da República, o seu mal inevitável. O mal gravíssimo e inevitável das instituições republicanas consiste em deixar exposto à ilimitada concorrência das ambições menos dignas o primeiro lugar do Estado e, desta sorte, o condenar a ser ocupado, em regra, pela mediocridade”.

Hoje, ao comemorarmos os 125 Anos da Constituição Brasileira de 1891, é preciso que se destaque e que se lamente – com patriotismo e vigor cívico! – a qualidade excepcional dos homens que governavam o Brasil, em 1891, e a precariedade da nossa realidade institucional e constitucional e o nível de nossos políticos em 2011.

Basta que se diga que desde a promulgação da Constituição Brasileira de 1988, o Brasil prossegue sem a necessária regulamentação dessa mesma Constituição e sem as principais reformas (a política, a da previdência, a tributária, etc.). 

Assim, só através da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte é que conseguiremos – com a mobilização da sociedade civil! – realizar as reformas necessárias para que o Brasil tenha condições de implantar a justiça social e um desenvolvimento sustentável para ser um estado dinâmico e moderno! Fazendo com que o populismo barato e pegajoso não seja campo fértil para os oportunistas e corruptos.


Mas voltemos às comemorações. Prudente de Moraes foi eleito o 1º Presidente Civil do Brasil, em 1894! Trabalhou com homens públicos de reconhecida competência. Passou à história. Hoje, a casa em que morou, em Piracicaba/SP, é o Museu Prudente de Moraes. Sua memória também está presente no Museu Republicano de Itu

Museu Prudente de Moraes/leia aqui

No Rio de Janeiro, a Fundação Casa de Rui Barbosa, preserva a memória e os trabalhos cívicos daquele baiano exemplar. Tanto Prudente quanto Rui foram formados pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP)... 

pena de ouro com que assinou a Constituição de 1891 deixou como herança cívica ao seu sobrinho e político Senador Paulo de Moraes Barros:

Casa de Rui Barbosa/leia aqui


“Ao meu sobrinho e devotado amigo Paulo de Moraes Barros, a quem devo minha gratidão, deixo, como lembrança, a penna de ouro com que assignei a Constituição da Republica, a 24 de Fevereiro de 1891. Prudente de Moraes”.É Registro Histórico!

novembro 15, 2014

15 de Novembro - Proclamação da República!

1ª. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA!

"Alguém deve rever, escrever e assinar os autos do passado antes que o tempo passe tudo a raso." 
                                            Cora Coralina.

No dia em que se comemora a PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA , nada mais oportuno do que darmos destaque à nossa PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO REPUBLICANA!


Não dá para dar errado. Vejam só:
Proclamada a República (1889), tendo o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca como Presidente Provisório, Rui Barbosa foi convidado para compor o governo como Sub-Chefe do Governo Ministro da Fazenda (respondendo pelo Ministério da Justiça) e Encarregado de elaborar um Projeto de Constituiçãopara ser submetido ao Congresso Nacional Constituinte, que teria como Presidente, o Senador Prudente de Moraes. Para o Congresso Constituinte, Rui elegeu-se Senador pela Bahia.

Estamos comemorando a Promulgação da 1ª CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL, de 1891 !!!

Constituição de 1891/leia aqui

Para ser mais exato, aos 24 dias do mês de fevereiro de 1891, era promulgada a constituição, era a CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL, elaborada pelo Ministro Rui Barbosa e, discutida e aprovada pelo Congresso, foi promulgada pelo Presidente do Congresso Constituinte, o Senador Prudente de Moraes.

A obra de Rui preconizava o Governo da Lei. A impessoalidade da Lei acima dos homens. Essa foi a linha mestra da construção de Rui: o seu projeto é o de uma República organizada pela Lei e da Lei interpretada pelos Tribunais.

Inspirada na constituição liberal dos Estados Unidos e filosoficamente baseada no Positivismo, a Constituição de 1891 efetivou a descentralização dos poderes como sua característica maior: Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Deu grande autonomia aos municípios e aos estados (antigas províncias).

O modelo FEDERALISTA dos americanos adotado pela constituição brasileira permitiu que os Estados Federados se organizassem de acordo com suas tradições e interesses regionais, desde que não fossem contra o espírito da nova constituição. O Estado do Rio Grande do Sul é exemplo dessa liberalidade constitucional: a sua Constituição Estadual permitia a reeleição do Presidente do Estado(denominação que, hoje, é de Governador do Estado).

A Constituição Norte-Americana é de 1787 e permanece, com as emendas que teve, até hoje. A primeira constituição republicana do Brasil, de 1891, permaneceu até a Revolução de 1930. Com Getúlio Vargas, a Constituição de 1891 foi revogada. Era o desmonte da construção da Democracia: acabava com o Federalismo e a favor do centralismo autoritário, fascista e anti-nacional. A falta de visão dos políticos da Ditadura chegou ao extremo de queimar, em praça pública, as Bandeiras dos Estados Federados.

Foi um retrocesso na construção da Democracia. Fora o período de 1934/1937 – resultado da Revolução Constitucionalista de 1932 - , quando a democracia foi plena, já no final de 1937 era dado o Golpe de Estado e implantada a Ditadura do Estado Novo (novo?!?). A partir de 1937, vigorou um regime de exceção que sufocou a Nação Brasileira até 1945.

De 1946 até os nossos dias, sempre vigorou o Regime Presidencialista (em 1964, implantou-se artificialmente o Parlamentarismo que, boicotado pelo próprio Governo, caiu através de um Plebiscito) deixando super poderes ao ocupante do cargo de Presidente da República. Quando elaborou o projeto da Constituição Liberal de 1891, a maior preocupação de Rui Barbosa era esse excesso de poderes nas mãos nem sempre preparadas para gerir o país. Destacava Rui:

“...o grande mal da República, o seu mal inevitável. O mal gravíssimo e inevitável das instituições republicanas consiste em deixar exposto à ilimitada concorrência das ambições menos dignas o primeiro lugar do Estado e, desta sorte, o condenar a ser ocupado, em regra, pela mediocridade”.


Hoje, ao comemorarmos a Constituição Brasileira de 1891, é preciso que se destaque e que se lamente – com patriotismo e vigor cívico! – a qualidade excepcional dos homens que governavam o Brasil, em 1891, e a precariedade da nossa realidade institucional e constitucional e o nível atual de nossos políticos.

Basta que se diga que desde a promulgação da Constituição Brasileira de 1988, o Brasil prossegue sem a necessária regulamentação dessa mesma Constituição e sem as principais reformas (a política, a da previdência, a tributária, etc.). 

Assim, só através da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte é que conseguiremos – com a mobilização da sociedade civil! – realizar as reformas necessárias para que o Brasil tenha condições de implantar a justiça social e um desenvolvimento sustentável para ser um estado dinâmico e moderno! Fazendo com que o populismo barato e pegajoso não seja campo fértil para os oportunistas e corruptos.

Afastando de vez a farsa dessa Reforma Política que a figura folclórica do ex-presidente do Senado FederalJosé Sarney, estava “montando” para o Governo Federal... A tão esperada Reforma Política corre um sério risco de ser transformada na “reforma política do PT” - com vida curta e credibilidade zero! - sob os auspícios daquele fiel “companheiro” que acompanhou Lula até São Bernardo!!!

É um contraste acachapante! Depois da lembrança de Prudente de Moraes Rui Barbosa ter que falar do homem do bigode (o senador maranhense, José Sarney, que se elegeu pelo Amapá para “dar um jeitinho” de continuar no Poder...) que ganhou a presidência (com o falecimento de Tancredo Neves), decretou a moratória e prejudicou o país (a comunidade internacional “fechou” as portas para o Brasil por um bom tempo) levando a inflação mensal a 80% ao mês !!!

Mas voltemos às comemorações. Prudente de Moraes foi eleito o 1º Presidente Civil do Brasil, em 1894!



 Trabalhou com homens públicos de reconhecida competência. Passou à história. Hoje, a casa em que morou, em Piracicaba/SP, é o Museu Prudente de Moraes. Sua memória também está presente no Museu Republicano de Itu

Museu Prudente de Moraes/leia aqui

No Rio de Janeiro, a Fundação Casa de Rui Barbosa, preserva a memória e os trabalhos cívicos daquele baiano exemplar. Tanto Prudente quanto Rui são formados pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP)... 

pena de ouro com que assinou a Constituição de 1891 deixou como herança cívica ao seu sobrinho e político Senador Paulo de Moraes Barros:

Casa de Rui Barbosa/leia aqui


“Ao meu sobrinho e devotado amigo Paulo de Moraes Barros, a quem devo minha gratidão, deixo, como lembrança, a penna de ouro com que assignei a Constituição da Republica, a 24 de Fevereiro de 1891. Prudente de Moraes”.

É Registro Histórico!

outubro 11, 2013

Os Delmantos, a Folha Dobrada & as ARCADAS...


Os Delmantos, 

a Folha Dobrada & as ARCADAS...


Foi extremamente honroso para mim a inclusão de meu nome na matéria sobre os membros da Família Delmanto que passaram pelas ARCADAS DA SÃO FRANCISCO. O texto é de responsabilidade do decano dos advogados da família formados naquela tradicional e sempre nova Academia, o meu primo Roberto Delmanto, advogado criminalista que mantém a tradição do escritório “DELMANTO ADVOCACIA CRIMINAL”, inaugurado em 1937, por seu pai, DANTE DELMANTO, considerado o “príncipe dos advogados criminalistas”.
Dante Delmanto/Registro Histórico/ leia aqui
A matéria saiu na revista “FOLHA DOBRADA”, nº 48, da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). O destaque foi dado a DANTE DELMANTO, que se formou em 1929, com especialização no Tribunal de Haia/Holanda. Durante o seu curso, Dante trabalhou no escritório de MARREY JUNIOR que tinha o melhor escritório de Direito Criminal na época e era considerado o melhor criminalista do Brasil. O CÓDIGO PENAL COMENTADO (Saraiva), de autoria de Celso Delmanto, Roberto Delmanto, Roberto Delmanto Júnior e Fábio de Almeida Delmanto, é considerado, em suas sucessivas edições, o preferido por profissionais e por acadêmicos de direito.

Meu tio Dante foi o grande incentivador para que eu desse prioridade ao curso de direito, eis que fazia também o curso de sociologia e política. Fiz carreira, como advogado, no campo empresarial do setor público, com destaque na primeira privatização positiva do governo paulista, na gestão do governador Paulo Egydio Martins: a FRUTESP – indústria de suco de laranja – que foi privatizada, via Assembléia Legislativa, para a Cooperativa dos Produtores de Laranja (Coopercitrus) da região de Bebedouro/SP. Da mesma forma, a minha participação na elaboração do formato legal que possibilitou a unificação das empresas de energia de São Paulo (CESP, ELETROPAULO, CPFL E COMGÁS), no governo de Franco Montoro, quando foi criada a ENERGIA DE SÃO PAULO, sob a presidência unificada do prof. José Goldemberg.

Na produção jurídico-literária, coordenei a edição da “CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas” – Coleção de Leis Rideel, de 1996/97/98 e, em 1981, com o livro “CONSTITUINTE – O que todo Brasileiro deve saber sobre a Assembléia Nacional Constituinte”, Edições Populares, que foi o precursor da Assembléia Nacional Constituinte de 1988.

Abaixo, transcrevo a matéria publicada na FOLHA DOBRADA e, complemento a minha ligação com a tradicional Faculdade do Largo de São Francisco, destacando, com muita honra, que meu tataravô materno, SENADOR MANOEL DE MORAES BARROS, formou-se em 1857, pela Faculdade de Direito  e seu irmão – o primeiro presidente civil do Brasil – PRUDENTE JOSÉ DE MORAES BARROS, formou-se na turma de 1863, dessa Academia, tendo presidido a 1ª Constituinte da República.
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E, de meu arquivo pessoal, o registro dos irmãos Moraes Barros, sendo o senador Manoel de Moraes Barros avô do meu avô Manoel de Camargo Moraes. É REGISTRO HISTÓRICO.

errata: onde se lê bisavô, leia-se avô e onde se lê bisavós, leia-se avós.
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A 1ª Constituição da República
Constituinte: 30 Anos depois...
Mensagem a Garcia ou Se Vira nos 30 !
Verdão: Tri-Campeão Paulista!