Mostrando postagens com marcador Redes Sociais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Redes Sociais. Mostrar todas as postagens

agosto 07, 2013

É Preciso Pensar!

“As idéias ousadas estão praticamente fora de moda.”
Argumento Lógico. Não é segredo, especialmente nos Estados Unidos, que vivemos numa era pós-Iluminismo na qual racionalidade, ciência, argumento lógico e debate perderam a batalha em muitos setores e, talvez, até na sociedade em geral, para superstição, fé, opinião e ortodoxia. Embora continuemos fazendo avanços tecnológicos gigantescos, podemos estar na primeira geração que girou para trás o relógio da história – que retrocedeu intelectualmente de modos avançados de pensar para os velhos modos das crenças. Mas pós-Iluminismo e pós-idéia, embora relacionados, não são exatamente a mesma coisa.
Pós-Iluminismo refere-se a um estilo de pensar que já não mobiliza as técnicas de pensamento racional. Pós-idéia refere-se ao pensar que não é mais feito, independentemente do estilo.”
(NEAL GABLER/ THE NEW YORK TIMES/ ESTADÃO/ 21/08/2011)
 
 
Desde o início nos propusemos a fazer deste blog um FORUM CULTURAL, onde a intelligentzia brasileira pudesse levantar os seus problemas, realizar os grandes debates, caminhar em busca das informações para convertê-las em alguma coisa maior que meros fatos e transformá-las em idéias que explicassem essas mesmas informações...

No jornal “O Estado de S. Paulo”, de 21/08/2011, o artigo “A enxurrada de enganosas grandes idéias”, de Neal Gabler do “The New York Times”, aborda esse tema controverso, mas indispensável para que não nos tornemos meras figuras repetitivas e vazias no “imenso universo informativo” que chegou via internet.

Explica o autor, que no passado, “buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente conhecê-lo, que é a função primordial das idéias. Grandes idéias explicam o mundo e nos explicam uns aos outros.”

Assim, nesse caminhar da humanidade, vimos que “Karl Marx chamou a atenção para a relação entre os meios de produção e nossos sistemas sociais e políticos. Sigmund Freud nos ensinou a explorar nossas mentes como meio para compreender nossas emoções e comportamentos. Einstein reescreveu a física. Mais recentemente, Marshall McLuhan teorizou sobre a natureza da comunicação moderna e seu efeito na vida moderna. Essas idéias permitiram que nos desprendêssemos de nossa existência e tentássemos responder as grandes e atemorizantes questões de nossas vidas.”

E vejam o alerta que o autor faz de uma indiscutível verdade: “Mas se a informação foi um dia um alimento de idéias, na última década ela se tornou sua concorrente. Estamos como o agricultor que possui trigo demais para fabricar farinha. Somos inundados por tanta informação que não teríamos tempo para processá-la mesmo que quiséssemos, e a maioria de nós não quer.”
E o mundo vai se transformando rapidamente. A realidade midiática, através das redes sociais, principalmente, tem provocado verdadeiras revoluções comportamentais que os mais otimistas não esperavam nem para as próximas gerações. A Revolução da Informação, tem proporcionado as grandes rebeliões da Ásia e da África e a derrubada de Ditaduras cruéis e violentas; mas tem, também, proporcionado a Revolta dos Indignados da Europa que querem uma Democracia mais dinâmica e em consonância com os anseios da sociedade, com mais empregos e uma dinâmica maior no processo produtivo. E, para mais uma grande surpresa, também através das redes sociais, os Vândalos Londrinos chocaram o mundo ao explicitarem que a mobilização rápida e abrangente das pessoas pode ser tanto para o bem como para o malfeito.

Assim, com toda a facilidade que a internet nos trouxe, “preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato. Ele nos mantém “por dentro”, nos mantém conectados com nossos amigos e nossa tribo.” E o autor nos alerta: Não é por acaso, com certeza, que o mundo pós-idéia brotou com o mundo das redes de relacionamento social. Apesar de haver sites e blogs dedicados a idéias, Twitter, Facebook, Myspace, etc., os sites mais populares na web, são basicamente bolsas de informações destinadas a alimentar a fome insaciável de informação, embora essa dificilmente seja do tipo de informação que gera idéias. Ela é, em grande parte, inútil exceto na medida em que faz o possuidor da informação se sentir, bem...informado.
E a nossa realidade na comunicação virtual, via internet, está cada vez mais assumindo um aspecto de padronização negativa. Vamos ao que diz o autor: “...os sites de relacionamento social são a principal forma de comunicação entre jovens, e estão suplantando os meios impressos, que é onde as idéias eram tipicamente gestadas. Depois, os sites de relacionamento social criam hábitos mentais que são inimigos do tipo de discurso deliberado que dá origem a idéias. Em lugar de teorias, hipóteses e argumentos importantes, obtemos tuíters instantâneos de 140 caracteres sobre comer um sanduíche ou assistir um programa de TV.

Assim, a facilidade das redes sociais tendem a “encolher o universo da pessoa a ela mesma e seus amigos, enquanto pensamentos organizados em palavras, seja online seja na página impressa, alargam o foco pessoal”.



Tuitar e pensar ao mesmo tempo, não dá...

“...não se pode pensar e tuitar ao mesmo tempo, não por ser impossível fazer tarefas múltiplas, mas porque tuitar – que é, em grande parte, um jorro, ou de opiniões breves sem sustentação, ou de descrições breves das próprias atividades prosaicas – é uma forma de distração e anti-pensamento.”
E para a nossa sociedade , diria até mais, para a própria humanidade que não pensa grande, os resultados serão pífios para as próximas gerações. Mesmo porque as idéias não são meros brinquedos intelectuais, trazendo – com certeza – conseqüências práticas imprevisíveis.

E o autor conclui seu pensamento com um desafio para que tenhamos idéias ousadas mas, principalmente, que pensemos, pensemos muito!

Nós nos tornamos narcisistas da informação, tão desinteressados por qualquer coisa fora de nós e de nossos círculos de amizade ou por petisco que não possamos partilhar com esses amigos que se um Marx ou um Nietzsche surgisse subitamente trombeteando suas idéias, ninguém lhes daria a menor atenção, certamente não a mídia em geral, que aprendeu a servir ao nosso narcisismo. O que o futuro pressagia é cada vez mais informação. Não haverá nada que não conheçamos. Mas não haverá ninguém pensando nisso. Pense nisso.”

julho 16, 2013

“Redes Sociais
e a Nova Democracia Direta!”

REDES SOCIAIS - NOVA DEMOCRACIA DIRETA!!!
(foto de Rodolfo Preto Jr.)

Os Sindicatos, os Parlamentos, as Associações, enfim, tudo o que diga respeito à representatividade, PRECISA URGENTEMENTE DE MUDANÇAS EFETIVAS! Vamos apoiar os INDIGNADOS BRASILEIROS em seus justos PROTESTOS, em suas MANIFESTAÇÕES A FAVOR DE MUDANÇAS, no entanto, PRECISAMOS ENCONTRAR O NOVO CAMINHO. O Brasil PRECISA que novas formas de representatividade sejam instituídas em substituição ao que está superado, estagnado...

As REDES SOCIAIS estão trazendo TEMPOS REVOLUCIONÁRIOS... O nosso MUNDO transformou-se realmente em uma ALDEIA GLOBAL. É URGENTE que se tenha a adaptação NECESSÁRIA a essa nova realidade. Temos dito que precisa ser convocada a “INTELLIGENTZIA BRASILEIRA”, com seus NÚCLEOS PENSANTES, para que sejam apresentadas, com URGÊNCIA, novas formas e novos modelos de participação popular para a NOVA DEMOCRACIA DIRETA e de limites e adequações a um NOVO CAPITALISMO CIDADÃO.

Um desses pensadores tem sido o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia. Tem pesquisado e procurado entre pensadores (sociólogos e economistas) brasileiros e estrangeiros, novos rumos para essa realidade que a REVOLUÇÃO DA INFORMAÇÃO nos trouxe. A entrevista que concedeu a seu ex-Blog é um começo. Vejam:

“REDES SOCIAIS, DEMOCRACIA REPRESENTATIVA E A NOVA DEMOCRACIA DIRETA!

Ex-Blog entrevista Cesar Maia:

1. Ex-Blog: As redes sociais significam a morte da democracia representativa?
Cesar Maia: Certamente não. Paradoxalmente significam a morte da democracia direta da forma que as organizações de esquerda pensavam e atuavam e ainda acreditam. A democracia direta, para elas, eram plenários de sindicatos, associações de moradores, conselhos deliberativos dentro dos governos, etc. Essa democracia direta, sonhada pela esquerda, está desaparecendo. Agora a dialética entre democracias, representativa e direta, se dará com a nova democracia direta das redes sociais ao lado da democracia representativa. O vetor resultante não será o mesmo.

2. Ex-Blog: Por quê?
CM: As redes sociais são horizontais, empoderam o indivíduo, desierarquizam, não convivem com um plenário onde quase todos ficam no auditório aplaudindo ou vaiando e uma meia dúzia no palco, discursando, decidindo, comandando.

3. Ex-Blog: As ruas mostraram que a mobilização pelas redes sociais é de classe média.
CM: Esse é um olhar de retrovisor. Essa é uma afirmação tautológica. Explico. As redes sociais têm como instrumento e veículo a internet. Seu acesso natural e cotidiano ainda está concentrado na classe média, por seus custos. Mas está menos hoje do que estava ontem. Na medida em que os usuários espontâneos ainda são principalmente de classe média, as redes sociais a mobilizam muito mais hoje. Mas não será assim amanhã. E o perfil dos mobilizados irá correspondendo ao perfil da sociedade.

4. Ex-Blog: Mobilizados?
CM: Sim. Estamos passando do que os sociólogos chamavam e chamam de sociedade civil organizada para outro momento: sociedade civil mobilizada.

5. Ex-Blog: O que mobiliza as pessoas via redes sociais? Quais as demandas?
CM: Essas respostas que os sociólogos e politólogos entrevistados pela imprensa procuram dar (contra a corrupção, por melhores e mais baratos serviços, contra os partidos, contra os políticos) partem da mesma lógica da sociedade civil organizada, racional e reivindicatória. Eles deveriam introduzir em suas análises alguns elementos da pós-modernidade.

6. Ex-Blog: Quais?
CM: A mobilização como um fim. A mobilização como entretenimento. E as demandas vão entrando pela facilidade de mobilizarem. E esse não é um processo racional, mas uma espécie de web-darwinismo, onde sobrevivem na rede as ideias que produzem maior interação e que mobilizam. Que destaques são dados pela imprensa? Claro, aquelas postagens, vídeos..., que têm o maior número de acessos.

7. Ex-Blog: Como os políticos podem participar das redes sociais?
CM: De duas maneiras. Horizontalmente como cidadãos-indivíduos empoderados como todos e, –atenção- atentos diariamente ao web-darwinismo e buscando jogar nas redes sociais suas ideias com a linguagem das redes sociais e, assim, entrando no jogo do multiplicador, com humildade.

8. Ex-Blog: Que livros recomendaria aos que nos acompanham?
CM: Um autor do final do século XIX. O fundador da microssociologia, da micropolítica. O francês Gabriel Tarde, que antecipa tudo isso em seu genial “As leis da imitação” (Les Lois de L’Imitation), publicado em 1890. E, infelizmente, não traduzido para o português. Em português temos um livro que ajuda muito (tese de doutoramento de 1994), de Eduardo Viana Vargas, publicado em 2000: “Antes Tarde do que Nunca: Gabriel Tarde e a Emergência das Ciências Sociais”, Contracapa Editora”.
(Ex-Blog do Cesar Maia, 16/07/2011)


julho 11, 2013

“Estamos vivendo
tempos revolucionários!!!
As pessoas querem
mudar o mundo!”

John C. Calhoun - 7º Vice-Presidente dos EUA

“O intervalo entre a decadência do antigo e a formação e o estabelecimento do novo constitui um período de transição, que deve sempre ser necessariamente de incerteza, confusão, erro e fanatismo selvagem e feroz”
John C. Calhoun/7º Vice-presidente dos EUA.

Essa “ONDA DE MUDANÇA” que está acontecendo nos países árabes e na Europa e, agora, no Brasil, traz de forma emblemática o desejo de “mudar o mundo”: suas estruturas superadas, sua economia superada, suas leis defasadas, seus partidos políticos ultrapassados, a corrupção crescente, sua moral discutível e seus valores estagnados... É o “antigo” a impedir que o “novo” se estabeleça. As mudanças ocorridas com a chamada REVOLUÇÃO DA INFORMAÇÃO, com as redes sociais mobilizadas, realmente transformou o Planeta Terra na ALDEIA GLOBAL na qual estamos vivendo.

Em artigo no “Estadão”, de 07/07/2013, o sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso observou bem que “a novidade, em comparação com o que ocorreu no passado brasileiro (nisso nosso movimento se assemelha aos europeus e norte-africanos), é que a mobilização se deu pela internet, pelos twitters e pelos celulares, sem intermediação de partidos ou organizações e, consequentemente, sem líderes ostensivos, sem manifestos, panfletos, tribunas ou tribunos. Correlatamente, os alvos dos protestos são difusos e não põem em causa de imediato o poder constituído nem visam questões macroeconômicas, o que não quer dizer que esses aspectos não permeiem a irritação popular.”

Então, as pessoas realmente sentem que podem mudar o mundo. Mas é muito difuso o movimento popular. Na frase que abre este post, o 7º vice-presidente dos Estados Unidos, John C. Calhoun, praticamente retrata o que vem ocorrendo, HOJE, em nosso Planeta, pela pesquisa da “Frase da Semana” da nossa colaboradora Regina Claudia Brandão dos Santos:

“O intervalo entre a decadência do antigo e a formação e o estabelecimento do novo constitui um período de transição, que deve sempre ser necessariamente de incerteza, confusão, erro e fanatismo selvagem e feroz”

Daí a importância do estudo do sociólogo Paolo Gerbaudo sobre as manifestações que estão assustando o mundo todo e a importância de um rumo, através de uma organização a ser estruturada em substituição à atual realidade política (partidos políticos) e à repulsa explícita aos políticos. É preciso conseguir ultrapassar esse INTERVALO entre a decadência do antigo e a formação e o estabelecimento do novo!!! Vejam o que diz esse sociólogo italiano Paolo Gerbaudo que saiu no Blog do Cesar Maia:

"AS PESSOAS SENTEM QUE PODEM MUDAR O MUNDO"!

(Paolo Gerbaudo, sociólogo e jornalista, estuda novas manifestações - trechos da entrevista à 08)
Folha de SP, 08)

“1. A ascensão das redes sociais permite que a sociedade se organize de forma mais difusa, especialmente as classes médias emergentes e a juventude das cidades. Isso desorientou os políticos e os velhos partidos, que estavam acostumados a buscar consensos através dos meios de comunicação de massa.

2. Os partidos têm pouco a fazer diante das novas formas de comunicação mediadas pelas redes sociais. A não ser que mudem completamente as suas práticas, baseadas no velho sistema de quadros e caciques locais, e se abram para novas formas de participação popular. Há um problema fundamental na democracia representativa como ela existe hoje. Ou os partidos encontram um caminho para reconquistar legitimidade, ou vão ser superados por novos partidos sintonizados com as demandas da sociedade pós-industrial de hoje.

3. A crítica à partidocracia é legítima. Por outro lado, às vezes parece haver nos movimentos uma crença quase religiosa de que é preciso eliminar todas as mediações. Eles parecem ter a ilusão de que a solução é eliminar os partidos, os sindicatos. A política é uma obra coletiva, não um agregado de indivíduos. São blocos diferentes que interagem. Para isso, você precisa dos partidos. Eles sempre existiram e sempre vão existir.

4. Mas, assim como aconteceu lá, é de se apostar que o outono brasileiro' vai ressurgir em novas ondas e novas formas. Estamos vivendo tempos revolucionários, em que as pessoas voltaram a sentir que podem mudar o mundo. Veja o que está acontecendo agora no Egito.”
(Blog do Cesar Maia – 08/07/2013)

abril 30, 2013

“O suicídio assumido
do Estadão”...

BYE-BYE JORNALÕES!!!

Em seu artigo de hoje, 30/04/2013, no “OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA” o jornalista Alberto Dines analisa a “mudança anunciada” do “Estadão”. Em ampla publicidade pela TV, o centenário jornal paulista anuncia o seu “emagrecimento racional” durante a semana e a sua “programação completa” no final de semana...(me engana que eu gosto...)


A verdade verdadeira é que o jornalismo brasileiro, de uma forma geral, não se renovou e não inovou na batalha diária do jornalismo que informa e dá condições para seu leitor “formar” a sua opinião.

Diz, Alberto Dines:

“De repente, a esqualidez coletiva, a magreza como exercício de descartabilidade. O suicídio assumido publicamente pelo antigo Estadão a partir da segunda-feira (22/4) foi compartilhado com uma sensação de alívio pela concorrência. O novo figurino Ersatz – sucedâneo inferior – caiu do céu, presente dos deuses. É extremamente conveniente aos diários ditos nacionais e regionais, finalmente desobrigados de competir em qualidade e densidade.”

E mais:

“A autoflagelação do antigo Estadão é apenas o começo de uma perigosa desertificação jornalística. Se até agora se gastava no fim de semana pelo menos duas horas para ler a safra de jornais e revistas, o tempo de leitura vai se reduzir substancialmente. Pouco adiantará esticar os infográficos, dramatizar os episódios policiais e as abobrinhas oriundas da TV.
Nosso jornalismo esgotou-se, patina na desimportância, incapaz de reencontrar as fontes de vitalidade e renovação. Nem a antecipação do embate presidencial conseguirá aumentar a circulação ou a receita da mídia impressa porque onde não há diversidade, não há surpresas. O inesperado não se sustenta automaticamente.”

E trás um argumento que retrata a sociedade civil brasileira, tão amorfa e indiferente à “roubalheira institucionalizada” e à “descrença propositalmente colocada” das instituições democráticas que os “políticos no poder” tem, sistematicamente, lhe mostrado:

“As elites endinheiradas não gostam de jornais opulentos, substanciosos, preferem a sublime dramaturgia das telenovelas, fingem que são informadas pelas mídias sociais e adoram desfolhar revistas com as irresistíveis citações proferidas por celebridades de shortinho.
Já as empresas jornalísticas, incapazes de multiplicar talentos e há décadas apostando em estrelas fatigadas pela rotina da submissão, começaram a afiar bisturis e guilhotinas, ávidas para cortar custos e gorduras.”

Vamos, cada um de nós, fazer a nossa parte. No jornalismo tradicional e na internet é possível exercer a cidadania necessária e condenar, repetidamente se for preciso, os maus políticos e os corruptos “encastelados”!!!

fevereiro 16, 2013

Tuitar e pensar
ao mesmo tempo, não dá?!?

“As idéias ousadas estão praticamente fora de moda.”
Argumento Lógico. Não é segredo, especialmente nos Estados Unidos, que vivemos numa era pós-Iluminismo na qual racionalidade, ciência, argumento lógico e debate perderam a batalha em muitos setores e, talvez, até na sociedade em geral, para superstição, fé, opinião e ortodoxia. Embora continuemos fazendo avanços tecnológicos gigantescos, podemos estar na primeira geração que girou para trás o relógio da história – que retrocedeu intelectualmente de modos avançados de pensar para os velhos modos das crenças. Mas pós-Iluminismo e pós-idéia, embora relacionados, não são exatamente a mesma coisa.
Pós-Iluminismo refere-se a um estilo de pensar que já não mobiliza as técnicas de pensamento racional. Pós-idéia refere-se ao pensar que não é mais feito, independentemente do estilo.”

(NEAL GABLER/ THE NEW YORK TIMES/ ESTADÃO/ 21/08/2011)
 
Desde o início nos propusemos a fazer deste blog um FORUM CULTURAL, onde a intelligentzia brasileira pudesse levantar os seus problemas, realizar os grandes debates, caminhar em busca das informações para convertê-las em alguma coisa maior que meros fatos e transformá-las em idéias que explicassem essas mesmas informações...

No jornal “O Estado de S. Paulo”, o artigo “A enxurrada de enganosas grandes idéias”, de Neal Gabler do “The New York Times”, aborda esse tema controverso, mas indispensável para que não nos tornemos meras figuras repetitivas e vazias no “imenso universo informativo” que chegou via internet.

Explica o autor, que no passado, “buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente conhecê-lo, que é a função primordial das idéias. Grandes idéias explicam o mundo e nos explicam uns aos outros.”

Assim, nesse caminhar da humanidade, vimos que “Karl Marx chamou a atenção para a relação entre os meios de produção e nossos sistemas sociais e políticos. Sigmund Freud nos ensinou a explorar nossas mentes como meio para compreender nossas emoções e comportamentos. Einstein reescreveu a física. Mais recentemente, Marshall McLuhan teorizou sobre a natureza da comunicação moderna e seu efeito na vida moderna. Essas idéias permitiram que nos desprendêssemos de nossa existência e tentássemos responder as grandes e atemorizantes questões de nossas vidas.”

E vejam o alerta que o autor faz de uma indiscutível verdade: “Mas se a informação foi um dia um alimento de idéias, na última década ela se tornou sua concorrente. Estamos como o agricultor que possui trigo demais para fabricar farinha. Somos inundados por tanta informação que não teríamos tempo para processá-la mesmo que quiséssemos, e a maioria de nós não quer.”
E o mundo vai se transformando rapidamente. A realidade midiática, através das redes sociais, principalmente, tem provocado verdadeiras revoluções comportamentais que os mais otimistas não esperavam nem para as próximas gerações. A Revolução da Informação, tem proporcionado as grandes rebeliões da Ásia e da África e a derrubada de Ditaduras cruéis e violentas; mas tem, também, proporcionado a Revolta dos Indignados da Europa que querem uma Democracia mais dinâmica e em consonância com os anseios da sociedade, com mais empregos e uma dinâmica maior no processo produtivo. E, para mais uma grande surpresa, também através das redes sociais, os Vândalos Londrinos chocaram o mundo ao explicitarem que a mobilização rápida e abrangente das pessoas pode ser tanto para o bem como para o malfeito.

Assim, com toda a facilidade que a internet nos trouxe, “preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato. Ele nos mantém “por dentro”, nos mantém conectados com nossos amigos e nossa tribo.” E o autor nos alerta: Não é por acaso, com certeza, que o mundo pós-idéia brotou com o mundo das redes de relacionamento social. Apesar de haver sites e blogs dedicados a idéias, Twitter, Facebook, Myspace, etc., os sites mais populares na web, são basicamente bolsas de informações destinadas a alimentar a fome insaciável de informação, embora essa dificilmente seja do tipo de informação que gera idéias. Ela é, em grande parte, inútil exceto na medida em que faz o possuidor da informação se sentir, bem...informado.
E a nossa realidade na comunicação virtual, via internet, está cada vez mais assumindo um aspecto de padronização negativa. Vamos ao que diz o autor: “...os sites de relacionamento social são a principal forma de comunicação entre jovens, e estão suplantando os meios impressos, que é onde as idéias eram tipicamente gestadas. Depois, os sites de relacionamento social criam hábitos mentais que são inimigos do tipo de discurso deliberado que dá origem a idéias. Em lugar de teorias, hipóteses e argumentos importantes, obtemos tuíters instantâneos de 140 caracteres sobre comer um sanduíche ou assistir um programa de TV.

Assim, a facilidade das redes sociais tendem a “encolher o universo da pessoa a ela mesma e seus amigos, enquanto pensamentos organizados em palavras, seja online seja na página impressa, alargam o foco pessoal”.



Tuitar e pensar ao mesmo tempo, não dá...

“...não se pode pensar e tuitar ao mesmo tempo, não por ser impossível fazer tarefas múltiplas, mas porque tuitar – que é, em grande parte, um jorro, ou de opiniões breves sem sustentação, ou de descrições breves das próprias atividades prosaicas – é uma forma de distração e anti-pensamento.”

E para a nossa sociedade , diria até mais, para a própria humanidade que não pensa grande, os resultados serão pífios para as próximas gerações. Mesmo porque as idéias não são meros brinquedos intelectuais, trazendo – com certeza – conseqüências práticas imprevisíveis.

E o autor conclui seu pensamento com um desafio para que tenhamos idéias ousadas mas, principalmente, que pensemos, pensemos muito!

Nós nos tornamos narcisistas da informação, tão desinteressados por qualquer coisa fora de nós e de nossos círculos de amizade ou por petisco que não possamos partilhar com esses amigos que se um Marx ou um Nietzsche surgisse subitamente trombeteando suas idéias, ninguém lhes daria a menor atenção, certamente não a mídia em geral, que aprendeu a servir ao nosso narcisismo. O que o futuro pressagia é cada vez mais informação. Não haverá nada que não conheçamos. Mas não haverá ninguém pensando nisso. Pense nisso.”

dezembro 16, 2011

O “Manifestante” é a “Personalidade do Ano!”



"Da Primavera Árabe a Atenas, do 'Ocupem Wall Street' a Moscou", afirma a revista na capa, que mostra uma jovem com a metade inferior do rosto coberta por um lenço.” (TIME)

A revista TIME é uma das mais importantes revistas do mundo. Desde 1927, elege o “Homem do Ano”, sempre procurando destacar quem mais se destacou positivamente no mundo. A partir de 1999, a revista altera a titulação do prêmio para a “Personalidade do Ano”. Assim, foram “Personalidades do Ano”: o fundador do Facebook, o presidente Barack Obama, o premier russo, Putin entre tantas outras personalidades que se destacaram positivamente em seus países, nos respectivos anos.

Revista TIME escolhe a “personalidade do ano de 2011”/ veja vídeo da Globo News aqui



Com essa “ONDA DEMOCRÁTICA” que passou a mobilizar milhões de seres humanos em todo o mundo pelos mais diversos motivos, MAS todos mobilizados pela mídia virtual – a Internet -, que através das redes sociais, transformou, realmente, o nosso Planeta em uma ALDEIA GLOBAL.



Partiu da "Primavera Árabe a Atenas, do 'Ocupem Wall Street' a Moscou", com repercussões e mobilizações de populares em vários países do mundo.
A revista “TIME” decidiu que a melhor homenagem seria ao “MANIFESTANTE”, àquele cidadão que levantou a sua voz em defesa de seus direitos e em defesa dos direitos de seu povo. A revista salientou as semelhanças dos movimentos que varreram o mundo em 2011. "É impressionante o quanto os manifestantes têm em comum. Em todos os lugares eles são jovens, de classe média e bem educados. Quase todos os protestos deste ano começaram independentemente, sem muito ou qualquer encorajamento de partidos políticos existentes ou da oposição. Ao redor do mundo, os manifestantes de 2011 compartilham a crença de que o sistema político de seus países se tornou disfuncional e corrupto - democracias disfarçadas para favorecer os ricos e poderosos e impedir mudanças significativas".



O presidente Obama já declarou que é preciso acabar com a DITADURA DE WALL STREET que tem criado e manipulado crises e favorecido o Capital Especulativo e Apátrida.



No Brasil, os movimentos contra a corrupção estão apenas sendo iniciados, mas a homenagem da revista TIME, neste ano, não foi para uma determinada personalidade e, sim, para o “MANIFESTANTE”, que simbolicamente representa milhares de homenageados em todo o mundo!

INDIGNEZ-VOUS!”/ INDIGNAI-VOS!

Stéphane Hessel, um francês com 93 anos (!!!) escreveu e publicou um opúsculo, de 30 páginas, com o título acima. Esse livreto está batendo o recorde de vendas na França, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos! É um chamamento cívico para que as novas gerações se mobilizem e demonstrem a sua discordância com a realidade política dos chamados países desenvolvidos e da chamada democracia tradicional (democracia meia-sola).


O “Indignai-vos” foi traduzido para várias línguas, inclusive para o português. E ganhou repercussão mundial, graças à divulgação dada pela rede virtual. Tornou-se o símbolo de um movimento que pretende ser o contraponto a tudo o que representa o atual processo de globalização.

Muito importante é a inovação na organização do movimento: NADA DE PARTIDOS POLÍTICOS!!! É, sem dúvida, uma busca ao ideal da democracia, como na Grécia! Não há no movimento europeu a representação e a delegação de poderes, nada de partidos e nem de sindicatos...

Com a presença de intelectuais, artistas, escritores, estudantes, professores, pesquisadores, profissionais liberais, o movimento dos INDIGNADOS reconhece a necessidade de institucionalizar politicamente as mudanças necessárias e, no nosso caso, será através da sociedade organizada chegando à CONSTITUINTE, com prioridade para a Reforma Política!

Diga PRESENTE você também! Seja um MANIFESTANTE!!!

setembro 21, 2011

O Jornalismo no interior: do Linotipo à Magia da Web/internet"

“Eu sempre acreditei que até a democratização dos meios de comunicação seria uma luta política. Acabei descobrindo que se tornou uma conquista tecnológica. Hoje, todo mundo pode ser o seu próprio Roberto Marinho...”
Fernando Morais – jornalista e escritor.

Exatamente isso, com a Revolução da Informação, tudo se tornou acessível em termos de comunicação: a telefonia celular, a internet, os blogs, o Facebook, o Orkut, o Twiter (as redes sociais), as redes internacionais de televisão e demais recursos da tecnologia audiovisual levam a todos os rincões do planeta a realidade de nosso tempo. Simples assim... Por esses poderosos meios de comunicação, as pessoas se conectam rapidamente, levando notícias, relatando online as suas expectativas e as suas esperanças. Assim, a Aldeia Global se corporifica no avanço tecnológico da comunicação via internet...

Está certo o jornalista e escritor Fernando Morais. Hoje, é possível ter o seu próprio site e o seu blog, conectando-se com cidadãos, propondo mudanças, relatando fatos, cobrando soluções, enfim, fazendo a parte cívica que lhe cabe no exercício da cidadania.

Mas nem sempre foi assim. Na minha caminhada no jornalismo, eu vivi a fase mais difícil da imprensa interiorana na cidade de Botucatu/SP. Com o jornal estudantil “Tribuna do Estudante” (1963) e com o jornal alternativo “Vanguarda de Botucatu” (1970), o processo gráfico de composição das matérias era através da tipografia, compondo letra a letra com os respectivos tipos. A destreza dos gráficos era impressionante e, pinçando os tipos, as palavras, as frases e o texto iam surgindo nas chapas que seriam, ao depois, impressas. Já com o “Jornal de Botucatu” (1980), a composição era feita em linotipo, representando um avanço tecnológico muito grande. Aos poucos, com a popularização da off-set, a feitura de jornais passou a ser mais fácil e mais rápida. Era a democratização chegando na mídia imprensa.

O jornal “Vanguarda” representou um avanço em termos de comunicação em uma cidade do interior: surgiu como uma nova proposta de se fazer jornalismo. Surgiu moderno e participante. Surgiu meio alternativo, mas absolutamente entrosado com o seu tempo e com a geração jovem que buscava caminhos e queria respostas...
Na imprensa interiorana sempre aparecem órgãos que permanecem como divisores de águas, como delineadores de mudanças desejadas... Assim foi com o jornal “Vanguarda de Botucatu”, surgido em 1970, e tendo por lema:



UM JORNAL DE VANGUARDA/ A IMPRENSA NO INTERIOR/ leia aqui

“O Jornal Jovem para a Nova Botucatu”.

Com muita ousadia, o “Vanguarda” se inspirou no também revolucionário jornal alternativo “O Pasquim”, editado no Rio de Janeiro, que trazia uma mensagem de mudança, de combate a favor da democracia e muita, muita criatividade. Um grupo de intelectuais de vanguarda, comandava esse jornal que passou a ser um “guia” para a juventude brasileira, sequiosa de participação e inconformada com o imobilismo do país durante o Regime Militar. Nessa mesma linha, surgiram os tablóides “Opinião” e “Movimento”. Esse estilo predominava: tablóide, colorido, com a primeira página sempre com uma diagramação impactante , com fotos em destaque ou ilustrações sugestivas. Era muito, muito diferente dos vetustos e tradicionais jornais da imprensa brasileira...

Já, em 1980,10 anos depois, ao transformar o “Vanguarda”(tablóide mensal) em bi-semanário, com nova denominação, “Jornal de Botucatu”, busquei inspiração no mais moderno e mais novo jornal paulista: o “Jornal da Tarde”. O título, em letras minúsculas, era uma ousadia positiva. E para acompanhar o layout, pedi para que o prof. Vinício Aloise – Mestre da ilustração – idealizasse, estilizada, a Igrejinha de Rubião Jr., com arquitetura medieval e localizada no topo do Morro de Rubião Jr. De 1980 até final dos anos 90, reinou absoluto, permanecendo até os anos 2005/6.



Em 2004, numa somatória das experiências anteriores, lançamos o “Jornal da Cuesta”, numa referência à CUESTA DE BOTUCATU, que é uma forma de relevo escarpada em um dos lados, um verdadeiro degrau, marcando o início do Planalto Ocidental Paulista. A série “A Muralha”, da Rede Globo mostrou bem esse típico relevo encontrado à partir do litoral paulista.



Essa experiência foi abrangente, moderna, colorida e com uma diagramação agressiva e revolucionária, em termos gráficos.Totalmente digitalizado, era impresso nas poderosas rotativas do “Jornal da Cidade”, conceituado jornal da cidade de Bauru. A diagramação era feita pelo Edil Gomes (Gráfica e Editora Diagrama) e enviado, via internet para Bauru, ficando pronto logo em seguida, quando era mandado de volta para Botucatu.

Ao mesmo tempo, em 1997, um grupo de intelectuais botucatuenses partiu para a edição de uma revista cultural. Teria uma periodicidade bi-mensal e procuraria colocar em discussão fatos e registros históricos da cidade e região além do trabalho de sua comunidade ligado à cultura de uma forma ampla para que se pudesse construir e registrar a nossa identidade cultural, o nosso perfil como comunidade progressista e de vanguarda. Assim, recebeu a denominação de “Revista Cultural Peabiru”, numa referência ao caminho pré-colonial que ligava São Vicente até Kusko, no Peru.


Peabiru: Uma Revista Cultural!/ A “Intelligentzia brasileira”/ leia aqui

À partir de 2010, com o nosso site e, em 2011, com o Blog do Delmanto, entramos definitivamente nesse mundo virtual que transformou, efetivamente, o mundo em uma Aldeia Global.



E o Blog do Delmanto, para nós, assume aspectos especiais de comemoração, exatamente por ser online e estar amplamente conectado. E teria que ser algo diferente, um veículo para mudança e que trouxesse uma contribuição efetiva ao debate das idéias.
Com seu material postado dentro da tecnologia disponível, mas com uma edição “espartana”, com critério profissional, dedicação e idealismo, muito idealismo.

Voltado à renovação política e à construção da cidadania , este Blog terá a missão de provocar o debate, convocando a intelligentzia brasileira (emprestemos a expressão russa para definir parte da nossa comunidade intelectual) para a discussão de temas de interesse do país, sempre valorizando o cidadão, despertando valores e delineando novos rumos para a solução dos problemas que estão dormentes há muito tempo...

O Blog do Delmanto pretende ser uma bandeira de luta a favor da cultura nacional, priorizando as nossas coisas, o nosso folclore, a nossa memória histórica, e mais, descortinando o futuro com audácia cívica e muita criatividade, fazendo do presente uma vivência rica no exercício pleno da cidadania.

Com nítida noção de nossa real dimensão e sem quere abranger mais que o espaço democrático que a “Revolução da Informação” trouxe para o mundo todo, transformando em realidade concreta a “Aldeia Global”, que igualou a todos no acesso à comunicação e à realidade dos cidadãos de qualquer país e em qualquer continente.

Então, os jornais impressos deixarão de existir?!?

Claro que não!

Jornais vão sempre perdurar, mesmo neste momento de auge da reverberação virtual, por esse mundão sem dono.
Novos modelos vem surgindo, e a indústria jornalística se reinventará, numa recuperação autônoma, e usará, com grande propriedade, claro, o estado tecnológico que em anos anteriores teria beneficiado as referências livres, e se tornar a nova referência informativa.

agosto 26, 2011

Idéias ousadas & é preciso pensar!

“As idéias ousadas estão praticamente fora de moda.”

Argumento Lógico. Não é segredo, especialmente nos Estados Unidos, que vivemos numa era pós-Iluminismo na qual racionalidade, ciência, argumento lógico e debate perderam a batalha em muitos setores e, talvez, até na sociedade em geral, para superstição, fé, opinião e ortodoxia. Embora continuemos fazendo avanços tecnológicos gigantescos, podemos estar na primeira geração que girou para trás o relógio da história – que retrocedeu intelectualmente de modos avançados de pensar para os velhos modos das crenças. Mas pós-Iluminismo e pós-idéia, embora relacionados, não são exatamente a mesma coisa.
Pós-Iluminismo refere-se a um estilo de pensar que já não mobiliza as técnicas de pensamento racional. Pós-idéia refere-se ao pensar que não é mais feito, independentemente do estilo.”
(NEAL GABLER/ THE NEW YORK TIMES/ ESTADÃO/ 21/08/2011)



Desde o início nos propusemos a fazer deste blog um FORUM CULTURAL, onde a intelligentzia brasileira pudesse levantar os seus problemas, realizar os grandes debates, caminhar em busca das informações para convertê-las em alguma coisa maior que meros fatos e transformá-las em idéias que explicassem essas mesmas informações...

No jornal “O Estado de S. Paulo”, de 21/08/2011, o artigo “A enxurrada de enganosas grandes idéias”, de Neal Gabler do “The New York Times”, aborda esse tema controverso, mas indispensável para que não nos tornemos meras figuras repetitivas e vazias no “imenso universo informativo” que chegou via internet.

Explica o autor, que no passado, “buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente conhecê-lo, que é a função primordial das idéias. Grandes idéias explicam o mundo e nos explicam uns aos outros.”

Assim, nesse caminhar da humanidade, vimos que “Karl Marx chamou a atenção para a relação entre os meios de produção e nossos sistemas sociais e políticos. Sigmund Freud nos ensinou a explorar nossas mentes como meio para compreender nossas emoções e comportamentos. Einstein reescreveu a física. Mais recentemente, Marshall McLuhan teorizou sobre a natureza da comunicação moderna e seu efeito na vida moderna. Essas idéias permitiram que nos desprendêssemos de nossa existência e tentássemos responder as grandes e atemorizantes questões de nossas vidas.”

E vejam o alerta que o autor faz de uma indiscutível verdade: “Mas se a informação foi um dia um alimento de idéias, na última década ela se tornou sua concorrente. Estamos como o agricultor que possui trigo demais para fabricar farinha. Somos inundados por tanta informação que não teríamos tempo para processá-la mesmo que quiséssemos, e a maioria de nós não quer.”



E o mundo vai se transformando rapidamente. A realidade midiática, através das redes sociais, principalmente, tem provocado verdadeiras revoluções comportamentais que os mais otimistas não esperavam nem para as próximas gerações. A Revolução da Informação, tem proporcionado as grandes rebeliões da Ásia e da África e a derrubada de Ditaduras cruéis e violentas; mas tem, também, proporcionado a Revolta dos Indignados da Europa que querem uma Democracia mais dinâmica e em consonância com os anseios da sociedade, com mais empregos e uma dinâmica maior no processo produtivo. E, para mais uma grande surpresa, também através das redes sociais, os Vândalos Londrinos chocaram o mundo ao explicitarem que a mobilização rápida e abrangente das pessoas pode ser tanto para o bem como para o malfeito.

Assim, com toda a facilidade que a internet nos trouxe, “preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato. Ele nos mantém “por dentro”, nos mantém conectados com nossos amigos e nossa tribo.” E o autor nos alerta: Não é por acaso, com certeza, que o mundo pós-idéia brotou com o mundo das redes de relacionamento social. Apesar de haver sites e blogs dedicados a idéias, Twitter, Facebook, Myspace, etc., os sites mais populares na web, são basicamente bolsas de informações destinadas a alimentar a fome insaciável de informação, embora essa dificilmente seja do tipo de informação que gera idéias. Ela é, em grande parte, inútil exceto na medida em que faz o possuidor da informação se sentir, bem...informado.



E a nossa realidade na comunicação virtual, via internet, está cada vez mais assumindo um aspecto de padronização negativa. Vamos ao que diz o autor: “...os sites de relacionamento social são a principal forma de comunicação entre jovens, e estão suplantando os meios impressos, que é onde as idéias eram tipicamente gestadas. Depois, os sites de relacionamento social criam hábitos mentais que são inimigos do tipo de discurso deliberado que dá origem a idéias. Em lugar de teorias, hipóteses e argumentos importantes, obtemos tuíters instantâneos de 140 caracteres sobre comer um sanduíche ou assistir um programa de TV.

Assim, a facilidade das redes sociais tendem a “encolher o universo da pessoa a ela mesma e seus amigos, enquanto pensamentos organizados em palavras, seja online seja na página impressa, alargam o foco pessoal”.



Tuitar e pensar ao mesmo tempo, não dá...

“...não se pode pensar e tuitar ao mesmo tempo, não por ser impossível fazer tarefas múltiplas, mas porque tuitar – que é, em grande parte, um jorro, ou de opiniões breves sem sustentação, ou de descrições breves das próprias atividades prosaicas – é uma forma de distração e anti-pensamento.”

Revolução da Informação/ leia aqui

Revolta dos Indignados/ leia aqui

Os Vândalos Londrinos/ leia aqui

E para a nossa sociedade , diria até mais, para a própria humanidade que não pensa grande, os resultados serão pífios para as próximas gerações. Mesmo porque as idéias não são meros brinquedos intelectuais, trazendo – com certeza – conseqüências práticas imprevisíveis.

E o autor conclui seu pensamento com um desafio para que tenhamos idéias ousadas mas, principalmente, que pensemos, pensemos muito!

Nós nos tornamos narcisistas da informação, tão desinteressados por qualquer coisa fora de nós e de nossos círculos de amizade ou por petisco que não possamos partilhar com esses amigos que se um Marx ou um Nietzsche surgisse subitamente trombeteando suas idéias, ninguém lhes daria a menor atenção, certamente não a mídia em geral, que aprendeu a servir ao nosso narcisismo. O que o futuro pressagia é cada vez mais informação. Não haverá nada que não conheçamos. Mas não haverá ninguém pensando nisso. Pense nisso.”

agosto 20, 2011

Redes Sociais: Para Onde Vamos?!?

“Eu sempre acreditei que até a democratização dos meios de comunicação seria uma luta política. Acabei descobrindo que se tornou uma conquista tecnológica. Hoje, todo mundo pode ser o seu próprio Roberto Marinho...” Fernando Morais – jornalista e escritor.

Desde o início, nos propusemos a ser um FORUM CULTURAL, onde a “intelligentzia brasileira” pudesse buscar o debate aberto, eliminar suas dúvidas, partilhar suas experiências, enfim, participar, de forma efetiva, da construção da cidadania e do desenvolvimento sustentável do Brasil. E o surgimento, com vida própria e conseqüências marcantes, das redes sociais, tem deixado a “vanguarda pensante” de nossa sociedade com um interesse maior ainda, no entendimento desse fenômeno social e na interação que ele proporciona para as conquistas sociais e para a higienização política do país.



Redes Sociais/ Wikipédia/ leia aqui

Fórum Cultural e Político/ leia aqui

Recentemente, saiu um trabalho do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, muito bem elaborado e objetivo. Já temos publicado, como complementação para os nossos debates, textos publicados por terceiros, inclusive de Cesar Maia. Na busca da compreensão dessa Revolução da Informação que está tomando o mundo de assalto, com a Rebelião dos Indignados acontecendo na Europa, a Liberdade de Imprensa passa a assumir aspectos de importante ferramenta para a manifestação cada vez maior – até de maneira imprevisível! – dos segmentos sociais mais participativos.



A Liberdade de Imprensa/ Novos Caminhos/ leia aqui

A Revolução da Informação/ leia aqui

A Revolta dos Indignados/ leia aqui

Assim, trazemos para conhecimento e debate, este trabalho de Cesar Maia. É um esforço de um militante político diferenciado e que nunca esteve preso a “fórmulas” milagrosas de ideologias que atrasaram e manietaram, por décadas, a humanidade. Só a sua busca de compreensão, já o qualifica. Vamos lá:

REDES SOCIAIS ATROPELAM A 'SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA'!
1. Um acompanhamento cuidadoso das mobilizações ocorridas nos países árabes e na Europa, que vem sendo acunhadas de "os indignados", mostra a completa ausência indutora de sindicatos, associações locais ou profissionais ou partidos políticos. Essas mobilizações têm como vetores indutores as redes sociais, as mídias sociais.2. Ou seja: a chamada 'sociedade civil organizada' perdeu sua capacidade de mobilização e liderança, vis a vis as redes sociais. Isso vale também para os partidos políticos, que se fossilizam exclusivamente na atividade parlamentar e falam para eles mesmos e para os meios de comunicação.
3. Neste aspecto, essa é a primeira mudança profunda desde a revolução francesa, ou seja, desde mais de 200 anos. Portanto, essa mudança não deve ser tratada apenas como um fato interessante para a curiosidade dos analistas. Deve ser tratada como um fato histórico que muda as relações dentro da sociedade civil, dentro da sociedade política e entre ambas. As redes sociais superam a disjuntiva entre democracia representativa, via eleições parlamentares, e democracia direta, via sociedade civil organizada.
4. Uma democracia direta eletrônica com a característica básica de ser horizontal e não ter coordenações, lideranças e organizações estáveis. Não se consegue impor um clichê, ou um nome para um segmento em ebulição nas redes sociais. Não se pode chamar de associação, sindicato ou partido, esta ou aquela rede. Não tem forma nem sede.
5. E as associações civis e políticas que imaginarem poder usar as redes sociais como instrumentos seus, vão perder tempo. Elas têm, de certa maneira, de se dissolver nas redes, resgatando sua integridade pela unidade de suas idéias, sem a pretensão de reproduzir nas redes sociais a forma de fazer política social ou partidária à qual estão acostumados.
6. Esse é um processo que já começou e que vai desenvolver no tempo, os seus caminhos, os seus métodos. Os que pensam ser um modismo serão atropelados. Os que tiverem humildade e estudarem a sua lógica vão se antecipar aos demais nessa transição de organizações verticais rígidas para redes horizontais plásticas e automobilizáveis.
7. E de tal agilidade e rapidez, que quando se estiver fazendo um estudo de caso, outros estarão surgindo. Nenhum permanente na forma e todos permanentes no método”.
(Ex-Blog de Cesar Maia/19/08)