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fevereiro 19, 2012

Darcy Ribeiro e O Povo Brasileiro!



“...ficam vocês encarregados de fazer esse país dar certo! Façam, mas sem copiar ninguém. Usem as potencialidades do nosso povo, que são imensas! Somos uma civilização tropical, mestiça, mas sobretudo humana”.
                                                                Darcy Ribeiro

No dia 17 de fevereiro completou 15 Anos sem o EDUCADOR/REALIZADOR – DARCY RIBEIRO! – e o Brasil sente a sua falta, e “O POVO BRASILEIRO” ao qual ele dedicou todo o seu entusiasmo e experiência, representa sua última obra, na qual procurou dar a sua visão do povo brasileiro, destinado a ser a grande civilização mestiça e tropical a encantar e ter papel decisivo no concerto das Nações!

DARCY RIBEIRO IDEALIZADOR DO SAMBÓDROMO!

Nada mais apropriado que durante o Carnaval se complete os 15 Anos e que se comemore – na grande festa popular! – a memória do grande brasileiro, educador e realizador na cultura e no campo educacional. Não carece de reforços em sua biografia. Apenas queremos destacar a sua efetiva participação na educação brasileira e da América Latina, onde se destacou como um “REALIZADOR” de obras concretas!

Nascido em Montes Claros, nas Minas Gerais (26/10/1922), Darcy tentou durante 3 anos ingressar na Faculdade de Medicina. Conseguiu. Mas já estava entusiasmado pela área de humanas, vindo a estudar e se formar pela ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO(1946). Em seguida, contratado pelo Marechal Rondon, passou a estudar a cultura indígena. Ficou tão entusiasmado que ficou até 1956 com os índios no Pantanal. Criou o MUSEU DO ÍNDIO e formulou o projeto de criação do PARQUE INDÍGENA DO XINGU, onde viria a realizar um inestimável trabalho junto com os Irmãos Villas Boas.

Nessa época, passa a colaborar com o grande educador Anísio Teixeira, no Ministério da Educação, quando Juscelino Kubischetck os convida para criarem a Universidade de Brasília- UNB, com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. No Governo Jânio Quadros é mantido à frente do Projeto Indígena do Xingu e no governo de João Goulart é sucessivamente, Ministro da Educação, Ministro Chefe da Casa Civil, tendo tido a oportunidade de concretizar seu projeto de criação da UNB e de ser seu 1º Reitor (1962/63).

Com o Regime Militar vai para o exílio e vive em vários países. Primeiramente no Uruguai, onde assume cargo na Universidade. Darcy sempre destacou que nesse aspecto, o exílio lhe fora leve, pois sempre era convidado, nos diversos países, para fazer parte das suas universidades. Dizia que o brasileiro quando sai do país, exilado, é que tem a grande oportunidade de ver e valorizar a sua Pátria.

Trabalhou com o General Alvarado, no Peru (nacionalista e que tinha uma visão adequada para o destino da América Latina) e com o presidente Allende , do Chile.

No exterior teve participação efetiva na criação da Universidade Peruana, a pedido do General Alvarado (1974) e, no México, a pedido do presidente Echeverria, implantou (1974) a UNIVERSIDADE DO TERCEIRO MUNDO, com o prestigiado Centro de Estudos do Terceiro Mundo. Em 1979, é agraciado em Paris, com o título de DOUTOR HONORIS CAUSA pela SORBONNE. Em 1980, integrou o 4º Tribunal Russel, em Haia/Holanda, para julgar os crimes contra as populações indígenas.

Voltando do exílio em 1976, é eleito vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, quando Leonel Brizola se elege governador (1982). Acumula a Secretária da Cultura e idealiza com o arquiteto Oscar Niemeyer os famosos CIEPs - Centros Integrados de Ensino Público (CIEP), um projeto pedagógico visionário e revolucionário no Brasil de assistência em tempo integral a crianças, incluindo atividades recreativas e culturais para além do ensino formal - dando concretude aos projetos idealizados décadas antes por Anísio Teixeira!

Idealizou juntamente com Brizola e Niemeyer o SAMBÓDROMO e, como sua última REALIZAÇÃO como educador, idealizou e implantou a UNIVERSIDADE DO TERCEIRO MILÊNIO (Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos), voltada à área tecnológica, de modo especial dedicada ao setor petrolífero.

MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA

A convite do Governo de São Paulo (Governador Orestes Quércia/Secretário da Cultura, Fernando Morais), Darcy Ribeiro idealizou e o arquiteto Oscar Niemeyer projetou a majestosa obra do MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA, com auditório, biblioteca, salas de reunião, centro de convenção e salão para exposições e eventos.

Em 1992 é eleito para a ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS e volta a se eleger Senador quando Brizola se elege novamente governador em 1994. Em seus últimos anos, idealiza a UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL, com cursos de educação à distância; e idealiza a ESCOLA NORMAL SUPERIOR, para formação de professores do 1º grau.

Esse foi o Homem. Esse foi o Educador. Esse foi DARCY RIBEIRO!

Educação: Choque de Gestão!/ leia aqui

outubro 31, 2011

A Bandeira Queimada e a Democracia de Farda


A notícia correu o Brasil. Estudantes da USP revoltados com a ação da PM contra três colegas que fumavam maconha no campus, depredaram carros da polícia, invadiram prédio e colocaram fogo nas Bandeiras do Brasil e de São Paulo. O prédio invadido é o da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e está ocupado desde então. A mobilização foi dos estudantes ligados ao DCE com a ajuda do Sindicato dos Funcionários da USP.

Essa história está muito mal contada. O campus da USP, na Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira”, é hoje uma cidade com mais de 100 mil habitantes. A violência tem sido uma constante na USP: assaltos , estupros e até assassinato transformaram a vida na Cidade Universitária um verdadeiro terror. Era e é importante a presença da PM para dar segurança aos estudantes e a todos que circulam por ela. O mais estranho foi que uma das maiores faixas dizia:
“FORA PM DOS MORROS E DA USP”
Êpa! Aí tem coisa... FORA DOS MORROS?!? Que morros, ô cara pálida?!? Essa palavra de ordem mostrou a origem do movimento...


Estudantes colocam faixa de protesto (Foto: Evelson de Freitas/Agência Estado)

DEMOCRACIA DE FARDA NA USP

Uma das mais perfeitas definições para a ação policial contra baderneiros em um Estado Democrático é o uso da DEMOCRACIA DE UNIFORME! Exatamente, a DEMOCRACIA DE FARDA é que garante a liberdade de ir e vir e que protege as instituições governamentais, os serviços públicos e a população das ações daqueles que, bradando por liberdade, procuram ferir o Estado de Direito. A “PM, num regime democrático, é uma das manifestações da democracia de farda”, segundo o jornalista e blogueiro Reinaldo Azevedo.

E é a afirmação do Reinaldo Azevedo que ilustra bem a atual realidade da USP:
“O TRÁFICO NA USP É UMA ATIVIDADE MUITO RENTÁVEL. A PM no campus está atrapalhando os negócios. Acontece na universidade o que se dá no Morro do Alemão, no Rio. O narcotráfico está reagindo à presença da lei e estimula confrontos entre a polícia (naquele caso, Exército) e a população para que possam exercer o seu comércio sem ser molestados por ninguém. Como a universidade é uma espécie de “território livre”, o tráfico ali não servia apenas a consumidores locais; era um ponto de distribuição da mercadoria.”

BANDEIRAS DO BRASIL E PAULISTA SÃO QUEIMADAS


Bandeira queimada em frente a prédio ocupado pelos estudantes (Foto: Letícia Macedo/G1)

É o fim do fim do mundo. Queimar o símbolo nacional?!? Isso só ocorreu uma vez, em 1937, quando o Ditador Getúlio Vargas, após implantar o chamado ESTADO NOVO queimou, em praça pública, as Bandeiras de TODOS os Estados Brasileiros. Era o centralismo político, o fascismo caboclo que tentava destruir o civismo da Nação Brasileira. Agora, vem uns privilegiados, sim, porque estão estudando DE GRAÇA na MELHOR UNIVERSIDADE DO PAÍS queimar o símbolo nacional!

É o caso de reproduzirmos as palavras pesadas de Pedro Marangoni sobre esse triste episódio:
“Esqueçam os convênios de segurança, as rondas da Polícia Militar dentro do campus da Universidade de São Paulo. Chamem as mães e as liberem para dar umas palmadas nas róseas bundinhas dos idiotas imberbes que se julgam adultos diferenciados e com poder. Poder de quê? De comprar maconha com a mesada dos país?
Ontem entraram em crise histérica novamente, chilique coletivo porque a PM prendeu três estudantes encontrados com maconha dentro de um veículo. Por conta desta ação legítima dos representantes do Estado, o mesmo que paga o ensino aos estudantes, enfrentaram os policiais tentando impedir a prisão, apedrejaram e danificaram patrimônio público, feriram pessoas. Depois invadiram um prédio e lá estão, se sentindo heróis da resistência enquanto apenas estão repetindo o infantil ato de melindrar-se quando não ganham guloseimas e se trancam num quarto...”


O Reitor... Ah!...esse Reitor....


Aí é que pega a engrenagem...As Instituições, no regime democrático, precisam estar acima de qualquer suspeita. E, no caso da USP, a coisa está feia. Desde o Regime Militar que a USP não passava por tamanho constrangimento. Naquela época, o Reitor Gama e Silva, usou a Faculdade de Direito e a USP para fazer política e chegar ao Ministério da Justiça, onde realizou a maior perseguição seguida da cassação de mais de três dezenas de Docentes da USP (Fernando Henrique Cardoso, Florestan Fernandes, Paulo Duarte e outros tantos brilhantes professores, MAS desafetos de Gama e Silva, acusados de comunistas). Pois agora, o Reitor Rodas, veio também da Faculdade de Direito (onde já foi declarado persona no grata), está na Reitoria, guindado a esses dois postos, por influência partidária, assim como Gama e Silva que só foi Diretor, Reitor e Ministro por “influência” do Regime Militar. E outra coincidência: Gama e Silva, depois de deixar o Poder, tentou voltar para a Faculdade de Direito e NÃO FOI ACEITO POR SEUS PARES!!!! Em outras palavras, foi considerado “persona non grata”!

(Diretoria, Corpo Docente, Centro Acadêmico XI de Agôsto decidem, no famoso Páteo das Arcadas do Largo de São Francisco (Fac. Direito/USP) : Reitor Rodas é "persona non grata!")

O REITOR A SERVIÇO DO PSDB

O Reitor nunca negou a sua ligação com o PSDB. A Reitoria da USP está sendo objeto de uma investigação pelo Ministério Público Estadual. É mantido em sigilo o Inquérito Civil 088/2011. Tem por objeto verificar a possível “violação aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, burla ao acesso de cargo mediante concurso público, lesão aos cofres públicos e improbidade administrativa”.
A investigação é levada a efeito pelo Promotor de Justiça Valter Foleto Santin, da Promotoria do Patrimônio Público e Social do MPE. Entre outros atos do Reitor João Grandino Rodas, estariam as nomeações para Procuradores da USP – sem concurso – de um seu assessor político e do filho da ex-reitora, Suely Vilela.

Outra ação política negativa que está repercutindo mal no meio acadêmico paulista é a promessa de Rodas de criar uma FACULDADE DE MEDICINA EM BAURU, cidade do presidente estadual do PSDB, o deputado Pedro Tobias. Mesmo sabendo que tem uma FACULDADE DE MEDICINA ESTADUAL na cidade de Botucatu (a 100 Km de Bauru) e mais duas FACULDADES DE MEDICINA ESTADUAIS nas cidades de Marília e São José do Rio Preto (100 km acima de Bauru). NÃO SE JUSTIFICANDO ESSA ATITUDE POLITIQUEIRA DO REITOR! Quer dizer, com esse Reitor TUDO FICA MAIS DIFÍCIL...

PALAVRA ABALISADA DE UM EX-REITOR da USP


O Governo do Estado tem que preservar a ordem e manter a segurança na USP. Nesse sentido, a importante palavra do ex-Reitor da USP, ex-Secretário da Educação de São Paulo e ex-Ministro da Educação, o prof. José Goldemberg. Em entrevista ao “Estadão”, de 30/10, sob o título de “Hoje, é a PM que garante a segurança da USP”, o conceituado prof . Goldemberg afirma:
“Isso é coisa que vem desde os anos 1970 e começou na Europa. A idéia é que a universidade é um território livre, tem de haver liberdade de pensamento, onde é possível discutir de idéias marxistas a religião. Durante o governo militar, essa rejeição à polícia se tornou muito aguda aqui (na USP)...Muitos reitores tentaram evitar essa presença. E isso foi adiante (após o fim do regime). Eu mesmo, como reitor, tive de impedir a presença da PM. Havia maus tratos contra alunos, até casos de tortura.” E perguntado se essa realidade ainda existe nos dias de hoje, é enfático: “Não, pelo contrário. Hoje, dado o clima de insegurança, é a presença da PM que garante a segurança física dos alunos. À noite, a USP é um lugar muito perigoso. Estavam ocorrendo muitos assaltos, houve até a morte de um aluno. Agora, estão trocando a iluminação para trazer mais segurança.” E perguntado o por quê dessa reação contrária aos policiais, destaca o professor Goldemberg: “Muita gente se aproveita da ausência da polícia para práticas que não tem a ver com discussão política. Droga, pela legislação, é uma atividade criminosa. Há quem queira descriminalizar (a maconha). E essa discussão deve acontecer também na universidade. Mas não se pode reivindicar a saída da PM do campus para poder praticar crimes. Pela legislação, repito, maconha é crime. Uma pessoa drogada perturba as atividades do campus. Não se pode usar a descriminalização como bandeira para retirar a PM daqui. Pode-se discutir.” E conclui: “Não. Nós lutamos muito para haver liberdade de pensamento e ela existe dentro do campus. Misturar as duas coisas não é correto.”