Argumento Lógico. Não é segredo, especialmente nos Estados Unidos, que vivemos numa era pós-Iluminismo na qual racionalidade, ciência, argumento lógico e debate perderam a batalha em muitos setores e, talvez, até na sociedade em geral, para superstição, fé, opinião e ortodoxia. Embora continuemos fazendo avanços tecnológicos gigantescos, podemos estar na primeira geração que girou para trás o relógio da história – que retrocedeu intelectualmente de modos avançados de pensar para os velhos modos das crenças. Mas pós-Iluminismo e pós-idéia, embora relacionados, não são exatamente a mesma coisa.
Pós-Iluminismo refere-se a um estilo de pensar que já não mobiliza as técnicas de pensamento racional. Pós-idéia refere-se ao pensar que não é mais feito, independentemente do estilo.”
(NEAL GABLER/ THE NEW YORK TIMES/ ESTADÃO/ 21/08/2011)
Desde o início nos propusemos a fazer deste blog um FORUM CULTURAL, onde a intelligentzia brasileira pudesse levantar os seus problemas, realizar os grandes debates, caminhar em busca das informações para convertê-las em alguma coisa maior que meros fatos e transformá-las em idéias que explicassem essas mesmas informações...
No jornal “O Estado de S. Paulo”, de 21/08/2011, o artigo “A enxurrada de enganosas grandes idéias”, de Neal Gabler do “The New York Times”, aborda esse tema controverso, mas indispensável para que não nos tornemos meras figuras repetitivas e vazias no “imenso universo informativo” que chegou via internet.
Explica o autor, que no passado, “buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente conhecê-lo, que é a função primordial das idéias. Grandes idéias explicam o mundo e nos explicam uns aos outros.”
Assim, nesse caminhar da humanidade, vimos que “Karl Marx chamou a atenção para a relação entre os meios de produção e nossos sistemas sociais e políticos. Sigmund Freud nos ensinou a explorar nossas mentes como meio para compreender nossas emoções e comportamentos. Einstein reescreveu a física. Mais recentemente, Marshall McLuhan teorizou sobre a natureza da comunicação moderna e seu efeito na vida moderna. Essas idéias permitiram que nos desprendêssemos de nossa existência e tentássemos responder as grandes e atemorizantes questões de nossas vidas.”
E vejam o alerta que o autor faz de uma indiscutível verdade: “Mas se a informação foi um dia um alimento de idéias, na última década ela se tornou sua concorrente. Estamos como o agricultor que possui trigo demais para fabricar farinha. Somos inundados por tanta informação que não teríamos tempo para processá-la mesmo que quiséssemos, e a maioria de nós não quer.”
E o mundo vai se transformando rapidamente. A realidade midiática, através das redes sociais, principalmente, tem provocado verdadeiras revoluções comportamentais que os mais otimistas não esperavam nem para as próximas gerações. A Revolução da Informação, tem proporcionado as grandes rebeliões da Ásia e da África e a derrubada de Ditaduras cruéis e violentas; mas tem, também, proporcionado a Revolta dos Indignados da Europa que querem uma Democracia mais dinâmica e em consonância com os anseios da sociedade, com mais empregos e uma dinâmica maior no processo produtivo. E, para mais uma grande surpresa, também através das redes sociais, os Vândalos Londrinos chocaram o mundo ao explicitarem que a mobilização rápida e abrangente das pessoas pode ser tanto para o bem como para o malfeito.
Assim, com toda a facilidade que a internet nos trouxe, “preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato. Ele nos mantém “por dentro”, nos mantém conectados com nossos amigos e nossa tribo.” E o autor nos alerta: Não é por acaso, com certeza, que o mundo pós-idéia brotou com o mundo das redes de relacionamento social. Apesar de haver sites e blogs dedicados a idéias, Twitter, Facebook, Myspace, etc., os sites mais populares na web, são basicamente bolsas de informações destinadas a alimentar a fome insaciável de informação, embora essa dificilmente seja do tipo de informação que gera idéias. Ela é, em grande parte, inútil exceto na medida em que faz o possuidor da informação se sentir, bem...informado.
E a nossa realidade na comunicação virtual, via internet, está cada vez mais assumindo um aspecto de padronização negativa. Vamos ao que diz o autor: “...os sites de relacionamento social são a principal forma de comunicação entre jovens, e estão suplantando os meios impressos, que é onde as idéias eram tipicamente gestadas. Depois, os sites de relacionamento social criam hábitos mentais que são inimigos do tipo de discurso deliberado que dá origem a idéias. Em lugar de teorias, hipóteses e argumentos importantes, obtemos tuíters instantâneos de 140 caracteres sobre comer um sanduíche ou assistir um programa de TV.
Assim, a facilidade das redes sociais tendem a “encolher o universo da pessoa a ela mesma e seus amigos, enquanto pensamentos organizados em palavras, seja online seja na página impressa, alargam o foco pessoal”.
Tuitar e pensar ao mesmo tempo, não dá...
“...não se pode pensar e tuitar ao mesmo tempo, não por ser impossível fazer tarefas múltiplas, mas porque tuitar – que é, em grande parte, um jorro, ou de opiniões breves sem sustentação, ou de descrições breves das próprias atividades prosaicas – é uma forma de distração e anti-pensamento.”
- Revolução da Informação/ leia aqui
- Revolta dos Indignados/ leia aqui
- Os Vândalos Londrinos/ leia aqui
E o autor conclui seu pensamento com um desafio para que tenhamos idéias ousadas mas, principalmente, que pensemos, pensemos muito!“
Nós nos tornamos narcisistas da informação, tão desinteressados por qualquer coisa fora de nós e de nossos círculos de amizade ou por petisco que não possamos partilhar com esses amigos que se um Marx ou um Nietzsche surgisse subitamente trombeteando suas idéias, ninguém lhes daria a menor atenção, certamente não a mídia em geral, que aprendeu a servir ao nosso narcisismo. O que o futuro pressagia é cada vez mais informação. Não haverá nada que não conheçamos. Mas não haverá ninguém pensando nisso. Pense nisso.”





























